janeiro 2007 Archives

aéreas

:: avesso aéreo

estava apreensivo no trajeto casa-aeroporto na sexta pessada. não sabia o que me esperava, já que não tinha viajado desde que começou a confusão aérea brasileira. fui ao check-in para a largada da aventura e dali em diante... ótimo. ofereceram uma ida mais cedo para são paulo, assim teria mais conforto na conexão. na saída da capital paulista, aceitáveis 20min de atraso e um agradável almoço à bordo. não fosse por um detalhe, tudo seria perfeito. uma única e surpreendente coisa que estava fora do lugar me desconsertou: a paisagem. aaaah, sim. as pistas dos três aeroportos por onde passei, no rio, são paulo e porto alegre, estavam com sentidos invertidos! parace assim uma bobagem. não. não para quem sempre pede janela e fica infantilmente com a cara grudada no vidro olhando tudo lá fora. não sou lá tão rodado assim, mas há pelo menos 10 anos que dou minhas viajadas por aí. e, nisso, construí imagens e referências das cidades por onde passei pelo chegar e partir de avião, pelo que se vê da janelinha dos jatos, especialmente, claro, pelo que sempre vi de porto alegre, que por razões óbvias teve sempre minha maior atenção e deleite. à luz do sol, especialmente, como esquecer os instantes definitivos da chegada ao salgado filho? da curva enorme para a direita, quando se vem do norte, em quase 360º, para posicionar a aeronave de frente para a pista. e da lenta aproximação onde se passa bem perto da ponte do guaíba, e mais ao fundo à direita vemos a usina do gasômetro, o centro, a catedral... e quanto mais baixo o avião fica, o atravessar da av. farrapos, a quase borrada pintura em movimento das fileiras de prédios sobre as colinas dos bairros rio branco, auxiliadora, bela vista, tendo o morro santa teresa e suas antenas como moldura - poupo os amigos de um texto extenso, mas seria fácil descrever os mais insignificantes detalhes dessa experiência. pois que dessa vez, perdi-me por completo. cheguei a pensar "que diabo de cidade é essa onde estou chegando... e que o estúpido comandante chamou de porto alegre?!". e era mesmo porto alegre, ao avesso, numa injusta substituição da bela vista de boas-vindas, por um sobrevôo da vila farrapos, av. sertório, big shop, e todos igualmentes feios, deprimentes e simbolicamente vazios arredores desses lugares. a decepção e confusão foi tão grande, que devo ter comentado isso com meus pais e amigos algumas centenas de vezes. e não foi só lá - claro, mais marcante -, mas foi também estranho demais pousar em congonhas pelo lado contrário.

à parte do avesso, inevitável não acrescentar ao registro, mesmo que seja dizer o que todo mundo diz e já sabe, que é muito incrivelmente foda esse rio de janeiro lá de cima (não entremos no mérito se anda lá de cima). incomparavelmente a mais marvilhosa das cidades, mesmo.


:: caos aéreo

depois da bonanza, a tempestade. a volta começou com 1 hora e meia na fila do check-in, tendo como paisagem a ser contemplada o painel luminoso que anunciava de antemão que meu vôo para são paulo estava com duas horas de atraso previsto. no relógio, o ponteiro andava e anunciava lentamente a piora, na medida em que mais distante ficava a possibilidade de embarcar, em são paulo, na conexão programada para o rio - santos dumont. chegando no balcão, tendo já assimilado o problema, sinalizei rapidamente que a pobre atendente poderia poupar explicações e me oferecer logo o menu de opções. só tinha uma exigência: chegar no santos dumont, que esse foi um dos motivos de eu ter escolhido a companhia e aceitado conexões. recebi como resposta um olhar triste. fui encaixado num vôo porto alegre rio - galeão, que saía dali 20min. mal pude me despedir dos meus pais; saí correndo. embarquei. sentei. fim dos procedimentos de praxe, a aeronave se movimenta. e pára. fica parada. um sujeitinho na pista chega com um medidor de pressão. o comandante avisa: nosso avião [saudoso foker 100] está com o pneu furado. é a vida imitando a piada. 45min de manutenção, com todo mundo dentro. partimos, enfim. daí para frente, pelo menos, foi tudo bem. quase meia-noite pousamos no galeão, debaixo de muita chuva. e depois das bagagens, lá teria eu que cumprir a missão de encontrar a sala da supervisão e retirar um voucher de transporte até o outro aeroporto, ao qual eu tinha direito. entrei no táxi, rolou aquele papo no motorista e combinamos 15,00 além do voucher e destino laranjeiras. ufa... então era só relaxar, finalmente, e curtir, à bordo, a zen passagem pela linha vermelha, deserta, num raiar de madrugada. tri legal...


:: extra! - hã? eu não disse nada...

a mesa da supervisora da companhia empilhava encaminhamentos para hospedagem, transporte e refeições. apontava ela para o amontoado, rindo de nervosa, enquanto emitia meu voucher. só nos instantes que eu estava ali, vi uma família inteira sendo despachada para hotel glória, inesperada casa até a manhã do dia seguinte, e um homem, perdido, querendo saber porque não havia qualquer previsão ou informação a respeito de um vôo que já devia ter partido. papo vai, papo vem, aprendi o que é a sacanagem chamada seqüenciamento em solo, e, já saindo, fui testemunha de uma revelação: a pobre, porém bastante unida e oportunista, classe de controladores de vôo estaria planejando - sim, planejando - para o carnaval uma reedição, mas com muito mais emoção, do natal de 2006. o plano, dizia a funcionária, conta com um arsenal composto por licenças, férias, greve. concluí que existem 25% de chance de ser um boato, 25% de ser vontade dela - no final desse dia horrível de trabalho - de descarregar um tanto do ódio jogando essa batata quente e quadrada noutro colo, 25% de eu ter sonhado isso, 25% de ser verdade. leu isso e vai viajar de avião no carnaval? bom, escolha o seu 25% e boa sorte.

Um cinegrafista da Globo andava lá pela minha mega-academia-tipicamente-carioca fazendo imagens para sei lá o quê, ontem. Ficou um tempo gravando cenas de uma das professoras da musculação alongando uma garota-carioca-sarada-típica-de-academias-cariocas, depois escolhendo outros garotos-e-garotas-tipicamente...você-sabe, para imagens "naturais" de músculos trabalhando com a galera puxando ferro, e tal. Então, estava lá o Gejfin-pouco-pouquíssimo-tipicamente...você sabe, empenhado fazendo sua série em um aparelho quando nota a aproximação do sujeito com a câmera. Pensa: ih, caralho... eu?!...

- Se importa se fizermos imagens de você?
- Ãh... não... não. Tranqüilo.

Então ele põe a câmera no chão, orienta o cara da luz e grava uns 30 segundos...
de um close up...
do meu ...
parado.

Ok.

~ Com muito trabalho, projetos, correria.

~ Com lições sobre como passar numa blitz da polícia carioca. Iniciante e não raras vezes um tanto avoado, fui neste fim de semana educadamente instruído pelo Seu Gualda a também desligar os faróis, para além de acender a luz interna.

~ Com preguiça de escrever.

~ Com apoio TOTAL a qualquer campanha que deseje o mal eterno à vagaba da Cic*relli, tal como essa aqui.

~ Com lentes de contato.