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abril 22, 2007

Meta-se uma meta.

Quando alguém faz algo de extraordinário, dizem que aquele fulano conseguiu tirar leite das pedras. Mas como o mundo está cheio e repleto de coisas extraordinárias, hà alguns anos que a humanidade pôde perceber um enorme desenvolvimento material graças não ao leite das pedras, mas ao óleo delas. A palavra petróleo deriva do latim “petroleum” que por sua vez vem do grego “petrelaion” que quer dizer simplesmente “oleo da pedra”.

Até hoje não se sabe bem como foi formado. A corrente preponderante sustenta a tese de que teria sido originado pela decomposição orgânica de enormes quantidades de material que ficaram sepultados e formaram uma substancia chamada querogênio, basicamente carbono e hidrogênio. Submetida a pressões altíssimas e consequentemente a calor, esse querogênio se transformou em petróleo, um hidrocarboneto, assim como o gás que em geral divide com ele os espaços entre as placas rochosas onde habitam. Existe também a teoria da origem inorgânica, mas è menos conhecida e aceita.

Seja qual for a origem entretanto, o fato è que hoje temos o seguinte quadro em relação a esse produto. Devemos quase todo o desenvolvimento e progresso dos últimos 100 anos a ele, pois o seu baixo custo aliado a facilidade de utilização, conseguido com a tecnologia, permitiu que um cem numero de possibilidades fossem transformadas em realidade. Uma das outras grandes responsáveis è a eletricidade, mas aqui estamos falando do petróleo e vamos nos ater a ele, ainda que è importante entender que todo um sistema de utilização de energia barata foi colocado em ação. A facilidade de transporte e a utilização de maquinas permitiu a extinção da escravidão em grandes áreas do mundo. Ou ao menos amenizou e transformou a mesma. A massificação e reprodução dos bens só foi possível a partir do emprego de fomas de energia a baixo custo. Os conceitos de produção em massa e mercado tomaram um impulso notável nesse período. Milhões de pessoas foram incluídas no chamado mercado consumidor.

Mas cedo os problemas desse crescimento se fizeram evidentes. As cidades sofreram um processo de inchaço insuportavel. Enormes quantidades de pessoas se moveram do campo para as cidades, criando as metrópoles com os seus problemas de segurança e infraestrutura que todos conhecemos. Além disso, a queima concentrada de combustíveis fosseis, qual é o petróleo, começou a produzir o smog e outros fenômenos de poluição do ar. Na década de 1950 em Londres, centenas de pessoas morreram em virtude da péssima qualidade do ar a disposição. O óleo da pedra mostrava seu lado negativo. E era somente o começo.

Descobriu-se mais tarde que a queima de qualquer substancia que contenha carbono e que produz consequentemente gás carbônico, gera na atmosfera o hoje famoso efeito estufa. Ou seja, o gás carbônico que hoje em dia se apresenta dissolvido no ar em concentrações altíssimas, permite a passagem do calor que vem do sol sob forma de raios eletromagnéticos infravermelhos e por uma série de mecanismos esse calor chega até o solo e não é refletido como vinha sendo há milênios. Essa teoria claramente carece de demonstração, mas as evidencias são enormes e muito recentemente em um congresso de ciências essa tese foi elevada è condição de verdade cientifica. Tanto é que inúmeros projetos para a conversão ou estocagem de gás carbônico estão sendo produzidos. Restara saber quem vai pagar para tentar reduzir o CO2 através de mecanismos ou técnicas caríssimas e que não gerarão nada além disso. Além do mais, isso já deveria estar sendo feito, os danos já estão se fazendo sentir.

Fruto do mais puro pensamento magico coletivo, o projeto de uma sociedade baseada no petróleo, mais cedo ou mais tarde faliria ou falirá, pelo simples motivo de que se fundou um complexo e gigantesco sistema a partir de uma atividade de extrativismo e que tem seus dias contados. Todos se lembram da professora da escola elementar explicando os ciclos econômicos do Brasil e sublinhando a decadência dos ciclos de característica extrativista, pelo próprio esgotamento natural do recurso. È provável que não falte quem acredite que o petróleo è inesgotável, mas è ainda mais provável que estas mesmas pessoas vivam o suficiente para ver o fim da era do ouro negro.

Não foi por outro motivo que a consciência da futura escassez que se produziram e se produzem sempre mais guerras para seu controle. Isso tenderá a diminuir com o advento e desenvolvimento de outras formas de utilização de energia, porém certos grandes problemas permanecerão. Um dos maiores deles è que a energia a baixo custo permitiu o progresso de uma parte da humanidade e estimulou um aumento explosivo da população mundial, respaldado por sistemas políticos onde a promessa de progresso era para todos. Na verdade, nem todos, ou melhor, somente poucos tem acesso a esses recursos. Com o passar do tempo, as demandas de inclusão nesse sistema estão fazendo com que mais e mais pessoas façam parte dele. Mais e mais pessoas passam a ter escravos mecânicos e queimam combustível. Todos querem fazer parte do clube da energia barata. Mas, com a escassez, os combustíveis tenderão a encarecer. Isso faz com que se abram dilemas sem tamanho. Muita gente querendo queimar combustíveis e poluir, mas com direito, já que o sistema todo è baseado nesse ideal e a promessa de felicidade vai nessa direção

Mas temos para o futuro dois cenários. A energia para fazer mover tudo e para todos será extremamente cara, ou sera muito escassa. Como as duas coisas são diretamente proporcionais, é provável que no futuro tenhamos todas as duas situações. Então, o que fazer? Essa enorme massa de população deverá reaprender a viver de uma outra forma que não se sabe bem ainda qual seria mas certamente sem o uso de combustíveis fosseis, e isso certamente a parte que até hoje se manteve na pobreza de recursos não vai querer. A alternativa depende de se encontrar novas formas de energia, que sejam acessíveis e não poluentes. Mas digamos que se se possa desenvolver formas de energia que venham a substituir o petróleo e sejam tao ou mais baratas. O estimulo ao crescimento do sistema e de consequência, da população, será mantido. O planeta resiste?

Penso que a chave de tudo seja uma mudança radical de modo de vida. Vamos deixar a idade medieval da queima de combustíveis e vamos pensar no renascimento das formas de energia recicláveis. Vamos desacelerar tudo. Segundo os manuais de qualidade total, devemos nos matar de trabalhar para fazer feliz o cliente. Em outras palavras, devemos ser bons escravos para servir a quem possa pagar. No mundo do renascimento, as pessoas estão preocupadas com a própria qualidade de vida e por isso o cliente pode esperar um pouco.
Vamos retribalizar. Com a tecnologia e novas formas de trabalho, não tem logica viajar quatro horas para atingir o local de trabalho.
Vamos mudar a escala de valores. Aquilo que a publicidade vende como mundo ideal, muita gente já descobriu que é o mundo ideal dos anunciantes e governantes, que gostam de gente pilotada por controle remoto. A vida pode ser muito melhor sem publicidade e seus estímulos vazios.

Bem, o tema é vasto e posso estar, ou melhor, estou desviando do assunto, outra hora volto a falar de estilo de vida. Como foi colocado no post anterior, nesse dia da terra, uma bela coisa seria a de fixar uma meta a cumprir, com o objetivo de reduzir o impacto ambiental pessoal. Eu tenho como meta reduzir meu consumo de gasolina. Terei que buscar formas alternativas para andar ao trabalho, que mesmo sendo perto, faço de carro simplesmente porque tem subidas terríveis. Trabalhar mais dias em casa será a primeira que me vem em mente. Passeios usando mais a bicicleta também. Comprar jornais aos domingos a 500 metros de casa pode ser feito a pé, eu acho. Vou tentar hoje. De tempos em tempos vou postar algo sobre meu esforço. Daqui a um ano espero ter atingido a meta. Não vai ser fácil, admito, mas vou tentar tirar leite das pedras.

abril 19, 2007

Desafio

No ano passado a Lucia Malla organizou para o “Dia da Terra” uma blogagem coletiva que foi um verdadeiro sucesso. Milhares de blogs aderiram e postaram algo para marcar a data e lembrar dos problemas que afligem nosso planeta. Como boa bióloga, a Lucia mantém um blog que é um verdadeiro caldo de cultura de ótimas idéias que faz propagar em modo epidêmico. Não foi portanto com muita surpresa que a idéia de um blog que fala de ecologia e protação ao ambiente viesse a nascer exatamente dentro do “Uma Malla pelo mundo”, na sua caixa de comentários. Da idéia se passou à ação e o blog ganhou as estradas da rede. O numero de colaboradores cresceu e ótimos textos e debates vem se desenvolvendo aqui, ousaria dizer, de altíssimo níveis. O nome do blog diz tudo: Faça a sua parte. Modestamente faço parte.

Esse ano, o "Faça" tem uma proposta a fazer para comemorarmos esse dia da Terra de modo a transformar essa que seria apenas uma homenagem lida e ouvida por nós humanos, em algo que a homenageada, a Terra, pudesse realmente perceber, sentir o quanto estamos a seu lado e lutamos por ela.

Como é até óbvio, o próprio nome do blog é um convite à ação. Pensamos somente em explicitar mais isso, com exemplos práticos e reais, de pessoas que estarão se esforçando para melhorar o seu modelo de consumo com vistas a uma melhoria do ambiente.

Propomos uma ação coletiva onde para a postagem do dia 22, a sugestão para quem for participar, é que faça um post onde se coloque uma sua meta a ser atingida no que se refere ao meio ambiente. Explicando melhor:

Cada um que postasse, poderia declarar a sua meta no que se refere a economia de recursos, a porcentagem de lixo separado, enfim, o que for. Exemplo: espero reduzir em 20 por cento meu consumo de combustível. Isso é um dado objetivo e mensurável. Alguém pode traçar como meta diminuir o consumo de água, ou o de embalagens, comprar menos supérfluos ou mesmo simplesmente andar mais a pé . Cada um fala do seu empenho no seu blog e o “Faça a sua parte” reúne os links no dia 22. Mas o objetivo também é o de ter uma meta que o “Faça a sua parte” possa noticiar ou linkar ao longo de todo ano. No próximo dia da terra, daqui a um ano, o “FSP” fará um grande balanço dos resultados.

Faço um exemplo um pouco mais detalhado. Meu caso particular. Consumo com meu carro, em média 1600 litros de gasolina por ano. Posso traçar uma meta de reduzir 20% desse consumo, claro que sem fazer uma substituição com outra fonte de energia e sim uma economia real. Parece fácil, mas envolve um mundo de decisões, planos e mudanças de hábitos. O que vou fazer? No lançamento da campanha faço um post expondo isso. Depois, a cada um, dois ou três meses, posto algo sobre meu progresso. Quantos passeios programei fazer com a bicicleta em lugar do carro. Meterei as fotos que ilustram esse meu esforço. E os números. Vou pedir ajuda, incentivos, idéias, orações. Chamar à participação e envolver as pessoas em torno de uma idéia. Porque tudo isso?

Porque todas as questões relacionadas com meio ambiente tem um fundo político/ideológico, de como nos relacionamos com o mundo e como o consumimos. Mudar essa realidade é um dos nossos maiores objetivos e começa com a mudança das mentalidades e os modos de atuar na realidade. Não podemos pretender que algo se mova simplesmente lendo este blog e esperando que alguém faça a sua parte. Nos precisamos fazer a NOSSA parte."

Está lançado o desafio!

abril 17, 2007

A luta continua

A luta de classes não dá mais ibope. Minha campanha pela luta constante e ferrenha entre todos os extratos da sociedade vai continuar, mas vamos fazer uma pausa nesse fim de semana para divulgar uma outra campanha que está sendo lançada no blog “Faça a sua parte”. Quem for lá pode se incorporar à uma iniciativa muito importante. Na semana que vem vamos continuar a lutar contra todos aqueles que não lutam contra todos aqueles que não lutam.

abril 3, 2007

Outra luta

Nos últimos tempos tenho sido muito mal entendido. Escrevo algo e entendem o contrário. A elegância me induziria a dizer que a culpa é minha, que escrevo mal e tal e por isso é claro que minhas palavras são mal interpretadas. Mas é claro também que pode bem ser que não seja nada disso. Pode ser que não me entendam e ponto. Por isso tomei uma decisão. Ao menos pelos próximos tempos vou deixar de usar metáforas e parábolas. A linguagem vai ser direta e objetiva. Vou utilizar este espaço blog para fomentar ações efetivas e de utilidade pública. A primeira iniciativa será no campo social.
Estou lançando nesse momento nossa campanha com vistas a acirrar a luta de classes. Se você tem um patrão e o odeia, deixe aqui seu relato e também seu objetivo em relação a ele. Nós vamos criar uma rede de lutadores de classe, para que o seu sonho possa se tornar realidade. Mas não é só luta de classes clássica não. Vale qualquer outra luta que envolva desigualdade. Bicicleteiros contra motoristas de ônibus, silenciosos contra barulhentos, torcedor contra dirigente, bicheiro contra corretor da bolsa, blogueiro contra maquinista de trem e assim por diante. Quem é que nunca quis esganar um funcionário com algum poder que atrasa tua vida e encharca teu organismo de radicais livres pelo stress? Não fique quieto não, vamos botar esse nomes na roda e ativar o acirramento das questões todas. O importante é despertar o animal briguento que temos dentro. Não deixe de participar e convidar os amigos.
Estou ainda pensando em como batizar esta campanha. Talvez fosse “Lixo no elevador social”, mas aceito sugestões.

abril 1, 2007

Uma noite de sonho

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Quando eu estava no Brasil, tive um período com noites de sono muito agitado e penso que tive sonhos esquisitos. Penso, porque não determinei ainda junto à minha analista se tudo foi mesmo sonho ou se foi realidade, coisa que a gente ainda não definiu bem também o que vem a ser um e outro. Ela diz que essas coisas se misturam e se confundem. Na verdade, eu e minha analista não definimos nunca porra nenhuma e nem sei porque volto sempre lá. Talvez seja pelo fato de ela ter seios enormes e soltar perdigotos sensuais quando diz "FFFFLávio" com aquela boca carnuda.

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Mas o fato é que estes sonhos esquisitos me deixaram grilado. Meu médico disse que foi a combinação de jiló com quiabo do mato que produziu esse resultado. Disse que os Aminograxos Lipoproféticos Omerda-3 causam mesmo esse distúrbio, que é conhecido como "RAGU-ATOMICO" que quer dizer: "Ronca Alto Gordo Untuoso, Agora Tu Observará Melhor o Intestino Cagar Orgulhoso". Claro que confio no que ele diz, até porque não sou especialista no assunto. A única coisa que eu sei é que passei mal pra caramba.

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No meu sonho/viagem, eu fui parar em um país distante chamado Bearmania, onde os cara, tudo com sotaque paulistano e cara de urso, ficava nas maior festa, sacô véio? Comecei a ver urso mano pra tudo que é lado, altas zonas, até que me levaram pra falar com o chefe, um tal de Russo Mano, que era um urso mano siberiano com dislexia e um microfone. Ele repetia sem parar: "se está bom para você daqui e para você dali, estando bom para ambas as partes, está bom também pra mim". Meu, que tortura! Ele discursou por horas como todo bom urso russo, e ao final, tudo os mano estavam arrasado. Foi aí que um que estava ao meu lado me convidou:

- E aí mano, agora que acabou o discurso do Grão Chefão, vamo tomar umas?
- Vamos nessa. O Grão me encheu os grãos. Onde seria?
- É logo ali. O bar é o Beer-mania.
- Porra, só nome criativo por aqui.
- Só, mano. O legal é que ali tem umas mina que fazem a dança do ventre livre, que é aquela dança que vem antes da dança da abolição. Meu, cê não imagina o que sucede quando elas abolem! Tenho certeza que você vai gostar, ou melhor acho que você vai ali babar.
- Vamos lá então. Mas, um momento, eu nem te conheço. Qual o teu nome?
- Ben, e quero ser seu amigo.
- Tá bem Ben.

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Logo na entrada pude perceber que na Bearmania, a diversidade é prata da casa. Fomos recebidos por gorilas e encaminhados até as mesas por lontras sobre elefantes. Eu estava maravilhado com o exotismo e a originalidade da decoração de samambaias azuis em vasos de cristal tailandês. Me chamou a atenção o enorme candelabro sobre o salão, pois era iluminado por lâmpadas de todas as marcas conhecidas no mercado. Pude ver também as raposas dançarinas que se aqueciam sobre uma espécie de cobertor elétrico gigante. Nesse momento, me deram uma bebida alucinógena e aos poucos, todos começaram a parecer humanos. Me informaram então que todo o conselho de ministros da Bearmania estava me esperando no mezanino. Olhei bem para Ben, e subi as escadas.

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Fui recebido por Sandra Pontes, ministra das transposições fluviais e das festas. Em seguida chegaram Viva Exepes, ministra licenciada das relações sociais acompanhada de Luna, sua secretária para assuntos satelitares.

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Vieram também Marcos Donizetti, responsável pela área de desenvolvimento muscular e música barroca; Patricia Kohler, presidente da associação bearmanica Alemanha-Portugal acompanhada do marido; Nababu, chefe representante da tribo nababuara e Roberta de Fellipe, do conselho administrativo do circolo sardo marsoquista, acompanhada de amigos.

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A noite transcorreu maravilhosamente. Como a musica era altíssima, eu tinha que olhar bem para o interlocutor. Se ele ria eu ria, se fazia cara séria eu dizia “puxa vida” e assim por diante. Tudo foi muito divertido. As danças eram realmente maravilhosas, as garotas mais ainda.

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Estava tudo realmente bem, até que... bem, Ben me disse que tinha que ir embora e eu disse ok, que fosse. Ele então me pediu pra que eu pagasse a conta, visto que ursos manos não tem bolsos e portanto não carregam grana. Nesse momento gelei. Já tinha passado por problemas semelhantes dias antes e parecia que iria entrar dentro de um déjà vu. Disse:

- Ben, tô com medo de entrar no déjà vu.
- Olha, eu não tenho preconceitos desse tipo, você entra onde quiser mano, basta que pague minha conta.
- Mas eu também estou sem grana!
- Ixe, acho que a gente vai entrar junto nesse troço aí.

Me aproximei do caixa, e vi que o efeito da droga tinha passado. Ali tinha um felino enorme com dentes pontudos. Tentei ser persuasivo:

- Meu caro, vejo que vocês aqui são muito profissionais e...
- São oitenta pau!
- Sim, como dizia, percebo que vocês tem um programa de qualidade e por isso o cliente...
- Que papo de merda é esse? A fila tá crescendo Mané.
- Eu queria me referir a minha situação de Cash Flow que no momento requer uma rolagem da dívida...
- Um pé na bunda é o que vai ser, só pra começar, bastardo.

Nunca apanhei tanto. Levei todos os tipos de cacetadas que já foram inventados. Quando me dei conta de onde estava, não sabia onde estava. Percebi que me jogaram no meio da rua e a neblina cobria tudo em modo a não permitir uma visão para além de dez metros. Comecei a caminhar buscando um ponto de referência com o qual pudesse me orientar. Aos poucos fui percebendo a figura de uma pessoa que se aproximava lentamente, como que em câmera lenta. Era uma figura feminina, bela, longos cabelos morenos cacheados. Uma visão mítica e alentadora. Ela sorriu para mim, um sorriso lindo, mágico e eu retribui com sinceridade. Pude reconhecê-la e um raio de felicidade me invadiu quando ela me chamou:

- FFFFFFlávio!