April 2009 Archives

coco avant chanel estreiou ontem, e no metrô de paris - e tudo se passa no metrô... a publicidade do filme foi recusada. no cartaz a atriz audrey tautou, quem interpreta gabrielle-coco, figura com um olhar muito chanel e uma cigarette muito contingente. a RATP, vocês sabem... la loi c'est la loi etc..

 

coco_avant_chanel.jpg

 

bom. também não é a primeira vez.

o selo em homanegem à malraux é uma foto retocada, o cigarro sumiu. a biblioteca nacional, retirou o mégot de gainsbourg, antes do homem ir pra capa do catálogo fumando...

mais do mesmo, no affaire cigarette... lá no ops! 

esse é o cartaz que a gente encontra pelos metrôs, divulgando exposição dedicada ao cineasta na cinemathèque de paris. 

 

tati-moulin-a-vent-468x263

 

a RATP - companhia de trasporte público da região metropolitana de paris, responsável pelos affiches, justifica: lei évin, que baniu de cena toda a publicidade de cigarros em 1991, neste rico país.

e como é da alma francesa. voilà toda uma polêmica!

costa-gavras, o diretor da cinemathèque, achou um absurdo. a ministra da saúde, roselyne bachelot, não é a favor de que "retirem o cachimbo de tati". claude évin, o autor da lei, se diz dépassé par les événements... e contra o consumo de cataventos e assemelhados, sobretudo pelo emblemático diretor de mon oncle (aliás a foto é desse filme). a RATP, acha todo mundo muito relativista e diz que "la loi c'est la loi!" (lei é lei!), ora. 

 

tati-sans-sa-pipe-468x262

 

a ironia: tati não acende seu catavento, digo, cachimbo, em NENHUM dos seus filmes...!

 

em tempo, meu séjour aqui faz anos hoje. parabéns pra mim. ;) 

PhD

| | Comments (0)

eu tô pela metade de um capítulo. o último da tese, que eu comecei a escrever por primeiro. duvido que interesse os detalhes sórdidos, grosso modo, tem um linha, uma idéia, que costura tudo, mas cada capítulo é quase independente do outro. quer dizer, é uma revisão bibliográfica, uma metodologia, conceitos analíticos diferentes. e eu comecei pelo último porque era o assunto mais estranho aos meus conhecimentos adquiridos. seria o capítulo mais difícil.

é um pequeno sofrimento intelectual, mental, tomar pé de algo desconhecido sozinha. nas primeiras leituras tu não tem nem parâmetro pra saber se um artigo presta ou não - afora alguma lógica interna. se as refêrencias são boas. e se o que ele propõe é pertinente pra área. menos ainda, dá pra saber se é novidade.

aqui na frança, ao contrário do brasil, tu não tem aula durante o doutorado. e o meu orientador eu vejo a cada mês e meio, que é muito tempo pra esperar e pedir alguma explicação - se ele tiver uma pra dar, antes de tocar adiante o trabalho. o processo é solitário.

muita leitura depois, dá pra identificar o que é bom, razoável, o que tem a ver com o que tu tá fazendo e o que pode ser usado na tua discussão. muito fosfato queimado depois, tu encontra os pontos de diálogo e uma forma de utilizar as refêrencias agenciando-as numa discussão nova, a tua.

meu método de trabalho é começar a escrever de manhã, até meio ou fim de tarde. mas a cada hora e meia, eu preciso olhar pela janela e ruminar um pouco, lavar uma louça que tá pela pia, guardar um sapato, um casaco, tomar um suco de laranja - acabou minha erva-mate, não deixa de ser uma pequena tragédia...

no fim de tarde eu leio coisas novas, ou releio - porque, quando não se conhece quase nada do assunto, não se tem as 'chaves de interpretação', é preciso reler pra encontrar o que tu precisa, nem que seja pra contradizer o autor.

à noite, olhar o jornal das 20h, ver um filme, ler o monde, um livro de literatura, e deixar o cérebro no automático. porque, nesse momento é que ele faz relações novas. em geral, a matéria pra escrita do dia seguinte, porque o cérebro faz o link, mas o processo cognitivo prescinde de palavras - já dizia wittgenstein, e é preciso o discurso pra ligar lancaster, terroir, simon, montanha, ... numa discussão que se sustente ao longo de todo um capítulo.

se eu fosse o nash, eu derivava uma fórmula de trinta páginas - a tese dele... eu não sou o nash e não compreendo números...

o trabalho é lento. a casa é uma balbúrdia de livros e teses de outros, abertos ou fechados, recheados de papeizinhos ou lápis dentro, marcando coisas importantes - às vezes bem inúteis quando relidas, e pilhas de papers pelo sofá e inutizando a mesa da sala.

mas é bom sentir que tu te 'mexe' já razoavelmente numa discussão que te era quase estranha quarenta dias atrás.

(e que agora é só tocar adiante)  x  ( + 3 capítulos...).

arton901

no grand palais 

v_8_ill_1169116_0378_hdautoportrait_2

 até 13 de julho do ano corrente. ( ! )

musique

| | Comments (0)

chico, o buarque, lendo seu "leite derramado".

 

... for us é derek and the dominos' party.

passa rápido 4 anos.
no começo, era o game. longas noites no meu apartamento do menino deus, conversas que faziam transbordar o cinzeiro vermelho, muito à luz das velas - queimando em garrafas de vinho português... desejo marcado, carinho traficado, 'layla' tocando...
e quando a gente vê... 4.403 / 881. 

je t'aime fort, meu cavaleiro.