dezembro 2006 Archives
Acabou o Natal.
Fim. Fim das hordas ensandecidas de andróides-orcs marchando em círculos rumo aos penúltimos presentes, já que nenhum é o bastante para ser último, exceto na derrota pelo cansaço, célula humana fortaleza única da raça que ali resistia, presa à quarta vértebra, ou escondida atrás do baço.
Acabou o devorar acelerado sem fim do tempo, que na medida que vai miningüindo torna-se mais necessário de ser preenchido brutalmente de todo bem e preocupação e compaixão inverídicas esquecidas durante o resto do período e passível de legitimação sob a aura natalícia, lina, lúcia, lúcifer. Mas Papai Noel nada traz para quem apenas se comportar direitinho. É preciso poder comprar muito mais que isso.
Fim. Acabou o Natal!
E ontem estirávamos-nos sobre o tapete fino da areia, abençoada por um sol brilhante e quente que irradiava sua energia VIP pela praia maravilhosamente rarefeita. E hoje, o vento atravessava as janelas abertas do meu carro que permitia-se em movimento quase ininterrupto livre do rotineiro e infernal trânsito de de manhã cedo. Raríssimos sinais foram vermelhos. Flutuei em pouco além de 30 minutos, ouvindo música feliz, vendo a paisagem e o mar que de tão calmo parecida também compartilhar do mesmo que eu sentia. É finito o Natal! E a gota de suor que escorria da minha testa entendia eu poesia. E daí o calor sufocante da falta do ar-condicionado num verão carioca? Acabou o Natal! Tudo é maravilhoso.
Tal que é ali mesmo, sorrindo, que nasceu a idéia para este texto, dada a certeza invencível do meu eu mais íntimo de que o melhor do Natal propriamente chegar é, sempre, inegavelmente, que assim se anuncia, enfim, a morte definitiva da tsunami natalina. Ou pelo menos até o próximo ano.
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Mas há que se diga: minha noite de Natal foi (e o é quase todos os anos) enormemente linda.
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Um bom fim de Natal para todo mundo.
ou Tudo.

Domingo será o dia mais importante da história Colorada. Domingo, a final contra o Barcelona. Assisti ao jogo do Barça hoje e ficou claro aquilo que todo mundo já sabe há horas: não vai ser NADA fácil. Além de uma indiscutível qualidade técnica, acho que há ainda uma enorme vantagem num quesito de suma importância nesse tipo de decisão: experiência. O Barça é mais que um clube de futebol; é uma seleção, com todos os méritos individuais, além do talento com a bola, que jogadores precisam ter para serem escalados para seleções em qualquer lugar do mundo. No jogo, se equivalente o futebol, menos estarão psicologicamente afetados e menos atrapalhados poderão ser em situações críticas os jogadores do Barça do que os do Inter.
Cada jogo é um jogo, mas ter noção dessas diferenças e até que essa final prevista, se confirma, e vai ser difícil como já sabíamos que seria, faz com que o coração desde já fique pulando muito além do peito. Por outro lado, tranqüilos confirmamos também o que significa: dois times são indiscutivelmente os melhores de todo o mundo hoje. E somos um deles.
- Esse jogo poderia começar LOGO! -
Não sou lá um exímio entendedor de futebol, como são muitos dos meus amigos, e esquivo-me de análises técnicas aprofundadas. Entretanto, e por isso também, o que cai de maduro na minha frente é que para ganharmos será preciso ir além do futebol. A partir de agora, isso que eu desejo, o que mais quero - Papai Noel? - daqui de longe... de Tóquio, do Rio Grande, da massa Colorada. Quero ver o Inter comer a bola, levantar a grama, destruir os adversários. Quero ver gols impossíveis de serem perdidos por Ronaldinho, inacreditavelmente perdidos. Sorte. Quero ver toda a sorte do mundo. Ver fazermos os gols mais feios da história; de canela, de barriga, de bunda. A bola só precisa entrar, o resto não importa em nada, então que todos entrem junto com a bola. Que sejam mágicos em campo, espíritas, super-heróis. E nós pais e mães-de santo de qualquer que seja a religião. Que haja milagres para nos salvar de deslizes da defesa e ajuda sobrenatural que curve a bola em direção ao fundo das redes do Barcelona. Que o juiz erre para nós. Que a bola sobre pra gente, e mal dominemos e chutemos torto-de-qualquer-jeito, e que ela bata na trave e nas costas do goleiro deles, e entre. Ela, a bola, é vermelha e branca. Então que não faça desfeita. E que depois disso tudo, eu sobreviva; e saia por aí gritando que sou campeão do mundo.
Até lá, seja como for, fico experimentando o que já sei que levo daqui para o resto da vida. Hoje, vindo para o trabalho, ouvi a conversa de um segurança e um empacotador na garagem do supermercado onde deixo o carro. Um defendia que o Inter poderia superar fácil o Barcelona com o jeito de jogar do Colorado. O outro dizia que não é possível, que o Barça é o melhor time do mundo. Discutiam. Eu vi, ouvi e ri sozinho. Era do Internacional que aqueles cariocas estavam falando. O porteiro do meu prédio me aguardava ansioso ontem à noite; queria falar do jogo. Ontem, assisti em casa, mas soube que as TVs ficaram ligadas no trabalho e a galera parou para acompanhar. Acompanhar o Colorado. O que pode ter se repetido em São Paulo, em Buenos Aires, Barcelona, Paris, Tóquio. Era o Sport Club Internacional que eles estavam vendo. Internacional? Esse Clube aí que disputa com o Barcelona o título de campeão do mundo, no domingo, é o MEU Internacional de Porto Alegre. O Inter de metade dos gaúchos. O Inter da minha mãe; da minha fanática avó Adélia, que ia ao estádio e foi umas das primeiras sócias do Parque Gigante; o Inter do meu irmão. Não é qualquer Clube. É o Inter lá do Beira-Rio, da Padre Cacique. Da Minha história, das minhas camisas antigas, de vitórias e derrotas memoráveis, de jogos na superior sob frio e chuva. O Internacional que era invencível quando nasci; que vi ser campeão do Brasil uma vez, várias campeão gaúcho e, ainda ontem, vi ser capeão da Libertadores. Não é qualquer Clube, é o Meu Inter. O Inter da camisa vermelha que veio na mala, para o Rio de Janeiro; do escudo que tem na minha bomba de chimarrão. Domingo, jogam os dois melhores clubes de futebol do mundo. Um deles é o Meu Inter. Definitivamente, ~tudo~.
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Bom fim de semana e que domingo seja para nós, colorados, o melhor domingo de todos os tempos.
A última barreira
Gejfin no rápido processo de cariocação. Aos sete meses, cai a última barreira. Depois de começar a reclamar de chuva e dia cinza, ter comprado três sungas, sentir falta de praia assim num momento qualquer, aderir com gosto ao chopp (bem fácil) e comida de boteco (fácil fácil), aos sucos, sanduíches, açaí, e "mate" (admitindo a definição) com limão na areia, reclamar da Árvore da Lagoa e achar que é normal ser mal atendido ou fechado por dois ônibus ao mesmo tempo numa via de faixa única... fiz minha matrícula numa MEGA academia.
Barreira última, esta, claro, porque desconsidero em QUALQUER hipótese um dia falar chiando.
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Trocaralhos gráficos do cadilho
São tão infames quanto as criações exclusivamente escritas, e multiplicam-se pelo nosso já estressado campo visual. Hoje, no trânsito, na bunda de um carro, enorme, a logomarca da Intel com a inscrição: "Jesus Inside".
Raq, Gejfin e Tati: Feriado é bom (atrasado).
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Desumano: Olivia, fãs e autógrafos.
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Na Cola do Colorado: seguindo o Inter no Japão.
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Bom fim de semana.
Atrasado, como de praxe - mas você sabe como são essas coisas, né? - vim só indicar como leitura obrigatória este emocionante relato de cura desse tal Flávio, da Itália.
Hoje, primeiro de dezembro, é dos dias mais lindos. E não tem nada a ver com sol, com chuva, com tempo. Amanhã, então, é dia mais lindo ainda. Dois de dezembro.
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Dia cinco, próxima terça, tu aí que estás em Sampa, programe-se. Olivia (sem acento) Maia e todo o mundo de Olivia que mora dentro da cabeça dela lançam Desumano. Enquanto não tem lançamento no Rio nem posso comprar o livro, fico aqui me achando porque tenho uma versão do livro impressa na impressora jato de tinta da casa dela, encadernada na papelaria da esquina em São Paulo e autografada! Ah! Máximo isso, vai dizer?

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E bom fim de semana.