April 2008 Archives

1984

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zebra

 não com esse título, mas com o leitmotiv,

floor

desiree palmen fotografa.

tramshelter

as imagens não são retocadas.

boekenkast

é tudo real.

bienal

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contei.

com esse; são quinze endereços em trinta anos de existência.

 

ps. mais oui, tô de mudança essa semana.

do caralho! (...) do caralho!

estudei dois anos de jornalismo e acabei me formando veterinária. me decepcionei muito cedo com o métier. mas percebi d'onde só depois. além do gosto pela escrita e leitura, o que não é crachá suficiente, eu queria o que eu imaginava que fosse. não o que é. claro, dá pra fazer coisas legais, mas eu perdi o tesão e piquei a mula.

o que eu imaginava que fosse era o tempo em que redações e jornais eram lugar de jornalistas, e não é uma questão de diploma. foram os livros que eu li... antes de entrar pra faculdade. que eu me lembro de pronto: opinião x censura (j.a. pinheiro machado, 1978); minha razão de viver (samuel wainer, 1988), chatô (fernando morais, 1994) - sim, verifiquei as datas de publicação e não encontrei links decentes.

bom, ainda adoro ler jornal. por ruim que seja, acho interessante. quando é bom, fico leitora.

ler o le monde é um prazer. apesar dos 15% de propriedade do grupo lagardère (investimentos em mídias, aeronaves, satélites e outros sortimentos) é um jornal bem pautado e muito bem escrito. e posicionado politicamente. à esquerda.

pois. hoje o monde, fundado em 1944, pela primeira vez na sua história não circula. motivo: greve. protesto pela supressão de postos de trabalho. 25% da redação deverá ser demitida.

como no mundo inteiro, o jornal de papel está em crise na frança. sintomático num jornal com o seu perfil: a editoria de esportes aumenta seu espaço em 100%. (!?!) de 2 para 4 páginas. o marido, no primeiro dia da enxurra esportiva no periódico, me conta sobre o dines rememorando a celeuma de quando o monde anunciou que passaria a publicar fotos...

nos estados unidos, segundo pesquisa do professor scott reinardy (ball state university): 31% dos jovens jornalistas (34 anos ou menos) desejam largar a profissão.

kiyoshi martinez, dentre os 'em crise', criou o muro das lamentações. de 10 de fevereiro até esse momento 3.970 comentários anônimos no angryjournalist. o 3.970: "I am angry at myself for not quitting sooner". muitos reclamam da baixa qualidade e rigor decrescente, pressões, autocensura (a questão dos anunciantes, always), sensacionalismo.

daí que o happyjournalist existe também. 100 comentários. literalmente e sem trocadilho.

guy debord já havia mais ou menos previsto. mas, esse, eu fui ler bem depois.

 

ps. o jornal mais vendido na frança é o l'équipe. atualidades esportivas.

pps. sim, frustrei um sonho (natimorto) da minha mãe: me ver na tv, como apresentadora de telejornal. sem chance. 

rigor

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como eu ia dizendo...

 

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e além da neve, pacotaço do governo à la consensus de washington. mas neoliberalismo ainda é palavrão na terra do asterix. e dá stress no casal presidencial.

l'actu en patates, por martin vidberg. 

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 foto: AP Photo/Francois Mori

a bandeira olímpica, versão "repórteres sem fronteiras" estampava ontem a torre eiffel, notre dame, champs elysées, as pontes sobre o sena.

a beleza ainda está nas ruas! o slogan de 68 vale, e os franceses sabem fazer isso como ninguém. 

 

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foto: AFP Photo/Bertrand Langlois 

but, em paris habitam muitos chineses. o encontro entre 'pro-tibet' e 'china' foi bem áspero. dezenas de prisões. o aparato policial é denunciado de tentar recolher bandeiras tibetanas entre manifestantes, e reprimir os 'pro-tibet'. em lugar de 'garantir a segurança' para que as manifestações pudessem ocorrer de ambos os lados.

isso é escândalo político grave, aqui. e a pressão pelo boicote à cerimônia de abertura é postura cobrada.

ops!

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de vez em quando, estou coloborando n'o pensador selvagem!

na seção esse país, a frança c'est moi. ;)

nos anos 1920 e algo, lev kulechov, um dos teóricos da linguagem do cinema, dizia que cinema é montagem. que não são as imagens, mas, a edição que provoca a aparição de uma idéia.

a experiência da sopa, do cadáver e da mulher é a mais famosa. mas tem a geografia criativa. por exemplo, ele juntaria o plano de um homem caminhando ostensivamente em manhattan - ostensivamente = com a estátua da liberdade ao fundo; de uma mulher caminhando ostensivamente em paris, ao encontro desse homem; e de ambos encontrando-se, ostensivamente, em roma. seguindo o itinerário padrão, eles se encontrariam, com boa vontade, nas profundezas do atlântico, jamais em roma - malgrado a megalomania do império, nem todos os caminhos levam ao coliseu. a geografia, entretanto e nesse caso, é criativa.

lembrei, porque uma amiga, francesa, me recomendou não assistir paris. entre outros, porque "não dá, se tu quer chegar no hospital saint antoine, tu não desce do táxi na bastilha". é verdade. pegando o faubourg saint antoine (chez nous em paris) dá uns mínimos 15 minutos até o hospital, a uma boa vitesse. mais oui. mas a bastilha é mais fotogênica que a rua do faubourg.

aí, me lembrei daquela minissérie sobre as mulheres do bento gonçalves. as marchas de caçapava à uruguaiana, ou de viamão até piratini, passavam sempre pelos aparados da serra. pros xirus-rs, não dá. só se o cara estiver com o norte da bússola invertido, não? mais oui. mas os aparados da serra são mais fotogênicos que lavouras de arroz.     

eu sou a favor - o problema é que demole com a suspensão da realidade dos autóctones.

p.s. pras questões de saudade, realmente, a cartografia de kulechov é a ideal.