" /> Lixo Tipo Especial: maio 2007 Archives

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maio 31, 2007

Sebastião

Sebastião mora em um condomínio popular na periferia da cidade. Milhões de apartamentos todos iguais. Sebastião na segunda feira chegou mais cedo do trabalho. Teve uma manhã difícil além de um mau jeito nas costas. Sebastião passou pela enfermaria e com todos os papéis na mão foi pra casa. A dor o deixara já muito aborrecido e confuso. Sebastião naquele dia nem fez a parada nos boxes lá no bar do Nicolau. Sebastião queria chegar logo em casa, tomar um banho e cair na cama. Sebastião subiu as escadas com dificuldade. Mora no quarto andar e condomínio de pobre não tem elevador. Sebastião pensou em bater na porta mas ao mesmo tempo lhe ocorreu que a mulher poderia ter saído para comprar o pão. Buscou a chave no bolso e quando ia enfiá-la na fechadura, percebeu que a porta não estava trancada. Sebastião entra com cuidado. Sua cabeça está enorme, parece um balão, pois ela também dói, invejosa das costas. Está tudo uma bagunça. Sebastião se aborrece mas pretende somente descansar. Vai ao corredor e sente vozes. Com quem a mulher estaria falando já que não tem telefone em casa? Sebastião sente que a fúria está chegando. O que será de sua cabeça que já lhe tritura os miolos? Sebastião afasta lentamente a porta do quarto e vê que são dois os ocupantes da cama. Na penumbra vê bem que é um homem com uma mulher. Sebastião vê que estão pelados e promovendo a paz no mundo. Sebastião sobe nas tamancas. Dá um grito e apanhando um banquinho, avança como um viking alucinado por sobre o pobre homem. Senhor juiz, agora me diga. Que culpa tenho eu que Sebastião errou de apartamento, entrou no meu e me pegou no bem bom do meu aconchego? Os tiros que lhe dei foi porque pensei se tratar de assaltante. Acho também, como bem disse meu advogado, irrelevante o fato de que a mulher que estava comigo, que aliás ele nem viu, fosse a dele.

maio 26, 2007

Pura felicidade

Aqui um pouco de como anda a atmosfera por essas partes.

maio 23, 2007

QUEM TEM

NA LA
GE LA
DEI RA
DES CE
TU DO
CE LA
DO FRIO

maio 20, 2007

Blog de serviços

Conselhos de economia

Hoje falamos das diversas formas de investimento:

Fundos: Algo que vai ao fundo, em geral é muito difícil de recuperar. Sabe quando você vai em um lugar e encontra um bando de turistas jogando moedas em um poço? Todos quando fazem isso exprimem secretamente um desejo. Os investimentos em fundos são exatamente a mesma coisa com apenas uma diferença. Os caras do banco jogam teu dinheiro em um cofre em forma de tubo enterrado e você pode se esquecer dele, já que na verdade o tubo termina no cofre subterrâneo secreto dos diretores do banco que o abrem somente quando o fundo que administram vai em falência, o que ocorre em períodos pré-determinados. A moedinha que se joga no poço fica lá pra sempre, ao menos é o que você pensa. Conselho: fundo por fundo, o do poço custa só uma moedinha e a esperança dura a vida inteira. É o melhor investimento em fundos.

Poupança: Virou sinônimo de bunda e não é sem motivo. Isso porque a bunda é assim: por melhores que sejam os bens de deus que você come, ela devolve sempre uma merda. A poupança não è muito diferente, o que muda é que na proporção, a quantidade de merdinha que a poupança devolve é muito menor em relação à bunda. Conselho: gaste tudo com comida, da boa e da melhor.

Bolsa: Colocar o dinheiro na bolsa é sempre um investimento muito inseguro. Por dois motivos. Primeiro que muita gente que põe dinheiro na bolsa se esquece dele e ele fica lá por anos e anos. Quando encontram, o papa já não é o mesmo, o governo então nem se fala, sem contar que o país mudou de moeda e desvalorizou a mesma tantas vezes que com sorte você pode vender tuas notas em uma feira de antiguidades. O segundo motivo é que podem roubar tua bolsa, com facilidade maior ou menor, de acordo com o montante da aplicação, associado aos locais que você frequenta. Conselho: não coloque dinheiro dentro da bolsa, mas na bolsa, ou seja, compre somente bolsas de marca e nunca as cópias chinesas da esquina. Assim não vai sobrar nada pra botar dentro.

Ouro: Já foi o referimento monetário mundial. Os países mantinham reservas de ouro como lastro da moeda. Hoje, desclassificado, relegado a um segundo plano, o comércio de ouro se desenvolve nos botecos dos calçadões das cidades com mais de cem mil habitantes e entre cambistas que divulgam seu negocio através de aposentados transformados em placas humanas. Nesse mercado, se você vende ouro você perde dinheiro, mas em compensação se você compra, perde mais ainda. Conselho: A associação de proteção dos aposentados orienta o consumidor a ser ao menos politicamente correto e fazer negocio (e perder seu dinheiro) somente com os cambistas que garantem minimas condições de vida digna à suas placas, com guarda chuva e um copo d'água a cada duas horas.

Dólar: O nome já diz, è o dinheiro do lar, aquele que se guarda em casa. Segundo pesquisadores, 67% dos investimentos em dólar são feitos dentro de um açucareiro vazio em cima do armário da cozinha. O colchão perdeu muito terreno e ocupa hoje apenas um segundo lugar das preferencias, com reles 18%. Dos outros locais menos votados, o mais incomum é o dentro das cuecas, com apenas 0,01%. Conselho: Do açucareiro para a cueca pode causar coceira, mas da cueca para o açucareiro não é bom nem pensar.

Conselho final: Gaste tudo. Até porque, se você se obstinar a pagar todas as suas contas, não é que vai sobrar muita coisa daquela porcaria de salario que te dão em troca de você estar aí lendo bobagens na internet.

maio 15, 2007

Há muito tempo era diferente.

15.000 A.C., Vale dos ossos, caminho dos babuínos 32, caverna maior, buraco de estar, sol ainda alto. A fêmea chega e encontra o macho dormindo, coloca as folhas e os ramos que recolheu no canto da fogueira e vai também repousar um pouquinho. Está com os pés cortados pelos espinhos dos arbustos e depois de se limpar as feridas, deita-se ao lado do macho. Este, acorda e sem muita cerimônia dispara:
-Onde è que andava?
-Fui recolher ramos para o fogo
-Papo mole, você foi se encontrar com o bugre pintudo lá do vale.
-Que bugre pintudo? Tá sonhando? Acorda rapaz!
-Eu tô bem acordado, tô sabendo de tudo.
-Não seja ridículo. Eu sou mulher séria, do trabalho pra casa, da casa pro trabalho.
-Eu tô sentindo um fedor de bugre pintudo.
-Mas vai te catar, você ta confundindo tudo. Eu andei no lombo do mamute, é dele o cheiro.
-Mamute é?
-Sim… e olha, esse sim que è pintudo.

Com essa ultima frase da fêmea, o macho ficou ali por alguns minutos em silêncio, entregue a seus pensamentos, Imaginou milhões de coisas. Ficou tentando entender se a fêmea estava sendo irônica ou se tinha mesmo algo a ver com o mamute. O problema é que nem sabia o que vem a ser ironia. Pensou que era verdade. Mas era difícil de acreditar, impossível, inconcebível. Sua expressão facial era sempre mais atônita e depois de cinco minutos parecia já completamente imbecil. Ficou ali imbecil por mais cinco minutos e de repente, em um segundo a expressão mudou para raivosa. No segundo seguinte se dirigiu à fêmea:

-Me explica isso! – a fêmea dormia, chegando a roncolar levemente. Deu um salto:
-Explicar? O que?
-Essa historia do mamute!
-Mas o que è que houve com você? Bebeu de novo baba de tigre fermentada?
-Não desconversa, vagabunda.
-Vagabunda eu te mostro quem è, seu corno.
-Corno? – a essa altura o macho espumava pela boca enquanto repetia a plenos pulmões: - Corno? Corno? Repete se tem coragem!
-Corno, querido, no sentido de touro potente e raivoso.
-Ah! Touro potente? Você acha mesmo que eu me encaixo nessa imagem metafórica?
-O que? Imagem metafórica? Que merda è essa?
-Sei la, de vez em quando me vem umas coisas assim pra enfeitar o papo.
-Sei não, hein?
-Que que è? Agora vai dizer que meu papo não ta legal?
-Não, é que tá meio esquisito, meio fresco.
-Fresco? Você tá me abusando mulher! Você não sabe do que eu sou capaz! Olha pra mim, fico aqui o dia todo na caverna, lavo, passo, cozinho, deixo tudo arrumadinho pra você e você nem liga. Você deve pensar que eu passo o dia todo dormindo, que eu não faço nada. Na tua cabeça eu sou inútil. Só porque você é que caça e recolhe as frutas, não quer dizer que eu esteja aqui somente penteando as bonecas. Eu sou um macho sabe, e por isso mesmo, cheio de sentimentos.
-Ah, vem cá bobinho, não faz charminho não. Vem que eu te dou colo.
-Me da outra coisa também?
-Dou.

E assim a paz voltou no vale, depois da habitual batida de bicos de todos os dias, pura carência afetiva. A noite foi caindo devagar com seus mantos cor de cinza. Os pássaros buscavam voltar a seus ninhos, enquanto os outros animais procuravam um abrigo. Ao longe se ouvia um grunhido rouco. Parecia um gemido de prazer, como se um grande animal estivesse… rindo. Era o mamute.

maio 13, 2007

A música que faz mal

A família de músicos buscava um lugar onde reinasse a paz e a tranquilidade para poder exercitar sua arte. O pai, professor do conservatório musical de Trento, pianista, a mãe, clarinetista e o filho, um promissor violinista. Encontraram o tão sonhado paraíso às margens do lago de Caldonazzo, a alguns quilômetros da capital da província. Casa bela, espaçosa e com uma vista maravilhosa. Os dias da família transcorrem entre os sons imaginados por Mozart, Bach e Beethoven e ninguém, nem algum destes mesmos, poderia imaginar que essa vida pacata e cheia de arte fosse o motivo de uma ação judicial por moléstias de rumores e distúrbio da ordem. Mas assim foi.
Esta semana, a família que morava na casa ao lado, se mudou de lá, ao mesmo tempo em que apresentava uma denúncia e a apertura de uma ação para ressarcimento de danos. A família incomodada fez o que todo incomodado que se preze deve fazer, que é se mudar. Porém alegou que os ensaios e mini concertos familiares causaram distúrbios psicológicos à filha de vinte anos do casal. Ela começou a ter estados de ânsia e ataques de pânico, comprovados por laudos médicos e que a família atribui como causa a música que provinha da casa ao lado. Tudo agora esta nas mãos do ministério público. Anteriormente os músicos já tinham sido chamados ao juiz de pequenas causas e na ocasião, instalaram um revestimento fono-absorvente para minimizar os vôos dos acordes e arpejos. Mas ao que parece não foi suficiente. O anti musical vizinho alegou estar pronto a voltar e retirar a queixa caso haja o compromisso de se limitar os horários de ensaios. A família de músicos ainda não se pronunciou.
Interessante como as coisas são relativas. Chegou-se a afirmar que até vacas produzem mais leite debaixo das suaves melodias clássicas. No Japão, para produzir uma carne especial extra-macia, fazem os boizinhos ouvirem sonatas e quartetos de cordas. Mas como a pobre filha ansiosa pelo jeito não tem nada de vaca, sofreu muito com aquilo que as boas amigas bovinas apreciam. A música que se paga para ouvir, que enleva o espirito e nos livra dos demônios interiores, também pode fazer mal. Eu tenho meu rádio ligado e em geral com musica clássica, praticamente o dia todo. Essa gente poderia economiza horrores tendo de graça a música que quisessem, mas não gostaram disso. Talvez porque não tinham controle sobre isso. Precisamos controlar tudo à nossa volta. Temos obrigação de pilotar tudo, e, mais importante, protegendo a nossa sacrossanta privacy. O que é um retumbante engano aliado à uma redonda ilusão.
Começo a imaginar coisas. Imagino que seria uma ótima oportunidade não só de ter musica de graça mas de aprender algo com essa gente. E também a partir de uma possível amizade, ou quando muito, uma cordialidade de vizinhos, combinar civilizadamente os tais horários.
Mas a realidade vai além da imaginação. Fosse Milton Ribeiro o vizinho dos músicos, certamente o caso não pararia nos jornais, quando muito no seu blog. Ou quem sabe Milton se enfastiaria da mesma maneira? Estou confuso, confesso. Bem, como sempre.

maio 9, 2007

Descoberta

O futuro é o bambu.

maio 7, 2007

Elogio ao preâmbulo.

Já reparou que sempre, quando encontramos casualmente alguém ou mesmo quando devemos iniciar um diálogo, antes de imergirmos nas divagações abstratas e inúteis tais como política, trabalho e que tais, tendemos a demonstrar um mínimo contato com a realidade circustante falando do tempo. Se a comunicação entre duas pessoas fosse traduzida em um corpo, o falar do tempo seria a cabeça. O pecado é que rapidamente deixamos o concreto e nos ocupamos do etéreo. E ainda consideramos o mesmo como um simples preâmbulo, um modo de romper o silêncio e organizar as idéias. Mas que idéias!
A Verbeat sempre sai à frente dos outros ( tudo bem que os outros nos alcançam sempre) e decide botar os pés no chão, ainda que com os olhos voltados ao alto. E faz o elogio do preâmbulo. Queremos o paroxismo da concretude, súditos que somos da ditadura dos elementos primordiais. Porque algo que é fixo e constante na sua mutação perene, nos permite refletir profundamente sobre a nossa própria condição. Eu estou mergulhado nessa Atmosfera.

maio 3, 2007

Exercício de desperdício

Nos últimos dias escrevi vários posts para o blog. Juntei-os ontem, li-os, depois reli-os. Achei que estavam ótimos. Me fizeram muito bem o ato de escreve-los e também o de lê-los. Depois, deletei tudo, esvaziei a lixeira e desliguei tudo. Tudo porque queria escrever um post que contasse isso e com essas palavras: escrevê-los, lê-los, relê-los e deletá-los. O percurso todo é esse.