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Vicenza

Os Estados Unidos tem desde a segunda guerra mundial, algumas bases espalhadas pela Europa. Algumas delas estão na Itália. São muitas coisas. Para os americanos, importantes pontos de apoio logístico e estratégicos para suas infinitas ações de guerra pelo mundo. Em passado recente, abrigavam ogivas nucleares, que alguns juram que ainda estão lá. Mas isso é outro assunto. Para os italianos, as bases são um lugar onde não se pode ir e não muito mais que isso. Mas elas são também um símbolo para ambos. E é no terreno da semiótica que as coisas começam a se complicar.
Findo o governo Berlusconi, que dizia que concordava com os americanos antes mesmo que eles fizessem o pedido, o novo governo está agora às voltas com um problema dos bons. A administração Busch decretou algum tempo atrás, que a base de Vicenza, no Vêneto, deve dobrar de tamanho. A atual ficou pequena, apesar de já enorme. Todos se perguntam porque não aproveitaram que Berlusconi lhes estendia os tapetes pra fazer antes. Mas tudo bem. O governo de centro-esquerda de Romano Prodi pensou um pouquinho e disse sim à ampliação da base. E aqui começa a guerra semiológica. O povo de Vicenza, mais que por ideologia, começou a se mover para impedir que bons terrenos fossem perdidos à causa especulativa. As bases simbolizam para eles menos terras para comprar e vender. Alguns partidos da aliança de governo, os mais à esquerda, botaram a boca no mundo pois as tais instalações militares servem à guerra. Elas são o símbolo do poderio de um país que antes das armas da diplomacia usa a diplomacia das armas. A direita entrou em campo para vociferar que quem é contra o aumento da base é anti-americano, como se as coisas fossem automáticas e lineares. Para estes, a base é um símbolo de amizade e segurança.
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Debate aberto, não bastaram as manchetes dos jornais. Organizou-se um protesto, que aconteceu no ultimo sábado. O presidente da câmera dos deputados, Fausto Bertinotti, do partido da re-fundação comunista que apóia o governo, declarou que se não fosse investido de um cargo institucional, iria a Vicenza manifestar. Polêmica, protestos. Mas independente disso, perto de cem mil pessoas marcharam por Vicenza protestando contra uma decisão tomada em outro país mas que afeta a vida dos cidadãos do local. Uma ingerência que por ser anciã, é tomada como natural, mas não é. Faria impressão se a Itália, ou qualquer outro país amigo dos Estados Unidos, decidisse botar alguma base militar em território americano e impedir que os americanos tivessem acesso ao que acontece ali. O Brasil bem que podia botar uma base em Ohio, que ali não tem nada que valha. Base de “Ohio que o parta”, com as divisões de cavalaria da aeronáutica e dos dragões da independência. Aliás esse nome de Dragões da independência é perfeito. Para simbolizar a independência do Brasil, nada melhor que um animal que não existe. Mas acho que estou desviando do assunto.
O fato é que agora se criou uma situação meio complicada. O fato pode dividir a aliança de governo e fazer voltar Berlusconi antes do previsto. A ala esquerda está acenando com uma saída talvez esperta: fazer um referendum em Vicenza para que os cidadãos decidam e assim, isentar-se da responsabilidade de um eventual racha no governo. Resta saber se Busch estaria disposto a ouvir os 100 mil habitantes de uma bela e histórica cidade, que por acaso fica ao lado de uma base militar americana.

Imagem: ANSA

Comments

Não pude deixar de lembra de Borat, quando em visita ao querido Texas, é aconselhado a raspar o bigode porque com bigode ele se parece demais com "aqueles muçulmanos" e sem bigode ele "passar por italiano".

É isso ai. Quem tem pau pequeno precisa gritar mais alto.

Mania destes italianos colocarem cidades históricas perto de bases americanas . De repente puseram até umas villas de Palladio perto da cerca do tal quartel, só para provocar.

Contrabando de salames? Conheço pessoas que fornecem uns sensacionais. (E sem duplo sentido!)

Fico puto com essas coisas! Por que não botamos uma base militar brasileira na Itália? Em que os americanos são melhores que nós? Já pensou no contrabando de salames que poderíamos fazer com os aviões da FAB?
Mas o pior de toda essa história é que a coisa gira sempre em torno de Berlusconi e Prodi (ou Dalema, ou o rato, que é a mesma coisa). Tem ninguém novo nessa terra, não?

Confesso que nem sabia que os EUA tinham bases na Itália. Soa tão anacrônico, não? Eu cheguei a visitar uma base americana na Alemanha, em Heidelberg. Eu estava lá e uns amigos americanos me chamaram para ir num festivalzinho brega que tava rolando na base. Do tipo que os americanos chamam "Carnival", uma espécie de parque de diversões improvisado.

Faz quase um ano que não entro em seu blog Flavio, mas me parece que voce está mais novo.. aderiu a plastica ou ao botox? saudações...

Pois... O que dizer?

Foste à Vicenza? Eu iria, se pudesse. Só não entendi o motivo de teres escrito Bush com a grafia alemã de "sch". Ou entendi?

Ai, Berlusca de novo, não! E o Prodi não podia ao menos provocar uma reunião, suplicar a deus Bush que não fizesse a ampliação? E por que o Vêneto é tão estratégico? Por ser a meio caminho do oriente, segundo uma perspectiva americana? Não mais Iugoslávias e os perigosíssimos países comunistas ao lado, certo?

Bom, haverá mais antiamericanos no mundo, quem sabe...

Pobre consolo.

Caro Paglia,

Sem polemizar e sempre a favor de bases militares, que trazem progresso, dinheiro, movimentação, prostituição y otras cositas para hacer la cabeza (lembrei da sua história do pente aqui).
Além disso, toda vez que um militar esta fazendo bases, gastando em novas armas, fazendo manobras, brincando de batalha naval,etc, eles NÃO estão fazendo guerra. É mais barato mante-los assim. Deve-se ressaltar também que não temos bases militares americanas no Brasil e nem por isso somos menos culturalmente dependendentes do TIO SAM do que os italianos. A presença física só estimula a identidade italiana, a qual tem uma percentagem significativa da cara do velho Berlusca...

Lembre-se que você vai chegar no Brasil junto com as águas de março que inundam o outono. Sabendo da sua chegada também, algumas providências já foram tomadas. Ver

http://www.gazetadelimeira.com.br/site/index.php?mod=noticias%2Fexibe_noticia.php%3Fcodigo%3D32572

Um amplexo

Hocus Sem Focus

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