truffaut e godard em horário nobre
tem umas coisas que só acontecem por aqui. ontem, depois do jornal zapeei um pouco pela tv. e não é que às 21h tenho o prazer de uma exibição de jules et jim? no canal canal 7, arte, emissora pública: película no formato original - tarjas pretas pra mostrar o que o diretor quis mostrar e zero intervalos comerciais.
em português, o filme ganhou um subtítulo meio assim terrivel, "uma mulher para dois". tosco, pois não se trata disso. absolutamente. é bem mais sutil que dona flor entre um bom esposo e um performático amante - e jorge amado nunca foi minha praia.
“jules e jim é um sonho: todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos”, eis o leitmotiv pelo diretor, que constrói uma rede delicada, passando longe e perto de clichês amorosos.
a narração em off me lembra um clima nouveau roman francês. fatos são fatos. mesmo se o narrador for a primeira pessoa, ele guarda distanciamento emocional a serviço da sutileza. e eu chorei, pois isso costuma me emocionar.
disse truffaut, que a canção le tourbillon de la vie “marca o tom para o filme e é a sua chave”. jeanne moureau a interpreta numa cena do filme:
dia desses, prá-cima-e-prá-baixo, chego fatiguée no hotel em lyon. o que vejo na arte?

a bout de souffle
, do jean-luc godard, com argumento do mesmo françois truffaut, que foi filmado à toute vitesse, depois do roteiro ter sido escrito na mesma velocidade por godard.e isso que ele filmava quando tinha inspiração, parfois 2 horas de trabalho apenas durante o dia, e costumava entregar as 'falas' das cenas para jean-paul belmondo, que talvez por isso passe o filme inteiro fumando (!), e jean seberg no dia mesmo da filmagem - pra diversão dele e desespero da jovem atriz americana, largada no meio da champs-elysées, sem cordão de isolamento, luz, nenhuma maquiagem (pode ser parte do folclore francês, mas diz que.... no fim, ela curtiu).
... tenho pensado muito em passar a tesoura nos cachos, uma radicalização à la jean seberg.

Prezados editores,
gostaria saber, se possível, qual o nome do canal, se aberto ou por assinatura, dia, e como alguém do interior do estado poderia assistir, caso for um canal aberto?
Obrigadaço.
Em tempos de Big Brother edição 438, inveja pode matar.
Bjs!
Ei, guria. Vi teu comment lá no Bia e pô, tou contigo: não entendi mesmo a celeuma acerca da morte do Heath Ledger. Vá entender.
E me conte como estão as coisas por aí depois dessa lei do tabaco. Abraço.
copio aqui, porque alguém mais pode querer saber:
"caro carlos,
a programação a que me refiro é do canal 7 francês "arte", é uma emissora publica transmitida em sinal aberto.
eu não sei te dizer, porém, se é possivel captar seu sinal no brasil.
te envio o site: http://www.arte.tv/fr/70.html
de repente, tu encontra alguma informação ali."
"ed, meu caro,
com a lei, bem, ela funciona. o que obriga os tabagistas a tomar seu drink, ou café, nas mesas da rua, com todo o frio do inverno e tudo mais. ou, ficar no quentinho e sem pito.
de minha parte, acho um saco. mas aconteceu no mesmo periodo em que resolvi diminuir a quantidade. então, acho um saco, mas, na pratica, me ajuda a manter a dose diaria nos baixos niveis estipulados por mim mesma.
no verão, porém, aposto em estabelecimentos vazios e terraços lotados. e todo bar aqui tem mesa na rua. compreensivel, o verão deve ser aproveitado até o ultimissimo suspiro. os invernos são muito longos."
e anoitece muito cedo.
ps. sim, faltam varios e diversos acentos...