a sociedade do espetáculo
só pra não perder a deixa. nesse ano faz exatos quarenta anos que o livro de guy debord foi publicado.
estou lendo uma edição pocket de 1996, cujo prefácio é de sua re-edição de 1992 - editora galimard, ou seja, 35 anos après.
debord esclarece que nenhuma vírgula foi reparada na obra desde sua aparição (ao que eu saiba, ela foi editado pela buchet-chastel, 1967; champ libre, 1971; e pela gallimard, 1992, com inúmeras reedições). ele acrescenta: afinal "não sou alguém que se corrige*." e ainda avisa na contra-capa: "é preciso ler esse livro considerando que ele foi sabidamente escrito com a intenção de atingir (prejudicar) a sociedade o espetáculo. e ele nunca disse nada de escandaloso*."
o que mais impressiona é a capacidade preditiva de algo escrito há quarenta anos, quando os mass media estavam debutando. ok, talvez a euforia do pós-guerra, a efervescência dos trinta gloriosos e as maravilhas prometidas pelo american way of life** permitissem desenhar cenários... mesmo assim.
* o arremedo de tradução é meu.
** sobre isso, recomendo o filme "meu tio" (mon oncle), do jacques tati, um confronto sátiro da visão de modernidade francesa, em franca oposição à americana, à la jetsons.

Bem lembrado. Grande obra. Acho que ela, nessa sua capacidade preditiva, se parece muito com a Dialética do Esclarecimento de Adorno/Horkheimer.
São livros diferentes, mas nesse aspecto acho que se parecem.
Em tempo, se vc conseguir aí na França ou quando voltar ao Br (se é que vais voltar!) não deixe de ler o livro "Videologias" da Maria Rita Kehl e do Eugenio Bucci.
Nele, Debord e Marcuse aparecem numa jntos. Vale a pena.
Resenha disponível em www.boitempo.com (coleção Estado de Sítio)
É estranha a sensação de ler um livro de 40 anos atrás e achar as idéias nele contidas extremamente atuais.
Li há pouco uma edição em português, de 1997, com um prólogo/pósfácio/ou algo parecido bastante esclarecedor, escrito pelo próprio autor alguns anos após a publicação original :)