O desafio por estes

O desafio por estes dias será transformar este gracioso edifício em um teatro para 150 lugares. Teremos que derrubar praticamente tudo, preservando a configuração original e a tipologia características. Alguns elementos como o pórtico de ingresso serão reaproveitados integralmente após restauro. Um projeto simples mas muito simpático e interessante até porque é para a pequena aldeia de Cimego. Conhecida como a cidade do ferro e dos hereges, encravada entre as montanhas do vale Giudicarie, transborda de história. Outra hora falo dos hereges na região, incluindo as bruxas. Mas o que chama a atenção é que uma comunidade tão pequena, no total são 430 habitantes, tenha tantas tradições mantidas, e esta força de realização. Seria como haver só em São Paulo, seguindo as proporções, teatros para três milhões de cadeiras, ou seja, 15.000 teatros de 200 lugares. Penso que quando se chegar a isso no Brasil, será o sinal de que nossos valores como povo e nossos projetos de vida, conseguiram dobrar a esquina do atraso e centrados nos valores da cultura, haveremos construído um belo lugar pra se viver em paz. Elocubrações inúteis, minha especialidade, mas eu me divirto assim, com pouco.
Voltando a Cimego. A cultura move tudo na cidade. Dos percursos didáticos à banda de música, passando pelo artesanato em ferro, tudo remete a um fazer local. Por isso, o projeto do teatro vai respeitar isso, a cultura local. A arquitetura é boa não quando segue padrões estéticos ditados por interesse da indústria ou das imobiliárias. Ela é boa quando respeita os dois elementos principais dessa brincadeira: as pessoas e o ambiente. Ela é feita para as pessoas e faz parte de uma paisagem. Dizer que algo é bonito ou feio não basta, tem que entender pra poder amar. Em breve meto aqui o projeto.

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