Uma noite de sonho

Quando eu estava no Brasil, tive um período com noites de sono muito agitado e penso que tive sonhos esquisitos. Penso, porque não determinei ainda junto à minha analista se tudo foi mesmo sonho ou se foi realidade, coisa que a gente ainda não definiu bem também o que vem a ser um e outro. Ela diz que essas coisas se misturam e se confundem. Na verdade, eu e minha analista não definimos nunca porra nenhuma e nem sei porque volto sempre lá. Talvez seja pelo fato de ela ter seios enormes e soltar perdigotos sensuais quando diz "FFFFLávio" com aquela boca carnuda.

Mas o fato é que estes sonhos esquisitos me deixaram grilado. Meu médico disse que foi a combinação de jiló com quiabo do mato que produziu esse resultado. Disse que os Aminograxos Lipoproféticos Omerda-3 causam mesmo esse distúrbio, que é conhecido como "RAGU-ATOMICO" que quer dizer: "Ronca Alto Gordo Untuoso, Agora Tu Observará Melhor o Intestino Cagar Orgulhoso". Claro que confio no que ele diz, até porque não sou especialista no assunto. A única coisa que eu sei é que passei mal pra caramba.
No meu sonho/viagem, eu fui parar em um país distante chamado Bearmania, onde os cara, tudo com sotaque paulistano e cara de urso, ficava nas maior festa, sacô véio? Comecei a ver urso mano pra tudo que é lado, altas zonas, até que me levaram pra falar com o chefe, um tal de Russo Mano, que era um urso mano siberiano com dislexia e um microfone. Ele repetia sem parar: "se está bom para você daqui e para você dali, estando bom para ambas as partes, está bom também pra mim". Meu, que tortura! Ele discursou por horas como todo bom urso russo, e ao final, tudo os mano estavam arrasado. Foi aí que um que estava ao meu lado me convidou:
- E aí mano, agora que acabou o discurso do Grão Chefão, vamo tomar umas?
- Vamos nessa. O Grão me encheu os grãos. Onde seria?
- É logo ali. O bar é o Beer-mania.
- Porra, só nome criativo por aqui.
- Só, mano. O legal é que ali tem umas mina que fazem a dança do ventre livre, que é aquela dança que vem antes da dança da abolição. Meu, cê não imagina o que sucede quando elas abolem! Tenho certeza que você vai gostar, ou melhor acho que você vai ali babar.
- Vamos lá então. Mas, um momento, eu nem te conheço. Qual o teu nome?
- Ben, e quero ser seu amigo.
- Tá bem Ben.

Logo na entrada pude perceber que na Bearmania, a diversidade é prata da casa. Fomos recebidos por gorilas e encaminhados até as mesas por lontras sobre elefantes. Eu estava maravilhado com o exotismo e a originalidade da decoração de samambaias azuis em vasos de cristal tailandês. Me chamou a atenção o enorme candelabro sobre o salão, pois era iluminado por lâmpadas de todas as marcas conhecidas no mercado. Pude ver também as raposas dançarinas que se aqueciam sobre uma espécie de cobertor elétrico gigante. Nesse momento, me deram uma bebida alucinógena e aos poucos, todos começaram a parecer humanos. Me informaram então que todo o conselho de ministros da Bearmania estava me esperando no mezanino. Olhei bem para Ben, e subi as escadas.
Fui recebido por Sandra Pontes, ministra das transposições fluviais e das festas. Em seguida chegaram Viva Exepes, ministra licenciada das relações sociais acompanhada de Luna, sua secretária para assuntos satelitares.
Vieram também Marcos Donizetti, responsável pela área de desenvolvimento muscular e música barroca; Patricia Kohler, presidente da associação bearmanica Alemanha-Portugal acompanhada do marido; Nababu, chefe representante da tribo nababuara e Roberta de Fellipe, do conselho administrativo do circolo sardo marsoquista, acompanhada de amigos.
A noite transcorreu maravilhosamente. Como a musica era altíssima, eu tinha que olhar bem para o interlocutor. Se ele ria eu ria, se fazia cara séria eu dizia “puxa vida” e assim por diante. Tudo foi muito divertido. As danças eram realmente maravilhosas, as garotas mais ainda.
Estava tudo realmente bem, até que... bem, Ben me disse que tinha que ir embora e eu disse ok, que fosse. Ele então me pediu pra que eu pagasse a conta, visto que ursos manos não tem bolsos e portanto não carregam grana. Nesse momento gelei. Já tinha passado por problemas semelhantes dias antes e parecia que iria entrar dentro de um déjà vu. Disse:
- Ben, tô com medo de entrar no déjà vu.
- Olha, eu não tenho preconceitos desse tipo, você entra onde quiser mano, basta que pague minha conta.
- Mas eu também estou sem grana!
- Ixe, acho que a gente vai entrar junto nesse troço aí.
Me aproximei do caixa, e vi que o efeito da droga tinha passado. Ali tinha um felino enorme com dentes pontudos. Tentei ser persuasivo:
- Meu caro, vejo que vocês aqui são muito profissionais e...
- São oitenta pau!
- Sim, como dizia, percebo que vocês tem um programa de qualidade e por isso o cliente...
- Que papo de merda é esse? A fila tá crescendo Mané.
- Eu queria me referir a minha situação de Cash Flow que no momento requer uma rolagem da dívida...
- Um pé na bunda é o que vai ser, só pra começar, bastardo.
Nunca apanhei tanto. Levei todos os tipos de cacetadas que já foram inventados. Quando me dei conta de onde estava, não sabia onde estava. Percebi que me jogaram no meio da rua e a neblina cobria tudo em modo a não permitir uma visão para além de dez metros. Comecei a caminhar buscando um ponto de referência com o qual pudesse me orientar. Aos poucos fui percebendo a figura de uma pessoa que se aproximava lentamente, como que em câmera lenta. Era uma figura feminina, bela, longos cabelos morenos cacheados. Uma visão mítica e alentadora. Ela sorriu para mim, um sorriso lindo, mágico e eu retribui com sinceridade. Pude reconhecê-la e um raio de felicidade me invadiu quando ela me chamou:
- FFFFFFlávio!
Comments
quando vejo esse amigo do ben, me dá um nó na garganta. depois dessa série os personagens dele sempre foram desiquilibrados, falidos, sujos. e sempre baixinhos.
Posted by: anna | abril 3, 2007 2:26 PM
Pois é San... Eu não sou paulista, mas fui transformado em um mero chefe indígena nababuara, logo eu que só tenho ascendência européia, que eu saiba.
Posted by: João M. | abril 3, 2007 12:35 PM
Obrigada pela defesa, Gugala. Nós fizemos tudo com carinho e é essa a paga que levamos. 3 posts avacalhando os pobres paulistas e paulistanos! sssnniiff... Ele pode morar "lá" mas nasceu em Limeira - SP.
E isso, Sr. Urso, ou Ben, ou Flávio Prada, não se apaga do R.G.!
Posted by: Sandra | abril 3, 2007 1:50 AM
Que paíseco!
Pelo menos em Sampa te liberaram a lavagem da louça sem porrada. Os mano aqui é todo irmãos.
Posted by: gugala | abril 2, 2007 11:02 PM
Flávio, você acredita que pensei no Ben hoje de manhã? Fala sério, que coisa...
E eu acho que lontras são de outro país, a ser conhecido em breve. ;)
Abraços
Posted by: João M. | abril 2, 2007 12:59 PM
Ops, eu quis dizer: concordo com a Luninha! Dã...
Posted by: Roberta de Felippe | abril 2, 2007 7:37 AM
Concordo com o Doni, aquilo NÃO PODIA ser só água de coco!!! Obrigada por não publicar minha foto, mas Felippe está escrito errado, hahaha... Brincadeiras à parte, foi um prezerzão descobrir que você existe de verdade. Bacio sulla guancia!
Posted by: Roberta de Felippe | abril 2, 2007 7:36 AM
Fala a verdae, aquilo não era SÓ água de coco, não é??
Posted by: Luninha | abril 2, 2007 3:33 AM
Agora que vc falou, estou parecendo um urso na foto hahaha
Posted by: Donizetti | abril 2, 2007 3:12 AM
Magoei!!!
No próximo encontro, seu convite será enviado para o endereço errado!
E que se publique esta nova lei da Ministra das festas!
:P
Posted by: Sandra | abril 1, 2007 6:36 PM
Flávio, Flávio... o que puseram na sua narguila?
Posted by: Viva | abril 1, 2007 5:50 PM