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seguindo a trilha de Renmero Rodriguez e Bruno Cardoso, tomo o Impop de assalto (convocando o Tinoco) pra cometer a listinha de destaques dos primeiros seis meses do ano.

ano que tem sido GENEROSO, como há muito não se via. pelo menos às minhas esferas auditivas.

donde, sem classificação, seguem-se dez:


soilent• SOILENT GREEN, Inevitable Collapse In The Presence Of Conviction
New Orleans é um capítulo à parte no metal, e esses caras ficam cada vez melhores. é o som peculiar de praxe, com a criatividade de composições de sempre: a efetiva e marcante mistura de sludge, death, grind e melodias/levadinhas doom metal, generoso nas mudanças de andamento. e o cheiro da origem, claro. vocalista novo é bom mas falta um pouco de entrosamento, no entanto.

nortt• NORTT, Galgenfriest
eta resvalão no clichê, mas que disco GELADO esse - do obscuro dinamarquês conhecido como Nortt. no rótulo vem descrição, que é soma: depressive funeral atmospheric doom metal. valia um drone aí no meio. tipo Sun O))) que é primo do Drudkh. as músicas são absurdamente lentas e chegam a dark ambient num piscar de olhos.

animal• ANIMAL STYLE, Gameboy Madrigals
madrigal, wiki: a type of secular vocal music composition, written during the Renaissance and early Baroque eras. Throughout most of its history it was polyphonic and unaccompanied by instruments, with the number of voices varying from two to eight, but most frequently three to six. The earliest examples of the genre date from Italy in the 1520s, and while the center of madrigal production remained in Italy, madrigals were also written in England and Germany, especially late in the 16th and early in the 17th centuries.
agora mistura com chiptunes - música criada em videogames de baixa geração.
é. e o artista oferece.

korpi• KORPIKLAANI, Korven Kuningas
não gosto dos outros discos dos finlandeses do Korpiklaani. nem gosto muito de folk metal, pra falar a verdade. mas esse Korven Kuningas é genial. não é apenas viking folclórico, com seus instrumentos típicos, de pedir cerveja em taverna; é um trabalho muito acima da média em termos de composição. na simplicidade das canções, espaço para melodias e acompanhamentos quase big band. fora isso, eu sigo escutando Kipumylly viciosamente e esperando enjoar. tô no limiar da dúvida do fato. (Suden Joiku, que se segue no tracklist, é quase isso.)

abort• ABORTED, Strychnine.213
a crítica tem apontado como um posicionamento do Aborted direção ao público deathcore, do lado mainstream. eu, lendo purismo underground demais - afinal, segue sendo um disco de brutal/tech death metal -, acho ótimo. os outros discos dos belgas do Aborted são mais brutais, mas muito menos inspirados - e isso é o que conta. faixas memoráveis e um disco redondo e bem produzido. dobradinha The Chyme Congeries (melhor refrão do metal esse ano) e A Murmer in Decrepit Wits (com direito a sample intro à cybergrind) é absolutamente matadora.

• MARCELO BIRCK, Timbres Não Mentem Jamais
tem pra streaming no site oficial. oito anos de espera para o novo do bruxo avant-garde jovem-guasca portoalegrense - com valia. grande, psicodélico, experimental, inteligente, fundamental álbum do rock gaúcho. e grandes letras. (alô cidade, tem show no Ocidente quinta!)

ocoai• OCOAI, Breatherman
das recentes bandas do sludge/post-metal, é das mais promissoras. é lento, lembra por momentos Pelican e Isis, em outros evoca a aura do death/doom dos 90. as tintas de blues ficam pela raiz do Tennessee. raro e valoroso disco de estréia que mostra maturidade nas composições, controle técnico e produção de primeira linha.

moob• MADE OUT OF BABIES, The Ruiner
os anglo-saxões tem uma palavra boa, sem tradução decente em Português: "fresh". Made Out of Babies faz (e é) um tipo de metal que não se ouvia nem se ouve a não ser o dela mesma. 85% responsabilidade da vocalista e atriz principal, Julie Christmas. esse álbum, menos selvagem mas não menos agressivo, mostra um amadurecimento da banda - que ainda não sei se é de todo positivo (o disco é recente). mas ainda assim, um trabalho de personalidade e coragem ímpares. além de uma puta sonzeira, óbvio.

hop• HOUR OF PENANCE, The Vile Conception
escrevi assim, numa comunidade do last.fm: There's a point when brutal death becomes just *so beautiful*. This is one example. Has been sitting (along with Disgorge) on the top of my wake-up playlist. Track Absence of Truth is incredible. ouvindo, jamais se diz que os caras são italianos. nos ouvidos, machadada pra tudo quanto é lado.


Antlers• ANTLERS, S/T
caiu de pára-quedas semana passada. me conquistou imediatamente. não sabia que se fazia música assim ainda - math rock, post rock, delícias crocantes de guitarra. nenhuma informação a não ser no last.fm: a group of Richmond/DC musicians from bands such as Mass Movement of the Moth, Gregor Samsa, Resonance, and Olive Tree. The band plays melodic primarily instrumental mathy tunes that might remind you of bands like Don Cab, Ghost and Vodka, and June of 44.. bah, brilhante.

~.~

e olha, sobraram alguns discos aqui - como a estréia do Kingdom of Sorrow, o EP do Death of Her Money, os novos do Monolith Deathcult, Emeth e Textures, e outros. alguns daqui vão pra lista do fim do ano. e que ele siga gordo e repleto de vitórias.

tem uma lista parecida? deixa ela aí nos comentários!

Tom Zé, lá em 1973, abriu seu disco "Todos os Olhos" cantando:

Todo compositor brasileiro é um complexado. Porque então esta mania danada, essa preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério...

Eu, particularmente, adoro quando a música perde a compostura e vira piada, sarcasmo, nonsense ou coisa que o valha. E tem gente muito boa nisso, como por exemplo...

Kid Koala

Like Irregular Chickens - Kid Koala

O garoto coala canadense pode até ser absurdamente habilidoso nas turntables, mas o que eu mais gosto no seu trabalho é o senso de humor. Quem clicou no "play" ali em cima deve ter percebido que "Like Irregular Chickens" é feita com scratches de sons de galinhas (e de gente imitando galinha!). "Flu Season" segue o mesmo processo criativo, mas dessa vez com espirros, tosse e outras pneumopatias. E "Barhopper 2" é a primeira música da história a conter o som de um autêntico "silêncio desconfortável" em um encontro amoroso.

The Rip Off Artist

Sim, o nome do cara é "o artista da cópia descarada". Todos os seus discos copiam nomes de discos famosos, como o "Pump" do Aerosmith, o "In through the out door" do Led Zeppelin ou o "Pet Sounds" dos Beach Boys. E, ironicamente, o som é um IDM/Glitch cuidadosamente preparado e absolutamente original. E bem humorado, como a faixa abaixo deixa bem claro:

Vibrating Vegetable - The Rip Off Artist

O site dele continha um monte de biografias fantásticas - todas falsas. Atualmente elas foram substituídas por uma mensagem informando que o artista "se aposentou". Eu estou rezando pra que seja mais uma brincadeira...

Cex

Cex é, literalmente, um moleque. Seu primeiro lançamento foi em 1998, quando ele tinha 16 anos. Os discos da sua fase de IDM seriam um trabalho de altíssima seriedade... não fossem algumas faixas de gozação que sempre abrem, fecham ou entremeiam os seus discos: "High Scores", por exemplo, é uma pegadinha sonora envolvendo um casal de lésbicas e um Playstation (sério!). "Furcoat" abre com um casal de músicos falsos chegando no tapete vermelho do MTV Music Awards e confrontando um Cex versão gangsta, com facas e tudo.

Beastie Boys

Os caras já são naturalmente espirituosos, mas o lado "piadinhas" dos Beastie Boys sai mesmo do armário é na coletânea "Anthology - The Sounds of Science", cheia de faixas, digamos, "descompromissadas", como o inesperado country em "Railroad Blues" e "Country Mike's Theme", ou a hilária "Boomin' Granny" que versa sobre o amor pelas velhinhas, e que merece um trechinho da letra reproduzido aqui:

Because I saw you at the check-out line
You dropped your coupons, and you were looking fine
Sophisticated, and so mature
I couldn't really care if you're sixty or seventy-four
Because I want ya, and I need ya...

Mas a melhor é "Netty's Girl", uma baladinha dor-de-cotovelo cantada por um Mike D. e um Ad Rock que, ou estavam realmente bêbados, ou fizeram a melhor performance pseudo-etílica da história. Ouça você mesmo:

Nettys Girl - Beastie Boys

se a pergunta é "o que surgiu de melhor no metal extremo até este momento do ano*",
a resposta é http://impop.muxtape.com/!

01 Ihsahn - Unhealer 6'18
O NOVO DISCO DO EX-VOCALISTA DO EMPEROR CONTA COM BAIXO E BATERIA DO VENERADO SPIRAL ARCHITECT. NESTA FAIXA, PARTICIPAÇÃO DE MIKAEL AKERFELDT, DO OPETH
02 Textures - Old Days Born Anew 5'36
TEM CHEIRO DE MESHUGGAH E COR DE MESHUGGAH, MAS É MAIS PROG E, ATUALMENTE, BEM MAIS INSPIRADO
03 Aborted - The Chyme Congeries 3'46
OS AÇOUGUEIROS BELGAS VÃO LANÇAR SEU MELHOR DISCO ESTE ANO, E SERÃO PROMOVIDOS AO PRIMEIRO TIME DO DEATH/GRIND. PRIMEIRO CANDIDATO A MELHOR DE 2008
04 Hour of Penance - Absence of Truth 3'09
RARA BANDA ITALIANA QUE NÃO FAZ METAL ÉPICO, PARA ALEGRIA DE TODOS OS POVOS. MASSA SONORA BRUTAL/TECHNICAL PERTURBADORA
05 Emeth - Anochi Kofer 4'02
OUTRA BANDA BELGA QUE VEM GANHANDO DESTAQUE NA CENA BRUTAL DEATH; TELESIS, O TERCEIRO, É O DISCO MELHOR PRODUZIDO E ESCRITO. NAS CERCANIAS DO SLAM DEATH E CHEIO DE PRETENSÕES
06 The Monolith Deathcult - Demigod 6'34
MISTURANDO DESTRUIÇÃO COMPLETA E PROFANAÇÕES A ELEMENTOS ATMOSFÉRICOS, OS HOLANDESES DO TMD BOTAM TUDO ABAIXO E MERECEM MAIOR DESTAQUE NO CENÁRIO A PARTIR DE TRIVMVIRATE
07 Abacinate - Negating the Omnipotence of your So Called Man in the Sky 4'14
EXCELENTE ESTRÉIA! MIXA TECH DEATH, THRASH, GRIND E HARDCORE, COM BOA DOSE DE GORE E SAMPLES DE FILMES OBSCUROS. INVENÇÃO DE MODA ONDE O RESULTADO NÃO DECEPCIONA
08 Arsis - My Oath to Madness 3'54
UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, WE ARE THE NIGHTMARE NÃO É O DISCO MAIS INSPIRADO DO ARSIS - MAS TUDO QUE SE ESPERA DA BANDA ESTÁ LÁ: MELODEATH À AT THE GATES COM VOCAL RASGADO E RIFFS NEOCLÁSSICOS
09 Hateform - As God As 5'00
DO DEATH/THRASH FINLANDÊS, OUTRA ESTRÉIA IMPRESSIONANTE! COMPOSIÇÕES FANTÁSTICAS, GUITARREIRA FUZILANTE E MIXAGEM OLD SCHOOL SÃO ELEMENTOS DE DOMINANCE, DISCO QUE NÃO DEVERIA ESTAR PASSANDO DESPERCEBIDO NA CENA
10 Asphyxia (AUS) - Defiled 2'31
DAS MUITAS COM ESSE NOME, ESTA É A ESTREANTE AUSTRALIANA. TECHNICAL DEATH CADENCIADO E GROOVY COM LINHAS DE BAIXO BRILHANTES E VOCAL VARIANDO ENTRE O RAW E O GROWL. BASTANTE PROMISSORA
11 Netherworld - Frozen Divinity 7'16
DRONE BÔNUS PARA SEUS OUVIDOS; FECHANDO COM O AMBIENT DO ONE-MAN PROJECT NETHERWORLD, MAIS CONHECIDO PELO SELO "GLACIAL MOVEMENTS" E QUE LANÇOU UM BELÍSSIMO SPLIT COLLAB COM O NADJA, MAGMA TO ICE


sem medo de errar: 2008 já é muito melhor para o metal do que o ano passado. escute a mixtape aqui. and rejoice.

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*contém leaks

Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou um DJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...

Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos de porra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.

post do hairbangersradio pergunta: underrated albums by succesful bands? deixo minha contribuição em quatro pérolas que freqüentemente são alvo de piada, ataque, ódio ou indiferença, que é o que mais dói.



• Black Sabbath - Never Say Die (1978) wiki
xingado de diversas formas, apontado como colapso da banda - tá, o álbum não é nenhum "Vol.4", mas é melhor que o "Technical Ecstasy". é um dos que eu mais escuto nos últimos anos; apesar de algumas buchas, tem faixas magníficas como Junior's Eyes, Air Dance, Over to You, Shock Wave e até Hard Road, que é longa demais. Over to You tem um instrumental grandioso, fantástico e cativante; considero a grande última música do Sabbath, mesmo que tenha aquele piano absolutamente desnecessário e equivocado no refrão.



• Morbid Angel - Formulas Fatal to the Flesh (1998) wiki
é o primeiro álbum com Steve Tucker, e não é fácil tomar o lugar de David Vincent; seguiu-se a "Dominate", que o povo já tinha achado pior que "Covenant"; e ainda por cima tem letras umas letras em sumério. puta disco! a introdução de Heaving Earth é das mais cabulosas de todo o death metal, Nothing is Not é um quase-thrash memorável, e as guitarras de Azagtoth, bueno, sempre valem o show. Os dez minutos da épica Invocation of the Continual One, por si só, já faz desse um grande álbum.


• Paradise Lost - Icon wiki
a discografia do Paradise Lost é toda excelente - ou pelo menos até "Draconian Times". mas por algum motivo a crítica e massa de fãs vê esse "Icon" como sell-out, por marcar uma guinada para o doom/death mais polido, de menor distorção e growl. não vou começar a listar faixas aqui porque, pra mim, esse é um dos melhores discos de metal de todos os tempos; por isso apenas digo, não apenas um álbum underrated, como todos os detratores estão errados! hmpf.


• Carcass - Swansong wiki
xingado de diversas formas, apontado como colapso etc. bem mais odiado do que os acima é esse canto do cisne do Carcass. último de estúdio, longe do grindcore necróptico do início da banda e do death sujo do magnum opus "Heartwork", apontado como pedra fundamental do melodic death metal - que é um gênero espúreo por definição, né. mas tem grandes riffs, algumas ótimas composições (Cross my Heart, Room 101, Black Star, Child's Play) e faz um excelente trabalho em retrospectiva - escutá-lo dá vontade de escutar mais e melhor Carcass. e At the Gates, também, o que é sempre salutar.


poderiam entrar na lista, mas a gente não fala de pop, né: "Youthanasia", do Megadeth, e "And Justice for All", Metallica.


esse songza podia fazer uns embeds MENOS trambolhão. e não carregar o stream antes de clicar em play.

Porque vivemos na era do rapidshare, do speeddating, do quicktime e do fasttracking.

Nem todo mundo anda com tempo de ouvir música comprida. Exemplinho: lembra do Daft Punk? Fez "One More Time", que tem 6:05 minutos na sua versão original. Aí botou pra tocar no rádio. E o rádio não tinha "time" para "one more time" inteira, então passaram a faca no break de dois minutos que ela tinha bem no meio, sem cerimônia. Dois minutos, cara! "Dá pra tocar uma Rihanna nesses dois minutos", devem ter dito.

Aí tem gente que faz músicas com oito, dez, vinte minutos. Algumas são tão boas que é o resto do mundo que pára para elas tocarem. Assim, para inaugurar minha participação neste blog (primeiro post êêê!), aqui vai meu TOP 10 músicas longas.

10) "Everything lay still", Colleen (10 minutos e 47 segundos)
Imagine que você ficou preso dentro de uma caixinha de música...

9) "Another near miss", Laura (8 minutos e 51 segundos)
Laura é australiana e muito interessante. Esta faixa fecha o disco "Radio Swan is Down", a obra-prima da banda. Mas atenção para o spoiler: a música morre no final.

8) "13 angels standing guard 'round the side of your bed", A Silver Mt. Zion (7 minutos e 22 segundos)
É exatamente como 13 anjos da guarda em volta da sua cama soariam. E o engraçado é que esta faixa é uma exceção no trabalho normal do A Silver Mt. Zion, que normalmente faz música bem mais seca e difícil. (Curiosidade: "A Silver Mt. Zion" é apenas um resumo do nome correto da banda, "Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band")

7) "Autobahn", Kraftwerk (22 minutos e 43 segundos)
A música é mais velha que eu. E os mais velhos tem muito a ensinar. Vovô Schneider e Vovô Hutter já sabiam, há 34 anos, como construir belas experiências através de música - até mesmo experiências como a de viajar de carro.

(p.s.: descanse em paz, Klaus Dinger)

6) "Milano", Sigur Rós (10 minutos e 25 segundos)
O segredo da boa música longa são longos crescendos que desembocam em momentos de completa apoteose sonora, guitarra esmigalhando, bateria destruíndo, etc., como a que acontece bem no meio de "Milano". Você nem repara a voz de mulherzinha do vocalista....

5) "First breath after coma", Explosions in the sky (9 minutos e 33 segundos)
É como "Milano", mas não tem vocalista com voz de mulherzinha. De fato, não tem vocal nenhum. Mas muita coisa é dita pela melodia das guitarras.

4) "TNT", Tortoise (7 minutos e 33 segundos)
Essa música me lembra um amigo que, ao ouví-la pela primeira vez, fez uma cara inesquecível de "estou absolutamente fascinado com essa bateria".

3) "Djed", Tortoise (20 minutos e 59 segundos)
Os caras do Tortoise parecem se relacionar com a música em um patamar diferente das pessoas comuns. É como se eles morassem naquele andar 7 e 1/2 do filme "Quero Ser John Malkovich".

2) "La canción de gurb", Migala (8 minutos e 30 segundos)
É meio que uma versão mais longa para "Gurb's song", gravada três anos antes. "Gurb's song" conta, com um inglês cheio de sotaque español, a história de um amor súbito e incrivelmente intenso. E "La canción de Gurb" mostra, sem vocais mas com incrível nitidez de detalhes, a intensidade desse amor. Ouça com fones, bem alto.

1) "Storm", Godspeed You! Black Emperor (22 minutos e 32 segundos)
Storm é perfeição. Primeiro a música sobe aos céus num looongo e maravilhoso crescendo de 10 minutos. Depois você é arrebatado por sete minutos da "tempestade" que dá nome à faixa. E o que resta pelos últimos cinco minutos não é a bonança, e sim uma paisagem destruída, pós-apocalíptica, magistralmente bela em sua tristeza profunda.

Eu conto na mão esquerda do Lula as bandas que eu tenho vontade de ver ao vivo. O GY!BE é a banda do dedão, a primeirona da lista. Reza a lenda que o som ao vivo é tão alto que o público tem que ir se afastando do palco aos poucos. Eu acho que nessa hora eu também me afastaria. De joelhos.