post de sexta-feira baixando a mão do peso em favor de riffs garageiros e inteligentes.

indie rock? meu problema com as tags "indie" [e, em certa medida, "emo"] não são de caráter preconceituoso. o que eu não não gosto é de atitude blasé com a música. deixo a (terrível) estética de lado, porque essa conexão eu não faço, escuto com os ouvidos, e se não me vale, descarto o derredor. mas se tu quer que eu ouça a tua banda, bicho, é melhor botar vontade nisso aí que tu tá fazendo.

é o que se chama, no futebol gaúcho, de "pegada". time tem que ter pegada, e banda de rock também. é evidente que só isso não basta; os rótulos acima são abrangentes e neles cabem desde acefalia 4x4 a distorções e experimentalismos à alt/noise/math.

resumo da ópera? escute com o pisca-alerta ligado e cuide quando usam a palavra "folk". e ao encontrar uma banda boa o suficiente, se na dúvida, chame de POST-HARDCORE. que foi a forma (absolutamente impopular) encontrada pelos nerds musicais de plantão para diferenciar indie, emo e screamo de pop rock mainstream.


mais introdução que conteúdo, mas finalmente chegando ao objeto de culto: durou apenas um ano, a trajetória do grande KID KILOWATT. chamado de supergrupo - mas também, hoje em dia tudo que é projeto paralelo misturando duas ou mais bandas é supergrupo -, fato é que reuniram-se metade do CAVE IN (Stephen Brodsky e Adam McGrath), um pedaço do CONVERGE (Kurt Ballou), Aaron Stewart do PIEBALD e mais um batera local. conte aí três guitarras e um baixo. isso era 1996, o Cave In era sludge metal, o Converge puro math/hardcore, e este projeto paralelo, uma elegia à GIANT'S CHAIR - ou, nas palavras de Brodsky, "our little softie rock outlet from the metal of Cave In". resenha no scenepointblank faz uma boa relação com At the Drive-In - embora o Kid seja bem menos performático, e mais amistoso.

poucos shows e gravações esparsas, a banda foi aposentada em 1997. no ano seguinte, os integrantes resolveram gravar todo o material que tinham, e aproveitaram pra compor mais três faixas. e em 2004 (!) a Hydra Head lançou Guitar Method, disco-debut-compilação-póstuma da banda.

resultado: mais culto, mais reverências, e um grande, belo, instigante álbum de indie rock. daqueles que fazem o rótulo brilhar, enquanto gente maquiada se preocupa mais com a roupa do show do que com os riffs. o vocal descolado e limpo de Brodsky não deixa dúvida de que estamos em terreno melódico, e as linhas de guitarra, como é de se esperar, dominam as composições. dissonâncias e toques de noise completam o cardápio e o resultado é tão cativante quanto raro.

raro bem à feição da cena alternativa gringa da segunda metade dos 90, onde músicos trocavam de banda e colaboravam entre si como quem pega mais uma cerveja, lançando projetos corajosos, de vanguarda e efêmeros, destinados a permanecerem locais e durarem alguns soluços.


até que houve a internet, claro.


mp3: the scopebicycle song
wiki@cave-in.netresenha @tufts observer

é [quase] sempre engraçado quando o metal extremo sai do underground e dá um passeio pelo mainstream.

um comercial de tevê britânico para o disco novo do Deicide, então, é pérola.




será que vende?
e por que não venderia, né?

via metalsucks.

(vou aproveitar um texto antigo meu sobre o Pelican pois tal banda deve constar nos autos do impop e também porque assisti hoje esse vídeo aqui)

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fica meio complicado falar sobre o Pelican sem escrever que eles tocam uma espécie de metal instrumental - post-metal, talvez? Complicado porque para muitos a palavra Metal passa longe de algo que se deva manter no player junto com o hype da semana. Como sou um ouvinte ocasional de velhos discos de metal sempre de olho em algo mais novo aqui e ali do estilo não tive esse preconceito contra o Pelican na ocasião do lançamento do primeiro EP. Chapei com as camadas sonoras e o peso descomunal de duas guitarras, baixo e uma bateria tão pesada que parece trincar os fones durante uma virada.

o disco fenomenal veio em 2005 com The Fire In Our Throats Will Beckon the Thaw onde o peso aliou-se à uma atmosfera contemplativa e orgânica (por mais que não goste de usar "orgânico" ao falar de música) de beleza melancólica, canções longas com um pé no progressivo - mas bem de leve - e o peso arrebatador que não permitia respiros ocasionais fora do momento certo, dá pra dizer que o disco ditava o ritmo do seu jeito. Foi com esse disco que o Pelican saiu das publicações especializadas e até apareceu em círculos de metal "moderno" como uma possível next big thing. Mas desde o primeiro EP a identidade sonora única da banda estava definida e era uma questão de tempo até sair um disco tão bom quanto esse - ou então caísse na mesmice que permeia o estilo.

em junho de 2006 saiu City Of Echoes, que vinha sendo cunhado em shows há um bom tempo e para os fãs já tinha material conhecido. A mudança de atmosfera é logo perceptível: as canções não são tão longas, não há mais tanto espaço para trabalhar as melodias até o peso ensurdecedor cair de uma vez. Mas isso não significa que eles estejam tocando mais rápido ou coisa assim. O espaço para contemplação deu vez ao baque seco dos andamentos menos progressivos e mais focados em riffs altos. Um bom exemplo é a incrível Lost in the Headlights onde a bateria começa barulhenta até ser amparada por riffs oldschool tocados com um quê stoner pra fazer a cabeça balançar sem perceber.

a cozinha é um espetáculo à parte. O baixo possui um tom estranho um pouco agudo e distorcido fácil de identificar e sempre preenche os (poucos) espaços deixados pelas guitarras sem deixar a sensação de "massa sonora" desaparecer. A bateria continua densa e com um ritmo pulsante - quando o bumbo duplo começa a atordoar não tem jeito, é melhor prestar atenção e deixa-se levar pelo peso. City Of Echoes não chega a ser tão belo e completo quanto o disco anterior porém mostra que o poder de fogo do Pelican não está perto do fim e entrosamento perfeito de seus instrumentos ainda é das coisas mais singulares na música atual, é como escutar algo de Josh Homme - dá pra reconhecer na primeira parte de riff.


ok, o background rápido: uma vez houve uma banda chamada Prisão de Ventre, que era ou foi ser quase uma pré-Graforréia Xilarmônica. e depois as coisas não fecharam muito e Marcelo Birck deixou a banda aos auspícios de Frank Jorge, enquanto estudava e explorava música no Aristóteles de Ananias Jr., Os Atonais e, finalmente solo.


Ié-Ié-Ié do Oiapoque ao Chuí


quem já ouviu a Graforréia, sabe: jovem guarda, bailão, nonsense, regionalismo, noise dodecafônico; mistura que fez dela a banda mais importante do RS na década de 90. Birck, compositor, puxava o trem do experimentalismo. nos projetos pós-GX, deixou isso bem claro - até culminar na obra-prima homônima lançada em 2000, um disco onde psicodelia e colagens desafiaram tudo o que havia feito até então. em Marcelo Birck, o rock sessentista ultrapassou o limite do experimental para tornar-se desafiador. disco que vai ser escavado daqui a uns anos e apontado importante como algum dos Mutantes, genial explorador perdido da música brasileira, não sei como é que esse cara não ficou rico no Japão ainda etc.

depois de oito anos entre shows, participações em convescotes graforréicos, gravações e provavelmente outras coisas, Birck lançou em março Timbres Não Mentem Jamais. como se poderia esperar, é uma continuação domesticada e mais polida do primeiro. na produção e mixagem, notadamente; as composições seguem lisérgicas, mas ganharam um outro fiel da balança na dose de experimentalismo. se o primeiro é marcado por um tom garageiro e agressivo, este é mais macio e amistoso; porém sem abandonar o espírito anti-pasteurizante de complicar e inverter singelos acordes. uma das técnicas recorrentes são as sobreposições desencontradas de trechos da música - usadas magistralmente neste disco. faixas como "Ouça esta Canção" e "Fluidez Borbulhante" (principalmente) são bons exemplos: temas simples e melódicos que vão emaranhando-se em harmonias trançadas e hipnóticas - colocando psych-heads como Jupiter Maçã num lugar bem mais modesto. há também temas velozes e dissonantes, e as vinhetas cibernéticas de praxe. o som de Marcelo Birck é um banquete de rock cerebral. uma jornada arriscada e gratificante.

e que faz todo o rock brasileiro se orgulhar, e enrubescer.


Tricicloscópio

todos os discos de Birck e seus projetos anteriores estão disponíveis em streaming no site do artista.


site oficialmyspaceblog

se a pergunta é "o que surgiu de melhor no metal extremo até este momento do ano*",
a resposta é http://impop.muxtape.com/!

01 Ihsahn - Unhealer 6'18
O NOVO DISCO DO EX-VOCALISTA DO EMPEROR CONTA COM BAIXO E BATERIA DO VENERADO SPIRAL ARCHITECT. NESTA FAIXA, PARTICIPAÇÃO DE MIKAEL AKERFELDT, DO OPETH
02 Textures - Old Days Born Anew 5'36
TEM CHEIRO DE MESHUGGAH E COR DE MESHUGGAH, MAS É MAIS PROG E, ATUALMENTE, BEM MAIS INSPIRADO
03 Aborted - The Chyme Congeries 3'46
OS AÇOUGUEIROS BELGAS VÃO LANÇAR SEU MELHOR DISCO ESTE ANO, E SERÃO PROMOVIDOS AO PRIMEIRO TIME DO DEATH/GRIND. PRIMEIRO CANDIDATO A MELHOR DE 2008
04 Hour of Penance - Absence of Truth 3'09
RARA BANDA ITALIANA QUE NÃO FAZ METAL ÉPICO, PARA ALEGRIA DE TODOS OS POVOS. MASSA SONORA BRUTAL/TECHNICAL PERTURBADORA
05 Emeth - Anochi Kofer 4'02
OUTRA BANDA BELGA QUE VEM GANHANDO DESTAQUE NA CENA BRUTAL DEATH; TELESIS, O TERCEIRO, É O DISCO MELHOR PRODUZIDO E ESCRITO. NAS CERCANIAS DO SLAM DEATH E CHEIO DE PRETENSÕES
06 The Monolith Deathcult - Demigod 6'34
MISTURANDO DESTRUIÇÃO COMPLETA E PROFANAÇÕES A ELEMENTOS ATMOSFÉRICOS, OS HOLANDESES DO TMD BOTAM TUDO ABAIXO E MERECEM MAIOR DESTAQUE NO CENÁRIO A PARTIR DE TRIVMVIRATE
07 Abacinate - Negating the Omnipotence of your So Called Man in the Sky 4'14
EXCELENTE ESTRÉIA! MIXA TECH DEATH, THRASH, GRIND E HARDCORE, COM BOA DOSE DE GORE E SAMPLES DE FILMES OBSCUROS. INVENÇÃO DE MODA ONDE O RESULTADO NÃO DECEPCIONA
08 Arsis - My Oath to Madness 3'54
UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, WE ARE THE NIGHTMARE NÃO É O DISCO MAIS INSPIRADO DO ARSIS - MAS TUDO QUE SE ESPERA DA BANDA ESTÁ LÁ: MELODEATH À AT THE GATES COM VOCAL RASGADO E RIFFS NEOCLÁSSICOS
09 Hateform - As God As 5'00
DO DEATH/THRASH FINLANDÊS, OUTRA ESTRÉIA IMPRESSIONANTE! COMPOSIÇÕES FANTÁSTICAS, GUITARREIRA FUZILANTE E MIXAGEM OLD SCHOOL SÃO ELEMENTOS DE DOMINANCE, DISCO QUE NÃO DEVERIA ESTAR PASSANDO DESPERCEBIDO NA CENA
10 Asphyxia (AUS) - Defiled 2'31
DAS MUITAS COM ESSE NOME, ESTA É A ESTREANTE AUSTRALIANA. TECHNICAL DEATH CADENCIADO E GROOVY COM LINHAS DE BAIXO BRILHANTES E VOCAL VARIANDO ENTRE O RAW E O GROWL. BASTANTE PROMISSORA
11 Netherworld - Frozen Divinity 7'16
DRONE BÔNUS PARA SEUS OUVIDOS; FECHANDO COM O AMBIENT DO ONE-MAN PROJECT NETHERWORLD, MAIS CONHECIDO PELO SELO "GLACIAL MOVEMENTS" E QUE LANÇOU UM BELÍSSIMO SPLIT COLLAB COM O NADJA, MAGMA TO ICE


sem medo de errar: 2008 já é muito melhor para o metal do que o ano passado. escute a mixtape aqui. and rejoice.

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*contém leaks

nas noites em que eu não quero ouvir nada específico e o shuffle fica me sacaneando com porcaria (ou insistindo pateticamente em Alice in Chains ou Megadeth, que ele adora), um dos coringas dourados é Wes Montgomery.

se acontecer por aí também, quebre a vidraça com o vídeo abaixo. Full House não é só o meu tema preferido - é um dos riffs mais memoráveis do jazz.

do tipo, se isso não te cativar, cara - é melhor começar a se preocupar.

[e pra quem toca guitarra, bônus: quero ver tu fazer metade disso aí tudo com o DEDÃO que nem o gênio.]


Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou um DJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...

Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos de porra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.

Comprei na eMusic. Sim, babo ovo mesmo.

20080428.jpg Fennesz & Sakamoto - Sala Santa Cecilia

As paredes de barulho sonoro que o austríaco Christian Fennesz constrói com sua guitarra e seu Mac não são exatamente "acessíveis". Tanto que a comunidade dele no Orkut, por exemplo, tem minguados 37 membros.

"Sala Santa Cecília" é uma parceria de Fennesz e Ryuichi Sakamoto, gravada ao vivo na Itália para o festival Romaeuropa. Sakamoto contribuiu com pitadas eletrônicas, Fennesz entrou com sua sempre competente guitarra "ambient", e o resultado são 19 minutos* de uma sintonia ímpar - e olha que não é exatamente simples "sintonizar" barulho de guitarra hiperprocessado com pops/clicks/glitches aparentemente aleatórios. (Myspace - Site oficial)

* - DICA QUENTE: Músicas longas são o melhor custo benefício da eMusic, já que você paga por faixa. Neste disco você leva 19 minutos de música por US$ 0,26 (sim, vinte e seis CENTAVOS de dólar).

20080428_2.jpgOOIOO - Kila Kila Kila

É meu terceiro disco do OOIOO. Nesse ritmo eu vou completar minha coleção rapidinho...

"Kila Kila Kila" segue a receita básica do OOIOO, ou seja, loucura psicodélica total, guitarras e batidas semi-tribais se repetindo por longas faixas, vocais meio "mantra" meio "coisas que o xamã da sua tribo cantaria". E é por isso que eu aprecio esse pessoal, pois há uma linha muito, muuuuito tênue entre o nonsense puro e simples e a música extraída do meio do nonsense - habilidade esta que eles esbanjam e que me fascina. (Myspace - Site oficial)

 

20080428_3.jpgTape - Opera

Opera é uma espécie de joguinho entre texturas "analógicas" e "digitais": acordeons misturados com glitches, violões e gaitas mesclados com ruído rosa e por aí vai.

A abordagem do trio de multi-instrumentistas suecos responsáveis por este disco é bem evidente logo na primeira audição. Os instrumentos não são usados do jeito convencional - ao invés de tocar músicas (sequências de notas) eles emprestam texturas, timbres e cores para as faixas. A "moral da história" de cada faixa não está na sequência das notas que são tocadas, e sim em como estas texturas se misturam e se alternam. Se bobear, o título do disco (Opera) deve até ser uma piadinha com este jeito convencional de compor... (Myspace - Site oficial)

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quando primeiro escutei escutei essa "Haper Lewis" (velha conhecida de quem acompanha shows da banda, mas algo totalmente novo pra mim) do Russian Circles, presente no disco que vai ser lançado em Maio chamado Station nos meus fones castigados (porém um tanto potentes ainda) falei lá no twitter que os sete minutos de maestria melódica e pesada da faixa ganhariam um post aqui na casa dos sons pouco populares. hora de cumprir o dito.

vale logo dizer que o disco inteiro é muito bom, já conta como a grande porrada sônica de post-rock do ano aqui em casa. e olha que não sou muito de ficar logo anunciando que os discos são os melhores quando o ano ainda tem muito pra terminar, mas vale o exagero. a banda - que na verdade é um duo guitarra-bateria - conta com Brian Cook, na foto cima, do These Arms Are Snakes no baixo da faixa citada (e acredito, evidentemente, nas outras do disco), fazendo a linha densa para a bateria de Dave Turncrantz que começa mostrando serviço incrivelmente. sou é meio suspeito pra falar de canções com entradas de baterias solo, acabo gostando de todas que são assim, é o fraco que tenho pelo surramento inicial de um kit bem dado antes das guitarras caírem matando.

o guitarrista Mike Sullivan segura ao extremo a vontade de descer a mão por quase três minutos na faixa, fica tecendo linhas melódicas pra acompanhar o combo potente que a bateria e o baixo estão fazendo até chegar num momento que não dá mais e desce com gosto a mão num riff que faz instantâneamente tu balançares a cabeça sem perdão. vê nesse vídeo de uma apresnetação ao vivo como o negócio funcionar, quem tá ali perto da caixa de som balança sem saber a cabeça.

sacanagem essa banda ao vivo, por sinal. olha que a garvação é de baixa qualidade e não dá pra sentir o poderio total da banda em sua completa plenitude sonora, porém já garante o tapa sonoro bem dado. Harper Lewis, senhoras e senhores.

muito esperado, e chegou há minutos no loadown, no death metal invasion e no lestat. faltam alguns dias pro lançamento oficial.








ouça. profane. vença.

• JUDAS PRIEST anuncia retorno no dia 16/06, com o lançamento do álbum "Nostradamus". segue-se turnê mundial que não passa nem perto da América do Sul. baixe a faixa título num hotsite na Epic Records, ou direto por esse link. na esteira, o Headbangers Blog da MTV reeditou um podcast-entrevista com Halford

• Gene Hoglan's Balls, do Metal Inquisition, faz uma listinha nostálgica de cassetes originais e históricas

• lançamentos de 2008 pipocando por aí! ARSIS, MUTALA e ASPHYXIA no Death Metal Invasion, TESTAMENT (não gostei) no Metal is the Law, CRYPTOPSY e DECREPIT BIRTH no The Course of Darkness, TÝR no Kramp Death... no Lestat, duas novidades black metal - MIRRORTHRONE e SORGSVART

• crássicos da thrasheira: "Power and Pain", do WHIPLASH e "Enjoy the Violence", do MASSACRA (via Central Metal/Loadown)

• o TIAMAT não é uma banda favorita - do death/doom pro goth/darkwave, eu fiquei no caminho. anyway - o disco novo, "Amanethes", está disponível e completo para streaming no MySpace da banda. single acá

• ...e o DILLINGER ESCAPE PLAN fez um anúncio pro... PETA?

bela caixa tripla do selo Projekt (dark ambient/ethereal) no Love, Pain, Fear

vídeo-premiére de "Porcelain Heart", do OPETH, no site da RoadRunner! dá pra baixar esse mp3 e mais uma neste post do kittyshare

Metal Humor faz uma eleição: o pior, ou mais engraçado vídeo de metal de todos os tempos (entre os 25 que eles pré-selecionaram). eu podia escolher um hair metal, mas nada como IMMORTAL! (post cheio de youtubes pra perder vários minutos dando risada)

bootleg de NEGATIVA YEAH live Montréal 2007

• incensado, e ainda não ouvi, o "Gods of the Earth" dos stoners THE SWORD - thx again kittyshare

• também não ouvi ainda o AGUA DE ANIQUE, projeto novo de Anneke von Giersbergen, ex-vocalista do The Gathering. o disco "Air" tá no Beloved Music

• e RUSH, vale? vale, né? Snakes and Arrows Live no Arms Music. lá também tem um "Nevermind Sessions" do NIRVANA. e já que o assunto é 'bandas que saem no jornal', discografia do Mars Volta aqui

• e parece bem legal: coletânea de folk metal sul-americano no Metallic Emotions. Peru, Colômbia, Equador, Argentina, Chile, México e Brasil (com a Tocatta Magna)

• pra fechar, ultra-mega-foda vídeo do MESHUGGAH, dica dos favoritos MetalSucks. air band de si mesmos pra New Millenium Cyanide Christ!




vale a pena: bem editado e com boa qualidade de som

antigamente rezava a lenda: procure metal na Alemanha, na Itália e na Polônia, mas fique longe da França. não mais! esta década tem sido prolífica em grandes bandas surgindo e firmando-se na cena - notadamente a do technical death metal. teremos um novo pólo do estilo, como no Canadá? ao lado de Gorod, Benighted, Trepalium e Symbyosis, o PITBULLS IN THE NURSERY é um dos nomes mais promissores dos últimos anos.

técnico, mas no sabor criativo, e não pela complexidade pura e simples; técnico pela música - e nesse ponto, lembrando Gorod. só que usando mais groove e tendo passagens que alguns dizem "jazzísticas" (na verdade, basta ser um solo num fundo de tempo mais lento e com menos distorção na base que já vira 'jazz'). o álbum de estréia, "Lunatic", foi lançado em 2006 pelo quinteto; como um Anata menos brutal e mais sincopado, são faixas que parecem conectar-se uma entre as outras; se coloca pra rodar e pode deixar no repeat por algumas vezes, que o disco chama a atenção em muitos momentos. principalmente nas linhas de baixo (afinado mais alto), nos stacattos de guitarra (muito solos fantásticos aqui), na bateria criativa - e no lugar certo; sem aparecer demais, saindo do blast beat pura e simplesmente. e tome pedaleira dupla e rolo em primeira frase de verso!

com boas composições, muito ensaio e uma dose sadia de criatividade e erudição, o Pitbulls in the Nursery não precisa de grande espaço para cativar: faz uma ponte inteligente entre o death e o extremo e conquista terreno com facilidade. fico aqui escutando uma vez por semana ao menos, e esperando o segundo álbum (assim como o novo do Gorod).

metal francês, por que não? cookie monsters não tem sotaque.

site oficialmyspacemetal archivesmp3

Komar e Melamid, dois artistas, fizeram uma pesquisa online para descobrir quais são as características mais indesejáveis em uma música.

O resultado? "A música mais indesejada tem 25 minutos aproximadamente, varia entre partes calmas e barulhentas, tempos rápidos e lentos, timbres extremamente altos ou baixos, e essa dicotomia deve ser apresentada de forma abrupta" - ou seja, como qualquer faixa do Godspeed You! Black Emperor, uma das minhas bandas prediletas.

Mas o melhor é que os caras resolveram montar uma música com estas características, compondo o que seria uma música cientificamente desagradável (que pra mim é perfeitamente audível). Tem também o oposto, uma música construída apenas com características desejáveis, que - previsivelmente - soa como uma mistura de Kenny G com qualquer faixa que toque na Jovem Pan.

No ramo da música "desagradável" (note as aspas), minha melhor recomendação é uma banda "irmã" do Godspeed, chamada Set Fire To Flames, e seu disco duplo intitulado "Telegraphs in Negative". Citando eu mesmo:

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. "O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente", diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas ("Mouths trapped in static") fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

(Links da música desagradável/agradável via MeioBit)





continuando a stoner streak que permeia o death metal nosso de cada dia, o chiclete de ouvido da vez é uma cruza de Kyuss com Louisiana: doom com groove, afilhados de Down e Acid Bath. na verdade, em muitos momentos se pensa que é uma banda formada por Pepper Keenan e John Garcia. não é; e a referência mais conhecida vem do guitarrista, que formou o ON A PALE HORSE depois de ser chutado do - cof, cof - Slipknot. [membro fundador, inclusive. foi afastado pelo vocalista nas sessões de gravações do primeiro álbum. talvez isso o abone um tanto.]

"On a Generation of Vipers" é o terceiro disco, lançado em janeiro. já no shortlist de melhores de 2008, apresenta os elementos marcantes do estilo, adicionando vigor que lembra Place of Skulls (acho até que vi uma camiseta deles no vídeo acima) e vocais dobrados à Alice in Chains. mas além disso, as composições são marcantes - um ponto nevrálgico num gênero potencialmente limitado. a seqüência das faixas 4 a 6 - Shape the Clay, Release the Smoke e Ready to Burn - é matadora e trilha sonora para os melhores momentos do dia. há mais destaques no disco, que é generoso e chega fácil ao ouvido.

se esses caras aceitarem um convite (que seria óbvio) para fazer uma turnê com o Queens of the Stone Age, ficariam ricos. enquanto isso, tanto melhor: viva o stoner rock independente.


site oficial ("coming soon")myspacemetal archives



segunda-feiras desesperançadas de frio e melancolia. muitas vezes a única coisa a fazer é esperar passar da melhor forma possível. a outra opção é bombardear o cérebro com algo bastante brutal, para anestesiá-lo ou despertar serotoninas; mas. tem horas que é preciso deixar arder pra ver se o nervo não necrosou ainda.

o vídeo acima é produção de fã para a música Senki Dala, que fecha "Rossz Csillag Allat Született" - magnum opus do VENETIAN SNARES. codinome do canadense Aaron Funk, que vem trabalhando com colagens e programação em andamentos absurdos a favor do jungle/breakcore, IDM, glitchcore e outras experimentações eletrônicas. para o disco mencionado, resultado de uma viagem à Hungria, samples de música clássica/de câmara (especialmente Bártok) fazem violinos e cellos combaterem ou aliarem-se a amens quebrados e por muitas vezes agressivos.

nada disso está na faixa apresentada, uma curta e tensa viagem de cordas à Colleen ou Marsen Jules. belíssima, triste e amaldiçoada. como tantas e tantas segundas-feiras.


ouça Ketsarku Mozgalom, do mesmo disco
site oficialmyspacewikipediafansitepitchfork review

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