Perto daqui de casa os
Perto daqui de casa os americanos mantém carinhosamente 90 mísseis nucleares nas bases de Ghedi Torre em Brescia onde estão 40 dessas belezas e de Aviano em Pordenone, onde dormem em plantão permanente as outras 50. Nenhuma autoridade italiana tem conhecimento ou informação oficial a respeito destes meus vizinhos. Porém, todos são visíveis e nem um pouco escondidos nas fotos de satélite. Durmo tranqüilo sabendo que minha segurança está garantida com o que de mais sofisticado existe em termos de arma e destruição. Meu vizinho Mario que é um pessimista vive me dizendo que em caso de acidente ou guerra, estaremos todos fritos, porque estamos pertos demais de um alvo estratégico. Ele é mesmo pessimista. Não estamos pertos demais, estamos a
Outra pessimista é a doutora Helen Caldicott médica especialista em problemas relativos a energia nuclear, merecedora de inúmeros prêmios internacionais entre eles a indicação ao prêmio Nobel da paz da parte de Linus Pauling e ganhadora indireta do mesmo em 1985 através de sua instituição a “Médicos pela Prevenção da Guerra Nuclear”. Ela afirma que a guerra nuclear nunca esteve tão próxima de se realizar até porque as fortes tensões da guerra fria que mantinham o equilíbrio de forças não existe mais e esse é o grande perigo. Um único ser humano detém o poder de em menos de cinco minutos causar a morte de milhões de pessoas. Esse homem é George Bush. Não sei porque o pessimismo. Acho que Bush não decidiria algo assim sozinho e teria o conselho valioso de Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Condoleeza Rice, tudo gente com a cabeça no lugar. Meu vizinho Mario não pode nem ouvir falar esses nomes todos, que pessimista
A doutora Helen diz mais. Diz que só de urânio empobrecido (Depleted uranium – DU ou urânio-238) o Iraque de hoje conta com mais de 350 toneladas espalhados por todos os cantos na forma de balas de metralhadoras e blindagem de tanques. Esse material foi introduzido na primeira Guerra do Golfo em 91 e utilizado maciçamente no mais recente entrevero. Para a indústria bélica o DU foi um achado. Nos EUA existem mais de 500.000 toneladas do material, que apresenta 60% da radioatividade do urânio natural e requer a metade do tempo para decair, ou seja, somente 4,5 bilhões de anos. O achado foi no sentido de que este material é mais duro e resistente que outros na confecção de balas e revestimentos e é cedido às industrias a custo zero, grátis, visto que ninguém quer saber dessa coisa. A pessimista da doutora Helen diz que o enorme aumento de tumores infantis, como leucemia, síndrome de Hodgkin e linfomas no Iraque de hoje se deve ao uso de DU. O Pentágono, de forma muito mais positiva, declarou que o DU é absolutamente inofensivo, isentando inclusive o material das suspeitas de que ele também pudesse ser responsável por tumores em jovens soldados americanos. O Pentágono disse que é tudo bobagem, que esse é o melhor dos mundos possíveis e no natal seremos ainda melhores e mais bondosos. O pessimista do Mario não acredita no Pentágono, onde já se viu?
Bush e companhia pilotam hoje uma industria de armamentos que mama das tetas federais a beleza de 6,5 bilhões de dólares por ano militarizando inclusive o espaço, a revelia da ONU. Países chamados canalhas que tem programas nucleares com fins bélicos como Irã e Coréia do Norte, correm risco efetivo segundo os pessimistas especialistas do assunto. Venezuela também dá seus passos nessa direção e já recebeu por isso certos recados mais ou menos explícitos, até em forma de golpe. O Brasil onde se encontra nessa situação toda?
Chega a ser patético hoje acompanhar o debate político no Brasil e perceber que é absolutamente descolado desta e de outras questões internacionais fundamentais para se entender certas posições e estratégias. O governo brasileiro literalmente abaixou as calças em muitíssimos setores somente objetivando a entrada no conselho de segurança da ONU em uma cascata de compromissos. A mesma ONU redigiu em 1968 o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Os EUA de Bush, desrespeitam absolutamente este tratado e impedem categoricamente com ameaças claras e públicas que outros países o façam.
Como sou otimista, acredito que os americanos tenham esta política porque querem garantir a paz, a democracia e a prosperidade de todo o planeta. Logo logo eles irão desarmar o mundo, como todos nós desejamos já que algo que pode liquidar com minha vida assim como de minha família e também de minha cidade, diz respeito a mim e vai além de uma política interna de um país. O Mario não concorda e eu já acho que ele sofre do fígado. Me diz que não é por aí e que é melhor ir se preparando para viver dias duros. Mas não é possível que alguém possa pensar certas coisas. Ele chega ao ponto de dizer que a guerra no Iraque serviu para ajeitar muita coisa na terra de Bush: o controle total do petróleo; segurar o dólar como moeda planetária que estava ameaçado pelo euro como referência de preços do próprio petróleo o que seria um passo para se transformar na moeda mundial; garantir às grandes corporações e as industrias bélica e da reconstrução de fazer caixa; dar uma resposta aos democratas que em face a um capitalismo sempre mais fictício baseado no crédito estavam fazendo uma soft landing da economia e Bush de soft não tem nada. Ele diz isso para me explicar que hoje nos EUA, um país com uma historia belíssima e importante, o governo esta nas mãos de gente capaz de absolutamente qualquer coisa. Mario, Mario, além de pessimista é ingênuo. Pensa que a teoria da conspiração tem algum valor. O que o faz pensar que a economia hegemônica no mundo tenha medo de perder seus privilégios? Porque dizer que o fundamentalismo existe hoje em todo o mundo e principalmente na América de Bush? Acho que não tem jeito, quando um nasce pessimista não há meio de mudar.
Bem, o Mario já foi embora, vou tomar um chopinho lá no jardim, de onde dá pra olhar o pôr do sol. Por coincidência é lá pelos lados de Brescia que devo olhar. Qualquer luz mais forte, pulo pro carro e saio correndo, afinal as malas estão sempre arrumadas e prontas no bagageiro.
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