Em 15 minutos o que nos resta é acessório
Acordei cedo hoje, e saí para uma caminhada. Quando entrava no elevador lotado, um fulano me esbarrou em modo forte e nem mesmo se desculpou. Saí apressado e corri entre os carros na rua molhada. Buscava ganhar tempo, driblando os carros parados a espera de uma simples luz verde. Minhas tarefas às quais devia me dedicar ainda hoje eram muito simples e poucas. Deveria tirar um pouco de dinheiro no caixa eletrônico, quem sabe comprar um pouco de pão, quem sabe um pouco de frios. A máquina vomita as notas novas e sinto que faço parte de um clube muito exclusivo e importante. A padaria fica a apenas poucos passos. Olhei para as montanhas e as nuvens e acelerei o passo. A manhã estava fria mas o sol convidava ao passeio. Passei pelas vitrines das lojas e fiz força para não olhar. Não resisto e paro diante de uma loja de eletrônicos. Me fascinam aqueles brinquedos. Entro na loja e me esqueço do exercício físico. A garota me serve e me sorri. Como sorriem todos, em qualquer canto.
Nos entendemos muito rapidamente. Sem pensar, me convidei para ir à sua casa.
O quarto dela era minúsculo, quase um cubículo. Tiramos a roupa em um segundo e a vontade era forte demais. Ela ficou de quatro sobre a cama e eu a penetrei por trás. Nos movíamos juntos em um ritmo apaixonado.
Depois de fazer duas vezes, eu ainda queria mais. Olhei para aquele corpo ao meu lado e me excitei. O meu novo brinquedinho iria me divertir como a uma criança. Algo dentro de mim me impelia à ação. Aquela mulher me deixa louco e de novo estou pronto. Atinjo o prazer e rio contente, hedonista e lascivo. Vou à ducha.
Na cozinha ela me preparou um café. Os pães estão ainda quentes. Não posso deixar de admirá-la vestida somente com minha camisa.
O pão iria me alimentar. Vou pra casa.
Corto caminho até o estacionamento. Passo ao lado do grande muro da cidade velha.
Como o pão compulsivamente. Abro a embalagem compulsivamente. De novo me excito compulsivamente.
O telefone toca. Devo voltar. Não penso mais.
Comments
trilogia+conclusão a ser filmada. Sensacional 3x+1!
Posted by: gugala | fevereiro 6, 2006 2:57 PM
moça nova aki ó o/ ... e nuóssaaa, eu li d mais e adorei..... vc escreve bem moço...
tah add nos favoritos
Posted by: Thaís | janeiro 31, 2006 12:38 AM
Cada vez gosto mais, está enxugando.
Eu faço assim, vou enxugando, enxugando...fica mais denso. Cada um tira suas conclusões.
um abraço, laura
Posted by: laura | janeiro 30, 2006 12:37 AM
Esse é já uma variante. Fiquei esperando algumas musiquinhas como "A ética e a liberdade", "O problema de muitos", o problema de poucos", mas elas não vieram. Estavam gravadas em minha memória recente.
Não, não é que não tenha gostado, mas sabe quando vc espera por algo que não acontece? Tive que reler para eliminar a decepção e lembrar que a máquina vomitadora de notas estava lá no primeiro post da série, ou seja, não estás roubando no jogo, é apenas mais um ritornello surpreendente. Se tivesse lido tudo em seqüência, certamente notaria de cara.
Como eu me divirto demais com jogos, recapitulações, contrapontos, fugas, episódios fugatti, etc., ou seja, com música, penso que esta série está curiosamente entre a literatura e ela.
Para finalizar e para não ficares muito convencido, gostaria de te mandar respeitosamente tomar no cu.
Posted by: Milton Ribeiro | janeiro 28, 2006 1:04 PM
Ops...sou nova no pedaço, mas deixa ver se entendi.....hehe
Posted by: Meiroca | janeiro 28, 2006 12:18 PM
Alguns dias sem acessar seu blog e me deparo com essa série estupenda! Não conhecia essa sua faceta mas a genialidade não me surpreende. Me fez lembrar de Construção, do Chico Buarque.
Bravíssimo, amigo.
Posted by: Viva | janeiro 28, 2006 2:21 AM
Que manhã, hein??
Ainda chego nesse estágio e tenho uma manhã "agitada" dessa, assim, meio do nada...
Posted by: Denis | janeiro 27, 2006 11:53 PM
Reviravolta inesperada na seqüência!
Posted by: Leila | janeiro 27, 2006 10:54 PM