John Ellis & Double-Wide (ou "a bandinha do parque de diversões")
O jazz pode, de fato, parecer um gênero musical bastante sisudo. Num primeiro pensamento o que me vem é aquela cara "John Coltrane-like", hermeticamente fechado em seu saxofone, tocando no cantinho de um bar escuro e mareado de fumaça, com todo mundo ouvindo em silêncio quase ecumênico.
Mas e se eu te disser que esse pessoal aí embaixo está tocando jazz?
"M-mas tem uma TUBA!!", você deve estar se perguntando. Repare que tem também um órgão daqueles de igreja protestante, e que o saxofonista (o tal John Ellis) está de calça jeans e usando um chapéu estilo Zeca Baleiro (deusquimilivre). E que a música toca chama-se "Three Legged Tango in Jackson Square".
Eis aí a genialidade de John Ellis e seus companheiros. Em "Dance Like There's No Tomorrow", disco de 2008, a primeira faixa soa como a bandinha do parquinho de diversões. A segunda soa como James Brown fazendo funk. A terceira parece a trilha sonora de um número do Cirque du Soleil, e por aí vai. E aí você não sabe se deixa o queixo cair por causa do mundo de timbres e influências completamente disparatados ou pela segurança e assertividade - e deliciosa musicalidade - com a qual os músicos criam por cima de tudo isso.
Pra mim a beleza do jazz é isso. Não se trata de um estilo, e sim de uma forma de extrair música, espontaneamente, de dentro da própria música.
"Dance Like There's No Tomorrow" para comprar na eMusic - MySpace
"The North Carolina-native, New Orleans-disciple and current Brooklyn-based" John Ellis -- se tem NOLA no meio, pode crer que vão botar pra dançar.
de uma resenha bem legal desse disco, aqui:
http://www.allaboutjazz.com/php/news.php?id=17204
[e eu sempre fui a favor do humor no jazz. Monk, por exemplo. escola.]