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janeiro 29, 2006

Hoje, neve(r)

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janeiro 27, 2006

Em 15 minutos o que nos resta é acessório

Acordei cedo hoje, e saí para uma caminhada. Quando entrava no elevador lotado, um fulano me esbarrou em modo forte e nem mesmo se desculpou. Saí apressado e corri entre os carros na rua molhada. Buscava ganhar tempo, driblando os carros parados a espera de uma simples luz verde. Minhas tarefas às quais devia me dedicar ainda hoje eram muito simples e poucas. Deveria tirar um pouco de dinheiro no caixa eletrônico, quem sabe comprar um pouco de pão, quem sabe um pouco de frios. A máquina vomita as notas novas e sinto que faço parte de um clube muito exclusivo e importante. A padaria fica a apenas poucos passos. Olhei para as montanhas e as nuvens e acelerei o passo. A manhã estava fria mas o sol convidava ao passeio. Passei pelas vitrines das lojas e fiz força para não olhar. Não resisto e paro diante de uma loja de eletrônicos. Me fascinam aqueles brinquedos. Entro na loja e me esqueço do exercício físico. A garota me serve e me sorri. Como sorriem todos, em qualquer canto.

Nos entendemos muito rapidamente. Sem pensar, me convidei para ir à sua casa.

O quarto dela era minúsculo, quase um cubículo. Tiramos a roupa em um segundo e a vontade era forte demais. Ela ficou de quatro sobre a cama e eu a penetrei por trás. Nos movíamos juntos em um ritmo apaixonado.
Depois de fazer duas vezes, eu ainda queria mais. Olhei para aquele corpo ao meu lado e me excitei. O meu novo brinquedinho iria me divertir como a uma criança. Algo dentro de mim me impelia à ação. Aquela mulher me deixa louco e de novo estou pronto. Atinjo o prazer e rio contente, hedonista e lascivo. Vou à ducha.
Na cozinha ela me preparou um café. Os pães estão ainda quentes. Não posso deixar de admirá-la vestida somente com minha camisa.
O pão iria me alimentar. Vou pra casa.
Corto caminho até o estacionamento. Passo ao lado do grande muro da cidade velha.
Como o pão compulsivamente. Abro a embalagem compulsivamente. De novo me excito compulsivamente.
O telefone toca. Devo voltar. Não penso mais.

O que nos resta dessa vida

O quarto dela era minúsculo, quase um cubículo. Tiramos a roupa em um segundo e a vontade era forte demais. Ela ficou de quatro sobre a cama e eu a penetrei por trás. Nos movíamos juntos em um ritmo apaixonado. Me veio em mente que posso me mover para onde quero mas devo respeitar os demais. Pensei no espaço necessário entre a ética e a liberdade. Espaço difícil de se encontrar. Está a cada dia mais restrito, mas ainda pode ser encontrado. Precisa ser encontrado a todo custo.

Depois de fazer duas vezes, eu ainda queria mais. Olhei para aquele corpo ao meu lado e me excitei, mas eu deveria ficar quieto. Algo dentro de mim me impelia à ação. Ela dizia que devo me excitar menos. O problema de poucos, excitar-se demais. O problema de muitos, excitar-se de menos. Olhei para os seus olhos luminosos e felizes e vi as pessoas que se incluem no mundo protegido e as que estão fora dele. Sou um aglomerado de células que querem se reproduzir ao infinito em um desejo de eternidade, que se espalham fecundantes, infiltradas e sutis. Mas não inofensivas. Tenho mais que desejo, minha neurose me leva a possuir o que deveria ser de outros.

Aquela mulher me deixa louco e de novo estou pronto. Sinto que faço parte de um clube muito exclusivo e importante. Atinjo o prazer e rio contente, hedonista e lascivo. Vou à ducha e no chão do banheiro vejo as poças d’agua que refletem a pequena lâmpada sobre o espelho da pia. Parecem profundas mas não o são. Me vem o desejo de afogar-me a ponto de ir ao fundo da mente do mundo onde nem a dúvida sobre a existência de deus existe. Não seria no raso de uma poça d’agua, eu precisaria encontrar o que nunca foi encontrado. Sigo.

Na cozinha ela me preparou um café. A garota me serve e me sorri. Como sorriem todos, em qualquer canto. Como sorriu um dia o soldado que morre sem saber o porque. Como sorriu um dia aquele que perdeu as esperanças nesse mundo e se agasalhou com explosivos e voou para longe. Não posso deixar de admirá-la vestida somente com minha camisa e não pude me esquecer do drama da ingenuidade que tenta frear a guerra. Nem na desgraçada e estúpida ingenuidade de quem faz a guerra. A ignorância continua vencendo.

Vou pra casa. Corto caminho até o estacionamento. Passo ao lado do grande muro da cidade velha. A enorme fortaleza que existiu para separar os bons dos maus. Vivo o pensamento a respeito do muro que separa o sentido, do real. Sei o quanto è difícil separar a representação da coisa em si. Além disso, poucos tem olhos para observar o que ocorre ao seu redor. As mentes estão sempre flutuando em outros planetas.

Chego logo em casa e faço as contas do quanto ridículo tem sido meu modo de pensar. De novo me excito compulsivamente e me lembro que tenho que tentar livrar-me da mania de ter que pensar e dizer coisas inteligentes e ir além do senso comum.
O telefone toca. Devo voltar.

janeiro 25, 2006

O acessório e a essência

Acordei cedo hoje, e saí para uma caminhada. Quando entrava no elevador lotado, um fulano me esbarrou em modo forte e nem mesmo se desculpou. Me veio em mente que posso me mover para onde quero mas devo respeitar os demais. Pensei no espaço necessário entre a ética e a liberdade. Espaço difícil de se encontrar. Está a cada dia mais restrito, mas ainda pode ser encontrado. Precisa ser encontrado a todo custo.

A manhã estava fria mas o sol convidava ao passeio. Olhei para as montanhas e as nuvens e acelerei o passo. Passei pelas vitrines das lojas e fiz força para não olhar. Meu amigo disse que devo consumir menos. O problema de poucos, consumir demais. O problema de muitos, consumir de menos. Olhei todas aquelas lojas e vi as pessoas que se incluem no mundo protegido e as que estão fora dele. Sou uma bactéria parasita do mundo, que se espalha pelo organismo, infiltrada e sutil. Mas não inofensiva. Tenho mais que necessidades, minha neurose me leva a consumir o que deveria ser de outros.

Não resisto e paro diante de uma loja de eletrônicos e sinto que faço parte de um clube muito exclusivo e importante. Me fascinam aqueles brinquedos. A rua está encharcada e vejo as poças d’agua que refletem o fraco sol da manhã. Parecem profundas mas não o são. Me vem o desejo de afogar-me a ponto de ir ao fundo da mente do mundo onde nem a dúvida sobre a existência de deus existe. Não seria no raso de uma poça d’agua, eu precisaria encontrar o que nunca foi encontrado. Sigo.

Entro na loja e me esqueço do exercício físico. A garota me serve e me sorri. Como sorriem todos, em qualquer canto. Como sorriu um dia o soldado que morre sem saber o porque. Como sorriu um dia aquele que perdeu as esperanças nesse mundo e se agasalhou com explosivos e voou para longe. O meu novo brinquedinho iria me divertir como a uma criança e não pude me esquecer do drama da ingenuidade que tenta frear a guerra. Nem na desgraçada e estúpida ingenuidade de quem faz a guerra. A ignorância continua vencendo.

Corto caminho até o estacionamento. Passo ao lado do grande muro da cidade velha. A enorme fortaleza que existiu para separar os bons dos maus. Vivo o pensamento a respeito do muro que separa o sentido, do real. Sei o quanto è difícil separar a representação da coisa em si. Além disso, poucos tem olhos para observar o que ocorre ao seu redor. As mentes estão sempre flutuando em outros planetas.

Chego logo em casa e faço as contas do quanto ridículo tem sido meu modo de pensar. Abro a embalagem compulsivamente e me lembro que tenho que tentar livrar-me da mania de ter que pensar e dizer coisas inteligentes e ir além do senso comum.

O telefone toca. Devo voltar.

janeiro 21, 2006

Quinze minutos

Saí apressado e corri entre os carros na rua molhada. Buscava ganhar tempo, driblando os carros parados a espera de uma simples luz verde. Me veio em mente que posso me mover para onde quero mas devo respeitar os demais. Pensei no espaço necessário entre a ética e a liberdade. Espaço difícil de se encontrar. Está a cada dia mais restrito, mas ainda pode ser encontrado. Precisa ser encontrado a todo custo.

Minhas tarefas às quais devia me dedicar ainda hoje eram muito simples e poucas. Deveria tirar um pouco de dinheiro no caixa eletrônico, quem sabe comprar um pouco de pão, quem sabe um pouco de frios. Meu médico disse que devo comer menos. O problema de poucos, comer demais. O problema de muitos, comer de menos. Olhei o caixa eletrônico e vi as pessoas que se incluem no mundo protegido e as que estão fora dele. Sou uma célula de gordura do mundo, que se espalha pela carne, infiltrada e sutil. Mas não inofensiva. Tenho mais que fome, minha neurose me leva a devorar o que deveria ser de outros.

A máquina vomita as notas novas e sinto que faço parte de um clube muito exclusivo e importante. A padaria fica a apenas poucos passos. A rua está encharcada e vejo as poças d’agua que refletem as luzes da cidade. Parecem profundas mas nao o são. Me vem o desejo de afogar-me a ponto de ir ao fundo da mente do mundo onde nem a dúvida sobre a existência de deus existe. Não seria no raso de uma poça d’agua, eu precisaria encontrar o que nunca foi encontrado. Sigo.

Os pães estão ainda quentes. A garota me serve e me sorri. Como sorriem todos, em qualquer canto. Como sorriu um dia o soldado que morre sem saber o porque. Como sorriu um dia aquele que perdeu as esperanças nesse mundo e se agasalhou com explosivos e voou para longe. O pão iria me alimentar e não pude me esquecer do drama da ingenuidade que tenta frear a guerra. Nem na desgraçada, estúpida e fria ingenuidade de quem faz a guerra. A ignorância continua vencendo.

Corto caminho até o estacionamento. Passo ao lado do grande muro da cidade velha. A enorme fortaleza que existiu para separar os bons dos maus. Vivo o pensamento a respeito do muro que separa o sentido, do real. Sei o quanto è difícil separar a representação da coisa em si. Além disso, poucos tem olhos para observar o que ocorre ao seu redor. As mentes estão sempre flutuando em outros planetas.
Chego logo em casa e faço as contas do quanto ridículo tem sido meu modo de pensar. Como o pão compulsivamente e me lembro que tenho que tentar livrar-me da mania de ter que pensar e dizer coisas inteligentes e ir além do senso comum.

O telefone toca. Devo voltar.

janeiro 20, 2006

Problemas no cabeçote

O meu novo instrutor da academia de ginástica fala comigo, se referindo ao meu corpo na terceira pessoa e sempre com metáforas automobilísticas:

-O motor dele está ainda meio lento por causa das festas, mas logo ele entra em regime de funcionamento normal.

Hoje no supermercado ao invés de pedir licença para passar, eu buzinei:

-Fon, fon!

Estou preocupado.

janeiro 18, 2006

Brown Sugar

Beppe Grillo, o blogueiro mais visitado por essas bandas publicou um recado de Lester Brown, um dos mais respeitados analistas do ambiente, fundador do Worldwatch Institute e definido pelo Washington Post como o mais influente pensador do mundo. Parece exagero, mas o que ele diz é coerente, ainda que dramaticamente já saibamos mais ou menos disso tudo só que não nos preocupamos muito. O ponto é justamente este. O momento é de se fazer algo, estamos chegando ao limite. Ele faz algumas previsões e um comercialzinho do seu livro que está sendo lançado aqui na Italia este mês, mas que pode ser lido e baixado pela net. O Lester tem um olhar triste, coitado. O olhar de quem vê as nuvens carregadas que se aproximam. A seguir o texto do cara.

“Enquanto estamos entrando em um novo ano, gostaria de refletir sobre como a nossa economia globalizada tenha atingido, do ponto de vista ambiental, um limite além do qual não seja mais sustentável a Terra. Enquanto tudo isso sempre foi muito claro aos ecologistas, o que esta acontecendo na China hoje, ficou claro inclusive aos economistas.
A China superou abundantemente os Estados Unidos no consumo de toda uma série de recursos de base, como trigo, carne, carvão, aço e com uma única excessão: o petróleo.
Se a economia chinesa continuar a crescer ao ritmo de 8 por cento ao ano, a renda por habitante atingirá aquela americana em 2031. Naquele momento os chineses, que serão mais de um bilhão e quatrocentos milhões, consumirão reservas de petróleo e papel em quantidade muito maior de quanto se produz hoje em dia.
Se arrisca o enxugamento das reservas de petróleo e o fim das florestas em nível mundial. O modelo econômico ocidental – baseado no carvão, gasolina, automóvel, lixo- não funcionará na China.
E não funcionando na China, não funcionará nem mesmo na Índia que, em 2031 terá uma população ainda maior do que aquela chinesa. Não funcionará tampouco para os outros três bilhões de habitantes de países em desenvolvimento que apostam todos também no “american dream”.
Isso passa a ser verdade também para as economias dos países desenvolvidos que deverão agir em um mundo sempre mais integrado, no qual deverão também eles competir pelos mesmo bens como petróleo, grãos e aço.
A sustentabilidade do progresso econômico depende da passagem a um modelo econômico baseado na energia renovável, sobre a reciclagem e o reuso dos materiais além de um sistema diversificado de transporte.

"Business as usual" – o plano A – não nos pode conduzir a um futuro ao qual queremos apostar. É o momento de passar ao plano B e de começar a construir uma nova economia e um novo mundo.
O plano B se compõe de três partes:
1- A reestruturação da economia global em modo a permitir a sustentabilidade de nossa civilização.
2- Um gigantesco esforço para eliminar a pobreza, estabilizar o crescimento populacional, trazer nova esperança.
3- Um enorme esforço para restabelecer um equilíbrio ao sistema terrestre.
Exemplos desse novo modelo podem ser vistos nas fazendas alimentares a energia eólica, na Europa, nos tetos japoneses acarpetados por painéis solares, na quantidade em rápido crescimento de carros híbridos nos Estados Unidos, no reflorestamento na Coréia do Sul e nas ciclovias de Amsterdam.
Praticamente tudo aquilo que nos serve para construir um novo modelo econômico já foi feito e aprovado em um ou mais países.
Todas estas considerações são aprofundadas e discutidas no meu novo livro: “Plano B 2.0, que pode ser livremente descarregado no www.earth-policy.org".
Les Brown

Vou procurar ler o livro. Pelo visto ela dá uma livrada de cara nos Estados Unidos e mete a culpa toda nos orientais. Bem, vou ler antes de criticar.

janeiro 14, 2006

Síndrome de Estou Calmo

Ontem quando cheguei em casa ao meio dia, encontrei um pacote suspeito onde se lia: “do seu amigo secreto”. Imediatamente coloquei o cérebro para funcionar, tentando decifrar essa mensagem. Me lembrei que nas minhas aulas do curso “Como ser um cidadão de bem que vive em segurança nesse mundo de terroristas”, o professor me disse que é comum que façam jogos de palavras no sentido de desviar a atenção. Deduzi imediatamente que “Amigo” tinha o objetivo de fazer com que eu baixasse a guarda, fazendo parecer algo inofensivo e “Secreto” tentava aguçar minha curiosidade, me impelindo a abrir o pacote em modo irresponsável.

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Nada disso, vesti em um segundo meu colete anti-bomba e o casaco de fibra de carbono e me aproximei com o escudo de titânio, aquele que é disfarçado em frigideira. Comecei a cumprir todos os passos descritos no “manual do bom cidadão ocidental de origem judaico-cristã” de como abrir um pacote que chega pelo correio.

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Primeiro passo: colocar o capacete a prova de bomba e aproximar-se lentamente e quando o pacote menos espera, afundá-lo na agua a 26 graus, deixar de molho por duas horas e não torcer nem centrifugar no final do ciclo.

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Passo dois: vestir luvas com malha de aço reforçado e munido de um bom martelo de lanterneiro, golpear repetidamente o “presentinho” a fim de eliminar quaisquer possibilidades de conter animais peçonhentos vivos, treinados a atacar e matar impiedosamente justamente nós, homens civilizados e pacíficos.

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Passo três: abrir o pacote. Como suspeitei já de inicio, se tratava de um presente da Maria Cristina Fernandes, para o natal. Como natal já passou, fiz como faço com todos os pacotes que chegam. Obrigado Cristina, gostei bastante. Me mandou uma camiseta, chocolates deliciosos e folhetos, tudo de Santos, cidade onde passei algumas férias inesquecíveis quando criança. Um belo presente sem duvida. A culpa toda de tudo isso é de dona Denise Arcoverde que organizou o amigo secreto.

janeiro 11, 2006

Minha lista

Eu odeio listas. Mas eu também me odeio, então fiz uma lista só pra me deixar nervoso. Apresento aqui os melhores dos melhores de 2005. Que ódio.

Lista dos dez melhores filmes vistos em 2005

-”Kramer x Kramer”. Esse eu vejo todos os anos. É um filme que não envelhece nunca e que traz sempre novas emoções. Muito bons os momentos de choro e descabelamento. Desespero nota dez. Esse ano devo ver de novo no dia 14 de julho. Não vejo a hora.

-”Titanic”. Finalmente assisti ao chamado filme do ano. Não desse ano, mas do ano em que foi feito. O que é digno de nota nesse caso é o fato que por ter adivinhado o final, ganhei uma aposta com meu vizinho Enio. Eu saquei logo de cara que o navio ia afundar. Ganhei uma garrafa de vinho feito em casa.

-”Lost in Translation”- Perdido na tradução. Eu peguei esse filme na locadora e só deu tempo de ver o trailer onde se vê o Bill Murray olhando os prédios de Tokio pela janela do táxi e a Scarlett Johansson olhando os prédios de Tokio pela janela do hotel. Vi também a entrevista com Bill Murray, onde se vêem os telhados de Roma. Eu saquei que é um filme arquitetônico bem bacana, onde um cara tenta traduzir para o japonês o que ele vê em inglês a respeito da relação existente entre os tetos de Roma e as fachadas de vidro de Tokio, não consegue e com isso fica meio perdido na tradução. O que a Scarlett faz no filme? Sei lá, porra, não dá pra saber tudo.

-O quarto filme da lista é um barato, muito divertido, atores maravilhosos, fotografia límpida e natural, uma historia de matar de rir. O diabo é que eu assisti meio dormindo no domingo depois da feijoada e não me lembro nem do título. Alguém me ajuda?

-”Banane al Cioccolato” – Com Cicciolina, Anna Fraum, Moana Pozzi e grande elenco. Um dos filmes mais emocionantes do ano que passou. Não é porque é o representante italiano da lista mas é um dos meus preferidos. Impossível não se envolver com algumas das maiores e mais bem interpretadas cenas dos últimos tempos. Juro que não parece que elas estão atuando, tamanha a realidade de seus movimentos. Assisti na casa de minha tia e ela estava aos prantos no final.

-”Abbot & Costello encontram Renato Aragão no castelo de Gengis Khan”. Eu dormi entre os letreiros do inicio e do fim do filme. O que posso dizer? Relaxante.

Lista dos dez melhores livros lidos em 2005

- “Caminho suave” – Branca Alves de Lima- Estou começando a reler os grandes livros que fizeram historia. A releitura é uma oportunidade de se descobrir coisas novas e ao mesmo tempo atualizar os próprios conceitos. O meu B por exemplo já está muito diferente do que já foi um dia. A frase que eu mais gosto e que exprime um leque de sentimentos: Vovô viu a uva.

- “Meu Sistema”. O autor eu não me lembro quem é, só sei que é um sueco que escreveu sobre um sistema de ginástica. O livro é de 1928 mas ainda é muito atual. O trecho que mais gosto, cito de memória: “Devemos sempre ter um poucochinho de cuidados com os pés. Os nossos pés tem em si algo de cadáver. É nossa parte mais distante e abandonada. Lavá-los ao menos uma vez por semana”.

- “Incidente em Antazes” - Érido Veríssimo. O falso autor paraguaio narra como teve problemas com a alfândega quando tentava passar uma caminhonete roubada carregada de areia grossa falsificada destinada a uma obra de fachada de uma lavanderia de dinheiro fajuta.

-“Adelaide Carraro no mundo cão de Silvio Santos” – Um clássico não poderia faltar na minha lista.

-”Vamos acabar com as enchentes em São Paulo”- Orestes Quércia. Eu sei que esse é um romance histórico misturado com ficção científica mas com muito humor e que é um pouco datado pois o famoso “Cara de Carvalho” usou-o como programa na campanha ao governo do estado de São Paulo em 1986, mas é engraçadíssimo. Vai pra lista seguramente.

-”Manual do vibrador elétrico”. Uma obra universal. A globalização chegou com tudo mesmo né pessoal? Esse livro, muito grosso e volumoso mas muito gostoso de ler, está escrito em todas a línguas imagináveis. Com ilustrações passo a passo, não tem como errar onde tem que enfiar o aparelho. Aliás o aparelho é fantástico e já me ajudou muito, não só a mim mas a todo o pessoal lá da obra também. Eu diria que nos dias de hoje é indispensável. Serve tanto para concreto quanto argamassa.

Lista das dez melhores músicas ouvidas em 2005

-”Parabéns a você” – Com três filhos e cada um indo a em média vinte aniversários por ano, o meu hit só podia ser esse. Calcule.

-”A praia” ( La Playa ) Agnaldo Rayol. Compacto Duplo onde também se ouve “Como Sinfonia” “Quando o amor te chama” “Amanheceu”. Encontrei esse compacto duplo colado debaixo do forro do carpete do meu Fiat Uno velho. Não consigo deixar de ouvir, é viciante.

-”Mamma mia” – ABBA. No rádio do meu carro, só toca Radio Mamma Mia, uma rádio muito bacana que toca somente a musica Mamma Mia do ABBA, 24 horas por dia. Sugestão do 610 de radio2.

-”O sabor do caldinho verde que sai da tua xinha” – Volaldo Markes. É ritmo, é som, é balanço, é malandragem, é coisa nossa, é Brasil.

-”Sou do tempo em que o mundo será um estacionamento”- Grupo Carne de Vacca. Segundo minha modesta opinião esse é um dos maiores grupos musicais de todos os tempos, disparado. Sempre com muita modéstia, acho esta música uma das mais elaboradas e interessantes e emocionantes e surpreendentes e criativas do maravilhoso grupo.

janeiro 5, 2006

Notícias

Finalmente a equipe de reportagem do departamento de jornalismo da Verbeat nos mandou o filme da visita do Milton Ribeiro aqui na Italia. Como todos sabem, ele veio especialmente para a assinatura de meu contrato com a Verbeat. Abaixo, o mesmo filme em duas dimensões. Quer dizer, o filme é em duas dimensões, todo ele, mas abaixo o mesmo filme, só ele, único, em duas dimensões. Não as duas dimensões referidas antes mas também, ou seja, não somente duas dimensões. Já seriam quatro as dimensões, mas são dimensões diferentes. Espero que voce tenha entendido.

Milton Ribeiro na Italia- banda larga 10 Mb

Milton Ribeiro na Italia- modem 3 Mb

Os files são para download. Usuário de Firefox: Faça clic no link desejado acima e salve em seu disco e descompacte-o para ver. Usuário de Explorer: abra o link, digite 1234 no espaço da senha e abra o file. Acho que voce entendeu. Aqui é tudo muito simples.

janeiro 2, 2006

O último dia do ano

Todos sabem que eu faço parte do corpo de defesa civil de minha cidade. No último dia do ano tivemos um chamado de emergência que mobilizou quase todos os operadores e voluntários. Eram mais ou menos seis da tarde do dia trinta e um quando meu celular tocou. Era uma mensagem de código vermelho, emergência máxima. Deixei a cerveja pela metade e quase não me despedi dos amigos no bar e me meti voando dentro do carro e com ele me dirigi velozmente ao centro da cidade onde já estavam se posicionando meus companheiros, além da polícia e corpo de bombeiros. Reconheci o capitão Roccaforte da divisão de inteligência das forças especiais de segurança pública da guarnição “Montefalcone” do corpo de guarda “Marengo” do grupo de caça “Positano” da arma carabinieri local. Nessas ocasiões de emergência a comunicação, apesar de nos conhecermos bem, deve ser formal. Me dirigi a ele:

-Olá capitão Roccaforte da divisão de inteligência das forças especiais de segurança pública da guarnição “Montefalcone” do corpo de guarda “Marengo” do grupo de caça “Positano” da arma carabinieri local, como vai?
-Tudo bem e voce? Me respondeu.
-Tudo também - lhe retruquei.
-Você não estava servindo como voluntário da divisão de suprimentos das forças especiais de prevenção de acidentes da guarnição “Positano” do corpo de sentinela “Montefalcone” do grupo de logistica “Marengo” da arma polizia local?
-Não capitão, eu estou servindo como contravoluntário civil adjunto como auxiliar de divisão no corpo especial do agrupamento “Marengo” do braço operativo “Positano” da força “Montefalcone” da companhia “Roccaforte” da marinha do exército.
-Muito bem contravoluntario civil Prada, adjunto auxiliar de divisão no corpo especial do agrupamento “Marengo” do braço operativo “Positano” da força “Montefalcone” da companhia “Roccaforte” da marinha do exército, o que você quer saber?
-O que está acontecendo aqui?
-Ainda não sabemos bem mas tememos pelo pior. Encontraram uma pessoa dentro do prédio da prefeitura, numa sala do sexto andar.
-Ele está com alguma atitude suspeita?
-Sim, tudo leva a crer que esteja trabalhando.
-Santo deus! Sábado, véspera de ano novo e o cara trabalhando na prefeitura? Mais um caso de maníaco trabalhicida?
-Pensamos que seja esse o caso. Já deslocamos os atiradores de elite sobre os telhados vizinhos mas parece que eles não tem ângulo de tiro.
-Pô, vai ser complicado hoje, já sinto isso.
-Vamos tentar freá-lo com gás.
-Mas um psicólogo não poderia ajudar antes?
-Sim, nós vamos tentar primeiro com o psicólogo mas temos que ter todas as opções de ação, caso a situação se degenere e ele queira mesmo continuar trabalhando.
-Eu fico pensando na familia desse cara, que choque vai ser. Já avisaram?
-Sim, me parece que a mulher pensava que ele tivesse saído pra ir ver as putas mas o cara pelo jeito além de tudo é mentiroso.
-Temos que detê-lo a qualquer custo capitão. É perigoso mesmo.
-Ela deve chegar logo aqui. Vamos usá-la para tentar persuadi-lo.
-Os bombeiros não poderiam entrar pela janela com a escada telescópica?
-Eles também já estão posicionados para essa eventualidade. Se o sujeito não quiser se afastar do computador eles lhe darão um jato de água fria que o fará voar longe.
-Bem que merece!
-Calma com o que fala meu caro. Sabe que isso é uma doença? Ele não tem culpa disso.
-Bem, tem razão capitão, eu exagerei mesmo. Bom, mas o que posso fazer para ser útil?
-Se não for pedir muito, gostaria que você desse apoio moral à familia.
-Vou tentar fazer o meu melhor.

Nesse momento vi que os bombeiros se aproximavam da janela dos fundos do prédio, onde não eram vistos pelo maníaco. Um minuto depois, chegou a esposa, morena clara, olhos verdes, aproximadamente trinta anos. A mulher chorava copiosamente e aos prantos gritava:

-Trabalhando? Meus deus o que aconteceu com meu marido? O que foi que eu fiz? Como é que não percebi nada?

Nesses momentos, mesmo nós que estamos acostumados a lidar com essas situações difíceis, nos sentimos mal, sem saber o que dizer. Mas, como eu estava lá para acalmá-la me aproximei e lhe disse:

-Senhora, veja que o bombeiro leva uma garrafa de spumante e duas taças. Logo logo teu marido cai na farra, garanto.
-Será que eles conseguem?
-Garanto. Eles, ou melhor, nós, sempre conseguimos. Vejo que na pressa de sair de casa a senhora se esqueceu de colocar o sutiã. Me permita dizer que tem lindos seios.
-Obrigada, sabe que meu marido nem olha mais pra eles?
-O teu marido precisa de tratamento. Três meses em uma clínica e se recupera. Pode acreditar.
-Será? Ele anda tão desligado de tudo. Só pensa mesmo em trabalhar. Eu deveria ter desconfiado.
-Com uma mulher bonita como a senhora e pensando em trabalho, esse seu maridinho está muito louco mesmo.
-O senhor me acha bonita? Obrigada.
-Até quando estava chorando te achei bela. Mas fique tranqüila, nos meses que o teu marido estiver na clínica, eu pessoalmente continuarei a dar o suporte necessário. E repare, não vejo a hora de te dar todo o suporte necessário.
-Obrigada, já me sinto mais tranqüila mesmo, eu também pens...

A mulher não conseguiu terminar a frase. Gritos, euforia coletiva, um fusuê dos diabos. Quase caio no chão pelo susto, visto que estava meio inclinado por sobre a infeliz esposa para protegê-la psicologicamente. Corri ao capitão para saber o que houve:

-Capitão Roccaforte da divisão de inteligênc...
-Deixa disso Prada, acabou tudo bem.
-Acabou? Bem? Como foi? Foi com o jato d'agua?
-Não foi preciso. O cabo Guerrino entrou pelos fundos e pôde ver que o suposto maníaco trabalhicida estava na verdade jogando paciência no computador e visitando sites pôrno. Ele é normal meu caro. Nesse momento eles estão terminando de tomar o vinho e depois descem. Aliás, vá dar a boa noticia à esposa.
-Precisa é?
-Sim, claro. É uma boa noticia não é?
-É, né?
-O que foi? Não se sente bem?
-Não Capitão, para falar a verdade estou mal de verdade. Não consigo dar a noticia à esposa não. Devo ir pra casa.

Saí correndo, abandonando pela primeira vez meu dever de defensor civil. Passei toda a festa de ano novo pensando no caso. Me marcou muito tudo isso e acho que nunca vou me esquecer. Que seios meu deus!