repercutindo o códice, o corpo subterrâneo, ou especialista em douglas machado

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me aventurei em impressões e representações sobre luiz antonio de assis brasil - o códice e o cinzel:

'douglas captou um elemento importante na obra do assis: o lugar. refiro-me ao sentimento de pertencimento. ao olhar, que, se não é determinado, é pontuado pela localização e pontua a des-localização geográfica. o lugar que tem uma memória, não necessariamente nossa, no sentido de vivenciada, mas que, de alguma maneira, nos (in)forma. (lembro da estética do frio, do vitor ramil, onde ele descreve o pampa com a mesma sensação, malgrado ele nunca ter habitado nesse espaço.)

talvez, porque douglas tenha o sertão em si, tenha captado o pampa do assis.

(...) e a câmera fica no nivel do olhar. não é um filme de plongé, ou contra-plongé - frequente nesses casos.
muito se fala, mas é um filme muito feito de silêncios, contido. revela mais do que mostra, ou conta.
e, a todo momento pensava, se... a mão do cineasta, ou o gênio do escritor. a conclusão é meio óbvia, me pareceu o encontro de duas sensibilidades e - por que, não?, estéticas semelhantes. entretanto isso não é suficiente para explicar o resultado. conclui pela curiosidade, encantamento, generosidade e sensibilidade mútuas.'
  

o cineasta recebeu as impressões entusiasticamente, fiquei contentíssima e agora acho que devo explicações mais elaborados sobre o que eu vi depois. é preciso dizer que ele é um cara encantador e merece laudas e laudas. mas, a pessoa aqui está saindo de férias, tentando deixar uma relativa ordem na universidade, em casa, fazendo mala, e escrevendo o provável penúltimo post do ano. para o amigo.

o negócio é o seguinte, por agora não escreverei sobre marcos vinicios vilaça - o artesão da palavra, nem sobre cipriano. mas preciso dizer que um corpo subterrâneo é do caralho.

brevemente para atirar sua atenção: um roadmovie no sertão do piauí, cujo mote é contar a história das pessoas a partir do seu registro civil de nascimento. mas a bela sacada do cineasta é fazer isso ao inverso. explico: o ponto de partida de cada cidade visitada é o cemitério e a lápide do último falecido. quem conta sua história é a própria família, que, depois, pega 'na câmera' e faz um registro para seu ente querido.

é um filme cheio de gente. de cenas comoventes, divertidas. a d o r e i !

douglas, agora manda h.dobal, um homem particular e o sertãomundo de suassuna, escrevo um livro pra ti!

ps. estarei em paris nos próximos dias. meu cavaleiro chega, e temos saudades oceânicas. fácil de supor, estarei outline no futuro breve.

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