[Confirma]
Notas sobre as eleições.
Rio Grande
Foi lindo, lindo demais ver o Risotinho amargar um terceiro lugar na mais sincera representação da máxima "o que vem fácil, vai fácil". Pra mim a eleição dele sempre foi uma mentira, levando a um governo que também foi uma mentira, uma soma de zeros à esquerda, um rosto botoquizado sorrindo para a apatia de toda a terra no maior não-projeto de governo da história. Para o segundo turno, sei lá. Se eu estivesse aí, estaria engajado em campanha para o Olívio, que sou fã do bigodudo. Ademais, não arrisco qualquer tendência. O bom disso é que, pelo menos, acredito ter o PSDB algum projeto, mesmo que eu acabe não concordando muito com ele. Cabe à gauchada avaliar e tentar ver além do próprio nariz, decidindo o que é bom. Na análise mais simplista, o Rio Grande segue a onda, juntando-se a outros estados da federação na polarização PT-PSDB. Vamos ver no que isso vai dar.
Grande Rio
E se o Rio Grande se junta a outros estados na polarização, o Rio de Janeiro faz pouco caso da ordem política que vai se estabelecendo. Com flagrante impulso da desacreditada classe média-zona-zul carioca, Denise Frossard (PPS) vai com Cabral para o segundo turno. E o duelo, tal como se fossem de famílias faudais, se dará agora no poder que são capazes de exercer o clã Garotinho e o Clã Cesar Maia nas periferias, a massa de eleitores, absurdamente pouco ou nada favorecidos em relação às riquezas dessa terra, mas que formam o terceiro maior colégio eleitoral brasileiro.
São Paulo
Sem surpresas. A elite econômica, sem tomar conhecimento de qualquer outra elite ou de todas as não-elites, segue firme e forte, repetindo-se no poder, para que tudo continue por lá como está. Saber se o que está é bom ou ruim eu já não sei, eles que sabem. O que sei dizer é que uma gente que faz dos mais votados deputados federais eleitos - nessa ordem - Paulo Maluf, Celso Russomanno, Clodovil e Enéas... enfim, tem lá sua dose de estupidez. Daí resta saber qual parte (a estúpida ou a que tem uma melhor consciência política) que elegeu Serra e foi, como mega potência numérica em votos, responsável por forçar o segundo turno para presidente.
Bahia
Por essa ninguém esperava.
Brasil
E agora? Só desejo que tenhamos, como eleitores, a sorte de poder votar com a cabeça cheia de razões legítimas que nos levem a um ou outro candidato. E não dopados, atolados de imagens, representações, reinterpretações e o caralho à quatro que popula o espaço já extremamente poluído e confuso de tudo aquilo que, de fato, não é ou é, mas antes ainda acaba, tristemente, bastando em parecer ser, tomado como se assim fosse, genuinamente.
Aliás...
Subindo a placa do "eu já sabia", o modelo de democracia e representatividade é mais um dos mecanismos que beiram o xeque-mate na medida que todos os valores 'sólidos' que o sustentam vão se dissolvendo. Falo isso porque fica cada vez mais difícil se ter um sequer motivo realmente concreto, válido, inteligente e, mais difícil, com algum grau de profundidade, para ter votado num ou noutro candidato. Ou mesmo traçar diferenças reais (não especulativas ou abstratas - lê-se relações forçadas) entre adversários. Não que elas não existam, mas discute-se em outro plano, invertendo significativamente ordens de importância ou de reflexão sobre a realidade. Tal como também passo cada vez mais a me perguntar sobre o sentido que faz para as figuras públicas, atores desse baile de máscaras eleitoral - mesmo que de bom coração -, agir pelo bem público, já que nem bem "público" ou "coletivo" direito sabemos o que é mais. E, permanencendo esse jogo e essas as regras, estão aí os flagrantes da bagunça: viradas e surpresas de última hora. Pois, faz todo o sentido e a receita usa o principal ingrediente da satisfação contemporânea: o agora. Vai sempre se dar bem não aquele que expor um passado de respeito, feitos espetaculares, ou idéias revolucionárias para o futuro. Tudo depende do quanto se é capaz de construir o mais favorável "agora", sejam quais forem as verdades contidas nisso. Vale é a "sensação", não o fato. Ganha quem conseguir se tornar o mais apetitoso pedaço naquele momento. Ou o menos horroroso. Ou mais barato - que não exige muitos porquês da escolha feita. A perigosa política de supermercado. Ou de puteiro, com a diferença que depois de comer a puta e ela pegar o dinheiro, não vai embora nem vira pizza com Coca-Cola. Fica, por 4 anos.
panela nova é que faz comida boa...
conta comigo! eu sou uma das pobres mortais interessada no bla bla bla!!
lembra aquela do Zizek?
"não se faz a revolução pelo caminho da revolução. o revolucionário não está no lugar onde o sistema o espera."
aos agentes a quem tu te refere no texto, parece que um dia vestiram a camiseta da mídia revolucionária; e então entregaram tudo por um danoninho e um brinde.
maioria tá errada, e quem não tá errado tá sozinho, isolado ou é tomado por lunático - que é o teu caso. (heh)
como faz a ponte entre a incompreensão completa das TIC e o cenário que se aponta como possível e verdadeiramente novo para a ferramenta e as mídias?
respondamos, se possível! :)