souvenir de viagem- ou barcelona, eu e o cavaleiro
nos nossos delírios, apareço chamando pelo nome dele com um mega-fone em inúmeros e variados, grandes e públicos espaços, onde multidões me escutam. freud poderia explicar, de lá e de cá; mas não é o caso.
barcelona foi a última parada espanhola das férias. porque ficamos ilhados em bilbao. d'onde reservamos hotel, pedindo instruções e ponto de referência: 15 minutos à pé da estação barcelona nord etc. impecable. salvo que a rua do hotel, situada na barceloneta - o que viemos a desvendar muito tempo depois, não constava nominalmente no nosso mapa, nem no do google maps - mesmo clicando em agrandir...
nossos 15 minutos viraram 40. os catalães, em que pese o que eu deles sabia, foram muito gentis e prestativos, embora nenhum conhecesse a calle rera palau.
muito tempo depois... chegamos na plaza del palau. duda me disse: eu vou por aqui, tu vai por ali! às vezes eu concordo com ele mesmo sem conhecer precisamente seus planos - costuma me fazer feliz. assim, eu disse que sim. e saí à direita. a praça, essa, é pequena, tem um monumento no centro e gramados no entorno, de modo que se pode ter uma visão além do alcance de n'importe où.
em menos de cinco minutos, a constatação: das três esquinas do lado direito, nenhuma era a rera palau. mas na avenida em frente, localizei o banco popular da esquina. feito! viro pra esquerda e...
cadê o homem??
Agrandir le plan é preciso dizer que a noite já era grande, se eu abrisse minha carteira, poderia ser sugada pelo vácuo, e eu não conhecia nada, nem ninguém em barcelona, ainda. em suma, uma pequena catástrofe.
acendi um cigarro, refletindo que o melhor seria esperar que ele voltasse e aparecesse bem ali onde nos separamos. não, não temos telefone celular. ele, por convicção. eu, por falta do que fazer com isso na frança.
je me suis dit: o tempo do cigarro, depois eu entro em pânico. enquanto isso, decifrava mensagens obscuras, instruções obliteradas, indicações que pudesse ter perdido nas suas últimas palavras, qualquer indício extraviado: eu vou por aqui, tu vai por ali! ...?
e foi assim que, antes mesmo do meu cigarro acabar, nossos delírios viraram reais sem mega-fone, e eu abri o peito, enchendo as ruelas da ribera: E D U A R D O !
ato contínuo, o porteiro de um outro hotel à cinco metros de mim me ofereceria água com açúcar, e me colocaria a par de meios de comunicação mais eficientes e menos perturbadores. ele não o fez. e o marido não apareceu.
repeti a operação. e o medo já era físico, quando o vi n'outra esquina, acenando, a mochila nas costas, a touca e o pacote de amsterdamer na mão, e seu lindo sorriso aberto. nos beijamos no meio do passeig d'isabel ii. e depois pudemos até comprar erva-mate no mercado de la boqueria.

Oi guria...
ótimo post... tu conta as tuas estórias de um jeito muito bacana. Tudo de bom por aí... grande bjo!