recentes na categoria listas
uma lista pessoal e cronológica de "álbuns que mudaram a maneira como ouvia música por terem sido a porta de entrada para um novo mundo" poderia ser, aproximadamente,
• Pink Floyd: Meddle
• Black Sabbath: Vol. 4
• Sepultura: Arise
• Alice in Chains: Dirt
• Paradise Lost: Icon
• Obituary: World Demise
• Morbid Angel: Dominate
• Sambaloco Spiritual Drum 'n' Bass vol. 1
• Duofel: Atenciosamente
• Gorguts: Obscura
• John Coltrane: My Favorite Things
• Pan American: 360 Business/360 Bypass
• The Mercury Program: All the Suits Began to Fall Off
• Isis: Oceanic
• Loscil: Submers
veja aí que é uma seleção que cobre uns 20 anos de pesquisa curiosidade em 15 discos. Icon, do PARADISE LOST (music for nations, 1994), é um dos itens mais marcantes da lista. era o começo dos anos 90 e eu escutava basicamente thrash (sepultura, slayer, megadeth, biohazard, metallica, kreator, todos eles), grunge e guns 'n' roses (todos fomos jovens). em 94 as perspectivas não eram nada boas; a qualidade das bandas citadas acima vinha decaindo em velocidades diferentes, ou até se despedaçando, caso da cena de seattle.
aí que meu grande amigo e mentor metálico Uilson apareceu com o Icon. "é doom/death, tem umas melodias bala pra caralho. difícil de definir mas uma das minhas bandas preferidas". tirei o encarte da caixinha, as letras num fundo verde-musgo, arte caprichada, essas imagens que estão logo acima. cousa muito refinada. botei pra tocar. a abertura é CRUNCHER.
os ingleses do Paradise Lost nunca lançaram um disco igual ao outro. de Lost Paradise (1990) até sei-lá que merda andam fazendo, foram do death grosseirão ao synthpop sem se repetirem. seu passado segue cultuado e o ápice de sua produção é objeto de polêmica entre defensores dos quatro primeiros (excelentes) discos, sendo que, para bereteando, o ponto é este Icon. foi quando realmente forjaram uma das pedras fundamentais, se não a maior, do doom/death: músicas vibrantes, muitas de clima quase épico contrastando com a temática e sonoridade depressiva que marca o estilo. (não por coincidência, são apontados como inventores do metal gótico com o disco Gothic, de 92). as linhas de guitarra são quase totalmente melódicas; geralmente simples, mas muito inspiradas. harmonias que ficam na cabeça e chamam a atenção não por tecnicalidades, mas pela beleza. Gregor Mackintosh, guitarrista/compositor, apresenta uma faixa memorável atrás da outra. e também Nick Holmes tem seu melhor registro: apesar de ter sido um grande growler, os vocais de Icon, apenas levemente crocantes, mostram-se perfeitamente adequados às canções.
é um disco que exige uma certa tendência à introspecção, ou um mood meio bluesy. repleto de harmonias menores, é triste sem deixar de ser enérgico, é verdadeiramente emotivo - sem jamais abandonar a pegada na bateria, e inclusive em andamentos mais velozes. "Weeping Words", abaixo, é um exemplo perfeito. o riff de guitarra é sensacional.
a faixa de Icon que se tornou clássica, é a de número dez. "True Belief", o doom-goth-blues que jogou a banda na direção do rock mainstream. nela se pode colocar um 'centro' na banda; é possível saber exatamente de onde ela veio, e para onde estava indo. em odes à melancolia.
Icon é um disco brilhante, uniforme, que mostra beleza inclusive de forma mais crua (incluindo mixagem) - não tão polido como Draconian Times (96), uma quase-parte-2 menos agressiva, embora também notável. e não apenas isso; é um disco que demonstra as credenciais do death e muitas características do doom metal, em um formato de assimilação mais fácil - tornando o álbum uma excelente porta de entrada para quem vem de fora do metal. eu, que naquele momento da trajetória procurava por linhas de guitarra marcantes como em Soundgarden, tive uma verdadeira EPIFANIA. nessas canções eu escutava Sabbath, mas também coisas boas de Megadeth - só que com uma dose de sensibilidade a mais; mais inteligência. o disco fazia sentido, como naquelas descobertas de 'eureka!', e eu sabia que aquele seria um momento cada vez mais raro por sua própria natureza. saí dele para me deleitar em sessões de Anathema, At the Gates e My Dying Bride, e mais tarde, ser jogado pelas necessidades exploratórias dos meus ouvidos nos reinos do death metal. foi a ponte perfeita para o metal extremo, e à Icon e suas intenções de "soar como uma catedral", eu agradeço de forma veemente.
• paradise lost • reviews de Icon na encyclopaedia metallum •
para a porção bereteando deste impop, no caso. publique-se. os melhores discos de um GRANDE ano para a musga.
01: Zozobra - Bird of Prey (sludge)
o melhor disco de 2008 foi também aquele que eu mais ouvi. parece óbvio, mas nem sempre é; e muitas vezes tantas audições acabam mostrando os pontos fracos do álbum, ou simplesmente o desgastando. não é o caso. esperava "Bird of Prey" com alguma curiosidade, já que o primeiro disco do Zozobra era tão bom quanto irregular; e aqui, essa crítica desaparece. um álbum linear, bem composto, curto como um soco no rim. resenha aqui, anterior. saw it coming.
melhor faixa: laser eyes
02: Earth - The Bees Made Honey In The Lion's Skull (doom)
a recente mutação do Earth - de deep drone crushers a atmospheric doom masters -, até onde pude ler por aí, não desagradou ninguém. mesmo sendo quase post-rock. é raro: banda mudando de direção sempre carrega ódio e rancor. mas o álbum de título tão poético só pode incomodar a fãs inveterados de speed metal. porque é l e n t o. é um dos discos mais lentos que já ouvi; suas faixas fazem imaginar um baterista sem sangue nas veias. existem espaços de até QUATRO segundos antes do próximo beat. sirva junto a linhas de guitarra melódicas, toques de psicodelia (como drones geniais de cítara na faixa título) e doses generosas de well-being reflexivo. o Earth fez um disco maiúsculo e de companhia muito presente. se você não gosta de metal, mas de alguma forma se sente atraído, é uma ótima porta de entrada.
melhor faixa: the bees made honey in the lion's skull
03 The Faceless - Planetary Duality (technical death metal)
não foi o ano do technical death metal; no lado brutal, tivemos "Strychnine 213" do Aborted, que é bastante bom mas não marcante; no lado heavy, o novo do Arsis, que, lamento, mostrou-se limitado e com grande tendência à farofa (mesmo tendo agradado aos fãs). quem salvou 2008, no apagar das luzes (com um disco de novembro) foram os maníacos do The Faceless. "Planetary Duality" é quase um EP; poucas faixas, vinhetas inclusas. mas antes menos do que fillers, e o festival de linhas de guitarra cativantes, melodias memoráveis e brutalidade na medida está garantido. mais ainda: pelas composições. quando falo em "marcante", é porque técnica apenas não basta; se não guardar na memória, cantar junto e ter saudades e vontade de voltar à faixa, é só show-off, ou música pobre. esse é o grande valor do tech death. e deste disco.
melhor faixa: legion of the serpent
04 Gojira - The Way of All Flesh (prog death metal)
se os outros álbuns do Gojira não funcionaram comigo, esse deu na pinha. um disco de riffs circulares, repetitivos, graves, cheios de tremolo: as variações estendem-se de forma mais lenta, como os andamentos. é um disco bastante pesado sem ser brutal. precisei de um tempo pra me acostumar - não totalmente, ainda - com o vocal dobrado, meio coro, durante todo o tempo; em certos momentos se fica esperando alguém ali berrar os pulmões pra fora, mas nada. mas de certa forma o approach escolhido funciona. ou as composições são tão boas que isso fica de fundo. pequenas alterações de tempo durante os riffs prendem a atenção e movem o disco adiante, levando o ouvinte em histórias de ecologismos e nature defense. num ano em que o prog/death esperava muito do Textures, quem deu aula foi o monstro.
melhor faixa: the art of dying
05 Soilent Green - Inevitable Collapse In The Presence Of Conviction (death/grind/sludge)
06 Korpiklaani - Korven Kuningas (folk metal)
dois discos que já havia micro-resenhado quando listei os melhores do primeiro semestre do ano. ambos mantiveram-se bem nas seguidas audições: criativos e visceralmente enérgicos. Soilent Green pelo liquidificador de estilos, pelas melodias escondidas em meio riff ou mini-seções (evocando Crowbar e todo o southern sludge); Korpiklaani pela diversão. E percussões.
melhores faixas: Lovesick (Soilent Green) e Kipumylly (Korpiklaani)
07 Windy & Carl - Songs for the Broken Hearted (ambient/drone/shoegaze)
nunca vi outro grupo fazer o que Windy & Carl fazem, e isso é excelente. em certos momentos é uma voz feminina doce e atonal sobre frases repetitivas de guitarra e synth lo-fi. noutros é uma tempestade de fuzz e sobreposições de camadas. ambient + shoegaze de novo, um crescer da sensibilidade que afeta o eixo dos ruídos, do espaço criado pela melodia que poderia ser banal. "Songs for the Broken Hearted" roda nos ouvidos e se não estiver prestando atenção, passa num tapa. e foi o disco que mais me levou longe neste ano.
melhor faixa: La Doleur
08 Aidan Baker & Tim Hecker - Fantasma Parastasie (ambient)
09 Marcelo Birck - Timbres Não Mentem Jamais (rock/psych/experimental)
10 Grails - Doomsdayer's Holiday (post-rock)
11 The Monolith Deathcult - Trivmvirate (brutal death)
12 Made Out of Babies - Ruiner (post-hardcore)
13 Kingdom of Sorrow - ST (sludge/hardcore)
14 Torche - Meanderthal (doom/rock)
15 Remember Remember - ST (electronica)
16 Hour of Penance - The Vile Conception (brutal death)
17 Aborted - Strychnine.213 (death metal)
18 The Haunted - Versus (thrash)
19 On a Pale Horse - A Generation of Vipers (stoner)
20 Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (rock/post-rock)
um 2009 ainda melhor?
APOSTO.
aguardando as listas de outros autores impop.
é pensando no seu melhor, e no do planeta, que eu desejo: um ano que vem muito impop.
"Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem." - Jesus Cristo (Mt, 13:13)
Então outro dia eu estava com os fones de ouvido numa estrada qualquer, olhando pela janela, e pensando no quanto a música é uma experiência que existe num nível diferente, separado da realidade, e que por isso é difícil de descrever em palavras. "Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura", disse Elvis Costello, em frase relembrada aqui no Impop pelo Renmero. Então veio a idéia maluca: "E se pudéssemos escrever sobre música sem falar de música?"
Este post é uma tentativa de implementação desta idéia, em oito mini-reviews de discos que tenho ouvido recentemente.
As diretrizes para os mini-reviews são simples: não posso comentar sobre a música nem sobre nada relacionado à sua sonoridade. Não vale, por exemplo, citar bandas parecidas nem usar adjetivos que se refiram ao tipo do som. Mas posso fazer analogias com qualquer outra coisa, citar experiências similares, etc. Vale tudo para falar da música - menos falar de música.
Então vamos lá. (P.s.: Os links apontam para algum lugar onde você possa ouvir alguma coisa do disco, caso queira).

Qua - Painting Monsters on Clouds: É como um livro de colorir, que pertence a uma criança bastante hiperativa. Nele ela inventa aquelas histórias fantásticas e cheias de reviravoltas, que nem sempre tem a continuidade de uma narrativa adulta mas que deixam transparecer, nas suas "entrelinhas", a maturidade do futuro adulto escondido ali.

Steve Roach - Darkest before dawn: Uma hora e vinte minutos olhando o planeta Terra da janela da Estação Espacial Internacional, enquanto ela orbita lentamente. A cada volta você vê o planeta exatamente do mesmo jeito; as variações são mínimas e, de tão lentas, são quase imperceptíveis (uma nuvem que saiu do lugar, o sol batendo diferente numa montanha, etc.), mas a paisagem em si é absolutamente fascinante e, de uma maneira misteriosa, absorve toda a sua atenção.

Dabrye - One/Three: É um ciborgue ao contrário. Pense bem: o ciborgue tem a aparência humana e, por dentro, é uma máquina. Neste caso nós temos algo que cospe digital por todas as suas interfaces de saída mas que, por dentro, não somente é um ser humano como é um negão de sunga, passeando sorridente por Miami Beach.

Flying Lotus - 1983: Um Ford conversível, daqueles largos e achatados, modelo 1975, cruzando nem rápida nem lentamente pelas ruas sujas do Brooklin novaiorquino. E o negão-ciborgue do review do disco do Dabrye está dirigindo.

Deadmau5 - Get Scraped: Um moleque norte-americano, até gente boa, que trabalha no Wal Mart, mora com os pais e vai pro trabalho ouvindo sempre a mesma rádio FM no carro.

Lindstrom - It's a feedelity affair: É a porta de uma casa noturna da Rua Augusta num sábado, por volta da meia-noite.

Nightmares on Wax - Thought so... : Aquela festa na praia está começando a desacelerar. Todos os seus amigos estão lá, se divertindo horrores. O dia foi excelente. Você adorou cada momento e, levemente bêbado, se senta na areia, olha o sol se pondo e pensa no quanto a vida é boa.

Rovo - MON : Deus, criando o universo.
É uma lista altamente parcial (no sentido de "incompleta", não de "tendenciosa"), já que eu não fico caçando lançamentos do ano pra ouvir. Tanto que meu vício mais recente tem sido "Heaven or Las Vegas", disco do Cocteau Twins lançado em 1990. Além do mais faltam links e imagens das capas dos discos porque a maldita internet desse maldito hotel dessa maldita cidade está, mais uma vez, me deixando na mão.
Mas chega de disclaimer, vamulá:
Girl Talk - Feed The Animals
É o último trabalho de Greg Gillis, o mestre do mashup pop/rock/rap/Billboard top 100. Infelizmente, "Feed The Animals" repete EXATAMENTE a mesma fórmula do disco anterior, o "Night Ripper", validando a afirmativa de que Girl Talk é um mágico de um truque só.
Só que o truque dele é MUITO divertido!
Vampire Weekend
É a melhor coisa que ouvi em 2008. O som dos caras - que por alguma estranha razão anda sendo chamado de afro-pop - é muito amistoso, as letras são espertas e a dinâmica das músicas passeia num espaço agradável entre o vigoroso e o tranquilo. Mexidas no andamento, nos instrumentos (um órgão retrô ali, uma flauta acolá, um bongô mais adiante) e até na "estética" do som (às vezes puxando pro punk, pro caribenho ou pro kitsch) mantém o interesse firme e forte ao longo do disco. E ainda tem os competentes vocais de Ezra Koenig - que é homem, apesar do nome.
É uma obra-prima cujo único problema é ter apenas 34 minutos.
E, sim, tem muito hype em cima dos caras, mas não se deixe levar por isso.
Portishead - Third
Yeah, yeah, terceiro e antecipadíssimo disco dos papas do trip-hop e tal. Normalmente expectativas elevadas geram uma decepção proporcional, que, felizmente, não aconteceu. Mesmo depois de um hiato de 10 anos, o Portishead entrega o que todos esperavam - e com muita classe.
O disco é denso e construído sob os velhos (e funcionais) pilares do trip-hop: arranjos espartanos, tocados lentamente e em performances fortemente emocionais. Puxa pra baixo o mesmo tanto que o Vampire Weekend puxa pra cima - o que, portanto, o torna des-recomendável pra quem não curte navegar em emoções tristes.
Fly Pan Am - Ceux Qui Inventent N'Ont Jamis Vecu (?)
Olha, apesar deste disco fazer parte desta lista eu confesso que não entendo direito o rock experimental dos franco-canadenses do Fly Pan Am.
As músicas não parecem ir à lugar algum: os caras constróem uma "cena sonora" repetindo acordes nas guitarras por longos minutos, depois misturam live recordings com ruído e vocais perdidos, depois passam longos minutos em hiatos semi-silenciosos, depois "estragam" de propósito trechos das músicas, fazendo-as soar como se fossem glitches de um CD riscado ou um MP3 mal "encodado", e assim por diante. Só que existe uma "moral da história" no meio dessa bagunça: uma construção abstrata mas palpável e, num nível muito estranho da mente, perfeitamente compreensível.
E é isso que, de alguma forma, os torna geniais.
Bonus Tracks: Comentários rápidos sobre outros lançamentos 2008itenses que ouvi.
Daedelus - Love To Make Music To é delicioso como todos os outros discos de Daedelus. Mas, diferentemente do "Daedelus Denies the Day's Demise", esse investe numa atmosfera mais neutra ao invés daquela "animação toda" de sempre e, portanto, demora um pouco mais pra "bater"
O "Með suð í eyrum við spilum endalaust" (também conhecido como "disco do Sigur Rós com os caras pelados na capa")... bem, esse aí é uma grande incógnita. Comprei, ouvi e ele ficou lá, encostado na prateleira virtual do meu iTunes. Não que o disco seja ruim, mas, sei lá, parece que foi apagado pela sombra do disco anterior (o absurdamente maravilhoso "Takk").
A faixa 4 de "The Midnight Organ Fight", do Frightened Rabbit, é tão boa que, sozinha, me fez comprar o disco na hora. Agora pergunta se eu tive tempo de ouvir o resto das músicas... :/
A eMusic inventou uma tal selo chamado "eMusic Selects" para promover bandas. Sim, é jabá, então fiquei olhando torto até que, de repente, apareceu "Keeper's", do Deastro...
E o Tape lançou "Luminarium" em 2008, disco atmosférico e rico de texturas que, infelizmente, não tive tempo de ouvir direito até agora.
seguindo a trilha de Renmero Rodriguez e Bruno Cardoso, tomo o Impop de assalto (convocando o Tinoco) pra cometer a listinha de destaques dos primeiros seis meses do ano.
ano que tem sido GENEROSO, como há muito não se via. pelo menos às minhas esferas auditivas.
donde, sem classificação, seguem-se dez:
• SOILENT GREEN, Inevitable Collapse In The Presence Of Conviction
New Orleans é um capítulo à parte no metal, e esses caras ficam cada vez melhores. é o som peculiar de praxe, com a criatividade de composições de sempre: a efetiva e marcante mistura de sludge, death, grind e melodias/levadinhas doom metal, generoso nas mudanças de andamento. e o cheiro da origem, claro. vocalista novo é bom mas falta um pouco de entrosamento, no entanto.
• NORTT, Galgenfriest
eta resvalão no clichê, mas que disco GELADO esse - do obscuro dinamarquês conhecido como Nortt. no rótulo vem descrição, que é soma: depressive funeral atmospheric doom metal. valia um drone aí no meio. tipo Sun O))) que é primo do Drudkh. as músicas são absurdamente lentas e chegam a dark ambient num piscar de olhos.
• ANIMAL STYLE, Gameboy Madrigals
madrigal, wiki: a type of secular vocal music composition, written during the Renaissance and early Baroque eras. Throughout most of its history it was polyphonic and unaccompanied by instruments, with the number of voices varying from two to eight, but most frequently three to six. The earliest examples of the genre date from Italy in the 1520s, and while the center of madrigal production remained in Italy, madrigals were also written in England and Germany, especially late in the 16th and early in the 17th centuries.
agora mistura com chiptunes - música criada em videogames de baixa geração.
é. e o artista oferece.
• KORPIKLAANI, Korven Kuningas
não gosto dos outros discos dos finlandeses do Korpiklaani. nem gosto muito de folk metal, pra falar a verdade. mas esse Korven Kuningas é genial. não é apenas viking folclórico, com seus instrumentos típicos, de pedir cerveja em taverna; é um trabalho muito acima da média em termos de composição. na simplicidade das canções, espaço para melodias e acompanhamentos quase big band. fora isso, eu sigo escutando Kipumylly viciosamente e esperando enjoar. tô no limiar da dúvida do fato. (Suden Joiku, que se segue no tracklist, é quase isso.)
• ABORTED, Strychnine.213
a crítica tem apontado como um posicionamento do Aborted direção ao público deathcore, do lado mainstream. eu, lendo purismo underground demais - afinal, segue sendo um disco de brutal/tech death metal -, acho ótimo. os outros discos dos belgas do Aborted são mais brutais, mas muito menos inspirados - e isso é o que conta. faixas memoráveis e um disco redondo e bem produzido. dobradinha The Chyme Congeries (melhor refrão do metal esse ano) e A Murmer in Decrepit Wits (com direito a sample intro à cybergrind) é absolutamente matadora.
• MARCELO BIRCK, Timbres Não Mentem Jamais
tem pra streaming no site oficial. oito anos de espera para o novo do bruxo avant-garde jovem-guasca portoalegrense - com valia. grande, psicodélico, experimental, inteligente, fundamental álbum do rock gaúcho. e grandes letras. (alô cidade, tem show no Ocidente quinta!)
• OCOAI, Breatherman
das recentes bandas do sludge/post-metal, é das mais promissoras. é lento, lembra por momentos Pelican e Isis, em outros evoca a aura do death/doom dos 90. as tintas de blues ficam pela raiz do Tennessee. raro e valoroso disco de estréia que mostra maturidade nas composições, controle técnico e produção de primeira linha.
• MADE OUT OF BABIES, The Ruiner
os anglo-saxões tem uma palavra boa, sem tradução decente em Português: "fresh". Made Out of Babies faz (e é) um tipo de metal que não se ouvia nem se ouve a não ser o dela mesma. 85% responsabilidade da vocalista e atriz principal, Julie Christmas. esse álbum, menos selvagem mas não menos agressivo, mostra um amadurecimento da banda - que ainda não sei se é de todo positivo (o disco é recente). mas ainda assim, um trabalho de personalidade e coragem ímpares. além de uma puta sonzeira, óbvio.
• HOUR OF PENANCE, The Vile Conception
escrevi assim, numa comunidade do last.fm: There's a point when brutal death becomes just *so beautiful*. This is one example. Has been sitting (along with Disgorge) on the top of my wake-up playlist. Track Absence of Truth is incredible. ouvindo, jamais se diz que os caras são italianos. nos ouvidos, machadada pra tudo quanto é lado.
• ANTLERS, S/T
caiu de pára-quedas semana passada. me conquistou imediatamente. não sabia que se fazia música assim ainda - math rock, post rock, delícias crocantes de guitarra. nenhuma informação a não ser no last.fm: a group of Richmond/DC musicians from bands such as Mass Movement of the Moth, Gregor Samsa, Resonance, and Olive Tree. The band plays melodic primarily instrumental mathy tunes that might remind you of bands like Don Cab, Ghost and Vodka, and June of 44.. bah, brilhante.
e olha, sobraram alguns discos aqui - como a estréia do Kingdom of Sorrow, o EP do Death of Her Money, os novos do Monolith Deathcult, Emeth e Textures, e outros. alguns daqui vão pra lista do fim do ano. e que ele siga gordo e repleto de vitórias.
tem uma lista parecida? deixa ela aí nos comentários!
Tom Zé, lá em 1973, abriu seu disco "Todos os Olhos" cantando:
Todo compositor brasileiro é um complexado. Porque então esta mania danada, essa preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério...
Eu, particularmente, adoro quando a música perde a compostura e vira piada, sarcasmo, nonsense ou coisa que o valha. E tem gente muito boa nisso, como por exemplo...
Kid Koala
O garoto coala canadense pode até ser absurdamente habilidoso nas turntables, mas o que eu mais gosto no seu trabalho é o senso de humor. Quem clicou no "play" ali em cima deve ter percebido que "Like Irregular Chickens" é feita com scratches de sons de galinhas (e de gente imitando galinha!). "Flu Season" segue o mesmo processo criativo, mas dessa vez com espirros, tosse e outras pneumopatias. E "Barhopper 2" é a primeira música da história a conter o som de um autêntico "silêncio desconfortável" em um encontro amoroso.
The Rip Off Artist
Sim, o nome do cara é "o artista da cópia descarada". Todos os seus discos copiam nomes de discos famosos, como o "Pump" do Aerosmith, o "In through the out door" do Led Zeppelin ou o "Pet Sounds" dos Beach Boys. E, ironicamente, o som é um IDM/Glitch cuidadosamente preparado e absolutamente original. E bem humorado, como a faixa abaixo deixa bem claro:
O site dele continha um monte de biografias fantásticas - todas falsas. Atualmente elas foram substituídas por uma mensagem informando que o artista "se aposentou". Eu estou rezando pra que seja mais uma brincadeira...
Cex
Cex é, literalmente, um moleque. Seu primeiro lançamento foi em 1998, quando ele tinha 16 anos. Os discos da sua fase de IDM seriam um trabalho de altíssima seriedade... não fossem algumas faixas de gozação que sempre abrem, fecham ou entremeiam os seus discos: "High Scores", por exemplo, é uma pegadinha sonora envolvendo um casal de lésbicas e um Playstation (sério!). "Furcoat" abre com um casal de músicos falsos chegando no tapete vermelho do MTV Music Awards e confrontando um Cex versão gangsta, com facas e tudo.
Beastie Boys
Os caras já são naturalmente espirituosos, mas o lado "piadinhas" dos Beastie Boys sai mesmo do armário é na coletânea "Anthology - The Sounds of Science", cheia de faixas, digamos, "descompromissadas", como o inesperado country em "Railroad Blues" e "Country Mike's Theme", ou a hilária "Boomin' Granny" que versa sobre o amor pelas velhinhas, e que merece um trechinho da letra reproduzido aqui:
Because I saw you at the check-out line
You dropped your coupons, and you were looking fine
Sophisticated, and so mature
I couldn't really care if you're sixty or seventy-four
Because I want ya, and I need ya...
Mas a melhor é "Netty's Girl", uma baladinha dor-de-cotovelo cantada por um Mike D. e um Ad Rock que, ou estavam realmente bêbados, ou fizeram a melhor performance pseudo-etílica da história. Ouça você mesmo:
se a pergunta é "o que surgiu de melhor no metal extremo até este momento do ano*",
a resposta é http://impop.muxtape.com/!
01 Ihsahn - Unhealer 6'18
O NOVO DISCO DO EX-VOCALISTA DO EMPEROR CONTA COM BAIXO E BATERIA DO VENERADO SPIRAL ARCHITECT. NESTA FAIXA, PARTICIPAÇÃO DE MIKAEL AKERFELDT, DO OPETH
02 Textures - Old Days Born Anew 5'36
TEM CHEIRO DE MESHUGGAH E COR DE MESHUGGAH, MAS É MAIS PROG E, ATUALMENTE, BEM MAIS INSPIRADO
03 Aborted - The Chyme Congeries 3'46
OS AÇOUGUEIROS BELGAS VÃO LANÇAR SEU MELHOR DISCO ESTE ANO, E SERÃO PROMOVIDOS AO PRIMEIRO TIME DO DEATH/GRIND. PRIMEIRO CANDIDATO A MELHOR DE 2008
04 Hour of Penance - Absence of Truth 3'09
RARA BANDA ITALIANA QUE NÃO FAZ METAL ÉPICO, PARA ALEGRIA DE TODOS OS POVOS. MASSA SONORA BRUTAL/TECHNICAL PERTURBADORA
05 Emeth - Anochi Kofer 4'02
OUTRA BANDA BELGA QUE VEM GANHANDO DESTAQUE NA CENA BRUTAL DEATH; TELESIS, O TERCEIRO, É O DISCO MELHOR PRODUZIDO E ESCRITO. NAS CERCANIAS DO SLAM DEATH E CHEIO DE PRETENSÕES
06 The Monolith Deathcult - Demigod 6'34
MISTURANDO DESTRUIÇÃO COMPLETA E PROFANAÇÕES A ELEMENTOS ATMOSFÉRICOS, OS HOLANDESES DO TMD BOTAM TUDO ABAIXO E MERECEM MAIOR DESTAQUE NO CENÁRIO A PARTIR DE TRIVMVIRATE
07 Abacinate - Negating the Omnipotence of your So Called Man in the Sky 4'14
EXCELENTE ESTRÉIA! MIXA TECH DEATH, THRASH, GRIND E HARDCORE, COM BOA DOSE DE GORE E SAMPLES DE FILMES OBSCUROS. INVENÇÃO DE MODA ONDE O RESULTADO NÃO DECEPCIONA
08 Arsis - My Oath to Madness 3'54
UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, WE ARE THE NIGHTMARE NÃO É O DISCO MAIS INSPIRADO DO ARSIS - MAS TUDO QUE SE ESPERA DA BANDA ESTÁ LÁ: MELODEATH À AT THE GATES COM VOCAL RASGADO E RIFFS NEOCLÁSSICOS
09 Hateform - As God As 5'00
DO DEATH/THRASH FINLANDÊS, OUTRA ESTRÉIA IMPRESSIONANTE! COMPOSIÇÕES FANTÁSTICAS, GUITARREIRA FUZILANTE E MIXAGEM OLD SCHOOL SÃO ELEMENTOS DE DOMINANCE, DISCO QUE NÃO DEVERIA ESTAR PASSANDO DESPERCEBIDO NA CENA
10 Asphyxia (AUS) - Defiled 2'31
DAS MUITAS COM ESSE NOME, ESTA É A ESTREANTE AUSTRALIANA. TECHNICAL DEATH CADENCIADO E GROOVY COM LINHAS DE BAIXO BRILHANTES E VOCAL VARIANDO ENTRE O RAW E O GROWL. BASTANTE PROMISSORA
11 Netherworld - Frozen Divinity 7'16
DRONE BÔNUS PARA SEUS OUVIDOS; FECHANDO COM O AMBIENT DO ONE-MAN PROJECT NETHERWORLD, MAIS CONHECIDO PELO SELO "GLACIAL MOVEMENTS" E QUE LANÇOU UM BELÍSSIMO SPLIT COLLAB COM O NADJA, MAGMA TO ICE
sem medo de errar: 2008 já é muito melhor para o metal do que o ano passado. escute a mixtape aqui. and rejoice.
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*contém leaks
Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou um DJ set de gente muito fina.
Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:
MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...
Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos de porra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.
Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.
Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.
Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.
Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.
post do hairbangersradio pergunta: underrated albums by succesful bands? deixo minha contribuição em quatro pérolas que freqüentemente são alvo de piada, ataque, ódio ou indiferença, que é o que mais dói.
• Black Sabbath - Never Say Die (1978) wiki
xingado de diversas formas, apontado como colapso da banda - tá, o álbum não é nenhum "Vol.4", mas é melhor que o "Technical Ecstasy". é um dos que eu mais escuto nos últimos anos; apesar de algumas buchas, tem faixas magníficas como Junior's Eyes, Air Dance, Over to You, Shock Wave e até Hard Road, que é longa demais. Over to You tem um instrumental grandioso, fantástico e cativante; considero a grande última música do Sabbath, mesmo que tenha aquele piano absolutamente desnecessário e equivocado no refrão.
• Morbid Angel - Formulas Fatal to the Flesh (1998) wiki
é o primeiro álbum com Steve Tucker, e não é fácil tomar o lugar de David Vincent; seguiu-se a "Dominate", que o povo já tinha achado pior que "Covenant"; e ainda por cima tem letras umas letras em sumério. puta disco! a introdução de Heaving Earth é das mais cabulosas de todo o death metal, Nothing is Not é um quase-thrash memorável, e as guitarras de Azagtoth, bueno, sempre valem o show. Os dez minutos da épica Invocation of the Continual One, por si só, já faz desse um grande álbum.
• Paradise Lost - Icon wiki
a discografia do Paradise Lost é toda excelente - ou pelo menos até "Draconian Times". mas por algum motivo a crítica e massa de fãs vê esse "Icon" como sell-out, por marcar uma guinada para o doom/death mais polido, de menor distorção e growl. não vou começar a listar faixas aqui porque, pra mim, esse é um dos melhores discos de metal de todos os tempos; por isso apenas digo, não apenas um álbum underrated, como todos os detratores estão errados! hmpf.
• Carcass - Swansong wiki
xingado de diversas formas, apontado como colapso etc. bem mais odiado do que os acima é esse canto do cisne do Carcass. último de estúdio, longe do grindcore necróptico do início da banda e do death sujo do magnum opus "Heartwork", apontado como pedra fundamental do melodic death metal - que é um gênero espúreo por definição, né. mas tem grandes riffs, algumas ótimas composições (Cross my Heart, Room 101, Black Star, Child's Play) e faz um excelente trabalho em retrospectiva - escutá-lo dá vontade de escutar mais e melhor Carcass. e At the Gates, também, o que é sempre salutar.
poderiam entrar na lista, mas a gente não fala de pop, né: "Youthanasia", do Megadeth, e "And Justice for All", Metallica.
esse songza podia fazer uns embeds MENOS trambolhão. e não carregar o stream antes de clicar em play.
Porque vivemos na era do rapidshare, do speeddating, do quicktime e do fasttracking.
Nem todo mundo anda com tempo de ouvir música comprida. Exemplinho: lembra do Daft Punk? Fez "One More Time", que tem 6:05 minutos na sua versão original. Aí botou pra tocar no rádio. E o rádio não tinha "time" para "one more time" inteira, então passaram a faca no break de dois minutos que ela tinha bem no meio, sem cerimônia. Dois minutos, cara! "Dá pra tocar uma Rihanna nesses dois minutos", devem ter dito.
Aí tem gente que faz músicas com oito, dez, vinte minutos. Algumas são tão boas que é o resto do mundo que pára para elas tocarem. Assim, para inaugurar minha participação neste blog (primeiro post êêê!), aqui vai meu TOP 10 músicas longas.
10) "Everything lay still", Colleen (10 minutos e 47 segundos)
Imagine que você ficou preso dentro de uma caixinha de música...
9) "Another near miss", Laura (8 minutos e 51 segundos)
Laura é australiana e muito interessante. Esta faixa fecha o disco "Radio Swan is Down", a obra-prima da banda. Mas atenção para o spoiler: a música morre no final.
8) "13 angels standing guard 'round the side of your bed", A Silver Mt. Zion (7 minutos e 22 segundos)
É exatamente como 13 anjos da guarda em volta da sua cama soariam. E o engraçado é que esta faixa é uma exceção no trabalho normal do A Silver Mt. Zion, que normalmente faz música bem mais seca e difícil. (Curiosidade: "A Silver Mt. Zion" é apenas um resumo do nome correto da banda, "Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band")
7) "Autobahn", Kraftwerk (22 minutos e 43 segundos)
A música é mais velha que eu. E os mais velhos tem muito a ensinar. Vovô Schneider e Vovô Hutter já sabiam, há 34 anos, como construir belas experiências através de música - até mesmo experiências como a de viajar de carro.
(p.s.: descanse em paz, Klaus Dinger)
6) "Milano", Sigur Rós (10 minutos e 25 segundos)
O segredo da boa música longa são longos crescendos que desembocam em momentos de completa apoteose sonora, guitarra esmigalhando, bateria destruíndo, etc., como a que acontece bem no meio de "Milano". Você nem repara a voz de mulherzinha do vocalista....
5) "First breath after coma", Explosions in the sky (9 minutos e 33 segundos)
É como "Milano", mas não tem vocalista com voz de mulherzinha. De fato, não tem vocal nenhum. Mas muita coisa é dita pela melodia das guitarras.
4) "TNT", Tortoise (7 minutos e 33 segundos)
Essa música me lembra um amigo que, ao ouví-la pela primeira vez, fez uma cara inesquecível de "estou absolutamente fascinado com essa bateria".
3) "Djed", Tortoise (20 minutos e 59 segundos)
Os caras do Tortoise parecem se relacionar com a música em um patamar diferente das pessoas comuns. É como se eles morassem naquele andar 7 e 1/2 do filme "Quero Ser John Malkovich".
2) "La canción de gurb", Migala (8 minutos e 30 segundos)
É meio que uma versão mais longa para "Gurb's song", gravada três anos antes. "Gurb's song" conta, com um inglês cheio de sotaque español, a história de um amor súbito e incrivelmente intenso. E "La canción de Gurb" mostra, sem vocais mas com incrível nitidez de detalhes, a intensidade desse amor. Ouça com fones, bem alto.
1) "Storm", Godspeed You! Black Emperor (22 minutos e 32 segundos)
Storm é perfeição. Primeiro a música sobe aos céus num looongo e maravilhoso crescendo de 10 minutos. Depois você é arrebatado por sete minutos da "tempestade" que dá nome à faixa. E o que resta pelos últimos cinco minutos não é a bonança, e sim uma paisagem destruída, pós-apocalíptica, magistralmente bela em sua tristeza profunda.
Eu conto na mão esquerda do Lula as bandas que eu tenho vontade de ver ao vivo. O GY!BE é a banda do dedão, a primeirona da lista. Reza a lenda que o som ao vivo é tão alto que o público tem que ir se afastando do palco aos poucos. Eu acho que nessa hora eu também me afastaria. De joelhos.


