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novembro 28, 2006

Lúcifer and Sky with Demons

Ah, a liberdade que a infância nos confere! No ultimo mês de setembro, Rupert Murdoch tentou nos convencer a fazer uma assinatura de SkyTV, através de seu agressivo e absurdamente insistente tele-marketing. Passei a meus filhos a tarefa de responder às infinitas chamadas de oferta da espetacular, imperdível e só para hoje promoção da TV a cabo do australiano. O fiz por dois motivos: já não aguentava mais ser mal educado com os pobres operadores que afinal de contas são sub-pagos para fazerem lá seu trabalho e não tem nada com isso e também porque sabia que viria coisa interessante dessa nova atividade dos pequenos.
A primeira chamada que eles atenderam não demorou muito a acontecer.

Beatriz: Pronto?
Operador: Boa noite, eu sou Michele da Sky TV e gostaria de fazer uma oferta à senhora. Estaria interessada?
Bea: Ahh... não!
Op: Ah, ok, até logo.
Bea: Até logo?

Passada meia hora ou pouco mais, toca de novo o telefone:

Bea: Pronto?
Op: Boa noite, eu sou Giovanni da Sky TV, O sr. Prada está em casa?
Bea: mmm... não!
Op: Em geral a que horas posso encontra-lo?
Bea: só se for à meia noite e na forma de fantasma, porque (fazendo voz dramática) ele morreu
Op: Me desculpe, eu não sabia!
Bea: Não ofenda a memória de meu pai!
Op: Me desculpe mesmo, eu não sabia realmente!
Bea: (Já levantando a voz) Mas deveria informar-se melhor antes de ligar!
Op: Talvez porque ainda não cancelaram seu nome da lista.
Bea: Cancelar meu pai? Basta! Não tente nunca mais ofender meu pai! (Gritando) Nunca mais, nunca mais!

Por alguns dias, a paz reinou neste lar. Até que a maldita campainha do aparelho soou na tarde vazia. De novo Beatriz estava pronta para a sua missão:

Bea: Pronto?
Op: (sacando que é uma criança do outro lado) Olá, sou Maria da Sky. Queria perguntar pra você, que tipo de publicidade você gosta, em geral. Eu quero fazer uma oferta muuuito conveniente, pensa que beleza!
Bea: (fazendo voz de garotinha de cinco anos) Eu gosto da publicidade que tem Papai noel.
Op: Beeeeellllaaaa!!!! Mas o natal ainda está longe.
Bea: Verdade, mas eu quero os presentes de papai noel, quero os presentes, eu quero!
Op: Eu disse que vou fazer uma oferta conveniente, não é um presente, hehehe.
Bea: Eu quero Sky grátis, quero Sky grátis, quero Sk...
Op: Sim, sim, te dou logo logo a Sky grátis, basta que você me chame a mamãe.
Bea: A mamãe não está.
Op: Não me diga que você está sozinha em casa?
Bea: Sim, mas a mamãe foi na loja aqui pertinho, daqui a pouco ela volta.
Op: Então quando ela voltar você me passa?
Bea: (mudando a voz) Não, porque eu acho que ela vai ser atropelada por um caminhão e vai voltar toda quebrada e não vai querer falar com você.
Op: Sim, ok, tudo bem. (desliga)

O problema é que os computadores das empresas que prestam serviço a Murdoch nessa tarefa de encher o saco do cidadão, não são coligados, ou eles não botam lá como informação que aquele número não deve ser mais chamado porque ali tem gente que não quer comprar nada. Não. Eles continuam a chamar.

Bea: Pronto?
Op: Ola, sou da Sky, poderia me passar o chefe da familia?
Bea: Sim, sim, te passo. Um segundo.
Op: Ah, obrigado.
Bea: Escuta, você sabe que eu tirei dez na escola?
Op: Que otimo.
Bea: E você? Tirou dez na escola?
Op: Eu já sai da escola...
Bea: Eu tirei dez, você não! Eu tirei dez, você não!
Op: Parabéns. Agora me chama o chefe de familia?
Bea: Você tem medo da verdade? É isso? Tem medo, tem medo, tem medo!
Op: (silêncio)
Bea: O gato te comeu a língua! O gato te comeu a língua!
Op: (silêncio).... alô?
Bea: AHAHAHAHA!
Op: (desliga)

O telefonema seguinte foi atendido por Julio. Esse era um recurso extremo. A nossa carta na manga para uma situação que chegava ao limite e precisava sofrer um corte drástico. Só Julio poderia nos salvar, com sua voz cavernosa desvairada e sem medidas:

Julio: Alô!
Op: Boa noite, eu sou Andrea de Sky TV e gostaria de...
Ju: Boa noite, eu sou Lucifer.
Op: Como?
Ju: Eu sou o demônio. Foi muito bom você ter ligado, pois agora posso sugar tua alma!
Op: (desliga)

E assim foi. Já fazem quase três meses que não ligam. Pena. Justo agora que era minha vez.

novembro 23, 2006

Confissões íntimas

Vamos lá. Estou inaugurando uma nova fase neste blog. Depois de muito pensar e repensar, coisa que já se fazia sentir até nas vizinhanças, resolvi mudar radicalmente o estilo dos textos aqui. Decidi finalmente falar de minha vida privada, expor meus sentimentos, me abrir e me mostrar. Acho que não estou inventando nada, todo mundo faz isso. Acho que minha vida pessoal e meus pensamentos íntimos são coisas importantíssimas e devem ser compartilhadas. Tenho absoluta certeza que a partir de agora vou conseguir mais leitores e promover uma maior interação entre mim e quem aqui chega.
Começo falando de minhas fraquezas. Devo admitir que sinto inveja. Principalmente daquelas pessoas que tem uma opinião formada e não tem dúvidas de espécie alguma. São pessoas que tem preferências e gostos rigorosos. Gente muito refinada que consegue eleger os melhores e mais-mais de cada categoria de coisas que o bom deus botou nesse mundo. O melhor semáforo, o ovo mais frito, a melhor bandeira de flanela, o mais perfeito cano de esgoto, e por aí vai. Na feira, eles conseguem tirar da pilha de frutas somente as melhores e depois em casa fazem a escolha da campeã, que pobrezinha acaba na barriga do mesmo jeito. Mas ao menos, é devorada sentindo-se merecedora das nobres e reconhecedoras mordidas.
Eu não, não consigo preferir nada e sinto inveja desses gênios da eleição das coisas. Nem música preferida eu tenho, uma vergonha pandorgal. Para mim, as melhores músicas sempre foram as que duravam 2 minutos e 34 segundos, porém são varias e não uma só. Mas até nisso eu já mudei de idéia e agora estou preferindo as que duram 3 minutos e 54 segundos. Acho que com a idade a gente vai mudando mesmo. Fazer o que?
Minha psicopediatra me disse essa semana que para vencer esse sentimento escroto que é a inveja, eu devo me esforçar para me superar da melhor maneira possível e tentar esquecer essa merda de sensação de impotência diante do sucesso dos filhos das putas que são evidentemente melhores e mais fodas do que eu. Achei que é um bom conselho e estou tentando segui-lo. Só não gostei quando ela começou a me contar histórias e feitos do paciente preferido dela, um tal de Tonino não sei das quantas. Ela diz que é o cara mais cheio de manias e taras que ela conheceu, uma mina de ouro para ela. Acho que picaria esse cara com a máquina de fazer ravioli, esse merda seca quadrada.
Desculpe se por vezes eu perder aqui a estribeira. É que não estando habituado a fazer confissões de ordem pessoal, pode ser que eu me exceda no colorido das palavras.
Bem, vamos então amenizar o discurso. Vou falar um pouco de minhas qualidades. Uma das mais importantes delas é a constância. Não confundir com minha tia que se chama Constância, domadora de leões e frangos e dona de circo, o Circo Stância.
A minha constância, se evidencia principalmente naquilo que temos de mais secreto: o pensamento. Tenho a capacidade de pensar sempre na mesma coisa. Se alguém me pergunta sobre o que estou pensando, me vem em mente sempre a mesma coisa: chuveiro. Penso sempre em chuveiro. Se alguém me diz: “pense em algo”, nem preciso pensar, ou melhor, já está pensado, me vem sempre a imagem do belo e reluzente aparelho de aço inoxidável de 88 furos. É uma enorme vantagem que levo em relação aos lentos e problemáticos pensadores atuais. Meu pensamento eu levo sempre engatilhado e pronto para o uso.
Isso me causa problemas algumas vezes, mas somente com as mulheres. Depois de fazer amor, que é quando o corpo da gente se aproxima mais da condição de cadáver que em qualquer outra ocasião, a mulher continua a querer bater papo. E inevitavelmente, pensando que deixando de demonstrar louca paixão por dois minutos eu esteja irremediavelmente desinteressado, me lasca a inevitável pergunta: “o que é que você está pensando?” Como a mentira não é um meu defeito, respondo sempre a mesma coisa: chuveiro. Aí muita vezes começa o putifério. “Quer dizer que você está sugerindo que eu não estava com a higiene em dia? Quem sabe as outras com quem você anda sejam mais limpas e perfumadas que eu!” Se eu respondo que não é nada disso, que eu gosto de pensar em chuveiro mas detesto tomar banho, não adianta. Então o jeito é continuar sendo autêntico e deixar pra lá. Uma briguinha às vezes faz bem.
Bom, acho que chega de confissões por hoje. Deixo aqui a última.
Eu, todas as vezes que olho para um espelho que esteja pendurado ao ar livre, tenho a nítida sensação que ele reflete o passado. Já vi o que ocorreu em muitas épocas diferentes e em muitos lugares onde encontrei um espelho assim. Me reconforta saber que independente de ser ou deixar de ser isso ou aquilo, somos ao mesmo tempo partícula e também a soma de tudo o que já foi. Por isso nunca pude ver o futuro ali. E nunca pude me demorar muito tempo olhando para nossas verdadeiras razões. Nunca pude me perder nas entranhas do que nos explica alguns porquês. É que se algum conhecido me vir parado por muito tempo olhando para um espelho, seguramente verá minha expressão extasiada, perceberá que meu processo mental foi ativado, se aproximará e perguntará:
“ O que voce está pensando?”

novembro 18, 2006

As razões da ausência

Tento aqui em poucas linhas, explicar os acontecimentos dos últimos 45 dias. Devo esta explicação ao meu leitor, pois fiquei ausente por tempo demasiadamente longo e isso já o fez pensar em coisas terríveis a meu respeito. Meu leitor é inteligente mas é também maldoso e eu devo ficar atento.

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Pois bem. Tudo começou no dia 3 de outubro, quando recebi uma carta registrada e timbrada, coisa oficial, da direção da Verbeat, minha casa blogtora. Sabe como são estas cartas de casas blogtoras, né? Eles me informavam a respeito do novo código de ética do condomínio e junto a este, uma advertência. Diziam que meu blog infringiu as rígidas normas de conduta moral e que na reincidência, eu seria punido. Sabe como são estas punições, né? Respondi dizendo que me considerava injustiçado e que mesmo assim, por respeito ao que a diretoria me impunha, respeitaria o código. Sabe como são essas coisas de código, né?
No dia 7 de outubro, publiquei o post “Ando meio desligado”, recheado de referências veladas à torpe forma de censura à qual vinha sendo vitima. Um grito surdo em face aos desmandos de uma burocracia cega que privilegia os amigos dos amigos em detrimento da liberdade e do mérito. Sabe como são esses privilégios, né? Mas eu sabia que eles iriam entender o recado e não deu outra.
No dia seguinte, recebi um telegrama, lacônico, que dizia: DECIDIA PUNICAO VG RETIRO ESPIRITUAL VG MOSTEIRO VERBEAT PT AGUARDE INSTRUCOES PT

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Imediatamente liguei para o número do síndico do condomínio, o bravo Leoandro Geijfsbollock.

- TUUU....TUUUU... Click... Voce ligou para 560948930829837492109274, organizações Verbeat, comunicações e cenouras. Para falar com o setor comercial, digite 1. Para o setor de cobranças, digite 2. Setor de contabilidade, digite 3. Para falar com um operador, espere em linha, o tempo estimado é de 48 minutos. Sabe como são essas coisas de tempo, né?
- Eu quero falar com o Gejfin!
- Tirorirorirorirorããã ( Pour Elise )

Por sorte, eu tinha guardado o numero de celular dele. Não esperei dois minutos:

- Alô?
- Alô meu caro síndico Gejfin!
- Quem está falando?
- Flavio!
- Flavio, de onde por favor?
- Da Itália. como vai o clima por aí?
- Itália?
- Olha Gejfin, recebi um telegrama estranho...
- Me desculpe, mas não conheço nenhum Flavio da Itália, ou ao menos não me lembro, estou ocupadíssimo e vou desligar.

E desligou. Ele desligou na minha cara. Por um bom tempo fiquei imóvel e vazio, como um apartamento para alugar. Era ele, reconheci a voz quente e de timbre radiofônico. Mas será que ele estava me gozando? Não parecia. Mas resolvi ligar de novo. Dessa vez, ouvi uma mensagem gravada que dizia que meu número foi bloqueado para ligações àquele celular. Cáspita, ele falava sério.

Liguei para meu outro contato na Verbeat, el Rey, Tiago Beret Ando. Nova gravação, com aquela introdução interminável. Resolvi esperar. Foram 56 minutos de tarifa internacional ouvindo Beethoven sendo executado em uma caixinha de música, mas finalmente falei com um ser humano:

- Organizações Verbeat, comunicações e cenouras, gabinete del'Rey, em que posso ser útil?
- Eu quero, queria, er...gostaria, de falar com o Tiagòn.
- Quem devo anunciar?
- Flavio, da Itália, ele deve saber... eu acho.
- No momento ele participa de uma reunião com alguns ministros, mas posso referir e retorno em seguida.
- Eu espero em linha.

Depois de quinze minutos, ouço Tiagòn que me responde:

- Mas bah!
- Tiagòn Beret Ando? Como vai indo?
- Indo. Ando.
- Onde?
- Inda ontem, andei andando pelos Andes.
- E onda? Ainda nadando?
- Nada. Nem nadando nem namorando, só comemorando. Mas você ligou pra isso? O que você quer?
- Ah, sim, eu liguei pra saber o que foi aquele telegrama que eu recebi sobre mosteiro.

Ele ficou em silêncio por um tempo e depois me falou em tom grave:

- Olha, a Verbeat cresceu muito nos últimos 28 dias e eu não me ocupo dessas coisas. Tenho me dedicado à nova atividade da organização que é a plantação extensiva de cenouras na amazônia. Como vou saber de telegrama que foi mandado pra você? Tenta falar com o setor de reclamações, divisão equívocos de ordem deontológica. Mas te adianto que se você recebeu telegrama te mandando para o mosteiro, é porque você se enquadrou no procedimento padrão em casos de reincidência em faltas morais. Sabe como são essas coisas, ajoelhou, tem que rezar, né?
- Tiagòn, eu estou te estranhando. Faltas morais?
- Uma corporação como a nossa, tem por obrigação estabelecer certos parâmentos, dentro dos quais nossos colaboradores podem se mover. Seria negligência de nossa parte, se deixássemos que o bom nome de nosso condomínio viesse a ser vilipendiado por razões de caráter hedonístico e fútil, a partir de ações de um único membro.
- Bem, não sei o que te dizer.
- Em breve devem te comunicar a respeito.
- Ok.

Confesso que estava decepcionado. Mas ao mesmo tempo, sentindo uma ponta de orgulho. Puxa vida, pensei, eu faço parte de uma organização que está levando o progresso à amazônia! No momento que terminei de pensar, me toca a campainha. Era um mensageiro a cavalo, com a “ordem de reclusão voluntária obsequiosa com escopo moral”. Montei no cavalo da empresa e partimos para a longa viagem até Verbania, às margens do lago Verbano , local da sede italiana de nosso grupo. Ali fui internado no mosteiro dos “Missionari Verbiti”, que foi onde morei nos últimos 30 dias.

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Logo na chegada, fui recebido por padre Marcelo Tossi, que preencheu minha ficha e me pediu o pagamento adiantado. Sabe como são esses padres, né ?
Acordávamos todos às 4 da manhã para a oração do Verbo divino e somente às 7 fazíamos a primeira refeição à base de cenouras. Na verdade, a única coisa que tinha pra comer eram as cenouras. Eram grandes como nunca havia visto. Me disseram que eram OGM e tratadas com testosterona e cafeína. Depois de alguns dias eu já estava enjoado de cenoura, ao contrário dos monges e monjas, que as levavam até para o quarto, antes de irem dormir.

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A minha turma de punidos era internacional e fiz ali boas amizades. Monsenhor Milingo se destacava pela simpatia. Além de ter sido campeão na competição de arrotos. Cindy Lauper também fazia parte do grupo, assim como Tommy Lee e o cantor Falcão e seu jegue.
Devo dizer que as palestras foram todas interessantes e proveitosas. A pastora Leila falou da objetividade na comunicação e da importância de nunca se usar a frase “sabe como são essas coisas, né?” na confecção de posts. O irmão Milton nos regalou com pérolas de sua sapiência, na conferência intitulada “Tristão e Isolda em beira rio de uma crise de nervos” Ninguém entendeu nada, mas que foi bonito, ah isso foi. Mestre Biajoni, apresentado como especialista no assunto, ensinou “Usos alternativos da cenoura” , mas infelizmente, dormi todo o tempo. Inúmeros outros luminares, nos brindaram com a luz da sua erudição e retidão moral. Foi, como disse, muito proveitoso.

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O que eu não consegui aproveitar como ensinamento, foram as sessões de tortura. Mesmo com todas as explicações a respeito da validade do choque elétrico na promoção da calma interior, eu ainda preferiria ter ficado somente com a lavagem cerebral. Me repetiam continuamente que era tudo em nome da democracia e dos valores ocidentais. Sofri pra burro, mas no final de tudo, resisti.

Foi um mês de grandes sacrifícios, mas também de grande aprendizado. Porém não posso dizer que me convenceram totalmente. Eu vou, ainda que de forma velada e indireta, tentar continuar a me comunicar com meu leitor. Não posso dizer que estou sofrendo censura, mas vou tentar me controlar. Aquelas cenouras me deixaram com um medo danado. Sabe como são essas coisas, né?

novembro 10, 2006

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