Karen Finley: eat the sushi, boy
Catarse. É umas das coisas que espero daqueles que têm coragem de empunhar um microfone diante de uma platéia. E por mais performática que seja a apresentação, uma coisa não exclui a outra: pode-se representar de forma INTENSA e sincera. Com vontade -- e também pode-se fingir, claro, mas nem sempre é fácil CONVENCER.
"Enter Entrepreneur". NSFW. But play it anyway.
Karen Finley faz parte desse seleto grupo de artistas que te recebem com uma porrada na boca do estômago e que não param de bater. Que te deixam perplexo e que te ROUBAM a atenção até o fim, tanto pela expressão artística quanto pelo conteúdo do trabalho.
Porque ao dar o play em The Truth is Hard to Swallow (nome oportuno), primeiro disco (1987) da Karen, não se engane com a levada eletrônica, fácil, dos primeiros segundos de Sushi Party, porque "sushi sushi sushi / open up your legs girl" e aí, sem rodeios, ela te arremessa numa orgia escatológica, fetichista, HARDCORE e essencialmente violenta que será o principal cenário de todo o disco e, de um modo geral, de boa parte do seu trabalho, que não se restringe apenas à música.
O que a interessa são os tabus de qualquer sorte, principalmente os mais chocantes, e não é nenhuma surpresa que Tables of Taboo -- um ODE à perversão -- venha a ser uma de suas faixas mais conhecidas e representativas. E há quem diga que em fins da década de 80, era impossível adentrar numa boate e não ouvir esse remix.
E embora as temáticas sexuais sejam o assunto dominante, Enter Enterpreneur (vídeo acima) se desenvolve na incursão revoltosa numa faceta "politizada" e pessoal: "I have no more money for drugs and sex ; so I decided to take too many sleeping pills baby ; and nothing happened ; so I put a gun to my head and nothing happened ; so I put my head in the oven and nothing happened ; so I fucked you all night long and nothing happened." E aí você percebe que a coisa é pra valer.
The lady herself. 80's.
No mais, se o trip-hop é também chamado de fuck music, pode-se dizer que o que Karen Finley faz é o correspondente musical mais próximo do... rough sex.
No mínimo.
continuo petrificado pelo trabalho dessa maluca.
"so I petitioned, oh I organized, I rioted and I terrorized and I say SOMETHING'S going to happen because I'm not gonna let you gang-rape me anymore Mr. Yuppie, Mr. Enterprenaur!"