junho 26, 2008

Tentações...


Nem só de música vive o meu espírito!

bolo na caneca... hum!
Essa coisinha tão linda é um bolo. Simpático não é????
E a foto está maravilhosa! Dá vontade de ir imediatamente à cozinha e começar a fabricar um. Ainda mais quando se sabe que ele vai ficar pronto em aproximados 3 minutos!
Três miseráveis minutinhos... para uma dose maciça de serotonina nos neurônios sofridos de uma ex-tranquila mulher, atacada covardemente por uma TPM fora de hora e de lugar!

Claro... estou aqui lutando para não ceder à chantagem da foto, que quase dá para a gente sentir o gosto do bolo. E por cima a receita, simples, fácil, leve e rápida é absolutamente irresistível!

Aí vai a danada...
Enquanto vocês lêem, eu vou ali na cozinha...beber água.

BOLO NA CANECA

(Por Anna Aurich)
Encontrada no blog da Angela Maria. Copiei tal qual.

bolo na caneca em 3 min.
Então... Imagine uma cozinha gostosa, uma boa música tocando no IPod... e de repente você resolve tomar um chocolatezinho básico e quente, antes de ir dormir. Pensamento razoável em tempos de TPM menopausico!
( Já sei que os homens também tem menopausa, chama-se andropausa e eles resolvem com uma cervejinha, um jogo e o controle remoto da TV. )

Tá bom, supondo que a foto também inspire os representantes do genero masculino adeptos ao chocoserotoninalate.... seguimos.

Agora você decide dar asas à sua imaginação, pega uma bela caneca de 300ml e alguns ingredientes no armário. Aí vc bate os ingredientes na própria caneca c/ um garfo e põe no microondas por 3 minutos. A felicidade lhe invade imediatamente porque você já sabe o que vem pela frente.

OH GOD! OH YES!

INGREDIENTES

- 1 ovo pequeno
- 4 colheres (sopa) de leite
- 3 colheres (sopa) de óleo
- 2 colheres (sopa) rasas de chocolate em pó
- 4 colheres (sopa) rasas de açúcar
- 4 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo
- 1 colher (café) rasa de fermento em pó


MODO DE PREPARO


Coloque o ovo na caneca e bata bem c/ garfo.
Acrescente o óleo, o açúcar, o leite, o chocolate e bata mais.
Acrescente a farinha e o fermento e mexa delicadamente até incorporar.
Leve por 3 minutos no microondas na potência máxima.

OBS.A massa crua é mais mole q a de um bolo normal mas é assim mesmo. Não aumente a farinha ou terá um bolo duro!

Esta fórmula em dobro dá para três canecas de 300 ml.

DICAS

- A caneca deve ter capacidade de 300ml.
- 2 min e 30 seg. na potência máxima são suficientes.
- A medida de colher é sempre rasa.
- Vc pode servir este bolo c/ coberturas, caldas, castanhas e sorvete.

E pode comer quente!

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Imaginou???

Repetindo uma amiga pernambucana quando veio à Madrid em plena dieta:

"Chocolate podje... Água não podje!"

Oh, jesuscristinho...me proteja das tentações!

Posted by norab at 4:33 PM | Comments (7)

maio 25, 2008

Ai...Ai...

gordinha2
Ando tão cansada da luta constante contra esse trocinho infeliz que marca o peso das pobres pessoas! Se é tão simples ser feliz com um pedaço razoável de queijo curado, um bom vinho tinto e um pão chapata quentinho!


E aquele sujeito franzino me manda substituir a felicidade por abacaxi e espargos?!
E eu ainda pago para tomar umas pílulas de fibra ( naturais?) que me deixam entupida, ansiosa e triste?!


Quem mandou dar tanto poder a um desconhecido magrelo, branquelo, com menos de trinta anos e (arrisco inclusive a dizer) com pouquíssima experiência de perdas e ganhos para que acione o maldito equipamento que detecta qualquer deslize feliz cometido durante uma mísera semana!!

gordinha test


Eu preciso acreditar que é só por um tempo... que é só até poder vestir um maiô e não ter vontade de entrar embaixo da cama e ficar ali até o verão passar.


Amanhã tem branquelo e balança... tóin!

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Soube um dia destes que as calorias são uns bichinhos transparentes que vivem dentro dos armários e, durante a noite, apertam as roupas das pessoas. Rá!

Estou deixando a roupa fora do armário por um tempo... por se acaso!


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Posted by norab at 11:30 AM | Comments (8)

março 8, 2006

Manias...

Diálogo telefônico com minha filha:
telefone2.jpg
- Filha, você lembra das minhas manias antes de vir para cá?
- Hãan?
- Sim, minhas manias… as que eu tinha, você lembra? Queria escrever sobre elas, mas não me lembro mais de nenhuma. Acho que perdi minhas manias. E esqueci delas também. Mudei tanto de vida que já nem me lembro de meus detalhes…
- Hahahahha. (Ela gargalhou. Como assim?)
- Claro que me lembro, mãe. Você botava música clássica assim que acordava, antes da ducha e de fazer o café da manhã.
- Tá. Isso ainda faço. Diga outras.
- Me mandava arrumar o guarda-roupa toda vez que eu reclamava não ter nada interessante para fazer.
- Essa eu perdi. Você não mora mais aqui. (Sorri nostalgicamente da lembrança.)
- E também reclamava porque eu não era capaz de encontrar nada, mesmo que estivesse bem diante do meu nariz...
- Você não mora mais comigo, menina… E não quero que se lembre das minhas chatices. Quero só as MANIAS! Não lembra mais de nenhuma?
- Sim. Comprar tudo que estava de oferta, mesmo sem precisar!
- Eu fazia isso?
- Sim, mesmo quando a gente estava sem dinheiro. Chegava em casa com a bandeijinha mais inútil do mundo só porque estava de oferta…
- Hahahahah… verdade . ( Agora quem gargalhou fui eu!) Isso eu perdi. Quer dizer, mais ou menos. Moro tão longe dos centros comerciais que nem dá mais para fazer essas comprinhas inúteis com muita frequência. Mas, de vez em quando, a natureza se impõe. Ainda sou tentada pelas ofertas do supermercado : "Compre cinco tipos diferentes de patês e ganhe uma extraordinária tigelinha de vidro."
Que porqueira de tigela! Mas eu tenho que fazer força para resistir! Juro!
E, às vezes, ainda não consigo. Outro dia comprei uns biscoitos só porque vinham com uma oferta de 10 miniaturas de carros de corrida para crianças. Estou louca é? Nem há crianças por perto, nem cheiro de futuros netos, nada! Para que quero 10 carrinhos de corrida??
Bueno, guardei em algum lugar (preciso saber onde!) para quando tiver visitas com crianças!

Agora, quer ver-me verdadeiramente insana? Basta entrar numa loja-bazar daquelas que tem milhares de coisinhas espalhadas por quatrocentas e trinta e duas mil prateleiras. Desde bijuteria, esmalte de unhas, maquilagem, tiritas para cabelo, carteiras e bolsinhas de moedas, objetos de decoração (horrorosos) e luminárias, caixas de todos os tamanhos, enfeites para todas as festas desde Aniversário a Carnaval, Natal, São João, Páscoa... e não importa em que época do ano estejamos.
Há também um sem número de fitas e papéis de embrulhar presente, lápis coloridos,canetas de todo tipo, cadernetinhas minúsculas, agendas,etc, etc, etc…( Adoro esta parte. Papéis e canetas me alucinam! ) E finalmente os objetos de cozinha que a gente nunca imaginou que iria necessitar até aquele maravilhoso e mágico dia em que se encontra frente a frente com ele naquela prateleira e se pergunta:"como pude ter vivido tanto tempo sem isso?" Aí a gente fica cega e louca, não resiste e compra. E guarda na gaveta da cozinha para não usar nunca mais… E ele volta a ser tão desnecessário como sempre foi.
Pois é…tenho uma caixa desses engodos.

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Então, Marília… andei dando uma batida pela casa e pela memória e não descobri minhas novas manias. Das velhas, poucas permanecem. A de botar uma música clássica para tocar antes de fazer qualquer coisa pela manhã é uma delas. E sempre surpreende meus hóspedes.
Uma das minhas visitas ficou encantada com a minha "paz" quando desperto e como consigo fazer tudo tão rápido e ao mesmo tempo tranquilamente. Ela é elétrica e faz tudo "super estressada". Notei que em sua casa ela escuta um rádio-notícias pela manhã na cozinha. Sugeri que desligasse as notícias, botasse uma boa música e veria a mudança de ritmo e de astral.
Tenho uma relação muito gostosa com a música. Durante o tempo em que estive deprimida, não conseguia escutar música. Nenhuma música. Um dos sintomas de recuperação da saúde foi ter retomado minha relação íntima com ela.
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Acho que a mais antiga das minhas manias é grifar frases e trechos do livro que eu estiver lendo e voltar muitas vezes àquelas frases grifadas, mesmo enquanto ainda estou lendo-o. Demoro com um livro que gosto porque volto muitas vezes. Nunca uso um dessses novos marcadores coloridos, nunca com caneta. Acho uma agressão pintar o livro de rosa ou amarelo, então uso um grafite macio, muito antigo, que foi do meu pai e que eu adoro.
Essa é uma boa mania, eu penso. Mas só posso ler o que é meu. Jamais faria o mesmo em livros de outros.
Talvez seja um dos principais motivos pelos quais não gosto de ler livros emprestados.
A última tentativa foi quando estava lendo Vivir Para Contarla, de Garcia Márquez. Estava louca para ler e encontrei-o sobre a mesa na casa vizinha. Ela disse-me que não havia gostado e eu, no impulso, pedi emprestado e comecei no mesmo dia. Parei de repente a leitura e fui comprar um igual só para poder grifar. Eu estava copiando numa cadernetinha ( daquelas de bazar ) o que gostava, mas chegou um ponto em que era impossível continuar. Eu simplesmente não podia tirar certas frases dali. Elas precisavam continuar dentro do livro, mas eu TINHA QUE GRIFAR!

"… o primeiro que me impressionou foi o silêncio. Um silêncio material que havia podido identificar com os olhos vendados entre os outros silêncios do mundo…"

Quando leio algo assim não posso deixar que se perca entre as centenas de palavras da página. Eu simplesmente não posso deixá-la ali sem minha marca…

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Uma mania perdida mesmo no passado era a de ir ao cinema todas as semanas, na hora que ninguém ia. Às 12:30, justo no horário de almoço. Eu comprava um sanduiche árabe e um refrigerante, guardava na bolsa de pano e entrava no cinema vazio, sem ninguém. Que delícia! A sala inteira só para mim. As emoções flutuavam livres pelo enorme espaço repleto de cadeiras silenciosas e parece que cresciam, bailavam como fantasmas nas paredes alcochoadas, entravam pelas imagens refletidas da tela, se mesclavam com elas.
Sempre me recordava do filme A Rosa Púrpura do Cairo quando estava ali, tão sozinha com aquelas histórias.Era como se elas estivessem sendo contadas só para mim. ( E estavam.)
Fiz isso por quase três anos. Poucas vezes tive companhia e quando a tive era sempre a mesma. Um senhor calvo que sentava três ou quatro filas mais adiante e cobria a cabeça com um lenço branquíssimo, por causa do frio que fazia na sala. Ambos fazíamos de conta que o outro não estava ali. Nunca sequer nos cumprimentamos.
Quando vim embora deixei o cinema só para ele. Será que notou que eu nunca voltei? Será que ele ainda vai?

Também tinha mania de garimpar discos. Encontrar maravilhas desaparecidas do mercado por preços bem ridículos. Por exemplo, comprei Diane Shurr & B.B.King por cinco reais. E Tom Waits & Cristal Gayle por seis e sessenta e cinco, numa época em que os Cds já estavam por mais de vinte reais.
Consegui comprar também por menos de cinco reais Cds de Mahalia Jackson, Bob Dylan, Ry Cooder, John Coltrane, Dave Brubeck, etc. Comprei por um real e noventa e nove centavos ( agora em 2004, quando fui ao Brasil) três discos de sucessos antigos que são a cara do meu pai e que eu adoro escutar principalmente porque tem The Brother Four, um grupo de folk americano dos anos 50 e 60. Cada vez que os escuto me transporto para o terraço verde e branco da casa do Poço da Panela, em Casa Forte…não importa onde eu esteja de verdade.

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Aqui já é mais difícil garimpar pois vou muito pouco às lojas de discos. Essa mania eu perdi por pura falta de oportunidade. Mas ganhei outra. Garimpar as ofertas de jornais e revistas nos maravilhosos quiosques madrilenos. Adoro.
Fora os livros e Cds, que são muitos, fiz uma linda coleção de instrumentos musicais. Nunca fui fã de coleções, mas essa era tão especial que não resisti. Depois vou dá-la de presente ao meu filho postiço, que é músico e está estudando oboé em Londres. Quando ele tiver sua casa, vou presentear a ele minha lindíssima coleção. Um belo presente, sem dúvida! Uma das jóias de minha "herança". Ho ho ho.

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Uma mania atual é botar música dançante enquanto limpo a casa.(Urgh!)
Dá mais ânimo, mais força, mais alegria.(Urgh!)
Dá vontade de fazer festa!
E esqueço que ODEIO o seviço doméstico. Pelo menos eu tento me enganar. Eu tento! Eu tento!

Gosto mais de sentar aqui e blogar. Visitar os blogs amigos, pesquisar textos, copiar fotos para os meus posts e escrever. Fico horas mergulhada aqui e nem sinto o tempo passar. A coluna reclama, mas parece que ela também não gosta dos afazeres domésticos.

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Tenho mania por velas.
Adoro comprar e ganhar velas. Mas não guardo nenhuma como decoração. Uso todas. Não gosto de luz branca, menos ainda a fluorescente. Gosto da luz bruxuleante e amarelada das velas, dos antigos lampiões, dos candeeiros nordestinos.
Gosto da penumbra, das sombras, do cheiro com que impregnam o ambiente.

Essa é uma mania que sobreviveu às mudanças durante a minha vida. Aqui costumo usá-las constantemente, seja numa festa ou um jantar para convidados, seja num dia normal em que decido deixar sair a aura romântica e invento um jantar para dois. Isso pede velas. Sempre. Se o clima permite também acendo os pequenos lampiões, pendurados nas árvores do jardim para as noites de belos luares.

Tenho uma paixão especial pela lua. Mas isso não é mania, é?

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Também tenho mania por incensos. Adoro-os. Estou montando um lugarzinho para meditar dentro do invernadeiro. Um tapete de bambu, plantas e flores, mantras cantados por monjes tibetanos e incensos. Está ficando gostoso.

Tenho mania de ler na rede. Aqui em casa tenho três. Uma no quarto, para os invernos, uma no invernadeiro para o outono e a primavera e outra embaixo das árvores do jardim, para a largas tardes de verão. Não posso imaginar uma casa aconchegante sem uma rede e estou ensinando os espanhóis a apreciarem uma "siesta" abraçados por uma bela almaca nordestina. Eles aprendem muito rápido e todos me pedem para trazer uma quando venha do Brasil. É paixão à primeira siesta.

Manias a gente perde, troca, esquece. Antes eu pensava que a gente morria com elas. Mas não é verdade. A gente se adapta às novas circunstâncias, a cada mudança de vida, de tempo e de lugar.
Entre as manias perdidas também está a de dormir com três travesseiros e bem no meio da enorme cama de casal. Agora tenho só meia cama para mim e troquei os travesseiros por um delicioso e perfumado sujeito que respira a dois centímetros de minha orelha.
Boa troca, viu?!
Hãnm-hãmn. Muitíssimo melhor!
................................................
Ps: Era uma corrente! E eu precisava indicar 5 pessoas para dar continuidade. Nem sei quem já respondeu quem não! Desculpem a falta!
Fica para a próxima!

Posted by norab at 11:10 AM | Comments (34)

fevereiro 5, 2006

Pense, Antes de Aceitar...

Uma pergunta básica: alguém pode me dizer o que se pode fazer contra um profissional de saúde que age como um inconsequente, incompetente e fdp interesseiro que aproveita-se da fragilidade momentânea de um cliente, justamente quando a sua auto-estima está cambaleando, nocauteada pelo peso que a balança acusou na última vez que subiu nela ( três minutos antes de sentar diante da sua mesa ) e se diverte propondo experiências dignas de filme de terror?
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Será que a gente pode denunciar uma criatura que, por trás de um título profissional que deveria significar credibilidade, conhecimento de causa, competência e outras coisas lindas que se poderia dizer de um bom profissional, aproveita-se que seu ego está achatado na sola do pé e os neurônios estão em greve até que você FAÇA ALGUMA COISA para voltar a ser quem você sempre foi e ela, por pura preguiça ou por interesses comerciais ou mesmo por um total desconhecimento do que é uma alimentação saudável, te propõe uma dieta de farmácia, pontuada com idéias absurdas como, por exemplo, começar o dia, todos os dias de sua BELA embora GORDA vida bebendo água morna com gotinhas de limão para desintoxicar o organismo?
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E quanto será que os laboratórios pagam a ela para que receite como café-da-manhã um vitaminado com proteínas?
O que é isso? Isso.
Uma gororoba farmacêutica que dizem ter todos os nutrientes que você precisa para viver feliz e magra.
SÓ isso.
Continuando…
Aí ela disfarça recomendando também uma bela maçã para o lanche ( que você desconfia, claro. Já imaginando aquela bela e brilhante maçã de nossa infância- a envenenada ), frango na chapa com salada - por almoço, peixe na chapa com salada - por jantar e outro shake com proteínas antes de dormir
Quantos dias mesmo? Um? Dez? Trinta?
Mas do que isso não vai poder ser, porque você já estará dentro de uma camisa de força tomando injeções calmantes na veia. Ou quem sabe lhe receitem uma lobotomia para evitar para sempre os arrobos agressivos que vão ser despertados no seu belo corpinho magro e doente, trêmulo e entojado pela aguinha morna e vomitiva de todas as manhãs!
Isso se seu corpo reagir com vida, porque pode acontecer justo o contrário e você cair num buraco frio e silencioso – a depressão – e neste caso ela receitaria um prozac duas vezes ao dia.
Tá louca ela????
Bom, não vou nem seguir citando as abobrinhas ( não, abobrinhas não! Seria muito natureba) que a senhora prescreveu para uma amiga virtual, a Mirella, como uma dieta sana para perder peso. Além de uma academia e um personal trainer, evidente. ( Estou só juntando os ingredientes da receita para fazer os cálculos financeiros depois.) Foi o que ela passou. Nem uma vírgula a mais. Ou a menos!
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Mas vejam só, quando algum de nós procura uma nutricionista para fazer um regime está supondo que a criatura vai cuidar da gente e ajudar-nos a emagrecer com saúde, não é?
Pois não. Não é.
Pelo menos não todos. Muitos só querem ganhar dinheiro. Fazem acordos com os grandes laboratórios e farmácias especializadas para receitarem as tais pílulas e preparados alimentícios. Cobram o olhinho chorão da sua cara e te deixam na porta da rua da amargura.

São apenas dois os caminhos mas a porta é uma só.
O primeiro deles por ter conseguido ficar histérica, se realmente se manteve na linha mal escrita da "doutora", ter tentado não vomitar todos os dias as gotinhas de limão na água morna - urgh! será uma preparação psicológica para a anorexia nervosa? - ter jogado o frango meio comido pela janela, espalhado o shake asqueroso pelo teto da cozinha, dançando e cantanto aos brados a antiquíssima música das Frenéticas – " eu sei que eu sou, bonita e gostosaaaaa / e sei que você, me olha e me qué-eer/ sou uma fera de pele maciiiaá/ cuidado garoto eu sou perigooosaaá/ eyah!!!!" antes de desmaiar por pura inanição. E raiva.
Ou então o segundo caminho, não menos trágico, apesar de que por ele talvez você tenha conseguido salvar-se da loucura às custas da morte de sua já comprometida auto-estima, que a esta altura atende pelo nome de baixa-estima, ou até pela alcunha de ódio-por-si-mesma ao ter descumprido TODAS as regras impostas pela Messalina ( não gosto de palavrão) comendo ou melhor, atolando dentro da boca um bom pacote de biscoitos de chocolate recheado de merengue que estava escondido dentro da despensa, e finalmente enchendo a alma de angústia, que neste momento pesa muito mais do que os míseros 21 gramos que dizem desaparecer de nosso corpo morto, magro ou gordo!

Devem ser os quilos de angústia transformada em raiva que ficam lá dentro, sem poder sair! Eu penso.
Raiva também por não ter tido a força e o valor de subir na cadeira da sala de consulta da nutricionista e feito um discurso sobre ética e competência profissional, sobre o respeito pelo cliente, sua saúde e seu dinheiro, sua auto-estima ( mesmo achatada ela ainda existia) e sua necessidade de ajuda, sua inteligência e bom senso ( apesar de obscurecidos pela greve dos neurônios isso não quer dizer que não os tenha ).
Por não ter dito em alto e bom som que ela não entende NADA SOBRE NUTRIÇÃO se precisa prescrever pílulas de vitamina e shakes de proteína porque não sabe encontrar esses nutrientes numa COMIDA NORMAL E CORRENTE.
...
(Pausa ofegante)
Por que não fazemos isso?
Não fazemos porque além de já estar "na chón" com os resultados da subida na peste da balança e seus megalomaníacos números, a GRANDE PROFISSIONAL ainda olha para gente com cara de "vamos ver se você é fodona mesmo e quer voltar a ser uma mulher!"
E isso é um golpe muito baixo! Ela pisa no nosso orgulho. (Aquele que a gente quer recuperar.)

A resposta à pergunta do início do post é que legalmente não podemos fazer nada contra a criatura. É moderno trocar saúde por pílulas e gororobas artificiais. É legalmente permitido.
Então…
Resta jogar uma praga. Muitas pragas, para ver se pelo menos uma pega.Eu acredito em praga!
Quero que ela sofra na pele o que faz com os outros. Quero que ela precise de conselhos médicos saudáveis e encontre algum incompetente igualzinho a ela que se “livre do problema” receitando apenas remédios. Quero que a distratem, abusem de sua necessidade e do seu bolso. Quero que ela vire uma lesma gordinha e pegajosa arrastando o ego e a auto-estima pelo chão e ninguém dê nem tchum para ela…
Ufff… desabafei!
...
Ui, fiquei com pena agora! ( Quando a gente deixa o lado mal sair ele cresce em veneno, não é? Já estava aquí empolgada com minhas pragas!)
Melhor, quero que ela descubra sua incompetência e morra de vergonha de si mesma.

Agora vou ali tomar uma sopinha de verduras. Não que pretenda ser magra como as mulheres das revistas de modas, mas quero estar bem cuidada e bonita. A gordura é um poço sem fundo. A gente vai deixando e ela vai crescendo, crescendo. Quero ser de novo G. Cansei de ser EX! Mas tenho que cuidar de mim sozinha mesmo. Já desisti de encontrar um médico como aquele meu anjo brasileiro! Como me faz falta o danado! Ainda bem que uma amiga me mandou um manual de nutrição. Nada contra as vitaminas, mas elas entram como acessório e não como prato principal. E olhe lá, só se você quiser.
Come-se de tudo um pouco e a felicidade é um fator importante para ser levado em conta. Um bom copo de vinho tinto é considerado mais do que saudável, sabiam?
E pode pipoca. E pode sorvete ( de vez em quando) Ho ho ho!
Pois é… melhor ler antes de aceitar qualquer orientação profissional vinda de desconhecidos.
Eu heim!

Pisit ! Minha amiga Iracema, isso não é para você, viu!? Mas que tem um bocado de gente fazendo filme de terror com as gordinhas, ah tem!

Posted by norab at 9:44 PM | Comments (35)

dezembro 11, 2005

Idades Para Viver...

Quando cumpri os 50 anos pensei em escrever sobre o que está significando para mim ter esta idade, seu efeito no meu mundo, tanto interno quanto externo. Mas não estava tão simples e fácil...

rest in red-jimenez.jpgHá dias que me sinto jovem e cheia de vida, sexy até. Tenho vontade de sair e comprar uma saia nova, botas de cano alto, brilho para os lábios…
Sorrio para o espelho do quarto e agradeço a grande oportunidade que a vida está me dando de viver um amor maduro e gostoso, um casamento para breve, uma paz interior, uma alegria ao despertar de cada dia. A saúde vai bem, o que é essencial. O amor também, o que é fundamental. Nada para queixar-me.

Em outros parece que o espelho resolve brincar de bruxo mal e me mostra horrível, envelhecida, sem graça, sem brilho. É difícil até escolher uma roupa para vestir. Nenhuma cor combina com este estado de espírito. E menos ainda com este sobrepeso. Mulher extra-large não cabe em qualquer trapo! Já sei! Já sei!
Meu olhar escapa dos olhos, desce pelas rugas que não estavam aí até ontem ( ou sim? ou não?) e passeia pelo resto de um corpo que não é mais o que eu me lembrava que tinha até o ano passado.
A menopausa avisa que está chegando com frios e calores, mudanças bruscas de humor, ansias desconhecidas. Medos novos. Ganas de chorar por nada e por tudo... que tudo?

Quem quiser que diga que não, mas cumprir 50 anos é uma passagem. Como se a gente cruzasse o umbral de uma porta sem saber para onde está indo, nem no que vai se transformar. Cada mulher entra e sai desta experiência de um jeito. Apesar das semelhanças em geral, as particularidades contam.
- Como será que vou ficar depois desta passagem?
- E os hormônios? Vou virar EX também neste sentido? Arrisco ou não a reposição hormonal tão polêmica nos meios médicos ?

Pois sim… escrever sobre o desconhecido momento que estou passando não é fácil.

Mas, um dia destes, deparei-me com um pequeno artigo na seção "Manual de Curiosos" do Magazine, suplemento semanal do El Mundo, que ajudou-me a refletir sobre minhas muitas idades. E isso me fez um bem danado. Vou dividir e explicar aqui. O assunto dá muito pano pra manga. Querem ver ?
Para começar ele diz: "Não temos uma idade, temos sete."

HansBaldungGrien-Las siete edades de la mujer.jpg
A ilustração é um belo quadro de Grien, um pintor alemão do século XVI e está entre suas melhores obras, atualmente exposta em um museu de Leipzig.
O quadro foi batizado assim: "As Sete Idades da Mulher", mas apesar da alegoria estar representada por figuras do sexo feminino, creio que podemos generalizar para toda a espécie humana, sem distinção de gênero.
Pois sim…
O que vale aqui é que sua obra serviu de ilustração para relacionar as sete idades que uma pessoa tem ao mesmo tempo.

A idade cronológica é apenas uma delas. Talvez a mais importante na hora de pedir um empréstimo ou preencher formulários médicos, diz a autora do artigo, Cristina Frutos. Mas certamente não é a mais importante para quem está vivendo. Mede apenas os anos vividos desde o dia do nascimento.
Pessoas com mais idade cronológica podem sentir-se, e realmente serem, muitíssimo mais jovens que outras com menos tempo de vida que elas. (Ou o contrário!)

A gente precisa rever os conceitos de juventude e velhice. E é isso que tenho feito ultimamente. Estou revendo meus antigos conceitos! O artigo da revista é pequenino e superficial, mas vale pelo que incita a buscar. Então eu fui dar uma lida por aí e encontrei coisas muito interessantes.
Vejam só...

Idade Aparente é aquela que nos atribuem os outros, baseados em nosso aspecto físico. Nessa eu saio perdendo, pois nem botox, nem silicone, nem cirurgias plásticas, nem nada… como diz a Ro, uma amiga de Recife, sou original de fábrica e os 50 anos vividos estão TODOS aqui. Ho ho ho!

Mas olho! Esta idade tem muito a ver com o estado geral das outras idades. É preciso cuidar DELAS TODAS!

Idade Psicológica é a idade auto percebida. É aquela em que uma pessoa se sente localizada. Está relacionada com as próprias atitudes. Corresponde à capacidade de adaptação, às reações e à auto imagem das pessoas. Reflete e experiência subjetiva que cada um tem em relação à sua idade cronológica e estágio de vida.
Uma pessoa pode sentir-se muito mais jovem do que marca realmente sua carteira de identidade. Seu comportamento, forma de vestir e falar, atitude em relação à vida, etc, serão influenciadas por esta idade "sentida".
Neste caso, eu acho que, sem olhar muito detidamente no espelho, aliás, de olhos fechados eu tenho uns 38 ou 40 anos, por aí. Normal. A maioria das pessoas sente-se mais ou menos 10 anos mais jovem, sem riscos de parecerem idiotas. Muito pelo contrário, sentir-se mais jovem impulsiona as pessoas a viverem mais ativamente. Pena que não me sinta assim todo dia!

Idade Emocional é a que demonstramos pela qualidade das relações que temos com o próximo, pelo grau de amor ou dor que predominam em cada um a partir das experiências de vida. Isso é o que defende o filósofo Guido Mizrahi.
Entendi que esta idade se mede pela qualidade do afeto da pessoa consigo mesma e com o mundo que a cerca.
bonsai_old2.jpgEle exemplifica assim: " Te conto que os bonsai são aqueles sêres que tem toda a aparência de serem grandes, mas permaneceram pequenos porque os jardineiros japoneses descobriram que, se cortavam as raízes das árvores, as árvores não cresciam nem em altura nem em tamanho, permaneciam pequenas. Nos seres humanos as raízes não são nem mais nem menos que os afetos, o que nos agarra à terra, o mais concreto que temos."

Essa vou deixar para comentar em outro post. Tenho uns cortes que vêm desde a época do Lorde que só pude cicatrizar depois de experimentar o amor de mãe, alguns anos de terapia, uma puta depressão e… melhor escrever sobre isso outro dia.)

A idade biológica é aquela que se corresponde com nosso estado físico e de saúde. É a idade que o organismo demonstra com base na condição biológica dos seus tecidos comparados com padrões; depende dos processos de maturação biológica e de fatores exógenos.

yoga2.jpg
A idade biológica é o termômetro que mede como está o funcionamento fisiológico de nosso corpo e mente e é a mais importante a ser considerada no processo de envelhecimento.
Pode ser medida utilizando-se os conhecidos marcadores biológicos: composição corporal (relação entre o percentual de gordura do indivíduo e a quantidade de massa magra), pressão arterial, audição, visão, níveis hormonais, densidade óssea, níveis de açúcar e colesterol no sangue, qualidade da pele, imunidade e metabolismo.

Essa também pode estar bastante abaixo da idade cronológica, principalmente no mundo mais desenvolvido. Hoje em dia algumas pessoas com mais de 80 anos são capazes de correr até maratonas. Em compensação, em alguns países da África, uma mulher de 30 anos pode já ser uma anciã.
Agradeço todos os dias pela saúde que desfruto, mas sinto a minha idade no sobrepeso da menopausa e também quando o corpo não responde com a mesma flexibilidade e rapidez de antes.
Estou já matriculada na Yoga, claro! A gente não tem que se entregar, não é misifios!

Bueno… agora só faltam mais duas para completar as sete.

A idade social, que é aquela que se mede pela capacidade de contribuir ao trabalho e ao grupo, mantendo-nos inseridos e valorizados pela sociedade. Esta varia demais, como variam as sociedades pelo mundo a fora.
Em muitos países os idosos são considerados "estorvos", desprezados e abandonados à solidão. Mas existem sociedades em que as pessoas mais velhas são consideradas mais experientes e sábias e são muito valorizadas.
Ainda estamos longe do valor que tem os anciãos no japão, mas acho que, no ocidente, as pessoas maiores de idade já estão lutando contra esta discriminação e conseguindo algumas vitórias, mantendo-se ativos e participantes na vida da família e do grupo social até o final de suas vidas.

E, para finalizar, a mais oculta e secreta, segundo o filósofo Mizrahi é a idade espiritual.
E ele diz, sabiamente, aos 38 anos cronológicos de vida: "A idade espiritual é uma gradual tomada de consciência a cerca do carater divino que há dentro de cada pessoa. É um despertar. É sair do tempo para conectar com o divino aqui e agora.
É uma idade que se mede pelo grau de consciência de que uma pessoa, como ser humano, está conectado com as fontes espirituais que regem o universo. É tomar consciência de que se é amado e protegido por elas, que é finalmente um servidor dessas fontes espirituais."

E diz ainda: "Para alcançar este despertar é importantíssimo haver conseguido uma total aceitação das experiências no tempo, quer dizer, não estar em discórdia com o que lhe há sucedido no decorrer da vida – pais, trabalhos, enfermidades, acidentes – e, também, uma sensação de gozo emocional pelo tipo de relações que tenha tido.

A pessoa vai crescendo espiritualmente com as ações concretas que vai desenvolvendo em relação aos outros. Isto quer dizer que a idade espiritual se mede pelo grau de serviço que alguém presta aos demais seres humanos. Os sêres com idade espiritual avançada se ocupam em servir aos demais.
A espiritualidade tem a ver com o amor, com a entrega. Não é nem mais nem menos que o verdadeiro conhecimento de si mesmo e o estar a serviço dos outros."

Pois sim…tive a sorte de conhecer e relacionar-me com algumas pessoas que têm uma idade avançada nesse sentido, apesar de serem, algumas, mais jovens do que eu. Uma delas foi um dos meus anjos durante a cura de minha depressão. Ela ensinou-me muito e abriu-me um novo horizonte nesta dimensão do meu crescimento pessoal.
Acho que depois disso eu envelheci algumas décadas e foi o melhor que poderia acontecer-me antes de cumprir os 50 anos. Assim, creio que ainda tenho muito tempo para crescer e ajudar outros a crescerem, amar e ser amada, servir, ser útil, ser feliz, fazer feliz aos que me cercam… e gozar cada segundo da vida que me reste.

Muita vida, espero!

Perguntaram a Buda

- O que mais o surpreende na Humanidade?

Compenetrado, o sábio respondeu:

- Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperarem a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.

Posted by norab at 12:56 AM | Comments (41)

julho 24, 2005

Eu Sou Out...

Não sou muito chegada a revistas de moda. Acho que nunca comprei uma!

Claro que já tive oportunidade de folhear muitas nas salas de espera de dentistas, médicos, nas impossíveis esperas dos cabeleireiros ou em casas de amigas.

Já faz muito tempo que me decidi pela moda confortável e simples. E nunca fui muito adepta à maquilagem. Um batom claro nos lábios e um lápis preto nos olhos. Já está!
Desde muito jovem, as roupas de jeans e os tecidos leves foram sempre meus preferidos. Muito algodão nas saias amplas, camisetas e vestidos indianos.
Até meu vestido de noiva foi de linho crú ! Um conforto para o clima quente e úmido de Recife. E para o bolso também!

Mas eu sou out.

magra.jpg
As revistas me dizem isso uma e outra vez. A quantidade de dicas para - maquilar-se, pentear-se, cuidar da pele, tornozelos, cotovelos, para vestir-se como manda o figurino e as cores do momento - são imensas! Cada beldade, cada famoso(a) nos diz o que comprar, como estar in e como não estar out.
Os produtos são de marcas importantes e conhecidas, apresentados com seus preços , na maioria das vezes exorbitantes para o bolso de uma criatura de classe média.
As revistas parecem estar programadas para as mulheres com gordas contas bancárias. As outras, isto é, a maioria das outras, sofram o Complexo de Cinderela ou contraiam dívidas incalculáveis no cartão de crédito.Se tiver um.
E quase todas têm pelo menos UM.

As lojas de preços módicos existem, claro. Mas só para as delgadas e jovens.
As outras, mulheres de magras carteiras e tamanho extra, que morram no limbo da globalização da imagem-sílfide da moda atual.
Por sinal que penteado sexy, não? E, pelo amor de Deus, quanto pesa essa criatura???

Mas nem vou deter-me nesse ponto, pois já escrevi dois posts protestando pelo limbo em que estão as mulheres extra-large do século XXI.Aqui e aqui.

Agora, realmente não resisti ao chamado da página dessa revista, suplemento do jornal El Mundo - Yo, Dona. E que chega em minha casa a cada santo sábado.
Vou reproduzir aqui alguns dos precinhos das peças apresentadas para um verão europeu IN.


mas o menos.jpg
Uma saia estampada com frutas, simplezinha até, que custa a bagatela de 10.905,00 euros! Uma pechincha, não é mesmo?
Isso em reais deve ficar por volta dos R$ 38.167,50. Que tal?

A blusa é uma camiseta de lycra, sem mangas, pois os 42 graus impedem qualquer prenda com mais tecido. E por apenas 526,00 euros. Traduzindo em números brasileiros: R$ 1.841,00.

E para acompanhar a beleza de conjunto de verão fashion, uma bolsinha fofa de 5.265,00 euros. Tão lindinha, dá para guardar um batom e as chaves! Em reais, por baixo, a mulher da moda só vai ter que desembolsar uns míseros R$ 18.427,50 por esta minúscula bolsa assinada por um tal de Roberto Cavalli. Por sinal ele assina também a saia.

Bueno, bueno... Agora só faltam as sandálias, os braceletes e os óculos. Mais uma besteira de 501,00 euros ou simplesmente R$ 1.753,50.

Total: uma indumentária graciosa para sair de copas e tapas pelas Ramblas do planeta por reles 17.201,00 euros.
Heim!?
Querem que eu converta isso em números brasileiros?
Pois sim... toda essa beleza e charme custaria-nos apenas uns R$60.203,50.

Ho ho ho...

Mas não se impressionem. A revista oferece uma opção ao lado com preços deveras mais baratos. Tudo por apenas 313,00 euros. Ou seja, R$ 1.095,00.

Sinceramente, eu não vejo a enorme diferença de "glamour" entre as duas ofertas!
Talvez por não entender muito de moda. Talvez por não ter a carteira recheada de algumas... ou quem sabe seja apenas porque não me importa em absoluto o nome da criatura que desenhou cada prenda e que só por causa disso o preço dispara feito uma bala.

Esses(as) sujeitinhos (as) que ditam o que a gente deve comprar para ser IN nunca vão conseguir pegar-me nesse conto do vigário. Mesmo que eu pudesse e o meu dinheiro desse.

É imoral.

Meu dinheiro é muitíssimo mais valorizado que seus nomes bordados nas etiquetas minúsculas de suas "algemas sociais".

Eu faço questão de ser OUT.

Posted by norab at 3:34 PM | Comments (30)

junho 21, 2005

Enquanto Isso...No País do Não Faz de Conta...

Uma amiga querida do Brasil enviou-me essa mensagem bem humorada do L.F.Veríssimo.
Aproveitei para respondê-la aqui mesmo no blog. Assim vou ganhando tempo até escrever o resto da história das cicatrizes.


Conto de Fadas Para Mulheres do Século XXI


Era uma vez... numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.

sap0.jpg

Então a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava...
Nem morta!

Luis Fernando Veríssimo
..........................

Meus amigos, vos direi!

Fracassei como princesa...
Esse negócio de ser cheia de auto-estima levou o maior couro de outra coisinha chamada depressão e quando voltou a si já não tinha os mesmos valores, as mesmas ilusões. Inclusive ser linda perdeu o significado importante e passou a ser um reles detalhe, muito irrelevante.

Esse outro negócio de ser independente também cansou de fazer tudo sozinha, pagar tudo sozinha, sofrer tudo sozinha e resolveu mudar de nome para interdependente, que é muito mais maneiro, tá?

E, para dizer a verdade, nunca beijei um sapo que se transformasse em príncipe. Era tudo de mentirinha...
Os danados eram sapos mesmo e continuaram asquerosamente sapos, por mais que eu fingisse não ver.

O que já veio com carinha de príncipe e me fez uma proposta parecida (só não incluiu a mãe no pacote porque ela nunca concordaria em dividir seu rebento) era um Batman Forever. Tinha complexo de morcego. Adorava as noites e nunca chegava cedo em casa. E quando não saía, dormia e dormia.
Era cheio de segredos (nunca se sabia onde ele estava) e amava seu bat-móvel, sua bat-moticleta, sua bat-caverna, sua bat-prancha-de-winsurf e todos os seus bat-objetos mais do que as pessoas.
Só havia uma pessoa a quem ele amava mais do que seus bat-tudo: a si mesmo.(Isso nem a mãe sabia!)

Os condes e duques eram chatos e pernósticos. Não se conformavam em não serem príncipes.
Tinha até um que era vampiro. Juro! Sugava a energia de quem estivesse por perto. Esse quase me matou!

E os marqueses achavam que era humilhante que todos não se curvassem à sua passagem...
Como assim???
Ainda bem que fracassei. Ser princesa era um saco!
Que o diga Caroline de Mônaco, a princesa mais linda e menos feliz do planeta!

Decidi então deixar essa doideira de querer ser princesa e virar o que sempre fui, mas insistia em não querer ser: uma mulher comum.

Aí... encontrei um homem comum (nem Robin Wood, nem Batman, nem Robert Redford, nem Richard Gere, mas com olhos-de-mar-azul e um sorriso de derreter qualquer joelho ) que vivia do outro lado do lago, sabia lavar, passar e cozinhar porque morava sozinho numa cabana emprestada...

Nem sapo, nem príncipe, nem complexos de nobreza falida, nem fetiches por bat-objetos, exceto pelos livros - que devo confessar - compartilho.
Encontrei um homem que gosta das pessoas. E de mim. Finalmente um!

Aí, desde que estamos juntos estamos felizes...
E nem dizemos o "para sempre" que é pra não dar azar! Ho ho ho...
(Vai que existem mesmo as bruxas, fantasiadas de Barbies, loucas por uma maldadezinha!)

Lavamos, passamos, cozinhamos e cuidamos dos filhos (que já moram em outras paragens) com leveza e bom humor, porque ninguém aqui precisa de escravo.

casaldesapos1.jpg

Brincamos de sermos sapos nas tardes quentes de primavera-verão no lago azul perto da cabana ou de príncipes nas noites de lua cheia, vinhos, boa música e bons papos aqui mesmo no jardim.

Por sinal, nenhum um de nós dois gosta de perninha de rã à sautée, mas as paellas que ele sabe fazer são fenomenais!


Do conto de fadas para mulheres do século XXI fiquei só com... "Em um país muito distante..."

Mas... distante do quê mesmo?

Ah, tá certo...qualquer dia desses a gente pega o avião e vai beijar os amigos brasileiros.

Posted by norab at 5:08 PM | Comments (25)

março 15, 2005

Minha Amiga Querida...

Sei que faz um tempo que não te escrevo uma carta como Deus manda. Sem perdão. Uma das coisas mais agradáveis nesse exí­lio voluntário é receber uma carta de amigo, parente, aderente, vizinho do aderente, periquito, papagaio, orangotango, quem seja.

Desculpe o toque de mau gosto. Não tinha a intenção de comparar-te com qualquer um desses animais. É que meu humor anda meio tumultuado ultimamente. Alterações hormonais. Coisas da idade, parece.

Mas falando sério, querida...se a carta for tua então, o prazer é dobrado. Antes de um café e montar na rede do terraço, com a música posta no salão não abro o envelope. Adoro o ritual de abrir uma carta de verdade, de papel e selo colorido, como antes de toda essa facilidade da Internet.
Não me queixo.
Imagino que se eu tivesse que esperar pelas antigas formas de escrever, estaria exilada de verdade. Os e-mails são imediatos. Trazem fotos, mensagens de amor e de bons fluidos, recortes de jornais e revistas, carinhos diversos todos os dias, de gente amiga-conhecida e de desconhecidos-amigos. O blog me ajudou muito a encontrar essas almas carinhosas espalhadas pelos labirintos da Web.

Mas tua carta, amiga, essa é felicidade simples e profunda. Posso imaginar onde e como a escreveste. Posso vê-la com a caneca de café fumegante sobre a mesa da cozinha, procurando uma caneta que escreva e xingando a última geração de teus próprios filhos em resmungos ininteligí­vies aos que não te conhecem, pedindo a Deus explicações para o desaparecimento dos objetos inanimados desta casa: canetas e lápis, pentes, prendedores de cabelo e o tapete do banheiro.
Nunca obtiveste respostas para isso, não é mesmo querida? Nem Deus nem os três adolescentes-quase-adultos que habitam o teu lar sabem responder.

Bueno... já está. Algo encontraste para escrever, pois posso ler aqui troços em lápis e outros em canetas de distintas cores. Não sabes a ternura que transborda de meu sorriso enquanto leio o que me escreves e como eu gostaria de compartir a bela e deliciosa caneca azul com o café que só tu sabes fazer.
Pois não penses que isso é brincadeirinha de novo. Pois não. O café sai ao gosto de quem o faz. Posso pôr a mesma medida de água e de pó. Não sai igual. Juro!
E veja que ultimamente tenho carregado um pouco no café. Um dos poucos prazeres da cozinha que me restam. Tive a infeliz idéia de visitar uma endocrinologista para uns exames hormonais e etc. Coisas da idade, parece.
E a danada me pegou pelo tornozelo. Resultado: dieta.

Como tal um bebê. Seis refeições que de refeições só têm o nome. Um periquito pediria dose dupla do que como. Cada porção pesada e medida numa balança que vive sobre o microondas, malvada e sensí­vel como uma madrasta de conto infantil. Qualquer pedacinho de pão pesa mais do que deveria.
E o pior é o que posso beber. Leite desnatado, água, café e chá.
Também, quem mandou procurar uma endocrinologista abstêmia!????
Só vendo a cara que ela fez quando descrevi minhas noites de vinho tinto frente a lareira... Parecia que eu tomava heroí­na na veia!
Acho que a bruxa teve uma invejazinha, ou não?

Imaginas a arredondada aqui tomando vinho tinto diante da lareira e dançando ao som da voz memorável de Billi Holliday, com um par de "olhos-de-mar-azul" acompanhando cada movimento meu? Rá!
Acho que ela pensou que era alucinação minha.
Não era. Não era!

Agora posso comer um iogurte com gosto de qualquer coisa (menos de vinho) e ir dormir com cara de mulher-de-meia-idade-triste. Difí­cil viu amiga. Difí­cil.
Mas, segundo os exames, vou ter que submeter-me à tortura. Coisas da idade, parece.

Usei uma estratégia antiga, dos tempos da depressão.
Naquela época colei na geladeira uma foto minha com largo sorriso, só para lembrar que eu já havia sido feliz, um dia. E estava magra.

Agora fiz o mesmo. Preguei a última foto tirada no Brasil de biquí­ni. Para lembrar-me de como não quero ser, daqui por diante. O pior é que nesta estou sorrindo feliz como nunca havia sido na vida... e me confundo.
Preciso ser magra e feliz. E parece que as duas coisas não se casam no mesmo corpo.
Bueno... vamos ver quanto eu consigo conciliar das duas necessidades.
dieta2.jpg

Por enquanto estou lutando para manter a classe e não comer uma lata inteira de leite condensado. Que pobre de espí­rito heim?!
Também estou tentando não ter mais os sonhos eróticos com morangos e chocolates, que me acossam nas noites famintas e me deixam cansada e com o humor de Garfield pela manhã.

E por falar em manhãs, as de agora estão lindí­ssimas. O clima mudou completamente e as amendoeiras, que nem estão de regime nem nada, se cobrem de flores numa alegria que só vendo.
Aqui a gente dormiu inverno e acordou primavera. Quem dera meu programa de dieta permitisse o mesmo.
A bruxa disse que eu vou ter dificuldades para perder peso agora. Coisas da idade, parece.

Sabe que até passou o nozinho de tristeza que levo no peito desde uns dias? Acho que escrever-te ajudou-me a melhorar o astral. Prometo escrever mais vezes.

Beijo-te com toda a saudade e amor.
Como sempre.

Posted by norab at 2:25 PM | Comments (1)

fevereiro 22, 2005

Aprendiz de Feiticeira...

Ela estava fazendo 21 anos. Uma idade linda!

Comprei vários presentes. Um abrigo novo, roupinhas. E o principal: Don Quixote de La Mancha, em uma edição comemorativa dos 400 anos da publicação do fantástico romance de Miguel de Cervantes. Escrevi num cartão - pintado por mim mesma - uma dedicatória bem emocionada!
Pronto?
Claro que não!

Resolvi mudar as cortinas da cozinha. Nunca costurei na vida, mas não custava começar.
Pedi ajuda à vizinha. Tudo bem. Ficou bonita apesar de imperfeita. Deu para disfarçar com um jeitinho brasileiro.
Comprei tapetes novos para os banheiros. Espalhei quadros pelo corredor. Passei a semana atrás do sujeito que vinha trocar as duchas, pregar os suportes da rede nova, trazida do Brasil nas últimas férias.
Ela merecia. E merecia também uma festinha...
E eu, como boa mãe neurótica que vê a filha entrando na vida adulta, resolvi fazer uma espécie de despedida da infância-adolescência. Prometi coxinha de galinha,empadas de camarão, brigadeiros coloridos e bolo de chocolate, com cobertura e etc. Cabeça de mãe tem cada idéia!
Nunca havia feito nada disso. No Brasil encomendava tudo... mas não custava tentar!
Pois... peguei uma gripe dois dias antes de começar os trabalhos. Uma moleza no corpo, nariz entupido, dor de cabeça, vontade de ficar sob as cobertas sem fazer absolutamente nada.
Impossí­vel!
Tinha que limpar toda a casa, preparar os quartos para ela e os amigos que viriam passar o final de semana, organizar as compras necessárias e o menu de três dias inteiros.
Quem manda inventar festa!
Entrei na Internet e procurei as receitas mais simples, pois na cozinha sou quase iniciante. Estou tentando aprender.

Primeiro os recheios das empadas e coxinhas.Temperei o camarão das empadas com sal e limão enquanto cozinhava o frango para as coxinhas e telefonei para o Brasil para conferir as receitas com minha cunhada (uma cozinheira com mãos de fada). Distraí­-me conversando sobre a famí­lia e... de repente um cheiro de coisa queimada invadiu a sala. Corri para o fogão e estava tudo negro! Nada do molho perfumado de alguns minutos atrás e uma branca fumaça começava a invadir a casa inteira.
Desliguei o telefone e tentei salvar o que ainda tinha cor de frango. Era pouco. Muito pouco. Perdi a graça e guardei os camarões no gelo para o dia seguinte. Estava cansada e doente.

Bueno... no outro dia, assim que terminei de organizar os quartos, fui para as empadas. Refoguei as verduras, juntei o camarão, o creme de leite... e ficou lindo. Agora era só fazer a massa e rechear as danadinhas. Resolvi provar um recheio tão lindo... Hummmm! Sal puro.
Sal! Sal! Sal! Insuportável.
Como assim?
Assim... os camarões estavam mergulhados no sal desde o dia anterior.
Não podia fazer empadas com pasta de sal ao camarão!

Mas ainda tinha que fazer o bolo. Por que não segui os sinais e desisti de uma vez por todas? Não, tinha que fazer pelo menos UMA coisa que prestasse. Pelo menos o bolo tinha que ficar bom.
Pois não... nem ele. A massa estava maravilhosa, mas a forma era pequena e eu não pensei que ele ia crescer como o pé de feijão do conto infantil...
O bolo cresceu e cresceu... tanto que suicidou-se pulando para fora do molde como um vulcão em erupção e enchendo o forno com uma massa negra e esfumaçante...
Acham que ainda iria tentar o brigadeiro? E a cobertura para botar onde?
Nem pensar! Tive uma crise de riso daquelas que beiram o choro enquanto tentava descolar a forma imersa na larva vulcânica em que se transformou a merda de chocolate, ainda pensando em botar por cima as velinhas coloridas que havia comprado. Louca!
Acabei o dia com a auto-estima deitada no chão, com a cara enterrada num buraco escuro!
bruja1.jpg
Resultado... a festa foi mesmo um churrasco em que não meti a mão. Um amigo dela assou a carne, outra fez a salada, a aniversariante fez a farofa, Pepe fez a batata e os molhos... e saiu tudo saborosí­ssimo! Nada queimou. Nada salgado. Nada ruim.
Arrisquei abrir a garrafa de vinho e dizer com os olhos rasos d´água: Feliz Aniversário, minha filha.
E quando eu penso que no próximo final de semana teremos 16 pessoas para almoçar, tenho vontade de pintar a cara com pontinhos vermelhos e dizer que estou com uma doença contagiosa e de quarentena.
Na cozinha eu não entro por pelo menos dois meses!
Socorro!

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Posted by norab at 11:03 AM | Comments (1)

fevereiro 16, 2005

Evas...

Domingo molhado, úmido, cinza. Ficar em casa até que é bom num dia assim, mas almoçar no Chez Georges com as amigas é melhor ainda.
As quatro amigas entram no restaurante bem decorado e fino da cidade, dispostas a comer bem, beber mais e melhor e falar de qualquer coisa, menos de si mesmas.

Rita tem 35 anos, dois filhos e está separada há 3 anos. Quando estava grávida do segundo filho - seu marido havia insistido para que engravidasse pois queria uma famí­lia grande - Rita descobriu que ele tinha uma namorada.
Sim, ele queria uma famí­lia muito grande. A namorada também estava grávida. Ia dar à luz no mesmo mês e no mesmo hospital. Rita recusou-se a ficar para ver. Pediu o divórcio com a barriga no pescoço, o coração despedaçado e a auto estima mortinha da silva. Há poucos meses que está se recuperando da decepção, às custas de muití­ssimo trabalho numa rotina mais dura que a de uma "mula de roçado". Acorda às cinco da madrugada e só vai para a cama depois da meia noite. Sua folga quinzenal (quando os filhos ficam com os ex-sogros) é comemorada com um vinhozinho e um bom filme na TV, dormir até as doze e se puder, um almoço com as amigas. Amor não tem, nem quer. Por enquanto quer distância dos homens. Bastam-lhe os filhos e o trabalho. Stress mais que suficiente.

Júlia tem 34. Casou aos 19, grávida do primeiro namorado. Separou-se aos 27, duas filhas e duas tentativas de suicí­dio. O ex-marido está noivo de uma dondoca da cidade e vive nas colunas sociais, mas ainda se encontra com ela às escondidas da noiva e das filhas, para um sexo saudoso e cheio de acusações mútuas. Depois de se agarrarem e transarem desesperadamente, começam as intermináveis brigas. Ele a culpa por ela ser uma mulher exageradamente ciumenta e possessiva. Ela o culpa por ser um degenerado que não pode ver um par de pernas na praia sem ter que segui-las num afã de conquistador barato, um "rato de areia" dos mais nojentos. Ele sai batendo a porta. Ela promete a si mesma que foi a ultima vez. E até a próxima... ninguém sabe até quando seguirão assim. A última foi antes de ontem.
Foi ela quem marcou o almoço. Está precisando desabafar, gritar, beber, comer, contar. Nunca mais vai pensar em morrer por causa daquele desgraçado. Precisa de ajuda, urgente! Amigas, pelo amor de Deus!
Não, melhor nem falar do assunto. Aproveitar para espairecer a cuca, falar dos outros, do livro muito louco que está lendo, do último filme que viu na TV a cabo, antes que aquele pedaço de carne sem sentimentos (e que pedaço!) viesse com aquela conversa de saudades e tesão...
Não! Falar dos outros é melhor. Pronto. Falar qualquer coisa menos da idiota que ela é!

Silvia é solteira. Não pensa em casar-se. Sua independência financeira veio com 22 anos, num emprego público que conquistou num concurso dificí­limo. Poucas horas de trabalho, bom ambiente, bom salário. Tem casa, carro, amigos, viagens, liberdade. Não gosta de sofrer e aos 31, depois de algumas (poucas) tentativas de relacionamento afetivo, desistiu por pura preguiça. Não sente muito a falta de sexo. Às vezes nem se lembra deste detalhe...
E quando lembra, telefona para seu "fornecedor de hormônios", marca um encontro, resolve a parada e pronto. É bom. Sem promessa e sem cobrança. Está sempre tão entretida com seus planos para as próximas férias...Ontem mesmo foi na agência e está quase decidida por Nepal.
E depois, amar dá muito trabalho, ela diz com um meio sorriso na cara bonita.

Nenhuma das outras três pode contestar que não.

Que o diga Clarice, 38 anos. Depois de nove anos e meio de um noivado em que os dias foram gastando o amor, se é que amor existia, de forma que não havia qualquer motivo para um matrimônio, exceto o desejo das suas famí­lias, que ao final eram mais noivas que eles dois, o casamento foi o único caminho possí­vel para a separação.
Oito meses depois da festa, que suas famí­lias se esmeraram em fazer espetacular, a farsa finalmente acabou. Ficaram as fotos e um ví­deo, mostrado mil vezes pelas mães-sogras às suas amigas.
Clarice deixou os álbuns com elas. Não queria recordar aquele dia, nem os meses depois dele. Oito intermináveis meses em que tinha que controlar-se para não pular pela janela. Finalmente, um dia de verão azul, saiu do trabalho, tomou seu carro e dirigiu-se ao aeroporto. Comprou uma passagem para São Paulo, telefonou para o marido e pediu o divórcio. Ele sequer questionou a decisão dela.
Clarice esperou um mês que as famí­lias se recuperassem do choque. Nunca a perdoaram. Ele sim. Se não fosse ela quem tivesse tomado a decisão, seria ele...
Claro, iria demorar ainda um pouco. Não tinha coragem de dizer a ela que estava apaixonado por uma colega de trabalho há mais de dois anos e arrependido de não ter evitado o casamento com medo da reação de sua mãe e do pai da noiva. Queria casar-se com a moça o mais breve possí­vel, assim que sua mãe se acostumasse com a idéia. Já fazem 6 anos que esperam.

Clarice saiu pela vida em busca de amor. Encontrou algo parecido. Inúmeras vezes se apaixonou. Nenhuma deu flores e frutos. Todas acabam depois de dois ou três meses de saí­das. A cada final, um desgaste de energia para criar o clima apaixonado em que desejaria viver. Depois de uns anos, conformou-se em ter sexo de vez em quando, que de ferro ela não é. Os homens de sua geração preferem as amizades coloridas ao amor propriamente dito. É que amar dá muito trabalho, dizem.
Clarice vive sozinha em um belo apartamento há mais de dez anos. Seu pai nunca mais falou com ela. Já não acredita que vale a pena o amor. Dá muito trabalho. E por favor, não a chamem de Clarice que esse é nome de mulher doce e sincera. Agora só atende por Clara.
aurora-pauldelvaux2.jpg
No domingo chuvoso de Abril as quatro mulheres se encontram para o almoço. Bebem, comem, riem, falam de amenidades, dos livros que lêem, dos filmes que assistem, da vida dos outros, dos que morreram, dos que nasceram, dos que casaram, dos que separaram, dos que...

Na mesa lá do outro lado, outras quatro mulheres comem, bebem e riem... Conversam em tom mais baixo. Comentam umas com as outras as histórias de Rita,Júlia,Silvia e Clarice, quer dizer,Clara... Que falar das vidas delas, nem pensar!

Pelo menos não antes do café e do licor...

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Posted by norab at 4:28 PM | Comments (0)

fevereiro 1, 2005

Há Dez Mil Anos Atrás...

Às vezes a gente quer mudar de pele. Quer deixar de ser quem é. E começa tentando abolir todos os hábitos de sempre. Deixar de comer o que engorda, deixar de beber o que embriaga, deixar de gostar do que gostava. Parece que tudo que a gente faz é "prejudicial à saúde".
A televisão vai mostrando a cada noite as belas mulheres que usam cremes tais e quais, tomam iogurte quais e tais, fazem exercí­cios regularmente, usam sempre branco virginal. E a gente quer virar lagartixa e regenerar as partes do corpo que a gente pensa que estão apodrecendo. Parece que a gente quer nascer outra vez.
Começar de novo! Ser a rainha do natural! Ficar jovem para sempre. Mudar-se para Shangrilá!
Ainda bem que esta minha fase já passou.
Ou não? Pois... veremos.

Naquela época, há dez mil anos atrás, entre tudo que eu estava tentando deixar para trás... estava o cigarro.
Então recebi um convite de uma amiga de muitos anos para passar um final de semana em sua casa numa praia distante. Aceitei. Estava mesmo precisando mudar de ares, curtir a brisa marí­tima, relaxar. Outra pessoa foi também convidada. Era amiga da amiga mas eu a conhecia de algumas situações anteriores.
Como há muito tempo ninguém estava utilizando a casa, resolvemos ir antes fazer um check up geral, levar alguém que pudesse limpar tudo e ver o que seria necessário comprar.
Depois de algumas horas de trabalho organizando as acomodações e compras que terí­amos que fazer, sentamos um pouco no terraço da casa, de frente para o mar. A moça convidada tirou um maço de cigarros da bolsa e me pareceu que estava brilhando e piscando como o neón das propagandas de Las Vegas....
cigarro2.jpg
Acendeu um deles, soltando a fumaça lentamente, com evidente prazer. Senti uma pontada de desejo. "Uma boa tragada agora seria tão bom!" Pensei.
" Pode me dar um, por favor?" Quase sem pensar estendi a mão para ela e pedi, muito à vontade.
"Não. De jeito nenhum." Ela respondeu no mesmo tom leve e descontraí­do que eu havia usado.
Soltei uma risada com seu humor. Achei engraçada a sua resposta e continuei com a mão estendida e sorrindo... até perceber que ela estava guardando o maço na bolsa. Baforando na minha cara ela disse séria: "Fumante que se preza, anda com cigarro."
Juro que eu não estava acreditando!
- É sério? Insisti desconcertada, ainda tentando sorrir.
- Serí­ssimo. Só tenho três na carteira e não vou dar nenhum. Quem fuma que leve seus cigarros! Ela continuou.

Gelei. Nunca imaginei que ela estava negando-me o cigarro "à vera", acostumada que estava às amigas que tinham senso de humor para brincar de negar favores enquanto os estavam fazendo. Eu tinha uma amiga que sempre que pedí­amos a ela uma informação ou que nos trouxesse alguma coisa da cozinha enquanto jogávamos baralho, ela respondia "Claaaaaro que não!" Rí­amos todas. E na mesma hora ela trazia o que haví­amos pedido ou respondia o que haví­amos perguntado.

Paralisada. Foi como eu fiquei com a resposta da moça. Pensei que era impossí­vel que um fumante negasse um cigarro a outro fumante (ou quase ex-fumante. Que mais dá?) principalmente se estávamos longe de qualquer lugar onde pudéssemos comprá-lo de imediato.
Na minha cabeça, se eu tivesse um único cigarro o dividiria com alguém que não tivesse nenhum e então ambos terí­amos um problema: procurar onde comprar mais.

A vontade de fumar estalou no cérebro com uma força descomunal. A raiva e o desconcerto pintaram de roxo a paisagem. Saí­ andando pela praia até a estrada de asfalto atrás de um lugar onde pudesse comprar o meu miserável e querido ví­cio. Vinte minutos depois encontrei um bar safado, desses de taipa pintada de branco e chão de terra batida. Tinha todo tipo de cachaça, cerveja e caranguejo. Mas cigarros não tinha.
Fui informada que o lugar mais perto onde poderia encontrá-los era na padaria, uns três quilômetros adiante.

Voltei para casa sob o sol abrasador, a vista embaçada por um véu de um violeta-ataúde. Peguei a chave do carro de minha amiga e disse " Vou ali, já volto." Não quis demorar-me em explicações. "Onde vai?" Minha amiga perguntou. "Comprar cigarro." Respondi entre os dentes já entrando no carro. Afinal ela não merecia meu mal humor.
Quando eu estava fazendo a manobra para sair, lá vem a minha amiga com um dinheiro na mão. "Dá para você comprar também para..... fulana?". (Vamos apelidá-la de fulana? É que essa criatura não merece o belo nome que tem.)

Meu coração cheio de fel respondeu "Não, não dá." Mas minha boca não obedeceu, e respondi com voz esgarçada de seda lilás. "Claaaaro que sim!"
Minha filha, que estava comigo todo o tempo, dizia que "se fosse ela não comprava de jeito nenhum. Mandava a outra sair para comprar, se ela quisesse."
Respondi-lhe que não iria jogar lenha na fogueira da minha raiva. Que seria estragar o dia de todos. "Melhor não aumentar a história." Argumentei.
Assim, comprei cigarros para ela e para mim. Deixei o seu troco e maço sobre a mesa, troquei de roupa e fui dar um mergulho, esfriar a cabeça.
Nem "obrigada" ela me disse, quando voltei.
Passei o resto do dia monossilábica. Não consegui relevar a grosseria da criatura. Mas o trabalho terminou e voltamos para casa.

Pois... depois disso pensei duas vezes se iria ainda aceitar o convite para o final de semana, mas não deu mais tempo de recusar. A minha amiga já havia feito as compras e tí­nhamos apenas que pagar a ela nossa parte. Não ia dar tanto valor assim a um simples cigarro negado, pensei. Mas não estava conseguindo esquecer. O fel foi se acumulando na alma.

No final de semana seguinte, estávamos lá outra vez. Levei um pacote com DEZ maços de cigarros. Havia voltado a fumar com toda a voracidade de quem recomeça a alimentar um ví­cio de muitos anos. É muito pior voltar a fumar do que nunca haver tentado deixar.

Tentei tratar a moça da mesma forma que antes do incidente, mas meu coração já estava frio para ela. Fui educadamente distante por todo o final de semana. Seus assuntos já não me interessavam. Sua risada me parecia falsa. Seu egoí­smo aparecia em cada mí­nimo comportamento. Só para dar um exemplo: A moça levou uma rede. Pois ela pendurava-a apenas quando ia utilizá-la. Quando saí­a, desmontava e guardava dentro do "seu" quarto.

Não relaxei. Não diverti-me. Sua companhia em todos os momentos dos três dias incomodou-me profundamente.

Ao final do domingo, depois que tudo já estava arrumado para irmos embora, minha amiga resolveu servir um último cafezinho, com biscoitos de maçã e canela. Sentamos em volta da mesa e nos servimos. Ela abriu a bolsa e tirou seu maço de cigarros, abriu-o.... e estava vazio.

Meu coração parou. A cena ficou em câmara lenta para mim. O café fumegante nas xí­caras, os biscoitos quentinhos nos pratos, meu maço de cigarros sobre a mesa ao meu lado... e ela SEM CIGARROS!
Pensei se ela teria coragem de pedir-me. Pensei que se o fizesse eu teria a magní­fica chance da roda da vida de negar-lhe. "Fumante que se preza, anda com cigarro!" eu diria sorrindo angelicalmente. Acenderia um para mim e daria uma baforada que enevoasse toda a sala...
Uau! A rainha da prepotência sem cigarros num domingo de tarde, depois de um cafezinho com biscoitos!!?
E a padaria fechada!?
Era perfeito! Lavaria minha alma do fel que a turvara por toda a semana. Oh! Deus! Como o mundo gira rápido!

Enquanto pensava vi por trás da névoa de um filme antigo em preto e branco ela estender a mão para o maço ao meu lado, abri-lo e tirar um... "Meu cigarro acabou, AMIGA. Vou pegar um dos seus, viu?" disse sorridente a bruxa má.
"AMIGA"? Ela sabia lá o que era isso? Pensei, com o veneno escorrendo pelo cantinho da boca.

Em um segundo a névoa se desfez. A cena voltou a velocidade normal da vida real.
"Fique à vontade" respondi muito séria. Agelicalmente séria.
Tum! Fiquei surpresa comigo mesma! Como assim? Como pude deixar escapar uma oportunidade como essa?
Minha filha olhou para mim incrédula. Sua cara me questionava "mãeee?"

E de repente eu percebi uma estranha sensação de alegria, de paz interior. O fel que turvara minha alma desapareceu. A raiva que eu estava dela sumiu. O desprezo que ela me inspirava esvaiu-se na fumaça de nossos cigarros sobre a mesa.
Eu estava aproveitando o momento, saboreando o prazer de não ter sido igual a ela. Estava contente comigo mesma.
De repente meu café ficou mais gostoso. A tarde mais bonita. Meu corpo mais leve.
Desfrutei destas sensações por um longo tempo...
Voltei para casa cantarolando "como uma onda no mar..."

Ela nunca se transformou numa amiga. Naquela tarde ela morreu para mim. Pulverizei sua existência num passado longí­nquo, em que só me lembro de sua passagem na minha vida quando recordo com humor a incrí­vel história do cigarro... e a noite em que me disse, muito segura e contundente, que não mirasse a "olhos-de-mar-azul" na festa do Elcano, em 1995.
Pois é... foi ela. Era a mesma que evitou que nos falássemos aquela noite.

E eu estou contando essa história hoje porque este mês fazem dez anos que nos apaixonamos, mesmo que ela tenha tentado evitá-lo e quase conseguido.
E porque este ano eu vou deixar de fumar.
O mundo nem sempre gira tão rápido como gostarí­amos. Mas gira!

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janeiro 21, 2005

Viajando Para o Brasil...

Onze da noite de um domingo.
Mas não qualquer domingo. Um domingo especial.
Durante o dia inteiro não consegui comer, nem dormir, nem ler. Coisas de fazer todo domingo sobraram nas mãos, no corpo, na mente. Eu só queria engolir o tempo.
Assim saí de casa com o coração derretido de emoção, mesmo com o frio de 6 graus.

Aeroporto de Barajas, Madrid. Vôo da Ibéria, marcado com antecedência de três meses, com destino ao Rio de Janeiro.
Depois, um dia no Rio com a ilusão de um encontro marcado com Manoel Carlos, meu amigo do blog Agreste, para um almoço com paisagem de Pão de Açúcar e tudo.
Ao final, coroando meus sonhos, um vôo direto para Recife, com direito a um grande grupo de amigos queridos nos esperando no Aeroporto dos Guararapes.
Dois anos sem ver meu país e minha gente, sem sentir o calorzinho (insuportável) de suas cidades e (adorável) de suas praias! Dois anos sem ir à Recife.
Que delícia de ansiedade!

Resisti bravamente à tentação de ir ao cabeleireiro antes da viagem. Nem pensar em arriscar a sair da Espanha com os cabelos rosa-mercúrio-cromo ou esticados como os de uma japonesa. Botas no armário. Escolhi uns mocassins cômodos e leves. A gente aprende, né? Esqueci os chocolates, companheiros inseparáveis das longas viagens.
Pois é...
Dois anos sem tomar um avião, sem encarar as bruxas dos aeroportos e eu já havia esquecido que elas existem.
bruja-morada.jpg
O vôo sairia às 01:45 da madrugada do dia 20. Daria para uma boa cochilada e já acordaríamos no Rio. Perfeito!
Mas não saiu.
Depois de manter-nos dentro do avião por mais de três horas, o comandante avisou que havia um defeito nos equipamentos eletrônicos e que em 20 minutos estaria tudo resolvido. Não estava.
Suspirei e pedi calma a mim mesma. Desta vez estava com olhos-de-mar-azul ao meu lado. Não deixaria que meu ânimo se esvaísse. Afinal, iríamos juntos ao Brasil. JUNTOS! Isso era o único que importava!
Saímos do avião para um aeroporto vazio e com tudo fechado. Meu estômago colado nas costas de tanta fome e sede. Cadê meus chocolates?!
Levaram-nos para uma lanchonete onde podíamos escolher um sanduíche e um refrigerante ou um sanduíche e um refrigerante. Uma fila enorme e um único atendente com cara de "que-é-que-vocês-estão-fazendo-aqui-a-essa-hora? "
Um grupo de baianos reclamava seus direitos a uma funcionária da Ibéria que nos olhava como se fôssemos todos refugiados de guerra, dando-lhe trabalho extra na madrugada tranqüila de Barajas. Uma senhora negra, com cara de entender de santos e orixás disse que o avião ia cair, que ela tinha sonhado, mas que suas orações fizeram com que o mesmo não decolasse de nenhuma forma. Exigia que trocassem-nos de avião. Naquele ela não iria mais! Uma perua loura-oxigenada com umas botas salto 15cm, levando uma caixa de madeira com um gato dentro exigia comida para seu bichinho aos gritos. Sem opção. Sanduíche e coca cola era tudo o que havia. Tentei ver a cor do gato, mas não deu. Ui!
Depois de quase uma hora levaram-nos por escadas e esteiras rolantes para tomar um ônibus para um hotel em Madrid com a maravilhosa notícia de que o nosso vôo só sairia às 16:00 horas.
Heim!?
Por que meus encontros com os aeroportos tem que ser assim? Por que eles não gostam de mim?
Engoli o cansaço e enfrentei outra fila no recepção do hotel para conseguir um quarto. Não podia acreditar que minha linda viagem estivesse reduzida a isso. Dormir num hotel a 30 quilômetros de casa.
Depois de um sono leve e faminto de apenas três horas, um café reforçado e um breve contato através da Internet com os amigos avisando sobre o atraso, estávamos novamente entulhados na recepção do hotel.
Fila para o almoço, fila para o ônibus que nos levaria de volta ao aeroporto, fila para embarcar finalmente para o Brasil.

Na sala de embarque a Ibéria nos informou que não garantia reembolso de nenhuma conexão perdida que não estivesse acoplada às passagens da companhia. Isso queria dizer que perderíamos o vôo da Gol e - quem sabe - o dinheiro também.
O grupo de baianos queria falar com um supervisor. A loura do gato surtou e quase bateu na atendente. Os fumantes procuravam o metro quadrado pintado de azul para acenderem os malditos e execrados cigarros. Eu entre eles.
Telefonei para a agência em Recife e pedi que mudassem meu vôo para as duas e meia da madrugada, já que chegaríamos no Rio às 23:00 horas. Tudo bem, pagaríamos a taxa e a diferença de preços entre as passagens previamente reservadas. Dos males o menor. Eu queria chegar! E sem surtos.
Não ia dar para ver o Manoel Carlos também. Que pena!
A baiana conferia o nome do avião e garantia que era outro. Dizia que seu sonho salvara todo mundo de uma desgraça. Acreditei.
Dois passageiros não compareceram ao embarque. Tiveram que abrir o compartimento de bagagens para retirar as "suspeitas" maletas dos " desaparecidos".
Uma hora e meia depois do previsto, isto é às 17:30 da tarde, o avião decolou de Barajas rumo ao Galeão.
Ufff.... agradeci a Deus por deixar uma poltrona vazia ao meu lado onde eu poderia esticar um pouco as pernas e tentar cochilar durante o vôo.
Sim?
Não. Três rapazes atrás de minha poltrona resolveram tomar cervejas e contar piadas em Inglês a noite TODA! Gargalhavam e batiam os pés, os desgraçados!
Quase fui buscar a baiana lá na frente para ela fazer uma oraçãozinha das boas...
Onze horas depois eu era um maracujá amarfanhado, com olheiras magníficas, todas as juntas doloridas e odiando a Inglaterra profundamente.

No Galeão, às 00:30 da noite, corri para o boxe da Gol para não perder o prazo do check in para Recife, enquanto olhos-de-lago-cinza-chumbo esperava a nossa bagagem.
Aquele bichinho que come meu estômago, meu fígado e se instala em meus intestinos nas tensões aeroportuárias, despertou com ganas de matar-me.
A Gol informou-me gentilmente que minha reserva estava garantida para Recife, mas que APENAS MEU NOME CONSTAVA DA MESMA.
HEIM?!!
Como assim???
Pois assim... A agência só garantiu meu lugar no vôo. Não havia outra vaga. Estava lotado.
Minha cara deve ter sensibilizado o rapaz do boxe. Disse-nos que esperasse um pouco para ver se faltava alguém no trecho que vinha de São Paulo. Era muito provável que ocorresse um no-show. Sempre acontece, ele garantiu.
Esperamos. Esperamos. Esperamos.
Uma hora em pé diante do boxe da Gol. Ainda bem que estava perto do banheiro, pois o bichinho estava adorando a brincadeira das bruxas!
Finalmente o rapaz nos chamou... e disse que INFELIZMENTE não podíamos embarcar juntos. Não faltou nenhum passageiro.
Nem sempre o sempre acontece. Ainda mais quando as bruxas resolvem divertir-se às minhas custas.

O próximo vôo para Recife sairia às 15:30hs da tarde, com co-ne-xão em Salvador e chegada prevista para as 20:15hs em Recife!!!
Comecei a chorar.
Para melhorar o meu astral, meu lindo e calmo companheiro de viagem resolveu brincar dizendo: " Da próxima vez que viajarmos para o Brasil, você vai na frente e uma semana depois eu vou. Nos encontraremos no aeroporto de Recife."
Eu queria rir, juro! Mas minha boca não conseguiu. Estava atordoada de cansaço, de frustração, de raiva. Ele tem mais senso de humor do que eu nestas horas. Ainda bem.
Caminhamos pelo enorme corredor vazio até os boxes da VARIG e da TAM, atrás de outras possibilidades. Fechado. Tudo fechado!
Voltamos para o boxe da Gol. Teríamos que aceitar a miserável proposta. Inferno!
Chegar em Recife estava parecendo mais impossível que voltar para Madrid! E no aeroporto do Rio nem metro quadrado azul tem. Quem quiser fumar tem que sair do recinto! Sair por onde se estávamos no segundo andar???
Desafiei as bruxas. Fumei três cigarros de uma vez! No meinho do corredor! Queria ver se alguém vinha prender-me! Que se atrevesse!
O moço da gol ficou ainda mais sensibilizado com minha agonia e disse-me que "não tinha certeza, mas havia escutado que a Ibéria estava pagando um hotel para os que perderam suas conexões."
Corremos - melhor dizer "arrastamo-nos"- para o outro lado do corredor. Ainda não entendi por que tudo que você tem que fazer num aeroporto está exatamente no ponto oposto de onde você está. Nunca, nunca, nunca!!! está logo ao lado.

Acho que neste momento, as bruxas cansaram de brincar e foram dormir.

No boxe da Ibéria a moça simpaticamente atendia aos últimos passageiros do vôo. Escutei que ela estava dando passagens em outras companhias para quem havia perdido a conexão. Nem pensei duas vezes. Apresentei a ela minhas reservas na Gol e ela me ofereceu dois lugares na TAM às 8:40 da manhã, direto para Recife, além de um quarto no hotel Luxor do aeroporto.
E claro, estava do outro lado do corredor.
Eram quase quatro horas da madrugada quando entramos no último quarto vago do hotel. Era nosso até às 6:00hs.
Deu-nos duas horas de sono, uma ducha e um café da manhã.

Quando o vôo da TAM sobrevoou Recife e pousou no aeroporto dos Guararapes eram 10:30hs da manhã da terça-feira.
Um mar verde esmeralda nos esperava, alguns amigos queridos e persistentes, um calor abafado de 32 graus...
Emprestaram-nos um carro, um telefone e um apartamento...
Nos encheram de beijos e abraços, convidaram-nos para uma cerveja...

As bruxas dormiam ainda, com certeza.

Posted by norab at 5:45 PM | Comments (0)

novembro 27, 2004

Extra-Large Outra Vez...

A notí­cia é pequenina, como querem que seja.
Pequena no tamanho, como tudo na onda da moda. Grande no significado. E diz assim:
O modista Karl Lagerfeld assinou um contrato para desenhar uma coleção para a famosa loja sueca H&M. Mas mostrou-se descontente e não pretende renovar o contrato porque a empresa, além de fabricar poucas peças, ainda teve o desplante de fazê-las em talhas demasiado grandes.
extralarge2.jpg
Peraí­... O sujeitinho só quer que sua marca vista as mulheres que ele considera "mulheres elegantes". Isto é, magras. Mas muuuuito magras. As grandes não lhe interessam. Tamanho G é 40.
E as extra-large então?
Estas que se danem, morram... Mas, se sobreviverem, que não se atrevam a mostrar-se. E muito menos com as peças assinadas pelo loiro vampiro aí­ da foto.
As redondinhas de seios e quadris, sejam jovens ou maduras, que andem nuas pelas ruas da armagura, nos becos escuros das noites sem lua. E sozinhas, de preferência, para não gastarem o pequeno arsenal de pares felizes do planeta. Na hora do amor, que apaguem a abajur, por favor! O mundo da luz e das cores é das sí­lfides.

Pois sim... um dia destes escrevi minha odisséia pelas lojas da cidade em busca do que vestir. O post ainda está aí­ embaixo...
Engraçadinho no contar, mas muito sério no viver.

As mulheres não deveriam mais ficar caladas com a pressão social para "um-padrão-de-mulher" comercial e discriminatório. As propagandas da televisão despejam na minha sala milhares de produtos de beleza: anti-rugas, anti-celulite, anti-peitos grandes, anti-peitos pequenos, anti-velhice, anti-mulher-de-verdade.
Todas as modelos tem menos de 30! Assim é fácil mostrar a cara lisinha.

Quase sem perceber miro o espelho e procuro as marcas da minha decrepitude. Se nunca usei nada deveria estar como o Retrato de Dorian Gray. (Digo o retrato, não o personagem de Oscar Wilde.) Não encontro nada de decrépito. Meu rosto mostra as marcas da minha vida e da minha idade. Mantenho a aura que me cerca e que, creio, fez-me e ainda me faz ser uma bela pessoa.

Mas a televisão insiste e grita MAIS ALTO que qualquer programa normal que agora - vejam só! - as clí­nicas de cirurgia estética oferecem planos de pagamento parcelado para eliminar todo, mas todo mesmo, tipo de complexo. Rugas, celulites, peito grande, peito pequeno, bunda caí­da, narizes, orelhas, lábios...tudo!

"Queira operar sua idade, perca 10, 15, 30 anos! Mesmo que passe não sei mais quantos pagando pelo resultado que nunca é o que promete! Se escapar viva, pois senão pagarão a dí­vida seus descendentes. E aí­ sim, promessa cumprida! Vai ficar pele, osso e sem nariz, mas feliz, feliz!"Querem que eu queira ser a Barbie, que já tem 40 com cara de 15, corpo de 12 e cabeça de borracha oca.

Pois não... recuso-me.
E clamo que as mulheres também se recusem a serem enterradas vivas pela montanha de propaganda, cuja intenção é que queiramos nos transformar em bonecas de plástico.

A última que fiquei conhecendo foi da retirada de duas costelas para afinar a silhueta de uma apresentadora de televisão, que veste 36 ou 38, no máximo, e mede mais que 1,70.
O que é isso?
Quem está dando essas ordens para as ovelhinhas do rebanho?

Os vampiros da moda e as mulheres. As próprias ví­timas.
Ninguém me tira da cabeça que são as próprias mulheres.
Sim, porque são elas que buscam defeitos nas amigas e inimigas de modo a "turvarem" os olhos de seus parceiros.
Que ledo engano! Que tolinhas!
Os homens - e chamo homens os normais e não os "metrosexuais"- gostam de uma mulher pelo todo, pelo que ela emana de feminilidade e sex appeal.
Ele nem nota se aquela loira de sorriso espetacular tem os joelhos pontiagudos. E se notar, foi porque outra mulher lhe disse.
E, quer saber? Ele nem se importa. Joelhos? Para que servem?
Como também não nota se a morena que cheira gostoso e anda como se flutuasse, tem TODAS as costelas ou lhe faltam duas! Se duvidar ele até doa outra sua...se ela quiser "ir buscar lá em casa!"
Homem gosta do todo e dizem isso mil vezes!
Mas a mulher não acredita. E sabem porque? Porque outra mulher lhe diz para não acreditar.

Quer ver uma queixa feminina de praxe?
Ela pinta o cabelo, dá reflexos dourados, uma aparadinha aqui outra ali, pinta os lábios com o novo batom da Lancôme de 150 reais... e ele não nota nadinha!
Mas ele gosta de qualquer tamanho e tom de cabelo ou batom se a vê dentro de um bonito vestido de generoso decote. Saia com lasquinha aberta do lado então!? Dá palpitações no peito e brilho novo no olhar.
Não falha. É tiro e queda!

Mas não... Generosos decotes de bonitos vestidos custam uma pasta! Nem todas podem comprar. E as redondinhas menos. Os tamanhos das roupas bonitas e sensuais dos grandes magazines não chegam ao 44! Juro!
Que o diga o modista da notí­cia.
Aposto que por alguns milhares de dólares o peste-vampiro desenha um vestidinho básico, com belo decote e lasquinha na saia para Liz Taylor.
Mas na H&M? A preço popular para uma senhoura de 73 anos, fartos seios e de nome Lola Sanchez? Nem morto!

E nós, as belas e arredondadas mulheres, não importa de que idade, mas de carteiras magras e nomes comuns, que comamos o pão que o diabo amassou na hora de buscar o que vestir.

Aliás... comer pão? Não!

Foto do Jornal El Mundo

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Posted by norab at 9:36 AM | Comments (0)

novembro 22, 2004

Presente de Natal...

Véspera de Natal.
E eu tirei o dia de folga. Nada de arrumar, limpar, guardar, comprar. Já estava tudo perfeito desde o dia anterior.Aquele era dia para descansar. Queria-o só para mim. Acordei tarde e fui ao salão de beleza, cuidar da casca... Estava recém saí­da daquele poço profundo e escuro.
Retocar cabelo, unhas, sobrancelhas. Tudo o que me permitisse ficar ali, recebendo dengos.
Curtir os momentos relaxados de escutar as conversas fiadas entre desconhecidas. Todas parecendo tão felizes! Cafezinhos, bolachinhas...ti-ti-ti!
Ah, como era bom fingir de dondoca... Igual àquelas de cabelos aloirados pelas tintas mágicas da L´Oreal.

Começo de dia bom. Dia de Mulher-Chic... e eu gostando!
Almocei com a minha mãe. E depois de um café e um licor, mais dengos. A Princesa gostava...e eu também!
Aí­... voltei para casa, pensando em ouvir as suites de Bach para violoncelo, dormir um pouquinho na casa limpa, sozinha...
Ahamn! Um sooono!
Dei de cara com o rosto apavorado do porteiro , já na garagem:
- A Sra. deixou uma torneira aberta. Quando a água chegou, inundou tudo. Só descobrimos quando começou a escorrer pelas escadas.
- Heim?! Não é comigo. Não pode ser COMIGO! Continuei andando. E o porteiro me seguindo.
Era. Era comigo.
Pânico!
Entrei em casa e estava tudo, absolutamente tudo ensopado. Tapete, almofadas, quarto, cozinha! Eu andava e fazia poft...poft...poft... Os pés provocando ondinhas. Água por todo lado!
Tive vontade de fechar a porta e fugir. Deixar o tempo secar tudo. Mas o porteiro estava ali. Era testemunha de que EU VI.
Fechei os olhos. Não adiantou.
Tive vontade de voltar no tempo e nada aconteceu... "...apenas seguirei como encantada..."
Tive vontade de beber a garrafa inteirinha de whisky que estava na estante.
Tive vontade de jogar tudo pela janela. Era tão pouquinho mesmo...
Tive vontade de sentar e chorar...
Procurei uma ilha e sentei na única parte seca da casa , diante do computador, no quarto da minha filha. Ela estava morando nos EUA e eu tentava esquecer a falta que me fazia. Abri meus e-mails... Muitos eram cartões de " Feliz Natal " dos amigos.
Havia uma carta dela dizendo que me amava muito... Acendi um cigarro e pensei... " nunca mais volto para a sala..." Ficaria ali por toda a minha vida.
Meu reino por uma faxineira!
- Que reino?
- Cadê meu anjo?!
Mas nem o porteiro estava mais!

Três horas e meia tirando tudo do lugar, secando o chão, mandando um tapete de quatro toneladas para a garagem. De camiseta e calcinha, rabo de cavalo, dançava e bebia um whisky na sala úmida... Foi a melhor opção.
Adeus mulher dondoca! Adeus cabelos escovados! Adeus dia de delí­cias!
Adeus Bach!
rosto2.1.jpg
Botei um disco de Roberto Carlos, dos antigos... para lembrar que era Natal, que dali a pouco estaria com meus irmãos e minha mãe, comendo e bebendo! - Por quanto tempo ainda a terí­amos por perto?
Dancei... "Ah esse amor selvagem, passagem...pra loucura e pra dor..."
Era mais feliz agora.
Achei que era louca.
Depois pensei que não devia ser, senão teria ido embora e deixado tudo como estava. Ou pior, jogado tudo pela janela do 15· andar.
Por falar em janela... da minha eu podia ver as verdadeiras mulheres-dondocas saindo do shopping em seus carros importados, com motorista e tudo! Para elas só a cor dos cabelos era falso. O resto era tudo verdade!
Aí­ sentei de novo e resolvi escrever. Registrar o inusitado presente de Papai Noel, que piscava como um sinal de que a vida podia mudar nossos planos de uma hora para outra...

Tudo era possí­vel acontecer no dia de Natal? Inclusive uma inundação no 15° andar de um prédio, aparentemente inatingí­vel pelas águas, em pleno racionamento da seca no Nordeste do Brasil!?
Embora parte da responsabilidade seja sempre nossa, às vezes o mundo gira ao contrário!
Não lembrava de ter deixado a torneira aberta E, realmente, só estava mal fechada. O que dava no mesmo...

Escrevi que mais tarde faria um brinde silencioso a mim mesma. Por eu ter saí­do definitivamente do poço, por eu não ter desabado de novo na tristeza, por estar suportando com raça a grave doença da Princesa.
Como mostravam os filmes natalinos que eu via quando era criança, a felicidade era um momento mágico, e a mágica devia estar mesmo dentro da gente...

A sala já estava seca. A cozinha, o banheiro e os quartos ainda úmidos, mas menos ameaçadores. Já tinha Bach para violoncelo tocando alto no som...
Nem pulei pela janela...
Sentia uma estranha alegria no coração...
Talvez porque era Natal...

Mas se eu nem gosto de Natais!?
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Posted by norab at 5:48 PM | Comments (0)

novembro 16, 2004

Extra-Large...

Eu andava lutando com a balança como um bicho!
Manso.
Não é muito fácil ganhar essa luta na vida que venho levando. As comidas, as bebidas, o amor completo, a maturidade do corpo e do espí­rito, a paz instalada na alma, engordam!
O frio por nove meses do ano e as roupas belí­ssimas de inverno, outono e primavera madrilenhos escondem as dobrinhas como amigas condescendentes.

Mas aí­ chega o verão e cadê o biquí­ni que não cobre mais nada?
Cadê as bermudas de algodão que, inimigas mortais de uma cintura mais redonda e quadris mais largos, mostram com sarcasmo que seu corpo não mais as merecem? As blusinhas diáfanas e sem mangas saem do guarda roupa para o corpo por mais ou menos dois minutos e se acumulam sobre a cama, incômodas, ridí­culas e imprestáveis!
As únicas amigas de verdade são as camisetas e os jeans! Esses nunca me abandonarão! Mas como ir à praia assim?
Não se deprima! Digo a mim mesma rapidamente. Vá às compras! Todas as mulheres do mundo saem às compras no verão, ou não?
Sim. Todas.
Mas aí­ eu descobri que agora eu não sou mais M - de Mulher Maravilhosa - ou G de Grande e Gostosa, para as roupas que devem ser mais folgadas e soltas. Eu agora eu sou EX de Extra (enorme) Mulher.
Que humilhação! Foi meu primeiro pensamento.
Mas peraí­! Não se deprima. Compre só umas coisinhas e assim que começar o inverno as dobrinhas vão ver com quantos paus se faz uma canoa. Isto é, como se costura a boca! Disse-me mais rapidamente ainda. Animador. Às compras!!
Até que descobri o pior. O significado implí­cito no tal EX.
Leia-se EX MULHER!
Mulheres Extra Grandes não têm direito às roupas modernas e femininas. Elas tem que vestir umas batas sem forma alguma, com cores asquerosas, flores imensas ou bolinhas minúsculas!
E as bermudas? Um nojo!
Os modelitos são desenhados para "senhouras" de quinta idade, do iní­cio do século passado.

Pois é...
Aqui para nós, as mulheres maduras da nossa época são modernas, têm um gosto jovial, querem sentir-se femininas e sexy! Incluindo as gordinhas!
O que faz a indústria da moda pensar que as Extra não podem estar bonitas e bem vestidas?!
Vou contar sobre as compras...

As lojas de departamento, as redes conhecidas de roupas, com preços mais acessí­veis ao bolso da população classe média, vendiam coisas lindas e maravilhosas! Dava água na boca ver! Dava vontade de comprar e vestir na hora! Mas, quando eu escolhi algumas delas e procurei meu tamanho, capoft! Deu vontade de chorar, de morrer, de me internar num SPA, de fazer uma cirurgia de estômago!
A maior peça G vestia minha filha, que tem 20 anos e pesa 54 quilinhos bem distribuí­dos. Em T-O-D-A A L-O-J-A não havia absolutamente nada (que eu gostasse) que desse em mim. Nem na loja ao lado. Nem em todo o centro comercial!
Só jovens magras tem o direito de comprar coisas bonitas e de bom preço?
Não, assim eu estaria mentindo. Existem umas duas ou três lojas especialmente para as mais maduras. Coisas hor-ro-ro-sas!
Nem minha avó se vestia assim! A mãe do Lorde tinha costureira particular que ia em casa e fazia seus elegantes conjuntos, que ela estreava com orgulho nas missas de domingo e nos chás com as amigas. Não era gorda, mas era grande, alta e de fartos seios.

Aí­... tchan- rãaannn... uma das "vendedouras" bem intencionada (?), provavelmente filha de alguma inimiga que eu nem sabia que tinha, me indicou uma loja para Tamanhos Grandes. Leia-se GORDAS. Como assim?
Assim. As medidas vão de EX a EXXXXX...
Isso. Exxxxxxx-mulher! E rica!
São roupas realmente "maiores" ou absurdamente enooooormes. Algumas belí­ssimas, elegantí­ssimas e TODAS carí­ssimas!
E a moda praia? Aquelas calçolas não se pode chamar de biquinis. Juro!
Comecei a rir meio histérica, com lágrimas nos olhos e vontade de não comer NUNCA MAIS!

Depois de mais de três horas de tortura, voltei para casa com ódio de mim, do meu corpo e da minha idade!
-Peraí­! Quando eu tinha 20 anos e 54 quilos bem distribuí­dos, vestia 38. P - de pedaço de mal caminho!E minha filha aqui já veste, com o mesmo peso, M ou G dependendo da marca. Algumas blusas minhas, de alguns poucos anos atrás, ela já veste e com bom caimento.
Eu heim!

Acho que a indústria da moda está pregando uma boa peça nas mulheres. Diminuem o tamanho das roupas, tascam o mesmo número de manequim, e cobram muito mais caro! Isso mesmo! Elas gastam menos e cobram mais. Sem falar que "de quebra" nos vendem uma imagem de "fora do padrão".
Assim o mercado de diet, light, SPA, lipoaspiração, mesoterapia, cirurgia plástica, medicamentos e fórmulas mágicas para emagrecer enriquece às custas da nossa auto estima!
As tabelas de peso-altura-idade diminuí­ram seus escores. As indústrias medico-farmacêutica-estética dizem que quem estiver acima delas morre antes, é infeliz, é feio, é pouco desejável. É um doente!

Estive num check up dia destes. Nunca estive tão saudável. E, fazendo um balanço da vida, nunca estive tão feliz, tão amada e desejada e tão arredondadamente madura, calma e em harmonia com universo.
É verdade que adquiri uns quilinhos extras desde que vim morar na Espanha. Bem amada, bem alimentada e nenhum stress por ter que dormir tarde e acordar cedo, tomar um café correndo, enfrentar um trânsito insuportável, reuniões improdutivas, trabalhar e trabalhar, estudar, estudar e estudar, correr para almoçar contando as calorias, correr para pagar as contas, correr para ir ao supermercado...correr para chegar à tempo na Universidade e dar aulas de três horas e meia seguidas a um bando de alunos de pós-graduação, cansados de correr nas suas cotidianas maratonas...
Aqui tenho mais tempo para ler, escutar música, aprender a cozinhar, visitar museus e cidades lindas. Tenho tempo de pensar no que fui e no que quero ser daqui por diante.

Não sabia que podia ser tão bom viver sem stress. O tempo que a burocracia leva para validar meus papéis de gente neste paí­s me obriga a exercitar a paciência, a tolerância... e principalmente, a encontrar prazer nas pequenas aprendizagens desta nova vida. O trabalho já virá...

Se eu escolhesse o desespero, poderia estar arrancando os cabelos por estar levando essa vida "improdutiva" e "inútil." Mas eu escolhi ser feliz. E isso faz uma enorme diferença em meu estado de espí­rito.
Não que eu não fosse feliz antes. O trabalho e a correria eram a única forma de felicidade que eu conhecia. Então eu era...
Hum.. mais ou menos.

Na verdade, sofria de uma presença constante de uma falta... como se não soubesse de mim o mais importante. Tinha um lado meio triste que de vez em quando se instalava. Uma sensação de solidão incurável, uma melancolia. Antes isso me angustiava. Agora não. Quando o momento triste vem, deixo que se instale, diga a que veio e se vá. Manso. Assim. E solidão eu não sinto mais, apesar das saudades.

E estão querendo me estressar com uns mí­seros quilinhos a mais!
Nipes nada!

Acabei indo ao mercadillo, que eu nem sabia que existia. Leia-se uma feira. Só que não vende comida. São dezenas de barracas de roupas e sapatos, objetos de decoração, tem de um tudo. Ali encontrei roupas para o meu verão de gordinha. Comprei três bermudas e três blusas de algodão, uma saia e outras cositas mais. Tudo EX, é claro! Mas lindinhas, modernas, joviais. E por um terço do preço das lojas para as grandes e ricas mulheres!
Parece que pobres podem ser gordas ou arredondadas, mas felizes e bem vestidas. As ricas também!

Por sinal, vi um bocado de madame pela feira. De óculos escuros e lenço, disfarçadas de pobres. Os carros parados no estacionamento são chiquérrimos, o que entrega de bandeja que as dondocas ocludas de pobre não têm nada. São só mais espertas que as outras.

Pois vejam o que saiu na publicação semanal do El Mundo.
Ho ho ho...
Deus é bom pra mim!
Saude.jpg

*Reportagem capa do Magazine El Mundo

A gorda está melhor de saúde, mas quanto à auto estima...quem sabe?


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Posted by norab at 2:16 PM | Comments (0)

outubro 20, 2004

Mulher Maravilha...

Ela era uma moça moderna. Separada, filha pequena, apartamento no terceiro andar, sem elevador. Professora, estudante de mestrado.Pensava-se auto suficiente!
Alta, bem proporcionada e bonita de cara e de espí­rito, diziam uns amigos.
Dinâmica, inteligente, preparada, diziam outros.
Era tão bom ter amigos assim!
Era uma daquelas mulheres dispostas a matar dez leões por cada dia. Todos os dias, se fosse preciso. E era.
Barata, não.

leoes.jpg
Uma noite, um destes monstros pré históricos entrou voando pela janela do apartamento e poft! estalou, negro e ameaçador, bem na parede em frente a mesa da sala onde estava debruçada na correção das provas de seus alunos.
Pânico!
Não gritou porque não podia. E a criança dormindo?
Deslizou de mansinho para o chão e engatinhando procurou, sem pensar, a porta mais perto. Era a de saí­da.
Quando conseguiu pensar, estava no hall do prédio, de camisola, agachada em frente à porta de casa, olhando pela brecha mí­nima para a peste da barata.
O bicho não se movia, mas ela não se atrevia a entrar. A danada era das voadoras supersônicas, senão como teria conseguido voar até a janela de um terceiro andar!?
Tentou voltar de gatinhas e atravessar a sala em direção ao quarto da filha, pensando na criança indefesa. Frrrruuuuu... asas supersônicas sobre sua cabeça. Voltou de re em meio segundo. Desespero!
Não podia ficar ali fora! Que mãe desnaturada abandonaria sua filha na mesma casa com aquele animal asqueroso?
Ela! Só ela mesmo!
Acordou com o voz do vizinho do apartamento ao lado, às 6 da manhã, encolhida em cima do pequeno tapete.
-Você está bem?
-Heim!?
-Aconteceu alguma coisa?
-Não, nada... eh... sim... uma barata.
E olhou para dentro. A danada não estava mais ali.
Salvou-a a chegada da empregada. Das duas coisas. Do risinho irônico do vizinho e de ter que entrar em casa com aquele monstro lá dentro.
Passou direto para o quarto da filha e ficou lá, até a empregada matar e mostrar o cadáver da miserável.
Com o corpo todo doí­do, tomou sua ducha fria, um café amargo, organizou a princesa (coitadinha, que mãe!!!), desceu os três andares de escada com as pastas de provas sem corrigir... E preparou-se para todos os leões que teria que matar aquele dia.

Barata não!

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Posted by norab at 1:37 PM | Comments (2)

outubro 19, 2004

Faça Fácil...

Por mais confortável que fosse o colo de minha mãe nos anos que se seguiram à separação e a ajuda que me deu cuidando da neta nas minhas muitas viagens de trabalho, decidi que queria casa própria.
Queria deixar de ser mãe e filha na mesma casa. Queria cuidar de mim mesma e de minha filha. Queria meu próprio espaço.
Com direito a não ter que ver o Faustão. Com direito a sequer escutar a sua voz por trás da porta fechada do quarto. Com direito a não ligar a televisão por toda uma semana!!! Por um mês... por um ano, se eu quisesse.
Pois... assim.
Aluguei um poleirinho no décimo quinto andar de um prédio, em Boa Viagem. Pequenino e quente. Era poente.
O sol vinha de se punha dentro da sala todos os dias. Tudo bem... tudo bem. Era meu canto. Isso era o importante. E eu podia pagar. Isso também era importante.
Um tapete, uma rede, almofadas.Uma janela para o espaço, por onde entrava a lua tardia e solitária. Uma mesa emprestada. Dois quartos mí­nimos, que só cabiam mesmo as camas e o computador. Banheiro minúsculo e cozinha ridí­cula! Era um corredor com um balcão de dois palmos e uma pia. Uma cozinha que eu não sabia usar, mas tudo bem... tudo bem... tudo se aprende!
O apertamento era tão pequeno que eu brincava com os amigos contando a piada de que " aqui não tem lá dentro, é tudo aqui mesmo!" quando iam visitar-me. E fiz uma placa que dizia: "Cuidado! Janela próxima!"

Mas era aconchegante, "esbanjava calor humano" diziam.
Eu também achava. Meus quadros, minhas velas, meus livros e discos.
E a televisão SEMPRE desligada.
Delí­cia de vida!
Comecei meus dias de Tonhão.
Eu não sabia fazer nada. Nem montar cortinas (Tudo bem, eu gosto de sol, mas ele queria mudar-se para dentro da minha casa e ficar lá, para sempre), nem montar varais para roupas lavadas, nem estantezinhas de ferro dessas que mentem dizendo "Faça Fácil."
Fácil???
Passava horas enrolada com aquelas grades que não encaixavam de forma alguma nas fendas dos suportes. E quando eu pensava que havia conseguido, ao primeiro peso de livro, desmontava inteira! Miserável!
Mas não desisti. Já que tinha casa, de-ve-ria aprender a fazer as coisas sozinha. Não tinha dinheiro para ficar pagando para os mil pequenos serviços que um lar necessita. Tudo se aprende. Ou não?

Um dia, cheguei em casa cheia de boa vontade, uma sacola de suportes para shampoo e toalhas, prateleiras para o corredor-cozinha e uma furadeira Black & Decker. Emprestada. Lógico.
Vesti meu traje Tonhão Gay, camiseta e calcinha, e fui para o banheiro empunhando a furadeira como um Rambo. Medi a parede para furar longe da torneira do registro de água. Dois palmos à direita... e frummmmmm.... frummmmmmmmm....pozinho branco para todo lado. Bucha de plástico. Parafuso... Ótimo.
Segundo movimento. Frummmmm.... frumpfhr....e um jorro de água me atingiu direto no olho. Como assim?
Tapei o buraco com o dedo. COMO ASSIM?
Estiquei a mão e fechei a torneira do registro. Tirei o dedo. Fruvrrrrrrrrrrrrr... água. Muita água. E com força. Fui fechar outra torneira na área de serviço. Essa deveria ser a geral. Não era. Peguei um balde para aparar a água que já inundava o banheiro e a sala. Botei o dedo lá e fiquei tentando telefonar para meu irmão e gritar por socorro. Tun-tun-tun! Ocupado. Ocupado. Ocupado...
Quando finalmente consegui que atendesse, eu já estava quase chorando. Em pânico, relatei o sucedido. Ele soltou uma gargalhada enorme e disse:
" Foi mesmo... hahahahah. Chame um encanador".
"Fdp*##". Pensei. Mas não disse. A mãe dele era a minha! Agradeci pela ajuda e conselho... e desliguei, com ódio por essa criatura ser meu parente!

facafacil2.jpg
Chamei o porteiro e pedi para ele subir. Vesti um short e fiquei lá, com o dedo tapando o furo. Mas não estava dando para segurar o jorro. Quando o sujeito chegou, descobrimos que o cano que eu furei não era o meu, o privado. Eu havia furado o cano DO prédio. Tiveram que fechar o registro geral e cortar a água dos outros 89 apartamentos, bem na hora em que todos estavam chegando do trabalho.
Um encanador chegou com sua maletinha. Tapou o furo com não-sei-o-que e cimento. E cobrou: "100 real, dona".
Quanto??? Cem reais. Isso mesmo. E sem pendurar o suporte para shampoo.
Eram mais de dez da noite quando finalmente pude secar a casa, tirar a roupa ensopada e tomar um banho.
Foi meu último ato como "Tonhão Gay."
Decidi que na próxima, iria vestir uma roupinha bem feminina e chamar um amigo Rambo para tomar um vinhozinho... quem sabe ele pendurava aquelas prateleiras.

Posted by norab at 8:26 PM | Comments (0)

outubro 17, 2004

Neuras de Mulheres...

eckersberg woman before mirror2.jpg
Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista...
Mas um dia, resolvi incluir um "ISTA" novo na minha odisséia: um DERMATOLOGISTA. Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA.
Para ser sincera e nem um pouco modesta, entrei gloriosa nesta seita, com direito a uma festa memórável que durou até às 10 horas da manhã do dia seguinte. Festa com música ao vivo ao som de "Los Anos Dorados", na melhor boite da cidade com todos os amigos. Tenho fotografias. Estava tudo maravilhoso! Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo.
Ninguém podia cantar para mim a frase da Calcanhoto "nada ficou no lugar..."

Mas não sei o que deu no espelho lá de casa que resolveu, do dia para noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, de bruxas! E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido. Ou eu não havia notado? Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda, olheiras mais profundas...Como assim???
Assim...sem avisar nem nada. De repente o idiota resolveu mostrar e pronto.
Ah, não. Isso não vai ficar assim. ISTA novo na lista do convênio. O melhor. Queria o melhor especialista de todos os ISTAS !
Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro " bem intencionado" daqueles que a gente escolhe a roupa í­ntima com cuidado, que é para não fazer feio nem parecer que foi uma escolha proposital... Sabe como é, né?

Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso. Via e futucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade. Assim, me armei de humildade, disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto.

Depois de fazer uma ficha com meus dados, o "doutor" me olhou, finalmente nos olhos, e perguntou: "O que lhe trouxe aqui?" Fiquei vermelha como um tomate. E muda. Ele sorriu e esperou. Quase de olhos fechados desfiei minhas queixas. Hum...ele observou " in loco" cada uma delas, com uma luz de 200wtz e uma lupa... e começou o seu diagnóstico:
"As pintinhas são sinais de sol, por todo o sol que já tomou na vida. Com a idade ( tóin! ) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Você vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir mesmo. Usar nos braços e pernas e rosto e pescoço."
E praia? Perguntei.
"Evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais."
Ahmmm... (a turma só chega às 11:00 !?)
"Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre os saltos altos. Evite-os. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar os saltos altos."
Ahmmmaaaa...(Kendall?? E as minhas preciosas sandalinhas??)
"As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças compridas. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores...e folgadas."
Ahmnunght???? (e pude " ver" as de minha mãe, enormes, na cintura, de florzinhas cor de rosa.....vou chorar!)
"As olheiras são de famí­lia. Não há muito o que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem alcool... nem café..." E a histérica aquí­ começou a rir...

Agradeci, peguei suas receitinhas e saí­ rindo, rindo... me dobrando de tanto rir!
No carro comecei a falar sozinha e dizer tudo o que deveria ter dito e não disse:
" Trabalho muito, doutor! ... muitas noites vou dormir às 2 horas da manhã, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e os violões para as serenatas de lua cheia....e que noites!!!! Adoro os saltos, principalmente nas sandalias fininhas. Impossí­vel a meia elástica (argh!!) Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas... E não abandono meu jeans nem sob ameça de morte!!! É meu melhor amigo!!!! Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Jonhson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite? E nada de praia? O senhor está louco é??? Endoideceu foi??? Moro em Recife, com esse mar e tudo... e tenho só 40 anos... meia vida inteira pela frente! Doutor Fulustreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!! Até um dia desses tinha 39... e agora em vez de 40 estou fazendo 70? ... Inclua aí­ na sua lista de remédios para as mulheres de 40 a 60, MEIA LUZ... Acho que é só isso que eu preciso! Um bom abajur com uma luz de 15wts...
E um namorado que use óculos...
É isso... só isso !!! Entendeu????"

Parei no sinal e olhei de lado... e um garoto de uns 25 anos piscou o olho para mim.
Ah!... e ele nem usava óculos!

Nunca fiz o que me recomendou o fulustreco ista.
Minhas olheiras são parte de meu charme. E valem o que faço pelas noites a dentro... Ah!!! se valem!
As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do "bruxo mal".
Os sinaizinhos estão aqui, sem grandes alardes... e até que já acho bonitinho.
O espelho é muito menor...o outro eu dei a minha filha. Rá!
E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. Hum!

É claro que ele usa óculos.
Mas quando quero ficar fatal mesmo... tiro os seus óculos...e acendo o abajur.

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Posted by norab at 12:14 PM | Comments (0)