os heróis morreram de overdose
ou a idiotização da blogosfera brasileira
ou autocrítica é difícil, mas é sinal de inteligência
e lá vou eu, gejfin, não outro, nem mais nem menos, lançando-me agora ao importuno de fazer-te perder o tempo e encher seu RSS reader com minhas revoltas opiniões. mas me defendo dizendo que ficaria constrangido é de não dizer nada, deixando essa inquietação restrita a meus pobres neurônios já falhos e cansados de quem anda trabalhando demais e dormindo e bebendo de menos.
na lousa escrevo "episódio Blue Bus" para contextualizar a crítica, mas é só uma continuação do pensamento que já vem sendo costurando, aqui escrito ou ao vivo para outros pobres mortais que tem que agüentar meu blá blá blá, incluindo minha esposa linda.
pois, o que tenho a dizer dessa vez é que LOUVO a confusão que rolou no final da semana passada, desencadeada por uma nota no Blue Bus que se referiu a blogueiros como "de aluguel". não porque apóio o uso do termo, ou porque ponha minha mão no fogo pelo Blue Bus, como veículo - pelo contrário, não raro bem medíocre no papel para o qual se destina -, mas porque o fato foi uma ilustração magnífica do que me incomoda desde que escuto e leio a blogosfera em peso fechar questão com idéias tão estúpidas ao tentar entender e problematizar os blogs dentre características, papéis e funções das chamadas "novas mídias". donde, embora sejam os blogs parte das mais fundamentais, ficam os atores dessa peça em situação cada vez mais triste de rendição ao serem provocados nesses episódios; culpa não dos provocadores, mas dos provocados. faz doer a minha barriga de tanto rir. depois de chorar, de desgosto.
no sábado passado tive o prazer de conhecer o NAVE, projeto sensacional do Oi Futuro que inaugurou há poucos dias aqui no Rio, e cujas bases estão, com liberdade total minha de interpretação, fincadas no desejo de responder a uma pergunta que já foi inspiracionalmente espraiada pela Internet por Michael Wesch em vídeo do ano passado: "we are ready?". que as novas tecnologias de comunicação e informação estão aí, e são revolucionárias, todo mundo já sabe, mas como vamos lidar com elas e como estamos orientando as gerações que vêm aí para lidar com elas?
a pergunta sempre teve e terá total pertinência, mesmo na medida em que formos avançando em tentar respondê-la, mas o que me dou conta agora é do tamanho da crise brazuca a esse respeito, séria porque envolve mentes valiosas que justamente poderiam fazer toda a diferença: grandes (não todos, mas muitos) novos e 'antigos' mentores da blogosfera brasileira - e sendo os blogs uma das armas mais populares dessa revolução, seus precursores deveriam seguir sendo agentes de transformação -, simplesmente resolveram parar de pensar e, pelo preço de poderem angariar valor social e econômico como tais, hoje são as pessoas mais perdidas, atrapalhadas e míopes no que se refere a como lidar com as novas tecnologias.
de um jeito mais claro: uma das conseqüencias dessa revolução das TICs é entregar ao indivíduo a possibilidade de não mais ser apenas mediado, mas de sermos, individualmente, o próprio meio, a mídia. os blogueiros, especialmente aqueles que mais se engajaram em tentar extrarir do blog uma comunicação, conectividade e expressão mais apuradas para além do que se imaginava ser possível no começo, são os indíviduos que primeiro experimentaram ser mídia. e não sabem mais o que fazer com isso. caem na feroz armadilha da acomodação, autosatisfação (mesmo que em rede) e autoreferência (também, mesmo que em rede). pior, tentam se desvenciliar dela com as ferramentas erradas, partindo para um desesperado abraço coletivo aos valores e características que justamente são patrimônio da mídia ao qual eles diziam ter revolucionado. o impulso para isso pode ter muitas faces, mas nenhuma, na minha opinião, deveria justificar a inércia, e tamanho esvaziamento de uma autocrítica para discussão madura e evolutiva do tema, pelos caras que eram os heróis e desbravadores de outrora.
não que precise ser feito por uma causa social e filosófica, educativa humanitária. em nome da coletividade então, nem me atrevo!, mas que fosse simplesmente pelo zelo da honra e moral deles próprios (que por tabela, afeta a blogosfera como conceito) na hora de ter que se confrontar com estocadas como a do Blue Bus. ficaram todos reféns, ficaram sim, como naquele episódio do Estadão. e não é culpa da famigerada postura condenável de uma minoria "alugável" sem escrúpulos, mas ficam reféns da sua própria idiotização, já que os blogueiros ditos críveis, sérios e relevantes entregaram em cruel sacrifício sua capacidade de reflexão e sucumbem dia-a-dia inteiramente - embaçando a vista - à overdose de suas individuais e mais vaidosas aspirações.
ou autocrítica é difícil, mas é sinal de inteligência
e lá vou eu, gejfin, não outro, nem mais nem menos, lançando-me agora ao importuno de fazer-te perder o tempo e encher seu RSS reader com minhas revoltas opiniões. mas me defendo dizendo que ficaria constrangido é de não dizer nada, deixando essa inquietação restrita a meus pobres neurônios já falhos e cansados de quem anda trabalhando demais e dormindo e bebendo de menos.
na lousa escrevo "episódio Blue Bus" para contextualizar a crítica, mas é só uma continuação do pensamento que já vem sendo costurando, aqui escrito ou ao vivo para outros pobres mortais que tem que agüentar meu blá blá blá, incluindo minha esposa linda.
pois, o que tenho a dizer dessa vez é que LOUVO a confusão que rolou no final da semana passada, desencadeada por uma nota no Blue Bus que se referiu a blogueiros como "de aluguel". não porque apóio o uso do termo, ou porque ponha minha mão no fogo pelo Blue Bus, como veículo - pelo contrário, não raro bem medíocre no papel para o qual se destina -, mas porque o fato foi uma ilustração magnífica do que me incomoda desde que escuto e leio a blogosfera em peso fechar questão com idéias tão estúpidas ao tentar entender e problematizar os blogs dentre características, papéis e funções das chamadas "novas mídias". donde, embora sejam os blogs parte das mais fundamentais, ficam os atores dessa peça em situação cada vez mais triste de rendição ao serem provocados nesses episódios; culpa não dos provocadores, mas dos provocados. faz doer a minha barriga de tanto rir. depois de chorar, de desgosto.
no sábado passado tive o prazer de conhecer o NAVE, projeto sensacional do Oi Futuro que inaugurou há poucos dias aqui no Rio, e cujas bases estão, com liberdade total minha de interpretação, fincadas no desejo de responder a uma pergunta que já foi inspiracionalmente espraiada pela Internet por Michael Wesch em vídeo do ano passado: "we are ready?". que as novas tecnologias de comunicação e informação estão aí, e são revolucionárias, todo mundo já sabe, mas como vamos lidar com elas e como estamos orientando as gerações que vêm aí para lidar com elas?
a pergunta sempre teve e terá total pertinência, mesmo na medida em que formos avançando em tentar respondê-la, mas o que me dou conta agora é do tamanho da crise brazuca a esse respeito, séria porque envolve mentes valiosas que justamente poderiam fazer toda a diferença: grandes (não todos, mas muitos) novos e 'antigos' mentores da blogosfera brasileira - e sendo os blogs uma das armas mais populares dessa revolução, seus precursores deveriam seguir sendo agentes de transformação -, simplesmente resolveram parar de pensar e, pelo preço de poderem angariar valor social e econômico como tais, hoje são as pessoas mais perdidas, atrapalhadas e míopes no que se refere a como lidar com as novas tecnologias.
de um jeito mais claro: uma das conseqüencias dessa revolução das TICs é entregar ao indivíduo a possibilidade de não mais ser apenas mediado, mas de sermos, individualmente, o próprio meio, a mídia. os blogueiros, especialmente aqueles que mais se engajaram em tentar extrarir do blog uma comunicação, conectividade e expressão mais apuradas para além do que se imaginava ser possível no começo, são os indíviduos que primeiro experimentaram ser mídia. e não sabem mais o que fazer com isso. caem na feroz armadilha da acomodação, autosatisfação (mesmo que em rede) e autoreferência (também, mesmo que em rede). pior, tentam se desvenciliar dela com as ferramentas erradas, partindo para um desesperado abraço coletivo aos valores e características que justamente são patrimônio da mídia ao qual eles diziam ter revolucionado. o impulso para isso pode ter muitas faces, mas nenhuma, na minha opinião, deveria justificar a inércia, e tamanho esvaziamento de uma autocrítica para discussão madura e evolutiva do tema, pelos caras que eram os heróis e desbravadores de outrora.
não que precise ser feito por uma causa social e filosófica, educativa humanitária. em nome da coletividade então, nem me atrevo!, mas que fosse simplesmente pelo zelo da honra e moral deles próprios (que por tabela, afeta a blogosfera como conceito) na hora de ter que se confrontar com estocadas como a do Blue Bus. ficaram todos reféns, ficaram sim, como naquele episódio do Estadão. e não é culpa da famigerada postura condenável de uma minoria "alugável" sem escrúpulos, mas ficam reféns da sua própria idiotização, já que os blogueiros ditos críveis, sérios e relevantes entregaram em cruel sacrifício sua capacidade de reflexão e sucumbem dia-a-dia inteiramente - embaçando a vista - à overdose de suas individuais e mais vaidosas aspirações.
panela nova é que faz comida boa...
conta comigo! eu sou uma das pobres mortais interessada no bla bla bla!!
lembra aquela do Zizek?
"não se faz a revolução pelo caminho da revolução. o revolucionário não está no lugar onde o sistema o espera."
aos agentes a quem tu te refere no texto, parece que um dia vestiram a camiseta da mídia revolucionária; e então entregaram tudo por um danoninho e um brinde.
maioria tá errada, e quem não tá errado tá sozinho, isolado ou é tomado por lunático - que é o teu caso. (heh)
como faz a ponte entre a incompreensão completa das TIC e o cenário que se aponta como possível e verdadeiramente novo para a ferramenta e as mídias?
respondamos, se possível! :)