junho 22, 2008

Uma Cigarra Espanhola...



Ele canta. E canta maravilhosamente! Essa interessante criatura chama-se Diego," El Cigala".
Bonito não é. Mas tem um charme inegável quando se apresenta. Diego é um dos grandes nomes do Flamenco cantado em todo o mundo.

O Flamenco é um gênero musical que espelha perfeitamente a personalidade espanhola: dramática e passional.
Graças aos traços fortemente marcados pela passagem árabe e cigana na Península Ibérica, a Espanha possui essa riqueza cultural que esbanja por todas as suas expressões artísticas.

Comecei a gostar da música flamenca escutando Paco de Lucía, no Brasil.
Depois que cheguei em Madrid, fui escutando outros, entre eles Camarón de la Isla, um mestre do gênero. Agora sou uma enamorada do canto, da dança e do toque flamencos. Estrella Moriente é uma das minhas favoritas. Escreverei sobre ela em outra ocasião.

Pois sim...

Diego é um apaixonado pelo Flamenco. Vive, chora e canta Flamenco por todos os poros. Eu adoro como ele se transforma enquanto está cantando...

Bebo&Cigala-Lagrimas Negras Mas o interessante é que ele conquistou meu coração justamente quando gravou, junto com o extraordinário pianista cubano Bebo Valdez, um CD encantado: Lágrimas Negras.

Não é um disco de Flamenco, mas ele interpreta as músicas com seu jeito chorado de dizer as canções, que eu adoro.
Ai, meu Deus... é de arrepiar!

Ele, inclusive, interpreta Eu Sei Que Vou Te Amar, de Vinícius de Moraes, com uma participação especial de Caetano Veloso recitando a letra de Coração Vagabundo em vez da poesia de toda a vida, O Soneto da Fidelidade

Comprei e ouvi todos os dias... até poder cantarolar com ele todas as músicas do CD.
E atualmente é um dos meus melhores CDs de música popular. *Qualquer dia destes eu faço uma "apresentação" dos meus preferidos aqui.

A paixão foi tão grande que levei-o como presente para todas as amigas pernambucanas. Depois de um tampo eu vi que o projeto ganhou muitos prêmios internacionais e transformou-se num grande êxito em concertos por todo o mundo. Quem me dera ver um!
Por um tempo o show ficou em cartaz no Calle 54, em Madrid. Mas eu não pude ir.

Na época publiquei no Impressões, meu antigo e desaparecido blog, um post sobre ele. Vou fazer melhor agora. Vou deixar aqui uma marca mais forte. Um vídeo onde Diego e Bebo interpretam a música título do CD.


Boas Notícias!!! El Cigala acaba de lançar seu mais novo trabalho. Chama-se Dos Lagrimas.

Diego, El Cigala - Dos Lagrimas


Segundo li no jornal, é uma continuação do Lágrimas Negras. Claro que eu vou comprar JÁ!


Posted by norab at 12:51 PM | Comments (4)

junho 8, 2008

Antônio Nóbrega em Madrid.

Esta cidade me dá cada alegria!

Um vez me deu de presente uma noite com Vinicius de Moraes através de um belo filme chamado Quem Pagará o Enterro E As flores Se Eu Morrer de Amores. Chorei como uma "Madalena" enquanto escutava todas as canções de minha adolescência, mas voltei para casa com a alma lavada.
Tem choro que não causa dano, hidrata.

Essa semana fui mais longe. O contato foi de terceiro grau! Tive o enorme prazer e sorte de poder participar de uma oficina musical com o artista brasileiro Antonio Nóbrega. Assim, carne e osso, pertinho, numa classe quase particular de cultura brasileira onde se repartiu altas doses de talento, carisma e grande conhecimento da história da nossa música.

Por duas manhãs inteiras pude participar ativamente da oficina, rir e chorar, cantar e conversar com Antonio e seus músicos. Lula,na sanfona; Gabriel, na bateria; Pitoco no sax, clarinete; e Edmilson, no violão e cavaquinho. Antonio com voz, violino, bandolin, violão e a dança. Tudo e todos na mesma empreitada: explicar os fundamentos da musica brasileira, contar um pouco da sua formação, tocar e cantar o mais emblemático dela. Coisa mais linda, meu Deus!

Eu, como Nóbrega, sou de Recife, Pernambuco. Só de ouvir um Baião, um Xote...um Frevo rasgado, meu coração dá cambalhotas. Agora imagine ouvir essas músicas tocadas em seu violino, interpretadas por suas mãos mágicas e acompanhadas por movimentos de dança que só ele sabe fazer. Não é que outros não possam reproduzir seus passos. Mas é que a forma como ele dança é só sua.
Como a gente reconhece o andar de Chaplin, a gente reconhece a postura de Antonio Nóbrega quando ele toca, canta e dança. Ele não apenas dança...ele flutua.
Só ele faz como ele. Antonio é único.

Um amigo espanhol disse que ele é capaz de dançar sobre uma moeda, referindo-se ao pouco espaço que o artista tinha no palco para mover-se e a beleza com que o fazia, apesar dos limites.
Por sinal, meu amigo também disse que se Antonio dançasse e cantasse pelo mundo a fora, poderia não terminar com a fome, mas com certeza acabaria com toda a tristeza. Eu concordo. Ele é de uma alegria contagiante.

Entretanto, para mim, também estimula a nostalgia, a emoção reflexiva... e a saudade, pois traz em sua bagagem artística obras de antigos compositores e as músicas que os fizeram imortais.

Ele tem uma marca registrada: seus chapéus. Desde que eu me lembro, e fazem muitos anos, ele se apresenta de chapéu. As calças são frouxas e ele dedica um tempo a levantá-las com as mãos, numa forma a mais de compor seu estilo.
Cada movimento de braços e pernas, de caras e bocas, de saltos e paradas mais um toque nordestino à sua singela figura.

Agora eles estão indo para Barcelona, repetir a dose lá. Dias 9 e 10 de Junho.

E eu fico aqui, com a linda lembrança destes dois dias, a enorme saudade de Pernambuco...e o coração hidratado.

Hoje passei o dia escutando o CD que ganhamos de presente na última visita ao Brasil, 100 Anos de Frevo, e depois já emendei com Luís Gonzaga, Alceu Valença, O Bloco da Saudade...

Ai, ai... saudade. Saudade tão grande...

Ps. O vídeo é de um show lindo... vale a pena!



Posted by norab at 7:20 PM | Comments (5)

maio 16, 2008

Porque hoje chove...


Porque eu tenho um café quente na caneca azul...porque eu choro quando estou cheia daquelas saudades sem nome.. porque eu amo quando Tom Waits enche a casa com essa voz ... E porque hoje é sexta e eu queria um whisky com os amigos na casa com cheiro de jasmim de Casa Forte.


Eu ouço e derreto.

Posted by norab at 5:16 PM | Comments (2)

maio 9, 2008

Um presente casual...


assédio.jpg
Ontem me preparava para postar sobre Tarifa, onde estive por 15 dias, quando escutei uma música africana belíssima vinda da TV. Corri para ver o que era... E que presente! assim, de graça... só porque eu estava precisando!
Benditas casualidades cósmicas! Justamente naquele momento estava começando Assédio, de Bernardo Bertolucci.
Impossível perdê-lo. Esse está na lista dos que a gente deve ter.

cinema-shandurai.jpg Vi esse filme há muitos anos, em Recife. Me enamorei dele e da música e por muito tempo tentei comprar a trilha sonora mas jamais a encontrei.Tampouco pude assistir o filme nunca mais!
Ontem à noite ele me surpreendeu dentro de casa, assim, sem aviso prévio, de surpresa.
Interessante é que os filmes do Van Damme e Segall - que aqui passam quase todos os dias - são anunciados milhares de vezes. Mas uma pérola de Bertolucci vem sem anúncio, na surdina!

Adoro ver uma e outra vez os filmes da minha vida. Assédio é um deles. É uma história de desejo e amor, numa dose maciça de arte e beleza.
Imagens cuidadosamente trabalhadas entre sombras e luz, regadas por uma música que atua como um dos personagens principais.

assedio-bertolucci.jpgO filme de Bertolucci é de uma fineza de detalhes, uma perfeição de luzes e cores, um espetáculo de música, de delicada sensualidade...
Um filme para se ver de mãos dadas, encolhida no fundo de um sofá cor de laranja, com a chuva madrilena molhando os cristais da janela do invernadeiro. Foi melhor vê-lo agora que na primeira vez.
É bom também deixar o som muito alto para que o piano de Mr. Kinsky inunde a sua casa junto com o sorriso doce e infantil de Shandurai.
Quem sabe essa dose maciça de arte possa remendar qualquer alma ferida pela crua e enferma grosseria da realidade televisiva dos últimos tempos.


"ASSÉDIO" (Besieged), Itália/França, 1998, 92 min. Dirigido por: Bernardo Bertolucci. Com: Thandie Newton, David Thewlis, Claudio Santamaria.

Filmes de Bernardo Bertolucci

Posted by norab at 3:32 PM | Comments (6)

abril 13, 2008

Filmes para nunca esquecer...


Um dos grandes prazeres de ter uma boa conexão é descobrir as pérolas do YouTube.

0078.jpg
Às vezes me surpreendo encontrando umas delícias como esta cena do Il Postino ( O Carteiro e o Poeta ).
Para mim, este é um dos grandes filmes que eu já vi na vida. É daqueles para se ter e poder rever sempre que se queira.

Por muito tempo eu mantive um caderno onde escrevia todos os filmes que via, com comentários e fotos. Não sei em qual das mudanças ele se perdeu e foi uma pena tão grande que deixei de anotá-los.
Depois de séculos eu voltei a registrá-los num arquivo do micro, porque durante um ano ou dois um dos meus trabalhos era assistir filmes. O trabalho consistia em encontrar cenas que pudessem ilustrar um manual de habilidades presentes no comportamento dos líderes.
Era uma delícia de trabalho! Imagine quantos filmes eu tive que ver... a trabalho e em casa, com um pacote de pipoca, em plena segunda feira! Ho ho ho! Eu adorava!

Muitos de meus amigos me telefonavam quando estavam numa locadora só para que eu indicasse algum filme ou comentasse sobre outro que queriam alugar.

No Brasil eu tinha uma boa coleção de videos, mas tive que deixá-la com meu irmão porque aqui na Europa o sistema era outro.
Agora estou pensando seriamente em fazer uma pequena lista dos filmes inesquecíveis e ir comprando-os, pouco a pouco.
Talvez eu compartilhe essa lista aqui...

Então... vou começar por este. IL POSTINO me emociona tanto que choro as mil vezes que o veja.


Aqui há um comentário sobre o filme.

A música é de Luis Enriquez Bacalov
Direçao de Michael Radford

Posted by norab at 4:43 PM | Comments (6)