breathing your days/my anguish stays


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uma lista pessoal e cronológica de "álbuns que mudaram a maneira como ouvia música por terem sido a porta de entrada para um novo mundo" poderia ser, aproximadamente,

• Pink Floyd: Meddle
• Black Sabbath: Vol. 4
• Sepultura: Arise
• Alice in Chains: Dirt
• Paradise Lost: Icon
• Obituary: World Demise
• Morbid Angel: Dominate
• Sambaloco Spiritual Drum 'n' Bass vol. 1
• Duofel: Atenciosamente
• Gorguts: Obscura
• John Coltrane: My Favorite Things
• Pan American: 360 Business/360 Bypass
• The Mercury Program: All the Suits Began to Fall Off
• Isis: Oceanic
• Loscil: Submers


veja aí que é uma seleção que cobre uns 20 anos de pesquisa curiosidade em 15 discos. Icon, do PARADISE LOST (music for nations, 1994), é um dos itens mais marcantes da lista. era o começo dos anos 90 e eu escutava basicamente thrash (sepultura, slayer, megadeth, biohazard, metallica, kreator, todos eles), grunge e guns 'n' roses (todos fomos jovens). em 94 as perspectivas não eram nada boas; a qualidade das bandas citadas acima vinha decaindo em velocidades diferentes, ou até se despedaçando, caso da cena de seattle.

aí que meu grande amigo e mentor metálico Uilson apareceu com o Icon. "é doom/death, tem umas melodias bala pra caralho. difícil de definir mas uma das minhas bandas preferidas". tirei o encarte da caixinha, as letras num fundo verde-musgo, arte caprichada, essas imagens que estão logo acima. cousa muito refinada. botei pra tocar. a abertura é CRUNCHER.



os ingleses do Paradise Lost nunca lançaram um disco igual ao outro. de Lost Paradise (1990) até sei-lá que merda andam fazendo, foram do death grosseirão ao synthpop sem se repetirem. seu passado segue cultuado e o ápice de sua produção é objeto de polêmica entre defensores dos quatro primeiros (excelentes) discos, sendo que, para bereteando, o ponto é este Icon. foi quando realmente forjaram uma das pedras fundamentais, se não a maior, do doom/death: músicas vibrantes, muitas de clima quase épico contrastando com a temática e sonoridade depressiva que marca o estilo. (não por coincidência, são apontados como inventores do metal gótico com o disco Gothic, de 92). as linhas de guitarra são quase totalmente melódicas; geralmente simples, mas muito inspiradas. harmonias que ficam na cabeça e chamam a atenção não por tecnicalidades, mas pela beleza. Gregor Mackintosh, guitarrista/compositor, apresenta uma faixa memorável atrás da outra. e também Nick Holmes tem seu melhor registro: apesar de ter sido um grande growler, os vocais de Icon, apenas levemente crocantes, mostram-se perfeitamente adequados às canções.

é um disco que exige uma certa tendência à introspecção, ou um mood meio bluesy. repleto de harmonias menores, é triste sem deixar de ser enérgico, é verdadeiramente emotivo - sem jamais abandonar a pegada na bateria, e inclusive em andamentos mais velozes. "Weeping Words", abaixo, é um exemplo perfeito. o riff de guitarra é sensacional.



a faixa de Icon que se tornou clássica, é a de número dez. "True Belief", o doom-goth-blues que jogou a banda na direção do rock mainstream. nela se pode colocar um 'centro' na banda; é possível saber exatamente de onde ela veio, e para onde estava indo. em odes à melancolia.



Icon é um disco brilhante, uniforme, que mostra beleza inclusive de forma mais crua (incluindo mixagem) - não tão polido como Draconian Times (96), uma quase-parte-2 menos agressiva, embora também notável. e não apenas isso; é um disco que demonstra as credenciais do death e muitas características do doom metal, em um formato de assimilação mais fácil - tornando o álbum uma excelente porta de entrada para quem vem de fora do metal. eu, que naquele momento da trajetória procurava por linhas de guitarra marcantes como em Soundgarden, tive uma verdadeira EPIFANIA. nessas canções eu escutava Sabbath, mas também coisas boas de Megadeth - só que com uma dose de sensibilidade a mais; mais inteligência. o disco fazia sentido, como naquelas descobertas de 'eureka!', e eu sabia que aquele seria um momento cada vez mais raro por sua própria natureza. saí dele para me deleitar em sessões de Anathema, At the Gates e My Dying Bride, e mais tarde, ser jogado pelas necessidades exploratórias dos meus ouvidos nos reinos do death metal. foi a ponte perfeita para o metal extremo, e à Icon e suas intenções de "soar como uma catedral", eu agradeço de forma veemente.






*post a convite de black dog, que levou este disco pro musica320




paradise lostreviews de Icon na encyclopaedia metallum

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Esta página contém um post de tiagón publicado em janeiro 11, 2009 8:48 PM.

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