música que você deveria estar ouvindo: MARCELO BIRCK


ok, o background rápido: uma vez houve uma banda chamada Prisão de Ventre, que era ou foi ser quase uma pré-Graforréia Xilarmônica. e depois as coisas não fecharam muito e Marcelo Birck deixou a banda aos auspícios de Frank Jorge, enquanto estudava e explorava música no Aristóteles de Ananias Jr., Os Atonais e, finalmente solo.


Ié-Ié-Ié do Oiapoque ao Chuí


quem já ouviu a Graforréia, sabe: jovem guarda, bailão, nonsense, regionalismo, noise dodecafônico; mistura que fez dela a banda mais importante do RS na década de 90. Birck, compositor, puxava o trem do experimentalismo. nos projetos pós-GX, deixou isso bem claro - até culminar na obra-prima homônima lançada em 2000, um disco onde psicodelia e colagens desafiaram tudo o que havia feito até então. em Marcelo Birck, o rock sessentista ultrapassou o limite do experimental para tornar-se desafiador. disco que vai ser escavado daqui a uns anos e apontado importante como algum dos Mutantes, genial explorador perdido da música brasileira, não sei como é que esse cara não ficou rico no Japão ainda etc.

depois de oito anos entre shows, participações em convescotes graforréicos, gravações e provavelmente outras coisas, Birck lançou em março Timbres Não Mentem Jamais. como se poderia esperar, é uma continuação domesticada e mais polida do primeiro. na produção e mixagem, notadamente; as composições seguem lisérgicas, mas ganharam um outro fiel da balança na dose de experimentalismo. se o primeiro é marcado por um tom garageiro e agressivo, este é mais macio e amistoso; porém sem abandonar o espírito anti-pasteurizante de complicar e inverter singelos acordes. uma das técnicas recorrentes são as sobreposições desencontradas de trechos da música - usadas magistralmente neste disco. faixas como "Ouça esta Canção" e "Fluidez Borbulhante" (principalmente) são bons exemplos: temas simples e melódicos que vão emaranhando-se em harmonias trançadas e hipnóticas - colocando psych-heads como Jupiter Maçã num lugar bem mais modesto. há também temas velozes e dissonantes, e as vinhetas cibernéticas de praxe. o som de Marcelo Birck é um banquete de rock cerebral. uma jornada arriscada e gratificante.

e que faz todo o rock brasileiro se orgulhar, e enrubescer.


Tricicloscópio

todos os discos de Birck e seus projetos anteriores estão disponíveis em streaming no site do artista.


site oficialmyspaceblog

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