Uma luz na escuridão...

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente
e me ouves de longe, e minha voz não te toca.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo te cerrara a boca.
Como todas as coisas estão cheias de minha alma
emerges das coisas, cheia da alma minha.
Mariposa de sonho, te pareces a minha alma
e te pareces à palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como queixando-te, mariposa em arrulho.
E me ouves de longe, e minha voz não te alcança:
deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E estou alegre, alegre que não seja certo.
Poema XV
Pablo Neruda
Comments
Nora. Estava há muito tempo debruçada no seu post anterior que fala de Meg. Entrei em todos os links. Conheci a dor de Paulo. Li os comentários...Enfim. Além dos olhos meio inchados de chorar, parece que "entrei" no poema de Neruda, pronta a receber a emoção que escorre pelas linhas dele.
Estou profundamente triste com a partida da sua amiga, que eu, infelizmente, não cheguei a conhecer.
E envio a ela, onde quer que esteja, uma prece de louvor.
E a você, meu abraço bem apertado!!!
Dora
Posted by: Dora | janeiro 25, 2007 5:11 PM
Que luxo! Nora Borges e Pablo Neruda é demais para mim. Beijocas
Posted by: Yvonne | janeiro 25, 2007 3:15 PM