February 2008 Archives
é que dei minha primeira aula na frança. em francês. e me preparei e não falei um monte de coisas que havia programado e falei um monte de outras mais legais e fiquei nervosa e relaxei e foi do caralho!
é que marido tá em casa. e ficamos jogando sinuca, lendo o le monde e batendo foto na grama, escutando os beatles e comendo frutos do mar e tão en passant na frente do computador e é do caralho!
é que tenho pesquisa de campo do projeto de doutorado pra fazer na rua e cheia de perguntinhas e lugares que ainda não vi e fruta e água e queijo de montanha e é legal, sim, do caralho é exagero...
é que amanhã partimos rumo ao país basco espanhol. e é do caralho, porque vou sumir mais ainda. de férias.
hoje.
porque comemorar dia dos namorados no verão não tem fundamento. (!)
o primeiro, do antonio (ambrosini pasquotto), nome de hômi e a distância mais lamentável aqui - e ele cresce tão rapidinho...
o deixei sem cabelos e mui meditativo, embora senhor da situação, frente à sanha dos fotógrafos.
hoje ele é um rapaz loiro, que faz sua primeira aparição na blogosfera mais faceiro que guri de bombacha nova...!
a propósito de uma questão formulada em um canto agradável do ocidente sobre o que é, afinal de contas, uma data, motivada pela minha curiosidade sobre as comemorações de um certo aniversário, especulemos... já que there's no answer, ou porque buscamos sentido, muito mais que respostas, tal como wittgenstein.
as datas, antes de qualquer outra coisa, são convenções. além dessa obviedade, cada classe de datas [no sentido taxonômico e não marxista, bem entendido] serve a um propósito distinto, de acordo com o regime político, econômico, religioso, cultural, ideológico, etc, etc, em hora vigente. passemos 'a lo largo' de feriados cívicos e datas santas, onde, ainda assim, não se deixa de comemorar certos aniversários de uns poucos mais ilustres que a vasta inominada massa de mortais. o aniversário parece cumprir função semelhante àquilo que chamamos de ano novo, ou seja, serve ao tempo. tempo que ainda carece de definição metafísica de consenso, é designado, sendo de inegáveis utilidade lingüística e semântica, ainda que de pouco efeito prático cotidiano, nos seguintes, entre outros, termos do nosso idioma: "duração limitada, por oposição à idéia de eternidade; sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro; meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenômenos na sua sucessão".
no entanto, mais que à passagem, é à materialização da passagem a que se prestam as comemorações de nascimento, cabendo alguma contabilidade, que passa por perdas (de tempo, pessoas, lugares, tônus, palavras) e ganhos (de histórias, pessoas, lugares, rugas, palavras), os quais, todos somados e sem rejeitos, nos lembram que tempo... passa, mas, e a graça da coisa toda, cada um faz o seu.
mas os aniversários ainda nos servem para dedicarmos palavras e gestos afetuosas a quem gostamos. assim, perdoando a volta [e pilhérias à parte], afinal uma 'deixa' não pode passar por diante sem ser devidamente executada, tal como no futebol, bola que sobra, azar é do goleiro... o meu propósito não é mais que dizer-te feliz aniversário, meu cavaleiro! meus sinceros sentimentos de admiração e carinho e amor, junto com meu desejo de uma vida tão longa quanto boa, a cada dia e noite, de cada um de todos os teus anos.
ps. post-cartão publicado há dois anos, agora sem cortes, e sem comentários acerca de um domingo tórrido na capital da província boi. pois ontem foi aniversário dele, de novo, como de costume anualmente: duda, o ernesto, que atravessa o oceano pra me fazer feliz - até na quarta-feira de cinzas glacial desse continente, onde o carnaval simplesmente não existe. e pra mim não faz a menor diferença.
