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Primeiro é preciso olhar bem para a capa do disco.

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Em um mundo normal uma imagem vale por mil palavras. Nos mundos (porque não são músicas, são mundos) construídos por Christian Fennesz apenas com "guitarras elétricas e acústicas, sintetizadores, aparelhos eletrônicos, lloopp e computadores", são os sons que valem por mil imagens como a da foto - sons de tom frio e monocromático, sons de um longo trajeto cujo destino é obscuro. De fato, "obscuridade" e "amplidão" é o que deve ser lido do nome do disco.

E não há facilidades. "Black Sea" é denso e difícil. As melodias são escassas: todo o resto do espaço sonoro não é nem preenchido, e sim consumido por sons graves e distorção árida. Mas no fundo, bem no fundo de suas paisagens tristes e monótonas, "Black Sea" carrega consigo uma beleza autêntica, autêntica por não ser plástica, por não ser ordinária, uma beleza que surge justamente da aceitação de que todas as outras aproximações da beleza que são vistas espalhadas pelas artes são, de certa forma, tentativas de negação do que realmente somos: torpes, imperfeitos e maus. "Black Sea" não tenta se distanciar desta realidade; ao contrário, é uma enorme imersão nela - e é nessa franqueza que sua beleza se encontra.

"Black Sea" é a melhor coisa que ouvi no ano de 2009. E "Black Sea" é a representação perfeita de como foi o meu ano de 2009 - vazio, ácido e difícil, mas salutar à sua maneira. Por muitas e muitas vezes eu coloquei os fones de ouvido e me sentei naquela praia cinzenta, sozinho, e olhei o mar por horas a fio enquanto a música ilustrava o lento submergir dos cadáveres das minhas utopias, que desciam lentamente, solenemente, até o fundo do oceano.

MySpace - Official Site

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Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, eis o retorno do Tortoise, banda das mais caras ao coração deste que vos escreve, retorno este que deu-se da seguinte forma:

1. High Class Slim Came Floatin' In - É o início do disco, mas você chega logo a uma conclusão: Toda banda muito boa tem, obrigatoriamente, um PUTA baterista - coisa mais do que confirmada a cada disco do Tortoise. Foi assim em "Djed", foi assim em "Seneca", e dessa vez não é diferente. "High Class Slim Came Floating' In" é longa (8'14'') mas contém umas cinco músicas diferentes dentro de si. Mais umas duas ou três audições e você terá a surpresa de notar que as cinco músicas fazem referências umas às outras. Sim, Tortoise tem muitas camadas.

2. Prepare Your Coffin - Bem, digamos que é uma daquelas "putaquepariu que filhos da puta como é que eles fazem isso" kind of song.

3. Northern Something - A terceira faixa traz duas certezas: uma é a que a distorção veio FORTE nesse disco, e a outra é que toda banda muito boa, sim, tem um PUTA baterista. Mas note que a parte do "puta" em "puta baterista" refere-se menos à técnica e mais a um certo senso rítmico, uma compreensão dos alicerces de uma boa batida.

4. Gigantes - O título em provável-português, as palmas e as cordas beliscadas dão uma impressão meio "capoeira" à coisa toda. Mas da segunda metade da música em diante o norte-americanismo do Tortoise volta a dominar.

5. Penumbra - É uma "música-pintura" de um minuto: mais estática que dinâmica, pinta uma paisagem de timbres muito mais do que desenvolve uma história.

6. Yinxianghechengqi - Barulhenta demais numa primeira audição e genial em todas as subsequentes. Pense na estética do punk rock usado como veículo para a técnica de progressão harmônica do jazz moderno. Pouquíssimas bandas teriam os colhões para tentar uma coisa dessas. Menos ainda a habilidade de se dar bem no final.

E deste ponto em diante o disco muda COMPLETAMENTE:

7. The Fall of Seven Diamonds Plus One - É a versão musical de um pai dizendo ao filho, num tom preocupado: "Sente aqui, meu filho. Preciso lhe dizer umas verdades". A analogia com uma conversa não é por acaso: as guitarras dedilhadas tocam melodias tão evidentes, tão expressivas, que são mais diálogo que música. Destaque para o ritmo "assombrado", marcado de quatro em quatro tempos ora por um baque seco, ora pelo tilintar de correntes metálicas.

8. Minors - O título dá a dica: progressões harmônicas em acordes menores, tocadas com timbres veranescos. Serve para resgatar o ouvinte do clima taciturno da faixa anterior e para dar o tom do resto do disco (basicamente: menos distorção).

9. Monument Six One Thousand - O disco começa a esfriar a partir daqui. As guitarras escalam escalas modernas sobre um chão de baixo meio ácido. A música parece não saber bem para onde está indo - coisa rara nos discos do Tortoise.

10. De Chelly - É um pequeno interlúdio de menos de dois minutos, bem solene. Lembra Bach e Laranja Mecânica.

11. Charteroak Foundation - Uma faixa bem cerebral, pra fechar o disco. Teclados dançando sobre um ever-repeating baixo tocado fora do ritmo, tanto do jeito certo (tercinas) quanto do jeito errado (realmente fora do tempo em alguns momentos). E, onze faixas depois, você tem a reconfortante certeza de que o Tortoise continua desgraçadamente bom.

Nas artes visuais, especialmente as modernas, aonde conceitos de forma, estética e plástica foram bastante, digamos, "dilatados", paira sempre aquele incômodo do que é que separa o trabalho de um artista real do que "qualquer criança de cinco anos faria igual". Mas uma coisa que eu percebi em minhas observações (absolutamente amadoras, vale lembrar) é que o trabalho dos bons artistas, apesar de parecer sem sentido ou pueril, sempre "cutuca" algum lugar diferente dentro da sua mente.

É como um quadro de Basquiat. Uma olhada rápida dá a impressão de que é desenho de jardim de infância. Mas continue olhando e um certo incômodo se apresenta, como se sua mente dissesse que "aquilo não é o que parece" ou que há algo muito mais profundo por trás da impressão inicial.

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Isso é o que eu acho mais fascinante na arte: a capacidade de se adulterar percepções inconscientes e de visitar recônditos da alma que jamais seriam tocados pela ciência, religião ou coisa que o valha.

E depois dessa explicação toda aí em cima podemos, finalmente, falar da banda que torna-se cada vez mais uma das minhas favoritas: o Fly Pan Am. Que faz EXATAMENTE ISTO que eu falei, mas usando música.

A formação da banda, formada por canadenses de Montreal, segue as convenções de guitarra/baixo/bateria costumeiras. Aí você vai ouvir as músicas e elas são longas, difíceis e até sufocantes... e depois de algum tempo de aclimação, absolutamente geniais. Acostumar-se com Fly Pan Am é mais ou menos como aprender a fumar - aparte as complicações para a saúde.

Não dá pra dizer que Fly Pan Am é experimental, porque ele sabem muito bem o que estão fazendo. Os riffs que se repetem longamente não são experimentos: são a forma de acessar aqueles recônditos intocados da alma, de transparecer musicalmente coisas que você jamais esperava encontrar em uma gravação, como o sarcasmo de "La Vie Se Doit D'Etre Vecue Ou Commençons a Vivre" ou a sabotagem (explicitada inclusive no nome) de "Partially Sabotaged Distraction Partiellement Sabotee" - aonde você será enganado e vai achar que há algo de errado com seu aparelho de som. São músicas que andam por caminhos que eu jamais imaginava existirem.

Uma pena o Fly Pan Am estar em um "hiato" indefinido e ter nos deixado apenas três discos e um EP. Mas o que falta em quantidade é fartamente compensado em profundidade.

Site oficial - Página do All Music Guide


clique play antes de ler. senão é arroz sem feijão. nem bife. quiçá fritas.
(e se você no feed não vê um player aí em cima, bom motivo pra visitar o blog ^^)





de uma trança feita em canção


Yib-iab-bapapa-baba-bou-ba-bara
Baraba-bapa-na-nu-da-dee-da-lade-la


Estou sentado. No sofá da minha sala. Olhando para o nada. As pernas abertas, os antebraços apoiados nas coxas. As costas no sofá; não inclinadas para a frente, como fosse mover-me; mas jogado. Inerte. O cérebro ocupado demais em seu vácuo repleto de eletricidade. Dentes cerrados. Nos ouvidos, zumbido, enquanto ouço Ella Fitzgerald cantar Blue Skies.


Blue skies
Smiling at me
Nothing but blue skies
Do I see


Se os fatos simplesmente são, e porque são já foram, não posso evitar obcecar-me pelo instante em que o fio se rompe. O momento exato do abandono. Primeiro o quando em que ela decidiu deixar-me. E depois o quando em que ela colocou o plano em prática. O instante em que perpendiculares retomam sua sina de paralelas. Cabos soltos, sem tensão, sem energia. Como o varal que arrebentei ontem ao pendurar as roupas. A corda de náilon trançada que foi ficando puída no aro atarraxado à parede e de final de semana em final de semana teve um milímetro desgastado e assim com o passar do tempo fibra por fibra vai soltando e cortando até que resta apenas uma linha fina azul onde eu pendurei o lençol de malha também azul também puída pela última vez e então tudo ao chão e eu como que compreendendo a ironia da metáfora deixei tudo jogado no piso imundo. Se é pra romper-se, que seja sujo e derrotado; a lama se lava. Não há maneira honrada de levar-se um soco no rim.


Dab-dun-de-rum-de-roo-de-raw
Bee-dabadadu-dararoo-da-bee-doo


Fios negros. Há fios negros por todos os lados. Smiling at me. Querendo fundir-se ao carpete. No piso da cozinha. Caminho pela casa contando quantos vejo. São dezenas. No banheiro. Na pia. No ralo do chuveiro. Na cama. Nos travesseiros. São centenas. Nas minhas roupas jogadas pelo chão. No meu pescoço. Na meu abdômen. No meu peito. São milhares. Nas panelas, nas colheres e no saleiro. Entre as páginas do jornal não-lido de hoje. Nas frestas das janelas. Subindo pelas paredes, crescendo do teto, amalgamando-se às teias de aranha. Na minha boca e nos meus dentes. Fios negros encaracolados por dentro do meu corpo. Entre os dedos dos meus pés. Brigando por lugar com minhas sobrancelhas.

Num post-it amarelo que serviu como único veículo da despedida: "...de recordação, os meus cabelos espalhados pela casa".


Never saw the sun
Shinin' so bright
Never saw things
Goin' so right


Os cabelos dela. Espalhados pela casa. Ella canta alegre a partida. Ela deve estar sorrindo. Blue skies smiling at her. Deve ter ido embora feliz. Deixando-me aqui com a roupa suja e seus cabelos negros. Ella cantarola em escárnio. De-doo-dee-doo-de-roo-de-doo-de-daw. O destaque de capa do jornal não-lido de hoje que repousa inerme sobre a mesa comemora algo sobre o Dia da Mulher. Quão adequado. Um por um - recolho os fios numa caixa. Tão frágeis e tão firmes. Pinicando minhas mãos. Aquieto-me trançando-os. Coloco Blue Skies para tocar outra vez.


Blue days
All of them gone


Blue days, all them to come.



~.~





texto de 2005 para um projeto (naufragado) de historiografia ficcional do jazz.
dentro deste conceito, não deixe de conhecer o mojo books







é o JAPÃO.


~.~


o amigo headbanger sabe:
conhecer uma garota que goste de metal E seja bonita é uma bênção.
conhecer uma garota que goste de metal extremo E seja bonita é tipo MEGASSENA.
e uma garota bonita fazendo metal extremo era uma espécie jamais identificada nesse miasma de torpor fétido a que chamamos Terra.


ATÉ AGORA.


sim, você suspirou por Anneke von Giersbergen. aguentou o metal simplezinho de Cristina Scabbia (até ela virar -core e fazer dueto vergonhoso com Mustaine). quis achar Angela Gossow gata, suspirou (comigo) por Julie Xmas - mas é outra praia metálica. você pode até falar em The Donnas ou - bah! - L7.


mas BABES no metal extremo - death, grindcore, GROWL, e com tanta competência - ainda não tinha pintado.


e é exatamente por isso que há JOIO e JÚBILO ao descobrir Galmet e FID. respectivamente



a primeira pro lado do death, rolando um groove meio post-thrash; a segunda no grindcore sanguíneo. ambas fazendo uma barulheira fenomenal E eficiente.

além de apuro ESTÉTICO.



e ainda por cima de CINCO cordas. marry me Sawa!!!111


perversões à parte, é excelente ver mulheres entrando na cena de metal extremo. já há muito presentes no gueto gótico-metálico, porém ARISCAS a iniciativas mais agressivas. o Japão, outra vez, é a única maneira de romper um paradigma (com uma britadeira). e proporcionar magricelas tendo momentos de cookie monster tão eficientes como um jovem Barney Greenway.


fizessem um hardcorezinho meia-boca e esse post não haveria. mas demolindo TUDO - como vocês puderam notar -, impop só tem a celebrar o trabalho pioneiro destas garotas.


LONGA VIDA. longa vida ao underground. e em especial às baixistas de metal.







obrigado a Truk por FID. imagens de Galmet: thanks metaladies.com

galmet @myspacegalmet @metaladiesmais vídeos de galmet @youtubeFID officialFID @msypace

O jazz pode, de fato, parecer um gênero musical bastante sisudo. Num primeiro pensamento o que me vem é aquela cara "John Coltrane-like", hermeticamente fechado em seu saxofone, tocando no cantinho de um bar escuro e mareado de fumaça, com todo mundo ouvindo em silêncio quase ecumênico.

Mas e se eu te disser que esse pessoal aí embaixo está tocando jazz?

"M-mas tem uma TUBA!!", você deve estar se perguntando. Repare que tem também um órgão daqueles de igreja protestante, e que o saxofonista (o tal John Ellis) está de calça jeans e usando um chapéu estilo Zeca Baleiro (deusquimilivre). E que a música toca chama-se "Three Legged Tango in Jackson Square".

Eis aí a genialidade de John Ellis e seus companheiros. Em "Dance Like There's No Tomorrow", disco de 2008, a primeira faixa soa como a bandinha do parquinho de diversões. A segunda soa como James Brown fazendo funk. A terceira parece a trilha sonora de um número do Cirque du Soleil, e por aí vai. E aí você não sabe se deixa o queixo cair por causa do mundo de timbres e influências completamente disparatados ou pela segurança e assertividade - e deliciosa musicalidade - com a qual os músicos criam por cima de tudo isso.

Pra mim a beleza do jazz é isso. Não se trata de um estilo, e sim de uma forma de extrair música, espontaneamente, de dentro da própria música.

"Dance Like There's No Tomorrow" para comprar na eMusic - MySpace



pelo line-up, é 1978 mesmo, ou no máximo começo de 1979.

Rainbow é uma banda mágica, usando um clichê multilateral - já que se trata de um encontro entre Ritchie Blackmore e Dio.

que Blackmore é um dos três gênios da guitarra dos últimos 40 anos, você já sabe.
e sobre Dio, se tem alguma dúvida, sugiro audição CUIDADOSA ao que faz o então jovem duende no vídeo acima. que até posso testemunhar, de próprio ouvido ao vivo já duas vezes e a última há três anos, que Ronald Padavona faz pensar em BOTOX VOCÁLICO.

sobre o disco, do link acima:

Long Live Rock n Roll was the last Dio era Rainbow album recorded. By this time, Blackmore and Dio had different visions musically. Blackmore wanted to sell out and start playing radio friendly love songs like the bands Foreigner and Boston were doing at the time. Ronnie wanted to keep playing his style of music, which was about dragons, wizards, kings, and all of that good stuff. Despite Blackmore's adamant objections to this musical direction of the band, Long Live Rock n Roll turned out to be an outstanding album. Song highlights include Gates of Babylon, Long Live Rock n Roll, Lady of the Lake, and the lightning-fast Kill the King. There is only one love song on the album, and it's called Rainbow Eyes. This song was probably Blackmore's idea. Rainbow Eyes is the only love song that Ronnie has sung since 1978. He sings about women sometimes, but not like a lovesick teenager.


com propriedade, não? sim, Lady of the Lake é fantástica, mas a melhor do álbum - solo de 1'10 e a melhor linha de baixo do hard rock - é The Shed.

vida curta: os três primeiros discos, foi o que durou a parceria.
talvez o suficiente, como tudo que Blackmore e Dio fazem.

mas quem está reclamando?

Rainbow '75-78: MAIOR registro da verdadeira e grandiosa alma do hard rock.
é o suficiente.


Eu tinha algo entre 15 e 20 anos, nunca vou me lembrar corretamente e, de fato, datas não importam muito. Mas graças à boa-vontade de Luiz, meu primo, eu ouvia o Daydream Nation do Sonic Youth, numa fita cassete. É, uma fita cassete, cara.

E o Sonic Youth ia entregando obra-prima atrás de obra-prima. "Teenage riot" abria o disco como o hino nacional abre um jogo de copa do mundo, depois vinha "Silver Rocket" se fazendo de punk-rock, depois emendava com "The Sprawl" e "Cross the breeze" e as guitarras seguiam resolutas, naquele timbre lindo que só o Sonic youth sabe fazer e que ninguém mais fará igual.

Até que chega "Providence", a oitava faixa. Tudo muda. O vigor das guitarras dá lugar a uma atmosfera escura e solene, pontuada pelo zumbido grave de um amplificador estourado e pelo lamento triste de um piano mal gravado.

E então, a letra. Falada e entregue por ninguém menos do que duas gravações de secretária eletrônica:

Watt here, I'm downstairs in this window.. yr uh, punk phone booth..

*beep*

Thurston, Watt.. Thurston.. I think it's 10:30.. we're callin' from Providence, Rhode Island. Did you find your shit? You gotta watch the mota, Thurston.. Yr fuckin memory just goes out the window. We couldn't find it in the van at all, we were wondering if you looked in that trash can.. when we threw out that trash, man.. with the bag in yr hand, did you dump it? Call later, bye.

Por alguma razão a faixa 8 caiu exatamente no finalzinho do lado A, então depois de "Providence" a fita parou e eu fui entregue a um silêncio levemente desconfortável. E no meio desse silêncio e em algum nível muito obscuro da minha cabeça, eu entendi a coisa toda, como que numa epifania.

Até hoje "Providence" continua sendo uma das melhores músicas que já ouvi.

Felizmente hoje temos Wikipedia pra enriquecer meu entendimento "formal" sobre a música:

Distante da maioria das sensibilidades roqueiras do álbum está a peça de musique concrete "Providence", mostrando algumas das tendências mais experimentais da banda. A música consiste de um solo de piano tocado por Thurston Moore e gravado com um walkman na casa de sua mãe, o som de um amplificador superaquecido e duas mensagens telefônicas mixadas, deixadas por Mike Watt, que ligou para Moore de um telefone público em Providence, Rhode Island. A música foi inusitadamente lançada como single e recebeu até um vídeoclipe de uma tomada só.

O clipe é esse aqui, meio tosquinho e com os palavrões censurados, mas vá lá. Fuçando mais os tubos da internet ainda descobri que a "letra" da música é por conta de uma sacola com cabos de guitarra e fitas cassete que Thurston havia comprado na noite anterior, quando a banda tocou em NY, e que havia sumido. Mike Watt estava ligando de Providence por conta de um show do Firehose que seria feito lá. A "Mota" que ele se refere é o apelido deles para maconha, que aparentemente andava lesando com a memória de Thurston.

jóias da família: Sabbath em compacto duplo de 1975. é do meu padrinho - o cara que me ensinou que havia música lá fora - e hoje está sob custódia de um primo. essa bolachinha traz o single - a faixa-título - e a instrumental Fluff, além de Paranoid e outra instrumental, Rat Salad.

frente
verso


Sabbath Bloody Sabbath é um disco que por pouco não existiu. depois de uma temporada frustrada na Record Plant de Los Angeles (com o abuso de drogas e álcool, não conseguiam terminar qualquer música), o quarteto voltou à Inglaterra e se instalou no castelo de Clearwall, em Gloucestershire - condado mais conhecido pelas competições de cheese rolling. à procura de inspiração, a banda resolveu compor e ensaiar nas masmorras do castelo. lá surgiram então os primeiros acordes da faixa título, seu riff, ela mesma completa, e então todo o disco - um dos mais importantes momentos da história do hard rock e do metal. e também o apogeu do Black Sabbath - depois disso, sua trajetória seria oscilante.

esse marco da música está próximo de completar 25 anos: foi lançado em 1° de dezembro de 1973. como acontece com obras de alto calibre, os riffs continuam atuais e de genialidade incomparada. o baixo segue ímpar em seu terreno, Ward demonstrava farto crescimento técnico e Ozzy vivia o auge da loucura - o que, em se tratando de Ozzy, é excelente.

abaixo, vocês ouvem Sabbath Bloody Sabbath - "o riff que salvou a banda", nas palavras de Tony Iommi. as imagens são da época.


Nobody will ever let you know
When you ask the reasons why
They just tell you that youre on your own
Fill your head all full of lies