Uma luz na escuridão...

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Gosto de ti quando calas porque estás como ausente
e me ouves de longe, e minha voz não te toca.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo te cerrara a boca.

Como todas as coisas estão cheias de minha alma
emerges das coisas, cheia da alma minha.
Mariposa de sonho, te pareces a minha alma
e te pareces à palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como queixando-te, mariposa em arrulho.
E me ouves de longe, e minha voz não te alcança:
deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E estou alegre, alegre que não seja certo.

Poema XV
Pablo Neruda

2 comentários

Que luxo! Nora Borges e Pablo Neruda é demais para mim. Beijocas

Nora. Estava há muito tempo debruçada no seu post anterior que fala de Meg. Entrei em todos os links. Conheci a dor de Paulo. Li os comentários...Enfim. Além dos olhos meio inchados de chorar, parece que "entrei" no poema de Neruda, pronta a receber a emoção que escorre pelas linhas dele.
Estou profundamente triste com a partida da sua amiga, que eu, infelizmente, não cheguei a conhecer.
E envio a ela, onde quer que esteja, uma prece de louvor.
E a você, meu abraço bem apertado!!!
Dora

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