No próximo dia 12 os
No próximo dia 12 os italianos somos chamados a votar em um referendum. A decisão é entre estinguir quatro pontos da lei numero 40/2004 ou não. Esta lei em resumo, proíbe a esperiência científica com células embrionárias, considera o embrião um indivíduo e proíbe a fecundação “in vitro”. Estas celulas embrionárias sáo aquelas de embriões não utilizados quando de uma seleção para implante no útero de uma mulher. Em outras palavras, a ciência faz pesquisa com células de embriões humanos com o fim de descobrir curas para inúmeras doenças tais como câncer, esclerose, o mal de Alzheimer, Parkinson, o diabete e outros ainda. Isso na Italia hoje é proibido por lei. Simplesmente porque consideram o embrião com direitos de cidadão. Mesmo que sejam 32 ou 64 celulas congeladas, é um cidadão. A raiz desta concepção está na ala conservadora da Igreja católica. Interessante notar que oitocentos anos atrás esta noção seria ridicularizada como retrógrada, visto que um embrião era encarado pelo que é: um embrião. O cardeal Camillo Ruini é o propulsor dessa ala, inicialmente pelo não e agora pela abstenção, que usa de argumentos que segundo meu ponto de vista são paradoxais e risíveis. A atual lei consente a fecundação assistida com no máximo três embriões. Todos os três devem ser implantados já que não se pode haver descarte. O problema é que técnicamente, três é um numero insuficiente. Em geral se implantam no mínimo cinco. O que acontece é que com três a chance de insucesso é muito maior, ou seja, o tratamento deve ser repetido mais vezes, causando maior sofrimento à mulher e – paradoxo- causando muito mais morte de embriões. Todas as vezes que a religião com seus dogmas moralistas interferem na vida civil, acontecem desastres. Mas não era o bastante. O neo papa não pôde deixar de dar sua contribuição. Lançou um apelo, como sempre em linguagem cifrada, para que todos os bispos ajudem a esclarecer os cristãos e orienta-los a não irem votar. Só como nota: o incitamento à abstenção de um referendum, segundo a lei italiana é crime passivel de pena de detenção de seis meses a três anos, além de multa. Suspeito que não vão botar o papa na cadeia, mas já começou a ferir a lei o nobre alemão.
A permanecer como está, a lei sobre procriação assistida causa além dos problemas ja citados, um outro de ordem econômica. Muitos casais vão a outros países europeus fazer a fecundação e pagam boas cifras para isso. Em resumo, a posição dos que querem manter a lei não impede que embriões sejam mortos, causa problemas e sofrimento às mulheres, impede o desenvolvimento cientifico, empobrece familias que precisam do tratamento, evade divisas do país, mas tudo isso em nome da vida humana. Vamos ver o que vai acontecer depois do dia 12. Espero que a Italia não dê mais um passo rumo às trevas.
--------