das idades

Vô Leiner, 98, depois de sentar com dificuldade na cadeira de escritório, era só felicidade, conversando com a neta, longe, via Messenger com câmera e microfone. Acenava e comentava do cabelo novo, curto, que ele ainda não tinha visto. E para a gente, coadjuvantes da cena irreparável, impressionava o quanto ele estava à vontade na experimentação ficcional-científica, ou muito além disso, se devidamente ajustada a percepção do fato ao quase centenário de comparação. Se bem que não é de hoje nem raro vô Leiner esbanjar destrezas genuinamente geração Y, sem muita dificuldade, ao mesmo tempo em que conta as histórias de 70 anos atrás como se tivessem acontecido ontem. Não, não que ele tenha passado ileso à surpresa com a maravilha tecnológica... precisavam ver a cara de susto quando disseram que a coisa toda era... de graça!

Lembrei na hora do Seu Becker, de Agudo, 80 e muitos, que ao aceitar depois de alguma resistência nos mostrar seu talento na gaita (qual era o nome mesmo, que não era gaita?), ao invés de trazer o instrumento, puxou um som portátil da prateleira da venda, deu play no aparelho e entre pausas e busca de faixas preferidas contou sobre como fazia para gravar de forma independente seus CDs em Santa Maria.

Velhos? Somos nós.

~*~

update: bandoneon. era isso. Seu Becker é famoso na região por ser um exímio tocador de bandoneon em casamentos.

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comentários deste post (6)

10jun | Brenda

Vô Leiner é o cara! Excelente :)

27mai | BP

Bandeon é nome de elfo, vai...

26mai | Paul

Se bem que "harmônica" acho que serve prá gaita de boca. Seria "fole" ?
(saco digitar essas letrinhas ali abaixo...)

26mai | Paul

Não seria "harmônica" ?

26mai | tiagón

também não era bandoneon, né? concertina? bagpipe? OITO-SOCO?

26mai | tiagón

acordeon, cordeona, sanfona - não era NENHUM desses. saco.

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