underground sweetness: KID KILOWATT
post de sexta-feira baixando a mão do peso em favor de riffs garageiros e inteligentes.
indie rock? meu problema com as tags "indie" [e, em certa medida, "emo"] não são de caráter preconceituoso. o que eu não não gosto é de atitude blasé com a música. deixo a (terrível) estética de lado, porque essa conexão eu não faço, escuto com os ouvidos, e se não me vale, descarto o derredor. mas se tu quer que eu ouça a tua banda, bicho, é melhor botar vontade nisso aí que tu tá fazendo.
é o que se chama, no futebol gaúcho, de "pegada". time tem que ter pegada, e banda de rock também. é evidente que só isso não basta; os rótulos acima são abrangentes e neles cabem desde acefalia 4x4 a distorções e experimentalismos à alt/noise/math.
resumo da ópera? escute com o pisca-alerta ligado e cuide quando usam a palavra "folk". e ao encontrar uma banda boa o suficiente, se na dúvida, chame de POST-HARDCORE. que foi a forma (absolutamente impopular) encontrada pelos nerds musicais de plantão para diferenciar indie, emo e screamo de pop rock mainstream.

mais introdução que conteúdo, mas finalmente chegando ao objeto de culto: durou apenas um ano, a trajetória do grande KID KILOWATT. chamado de supergrupo - mas também, hoje em dia tudo que é projeto paralelo misturando duas ou mais bandas é supergrupo -, fato é que reuniram-se metade do CAVE IN (Stephen Brodsky e Adam McGrath), um pedaço do CONVERGE (Kurt Ballou), Aaron Stewart do PIEBALD e mais um batera local. conte aí três guitarras e um baixo. isso era 1996, o Cave In era sludge metal, o Converge puro math/hardcore, e este projeto paralelo, uma elegia à GIANT'S CHAIR - ou, nas palavras de Brodsky, "our little softie rock outlet from the metal of Cave In". resenha no scenepointblank faz uma boa relação com At the Drive-In - embora o Kid seja bem menos performático, e mais amistoso.
poucos shows e gravações esparsas, a banda foi aposentada em 1997. no ano seguinte, os integrantes resolveram gravar todo o material que tinham, e aproveitaram pra compor mais três faixas. e em 2004 (!) a Hydra Head lançou Guitar Method, disco-debut-compilação-póstuma da banda.
resultado: mais culto, mais reverências, e um grande, belo, instigante álbum de indie rock. daqueles que fazem o rótulo brilhar, enquanto gente maquiada se preocupa mais com a roupa do show do que com os riffs. o vocal descolado e limpo de Brodsky não deixa dúvida de que estamos em terreno melódico, e as linhas de guitarra, como é de se esperar, dominam as composições. dissonâncias e toques de noise completam o cardápio e o resultado é tão cativante quanto raro.
raro bem à feição da cena alternativa gringa da segunda metade dos 90, onde músicos trocavam de banda e colaboravam entre si como quem pega mais uma cerveja, lançando projetos corajosos, de vanguarda e efêmeros, destinados a permanecerem locais e durarem alguns soluços.
até que houve a internet, claro.
mp3: the scope • bicycle song
wiki • @cave-in.net • resenha @tufts observer
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