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A coisa mais interessante


A coisa mais interessante me aconteceu quando eu menos esperava. Me virei e vi a sua figura que se aproximava e pela primeira vez notei que os sinos da igreja tocavam àquela hora. Melhor ainda, reparei que a igreja tinha sinos. Na verdade nunca tinha visto aquela igreja ali. Mas ao me aproximar pude ver os seus cabelos que voavam soltos e me pareceu que era uma imagem da qual eu não tinha nem o direito de ver, de tão bela. Mais alguns passos e o perfume de seu corpo chegou a mim. Agora era já loucura e dessa forma, louca, me coloquei à sua frente e disse que não poderia deixá-la continuar porque deveria ser minha e ela sorriu. Não pude dizer nada pois a beijava e a levei para longe e nos recostamos em um banco de praça e fizemos com o olhar as promessas para toda a vida. Sentia sobre mim o céu e sabia de tudo o que estava acima de minha cabeça e também abaixo de meus pés. Eu era tudo e tudo fazia parte de mim. Ouvi músicas que nunca existirão e disse poesias irrepetíveis para gozo de nossa paixão. Por dias e dias e semanas e meses nos entrelaçamos e nos conhecíamos como quem não é outro.
Mas veio aquele olhar. Bastou aquilo e um frêmito me percorreu pois percebi que chegou o fim. Nos abraçamos despedintes e como nos encontramos, assim nos deixamos.
Ja fazem duas horas. Duas horas de angústia. Duas horas difíceis. Até porque não passa ninguém aqui nessa rua. E essa porra de sino que não pára de tocar.
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