" /> Lixo Tipo Especial: fevereiro 2007 Archives

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fevereiro 22, 2007

Já caiu?

Nem bem o meu último post esquentou no blog, o governo italiano, como previa, caiu. Mas aqui como o que está em pé cai facilmente mas não totalmente, estamos aguardando para ver o quanto caiu. Parece um complicado exercicio de engenharia política, mas é muito mais caótico que isso. Explico: o governo caiu porque no senado, a proposta do governo, apresentada pelo ministro do exterior de permanecer no Afganistão, foi recusada por uma diferença de dois votos. Não ficou tudo muito mais claro agora? Bem, esse é o núcleo da notícia, o que está em torno e, principalmente, por trás dela, não daria pra descrever em poucas linhas. Em breve, mais nãoticías.

fevereiro 19, 2007

Vicenza

Os Estados Unidos tem desde a segunda guerra mundial, algumas bases espalhadas pela Europa. Algumas delas estão na Itália. São muitas coisas. Para os americanos, importantes pontos de apoio logístico e estratégicos para suas infinitas ações de guerra pelo mundo. Em passado recente, abrigavam ogivas nucleares, que alguns juram que ainda estão lá. Mas isso é outro assunto. Para os italianos, as bases são um lugar onde não se pode ir e não muito mais que isso. Mas elas são também um símbolo para ambos. E é no terreno da semiótica que as coisas começam a se complicar.
Findo o governo Berlusconi, que dizia que concordava com os americanos antes mesmo que eles fizessem o pedido, o novo governo está agora às voltas com um problema dos bons. A administração Busch decretou algum tempo atrás, que a base de Vicenza, no Vêneto, deve dobrar de tamanho. A atual ficou pequena, apesar de já enorme. Todos se perguntam porque não aproveitaram que Berlusconi lhes estendia os tapetes pra fazer antes. Mas tudo bem. O governo de centro-esquerda de Romano Prodi pensou um pouquinho e disse sim à ampliação da base. E aqui começa a guerra semiológica. O povo de Vicenza, mais que por ideologia, começou a se mover para impedir que bons terrenos fossem perdidos à causa especulativa. As bases simbolizam para eles menos terras para comprar e vender. Alguns partidos da aliança de governo, os mais à esquerda, botaram a boca no mundo pois as tais instalações militares servem à guerra. Elas são o símbolo do poderio de um país que antes das armas da diplomacia usa a diplomacia das armas. A direita entrou em campo para vociferar que quem é contra o aumento da base é anti-americano, como se as coisas fossem automáticas e lineares. Para estes, a base é um símbolo de amizade e segurança.
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Debate aberto, não bastaram as manchetes dos jornais. Organizou-se um protesto, que aconteceu no ultimo sábado. O presidente da câmera dos deputados, Fausto Bertinotti, do partido da re-fundação comunista que apóia o governo, declarou que se não fosse investido de um cargo institucional, iria a Vicenza manifestar. Polêmica, protestos. Mas independente disso, perto de cem mil pessoas marcharam por Vicenza protestando contra uma decisão tomada em outro país mas que afeta a vida dos cidadãos do local. Uma ingerência que por ser anciã, é tomada como natural, mas não é. Faria impressão se a Itália, ou qualquer outro país amigo dos Estados Unidos, decidisse botar alguma base militar em território americano e impedir que os americanos tivessem acesso ao que acontece ali. O Brasil bem que podia botar uma base em Ohio, que ali não tem nada que valha. Base de “Ohio que o parta”, com as divisões de cavalaria da aeronáutica e dos dragões da independência. Aliás esse nome de Dragões da independência é perfeito. Para simbolizar a independência do Brasil, nada melhor que um animal que não existe. Mas acho que estou desviando do assunto.
O fato é que agora se criou uma situação meio complicada. O fato pode dividir a aliança de governo e fazer voltar Berlusconi antes do previsto. A ala esquerda está acenando com uma saída talvez esperta: fazer um referendum em Vicenza para que os cidadãos decidam e assim, isentar-se da responsabilidade de um eventual racha no governo. Resta saber se Busch estaria disposto a ouvir os 100 mil habitantes de uma bela e histórica cidade, que por acaso fica ao lado de uma base militar americana.

Imagem: ANSA

fevereiro 14, 2007

fevereiro 5, 2007

Amamos prefeitos e jornalistas

Ok, tá bom. Confirmamos a passagem e se os dias continuarem se sucedendo da maneira como fizeram até hoje, no mês de março devemos estar aeroaportando em São Paulo. E nem bem nos acostumamos com esta idéia, vimos aterrorizados uma noticia no jornal. Na verdade no portal IG, mas se parece com jornal. Se chama “Ultimo segundo”, ou seja, um cara que chegou último em uma competição onde só tinham dois concorrentes. Um nome estúpido, mas tudo bem, o que mais tem é nome estúpido de jornal. Claro, não é jornal. É internet, mas é como se fosse jornal. Porra! Você entendeu, não complica!
Pois a noticia continha não uma mas duas baldadas de água fria. O primeiro susto foi constatar que o prefeito da cidade, bateu boca com um homem de 46 anos, desempregado, que protestou pacificamente contra uma lei que dificulta a sua sobrevivência, o chamando de vagabundo. Claro que pode-se discutir infinitamente a tal lei que limita a fixação de publicidade. O problema é a arrogância e o despreparo desse que é um político que se mostra incompetente para administrar esse mundo que é São Paulo. Mas o que me deixou em tilt foi esse parágrafo, obra de algum jornalista que não sabe bem onde anda a própria mãe:

O prefeito se irritou com o manifestante e começou a correr em direção ao idoso. “Sai daqui! Estamos em um hospital, respeite os doentes. Vagabundo!”, bradou Kassab.”

Pois bem, 46 é idoso no Brasil? Tô fudido. Quase desistindo de ir. Aqui me chamam de jovem e rapaz. Eu vou lá pra ser chamado de meu bom velhinho? Porca Tróia!

Bem, as coisas se apresentam assim agora. Daqui até março passa ainda um mês. Vamos fazer de tudo para perdermos alguns anos nesse tempo, mas não é fácil, todos sabem. O que pode acontecer mais provavelmente é ficarmos um mês mais velho e aí sim que vão nos encher os picuás com aquelas piadas de peito na sopa e etc. Porque a vida é assim dura?