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junho 30, 2007

Silêncio

Começou assim: a gente conversava bastante todo dia. Tinha sempre assunto. A gente se divertia dando volta no quarteirão, escutando música e falando. A gente nunca teve problemas.
Outro dia ela não falou nada e eu fiquei sem jeito e sem saber o que falar. A gente ficou sem jeito os dois juntos, de repente. Agora a gente não se fala já há oito anos. Acho que tenho que tomar a iniciativa, ela deve estar achando o mesmo, sei lá. Estou pensando o que eu posso falar pra ela. Estou pensando.

junho 24, 2007

Fiéis do prazer ou da tristeza?

Tudo o que você quiser saber sobre sexo, pode encontrar no livro sagrado dos cristãos. Instigado por Roberto D'Agostino, estudioso do assunto, fui conferir. Na bíblia, encontram-se indicações sobre como se comportar em relação a muitos assuntos relacionados ao melhor esporte do mundo. Muitos deles, são considerados pecaminosos ou proibidos por alguns seguidores da religião. Nada mais errado. Revela somente que falta à esses falsos fiéis a boa leitura do texto sagrado, que nos orienta perfeitamente na matéria. Incompreensíveis são portanto a carolice e a baixa eroticidade desses falsos seguidores da palavra.
Por exemplo: o sexo oral. Ao contrario do que muitos pensam, sexo oral não é somente falar de sexo, mas fazê-lo, com a boca. E não é absolutamente pecado, ao contrário, não fazê-lo é que é. Mas estamos aqui para esclarecer tudo. Por exemplo, quando é o homem a receber este presente de sua parceira, pode vir a dúvida: é legitimo alimentar-se com o resultado do prazer? Em outras palavras: pode engolir?

Em Cânticos 2:3, temos uma das inúmeras respostas:

“Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar”.

Pode engolir sossegada, que não é pecado. Na verdade, a bíblia condena o desperdício, jogar fora é que não pode, como veremos mais adiante.

Para eliminar as dúvidas sobre o cunilingus, pinçamos estes preceitos:
Cânticos 2:4

“Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.”

Ou então aqui:
Cânticos 4:16

“Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!”

Se alguém ainda teria alguma dúvida, neste trecho as coisas são bem mais claras:

Cânticos 5:1

“Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados. “

Outra indicação muito clara é quanto ao coito interrompido, prática extremamente insegura para quem quer evitar filhos, mas perfeita para quem transa com a cunhada, conforme descrito no Gênesis 38:9. Interessante notar que o Onã ficou famoso e virou até sinônimo de punheta, mas na verdade o seu lance é outro:

“Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão.”

Algumas partes do livro sagrado tratam porém do assunto em modo contraditório, precisa ficar atento. Nesse trecho a seguir, o escriba nos narra uma espécie de maldição da porra, pois o infeliz se lava e continua sujo:

Levítico 15:16/17

“16 Também o homem, quando sair dele o sêmen da cópula, toda a sua carne banhará com água, e será imundo até à tarde.
17 Também toda a roupa, e toda a pele em que houver sêmen da cópula se lavará com água, e será imundo até à tarde.”

Estranho, mas pelo menos fica sujo somente até a tarde. Logo mais à noite se pode sair de novo numa boa. Seguindo, aqui, de novo ele aconselha a mulher a engolir, mas sem fazer cara de feliz:

Números 5:24

“24 E a água amarga, amaldiçoante, dará a beber à mulher, e a água amaldiçoante entrará nela para amargurar.”

Um dos trechos com um grande número de interpretações possíveis, saiu da pena de João, que todos sabemos que devia fazer uso de substâncias, tal era a quantidade de visões de monstros voadores que povoavam sua mente. Aqui porém o caso não é de monstros. Nesse trecho, o apóstolo nos mostra o mestre dos mestres receitando a uma mulher o sexo oral com engolida. E pelo que entendi, ele não mandava ir na farmácia não, administrava ele mesmo a panacéia. Não bastasse, mandava chamar como testemunha, imagine quem, e com uma frase final de duplo sentido, bem ao estilo dos reis do baião.

João 4:10-16

“10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11 Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12 És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? 13 Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; 14 Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. 15 Disse-lhe a mulher: SENHOR, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la. 16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.”

Um dos maiores tabus sexuais refere-se ao sexo anal. Muitos pensam que se trata de transar com a Ana, mas não é isso. Faltariam Anas no mundo para tanta vontade, ou então as Anas coitadas, estariam em más condições muito cedo, com tanto serviço. No fundo, se trata de fazer as coisas de modo diferente, variações sobre um mesmo tema. Estranhamente, em um mundo que exalta a diferença, alguns maridos tem dificuldade em ver o outro lado de suas esposas. A Bíblia nos ensina a ter paciência:

Eclesiastes 3:1

“1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.”

Quebrada a barreira inicial, deve-se superar a barreira da dor, que antecede o prazer. Bem, é o que dizem, eu só digo por ouvir dizer. O livro que trata disso não poderia ter outro título: “Lamentações”. Indiretamente, o texto dá boas indicações às moças virgens de como gozar um pouco da vida sem ter que abandonar certos preconceitos, além de indicar a melhor posição para a prática.

Lamentações 2:10

“Estão sentados na terra, silenciosos, os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre as suas cabeças, cingiram sacos; as virgens de Jerusalém abaixam as suas cabeças até à terra”.

Com o tempo, as coisas assumem todo um outro valor. As palavras do Jeremias aqui são de jóia e prazer. Grande Jeremias:

Jeremias 49:4

“Por que te glorias nos vales, teus luxuriantes vales, ó filha rebelde, que confias nos teus tesouros, dizendo: Quem virá contra mim? “

A libido cresce e a sofreguidão dos corpos inunda o livro santo. A frase final é mais do que clara e patente:

Cântico dos cânticos 1:4

“Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam”.

A proposito de analidades, a religião cristã seguramente teria um outro tipo de visão de retaguarda se o Cristo não tivesse sido crucifixado mas sim empalado, pratica que aliás surgiu no seio da própria igreja alguns séculos mais tarde. Fico imaginando que ao invés de um crucifixo no peito, carregaríamos um simples palitinho na correntinha. Muito útil após a comunhão. O pior viria quando os fiéis se colocassem em fila para a tradicional beijação das chagas. Hoje, se beijam os pés e as mãos da imagem, nas chagas produzidas pelos pregos que foram ali enfiados. No outro caso, o que beijariam, meu Deus do céu! Seguramente, o mundo seria outro.

Muitos irão reclamar desse texto, quem sabe dizendo que é herético ou desrespeitoso. Pode ser até que tenham razão. Porém com uma simples interpretação de um texto que requer interpretações, não penso que se transgrida qualquer lei. Pode ser até mesmo que quem interpreta tudo em modo triste e assexuado esteja muito errado e que a minha leitura seja a correta. Além disso, não acredito que quem criou o mundo, o fez de forma tão mesquinha a ponto de nos encher de prazeres somente para proibi-los e escondê-los. Seria um absurdo infinitamente grande, em contraposição ao nada absurdo gosto inocente de dar duas risadas com as verdades eternas.

junho 21, 2007

Penso, logo desisto

Meu pensamento tem uma velocidade incrível. Eu penso e sinto de uma forma tão rápida, uma sucessão de imagens e sensações tão variada e fugaz que é impossível descrever. Escrever então é tão lento quanto alguém perseguindo uma bala.
Eu penso e sinto um monstro chinês, pele lisa, gordurosa, olhos puxados, babando.
Penso e sinto uma música. Penso e sinto cores. Penso e sinto festas e bandeiras. Os olhos de alguém. Penso e sinto cheiros e ritmos. Vejo uma planície e montanhas e máquinas, pessoas brigando. Vejo neve, animais, ônibus, um buraco, o vazio e tudo. Vejo e sinto tudo.
Mas não dá para descrever pois é tudo muito rápido. As coisas se sucedem. Vem e vão num raio. Aí penso. Só eu vejo e sinto o que vejo e sinto. Não adianta falar. Muito menos escrever. Pois o melhor da vida é estar vivo e o melhor lugar para se estar vivo é estar em si mesmo. Pronto, não escrevo mais. Ao menos não hoje. Não ia adiantar mesmo.

junho 15, 2007

Entrevista Trans-Oceânica

junho 12, 2007

Hermetismos Pascoais

Gianluca chegou e sempre que chega, fala. Ele conta das coisas que vê. Tem um brilho nos olhos de quem já viu muito mas sabe que não é tudo. Continua e presenciar e a contar para a gente. Me contou do sujeito que desceu pra tomar um café mascarado de Osiris mas que foi reconhecido pelo sotaque. Rimos muito com a historia daquele que determinou novos modelos quantísticos integráveis e publicou tudo na Uomo Vogue onde aparece fotografado por Karl Lagerfeld. Ele como sempre, também falou dos clássicos, como do cara que vai comprar cigarros e desaparece pra sempre. E não adianta tentar ser razoável com Gianluca, ele subverte as expectativas e nos transforma em ouvintes sem razão. As historias banais e clichê são obrigatórias e deliciosas, como boas musicas que gostamos de bisar. Restamos como o homem duro que querendo impressionar os convidados do jantar decora a sala de estar com redes de pescadores, chumaços de algas e caranguejos vivos em abundância.
Tomamos o café enquanto nos entretinhamos com a idéia da paranóia. A história do rapaz que quando saía de casa ouvia alguém dizendo: “está saindo, siga-o!” Ou da loucura de um tipo que se debruça na sacada do apartamento e joga aos passantes, copiosos maços de notas de 100, 200 e 500 euros. Será feliz? Pode bem ser.
Como o outro maluco contente que apresentou à câmara dos vereadores um projeto de transformação urbana que previa a criação de um grande boulevard batizado com seu próprio nome.
Gianluca vai falando e eu fico ouvindo, pois ele fala bem.
Me contou de um seu amigo que depois de entrar em contato com um grupo de miis monárquicos, abraça a causa e se auto proclama príncipe herdeiro da Itália.
Toquei pra ele um tema blue em dó menor, fá menor e sol menor. Esse som aparentemente o fez lembrar de coisas quase colocadas no esquecedouro. Me disse: acabo de me recordar daquele gajo que pratica complexos rituais purificadores deixando escorrer água sobre a cabeça enquanto três virgens espalham punhados de pétalas ao seu redor.

- Três virgens?
- Sim.
- Difícil pra burro!
- Dificílimo!
- E depois?
- Depois, se fecha em um silencio da mais profunda meditação com o objetivo declarado de atingir o budismo total em poucas horas.

A noite estava agradável e como ele fuma, saímos para uma caminhada. No percurso pude ouvir sobre um que se dirige ao banheiro e termina envolvido em uma espiral de violência, que provavelmente tinha por trás a vontade de Montezuma. E de outro ainda que depois de se livrar de inúmeras incumbências profissionais, desce ao bar pra um café travestido de coelho falante para não dar muita bandeira.
Foi agradável a visita de Gianluca e sempre muito elucidativa. Quando íamos nos despedindo, me confessou em voz baixa, quase um sussurro:

- Ontem, em um esguicho de adolescente entusiasmo, tentei a auto hipnose com o objetivo de me influenciar. E consegui.

Grande amigo.

junho 10, 2007

Ainda um assunto sério

No ultimo post falei do caso da mãe que matou a própria filha em uma que provavelmente foi uma crise de nervos causada por abuso de remédios associado a distúrbios psíquicos. Nessa semana, nos depoimentos que essa mãe prestou diante dos magistrados, novos elementos vieram compor esse mosaico terrível. Ela afirma ter sofrido abusos sexuais por longos nove anos quando ainda era menor de idade e por parte de um padre católico. Isso lhe causou um enorme desequilíbrio emocional a ponto de sentir-se inadequada no papel de mãe. Disse que sabia que não poderia continuar sendo uma mãe e portanto o ato de eliminar a filha foi uma ato de louca liberação. Imagino quais fantasmas esse padre pedófilo conseguiu implantar na mente dessa senhora.
Ironia ou não, na semana passada, um dos programas de análise e reportagens de denúncia que sempre gera grandes polêmicas, “Anno zero”, abordou esse assunto, padres pedófilos, justamente no dia que Marialisa foi morta. Naquela noite, foi apresentado um documentário produzido na Inglaterra pela BBC e que mostrava inclusive um caso de padre pedófilo brasileiro, condenado somente depois de ter girado por inúmeras paróquias e de ter abusado de dezenas de crianças. O documentário é "Sex crimes and the Vatican". Como estamos aqui no país mais próximo do Vaticano, tentou-se de todas as maneiras impedir que o programa, e o documentário, fossem apresentados. Faz parte da orientação da igreja colocar panos quentes sobre esse problema. Inclusive existe um manual de conduta para os bispos, sobre como se comportar quando de uma denuncia de pedofilia. O autor desse manual é conhecido: Joseph Ratzinger.

O tempora o mores!
Pois foi com não pequena surpresa que venho a saber de uma associação ou coisa do gênero, que promove uma espécie de Dia do orgulho pedófilo. O fim da picada.

Honestatis fructus in conscientia quam in fama reponatur!

Fecho com um vídeo que encontrei e que fala do tema do abuso, seus sintomas e consequências. Sempre esperando, talvez em modo um tanto iludido que possa servir para alguma coisa.

update - 12/06/2007- O site dos pedófilos orgulhosos saiu do ar. Menos mal.

junho 3, 2007

Marialisa e os remédios

Na quinta-feira de manhã Marialisa Concadoro não tinha ido a escola. Com seus seis anos, ela ainda dependia da mãe para que arrumasse os materiais e a acompanhasse no trajeto não muito longo. Naquele dia Marialisa estava ainda em casa as oito da manhã porque mamãe disse que não se sentia bem. Disse também que havia ligado para o papai, que chegaria logo. Marialisa estava olhando pela janela da sala, exatamente para ver quando o pai chegasse, quando sentiu algo lancinante. Sentiu o aço de uma faca de cozinha, daquela de se servir carne, lâmina de 11 centímetros e serrilhada, entrar em suas costas. Entrou quatro vezes e todas as vezes em modo profundo, sendo que uma delas perfurou o pulmão e outra raspou a aorta. A menina gritou. Conseguiu ainda correr e tentar se esconder no seu quarto. Mas naquela manhã sua mãe não estava mesmo muito bem. A seguiu e desferiu-lhe ainda mais 12 facadas. Algumas delas claramente colheram a pequena em atitude de defesa, pois as mãos estavam laceradas e um dos braços rasgado do pulso ao cotovelo. Ela ainda gritou e gritou. Vizinhos disseram que ouviram os terríveis sons, alguns pensaram tratar-se de alguém matando um animal, outros se preocuparam. Mas só. Nesse nosso mundo do individualismo e da privacidade assegurada, ninguém mexe um músculo, nem quando mamãe nos estraçalha com a faca da cozinha.
Quando papai finalmente chegou em casa encontrou a mulher e mãe de sua filha em pé na entrada que lhe disse simplesmente: “Olha ela ali”. O que viu era digno dos filmes de horror trash. Uma pequena criatura indefesa, deitada no corredor de entrada, sobre um lago de sangue. O mesmo sangue que pintou quase todo o apartamento, a demonstrar a dramaticidade da luta e da agonia. Chamados os paramédicos, Marialisa resistiu ainda por duas horas, mas as feridas eram muitas e o sangue perdido foi demais. As dez da manhã de quinta-feira, Marialisa, a simpática menina de 6 anos que naquele dia não foi à escola, morreu no hospital Santa Chiara de Trento.
O que me chama a atenção em um caso como esse, é que certos aspectos e detalhes que penso sejam fundamentais na elucidação, são apenas ventilados e imagino bem o porque disso. Explico. Os casos de mães que matam os filhos sem motivos aparentes e em geral em um “raptus” de loucura, são cada vez mais frequentes. Em todos os casos, sim, todos, as mães estariam com depressão mas medicadas e tomando remédios antidepressivos. Nas primeiras notícias sobre as tragédias esse detalhe aparece de relance para depois desaparecer completamente. Quando alguém afunda os cornos em um muro com o carro, correm a fazer o exame de sangue no infeliz e não é raro que se encontre do álcool à maconha ou cocaína. Isso é alardeado e explica a cagada. Seja porque são drogas ilegais ou porque o combate aos abusos do álcool seja quase tao consensual quanto o é o seu consumo.
Estranhamente, ou não, quando se levantam suspeitas a respeito de fármacos psicotrópicos legalmente adquiridos em farmácia com receita médica, um manto de silêncio cobre tudo. No caso em questão, a mãe agora será tratada como louca de pedra e coerentemente será dopada com quilos de fármacos, seguramente mais potentes e aniquilantes do que aquele que tomava antes. Até porque além de todos os eventuais problemas de depressão que já tinha, agora terá que administrar uma imensa culpa e que deverá assumir sozinha. Ninguém poderá dizer que essas loucuras possam ser causadas por uma pessoa que em um momento de maior desconforto possa ter engolido quatro ou cinco bolinhas a mais. Isso parece impossível. Alias, alguns doutores dirão que a simples suspeita de que fármacos desse tipo possam induzir comportamentos violentos só demonstram a ignorância sobre o assunto. Porém, se assim é, porque o debate não avança? Porque se mata o questionamento com prova de títulos e não com argumentos?
Eu conheci um rapaz há muitos anos que valendo-se da pouca ética de um farmacêutico, comprava sem receita um famoso remédio para tosse. Tomado em doses maiores o tal xarope o fazia ver coisas e pessoas. Ele conversou com Nero bem no meio do incêndio de Roma entre outros episódios. Esse remédio foi retirado do mercado. Porém os que entraram formam uma lista enorme. Quantas são as tias velhas completamente viciadas nessas pastilhas e que vivem como zumbis?
Será que basta escrever na bula os possíveis efeitos não desejados para poder se isentar de responsabilidade? Aliás, a leitura dessas bulas deveria ser uma matéria das escolas de segundo grau. Seja para informar que formar, ou seja, conhecer os efeitos dessas drogas e aprender a ler aqueles termos jogados ali. Porque, vamos dizer que você tenha um simples problema de ma digestão, compra umas pastilhas e vai ler o papelzinho pra saber o que pode causar. Vê coisas escabrosas ali mas toma mesmo assim e fica pensando que algo vai acontecer a qualquer momento. Isso porque ler bulas sem preparação pode te levar à depressão. E aí sim que você vai estar com problemas.