blogueiros como (in)formadores de opinião

graça a coincidência, e juro que veio até mim - ao acaso - e não o contrário. mas tal que depois de um final de dia ontem com discussões quentes sobre visões, projetos e ideologias que permeiam blogs, às voltas com idéias e idéias e idéias desse povo conterrâneo de blogosfera, encontrei um interessante adendo ao que foi provacado pelo Ian Black, no post Blogueiros no Safari Urbano - PARTE I.

é uma pesquisa canadense sobre social media versus credibilidade e influência, resumida pelo coordenador do projeto nessa afirmação: "This shows that popularity doesn't always equate to credibility".

na minha interpretação, o que a pesquisa mostra em números é a idéia de que as ferramentas e os ambientes que são parte da chamada social media - blogs, redes sociais, fóruns, etc -, são usados pelas pessoas como forma de expandir e fortalecer laços e valores de confiança e troca de percepções, mas sem poder suficiente para alterar as bases nas quais essas relações e o que trafega nelas são construídos. ou, mais simples, é certo dizer que eu confiaria muito no que diz um blogueiro famoso amigo meu sobre um produto, mas porque ele é meu amigo, não porque é um blogueiro famoso. o que não quer dizer que as pessoas não passem a usar a social media massivamente como fonte de informações sobre produtos, serviços, empresas e marcas, mas uma vez que o percentual de adesão a esse comportamento não equivale ao quanto isso influencia de forma significativa na compra à revelia da opinião que não vem desses ambientes, chuto aqui que ajuda a reafirmar outra coisa sobre esse assunto que me parece mais coerente nesse atual saco de gato de achismos: relevância, credibilidade, confiança e até "verdade" (esse último, como uma parte perigosa disso) passam a ser cada vez menos possíveis de se dar a priori ou serem personificados em uma entidade externa, seja ela pessoa/blogueiro ou empresa; são do indivíduo.

logo, na hora de partir para a corrida maluca da produtização dessa massaroca toda e de aceitação por parte de um suposto mercado desses supostos produtos, vale refletir melhor sobre a diferença que existe no caso de uma opinião dada ao leitor efetivamente conseguir, do lado de lá, ser formadora ou limitar-se a ser apenas informadora.

o link para informações sobre a pesquisa aqui, via Media Post.

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comentários deste post (2)

10abr | Edney Souza

Gej, confesso que qdo me disseram que vc tocou no assunto eu esperava ler aqui as pedras já lançadas em outras ocasiões. Mas ao contrário disso achei um excelente post com algo que defendo junto a todos que me procuram quando planejam ações publicitárias com mídia social: O valor de um blogueiro está na reputação que ele tem e não na sua audiência, e essa reputação é construída pelas amizades, pela relação de confiança que ele cria com seus leitores.

9abr | Flavio PRada

Gaifyn, à parte a questão ideológica, da qual me vejo insistente e por isso começo a me achar politizado demais, isso para não começar a pensar em modo preconceituoso, vejo que tua análise é centradíssima. A informação na rede corre e não só deve ser assim, como é inevitável que seja.
Além disso, ainda que eu não goste muto da palavra "retribalizar", ela exprime muito bem o que as social media estão produzindo. Reduzindo drasticamente a assimetria da informação, o poder vai sendo exercido como resultante de um numero sempre crescente de vetores. Mais além disso ainda, se a dose de inércia e de conservadorismo que é natural no ser humano nos faz resistir às mudanças, estas não nos esperam. Elas, as mudanças são sempre mais velozes e internet dentro de cinco anos será totalmente obsoleta, com o Grid e outros aggeggi que vem vindo. O espaço o tempo e a velocidade vão aumentar. Apostar as fichas em algo tão mutável fazendo de conta que não o é, é no minimo temerário. Como considerar que o cara que segura a placa de "vendo ouro" no calçadão seja mídia capaz de reverter espectativas e desejos. Ainda que ele seja visto por toda a cidade, que seja popular e lider de visibilidade, nunca vai deixar de ser o que é.

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