balmorhea [ou] barulho vazio

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um disco de post-rock que não tem baixo e bateria, apóia-se em frágeis linhas melódicas e utiliza de elementos que parecem simplistas para criar texturas musicais belas. Seria assim que eu definiria o álbum self titled de 2007 do Balmorhea, se fosse pra ser conciso e um pouco vago, é bem verdade. Tem muito mais nas nove faixas do disco do que algumas simples linhas conseguem descrever, lembrando aquela coisa de que writing about music is like dancing about architecture. Teimoso como sou, costumo escrever sobre música porque acredito que em algum lugar está dançando sobre arquitetura. Ou algo assim. Você entendeu.

as bandas que tocam esse tal de post-rock possuem um domínio de pedais de distorção notável assim como uma bateria não raro devastadora, basta escutar algo do Jesu ou do Explosions In The Sky pra sentir isso - o barulho e peso é parte fundamental do som deles. Porém no caso do Balmorhea a dirtorção nem chega perto de suas melodias, muito menos levadas de bateria pesadas. Há uma ausência de barulho tão grande que para o ouvinte desatento parece um disco de ambient.

o instrumental calcado em violões e pianos faz do Balmorhea uma banda daquelas de deserto - explico - um som vasto e delicado que evoca aquele sentimento de solidão incontrolável e infindável que só um deserto consegue exemplificar em imagem. Vai escutando "If Only You Knew the Rain" pra ver se eu estou exagerando na definição romântica da coisa.

é difícil passar batido por uma atmosfera desse tipo. Na improvável combinação de máquina de escrever e piano em "In The Rowan", o velho tic tac da máquina acompanha (e por vezes sucede) a melodia do piano de forma orgânica e natural. Como se fosse a função da máquina de escrever tocar música.

o Balmorhea é como um antigo quarteto de jazz que aprendeu a utilizar todos os pequenos elementos para fazer sua música após anos em estúdio - do silêncio ao acorde fragmentado as canções são um apanhado de sensibilidade melódica incrível e vontade de tocar algo diferente, mesmo que as limitações técnicas e criativas sejam um tanto opressoras para alguns caras do Texas. No entanto ninguém pode culpá-los por tentar, não quando o resultado é algo como esse disco.


4 Comments

tiagón said:

oooo, exatamente o meu tipo de post-rock, o etéreo. nunca pude dizer "eu gosto de post-rock" porque as pedaleiras de Mogwai e Explosions não me cativam. Jesu menos ainda. eu fico querendo que eles sejam mais pesados (e virem sludge, no caso) :P

[a idéia da máquina de escrever me lembrou a faixa The Chicken, do Drums & Tuba]

conferirei. post-rock com nome de grind/gore! grande estréia!

Renmero said:

Ainda discorrerei sobre Explosions e Jesu, na esperança de te trazer junto com novos recrutas pro outro da força!

thiago said:

o post-rock, Explosions ou Balmorhea, tem uma beleza que me deixa sempre num dos extremos -- nunca indiferente. é a minha música de refletir, é o meu Bach, é a minha gritaria.

Renmero na verbeat. ótima conjunção. seja muito bem-vindo, gafanhoto. =)

Bruno said:

Excelente dica. Achei a faixa com a máquina de escrever genial. Já fui atrás do outro disco dos caras também. Muito bom.

E que venha mais post-rock! :)

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