a marselhesa

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Aux armes, citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons, marchons !


nada disso, minha vizinha.
85 anos, cabelo escovado, bem maquiada, começa mais-ou-menos-sempre-da-seguinte-forma-gesticulando-muito-e-toda-vez:
“ah, tu mora aqui? (...) eu sou de marselha. meu marido é marselhês! (...) eu morei lá 50 anos. adoro marselha! (...) mérde! - a luz do corredor apaga.
ah, eu também, só usava saia, nessa época. o mistrau* levantava à-to-da-ho-ra, eu xingava: ‘oh, putain-madame-bartin’! (risos) minha sogra não gostava. todo mundo fala assim em marselha! e um dia uma madame perguntou se eu tava falando com ela. (risos) putain de mérde! - a luz apaga de novo.
meu marido era militar, e eu - com cara de malandra - trabalhava fazendo ‘capotes’**!”
(gargalhadas)
e segue...
temos essa conversa toda semana, umas 15 vezes, no mínimo.
com sotaque marselhês, evidentemente.

* nome de um vento noroeste que ‘sopra’ por lá.
** capote = preservativo masculino em ‘linguagem familiar francesa’, camisinha, pra simplificar...

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