outubro 2006 Archives
Lula lá de novo. Com a força... de uma campanha compententíssima de segundo turno. Tal como não foi a de Alckmin, que conseguiu perder votos em relação ao primeiro turno. E 2 milhões, o que não é pouco.
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Semana de três dias. Boa! De manhã foi segunda, agora é terça, à noite quarta e amanhã já é quinta.
~*~
E enquanto isso... fotos de um grande momento "quem diria?!". Rá, rá, rá... rê, rê.
Estar e ter que partir tão rápido
De Porto Alegre.
Ver que tudo continua lá, igual
E bom.
Reencontrar
Outros eus meus que lá estão.
Levar
Outros eus meus que agora me são.
Experimentar-me estranhobom
De não mais um só onde e um só quando
Mas de um grande tudo...
- maior saudade -
De todos juntos.
~*~
Algumas fotos no meu 8P. Em breve, mais.
~*~
O texto abaixo foi escrito entre os dias dois e onze de maio de 2006. Mas nunca achei que ficou tão bom ou tão acabado e, por isso, nunca foi publicado.
~ * ~
Eu tenho uma mania boba, que é a de não conseguir dizer "tchau" no telefone. Mando beijo, mando abraço, ou sai um "falou" ou "valeu", mas "tchau" não sei. É que parece que o tchau fica querendo dizer que alguma coisa mesmo acabou, e que os sujeitos que estão intimamente conectados naquele instante, de repente se afastam sem que muito um saiba mais o rumo que o outro vá tomar daquele segundo em diante.
É verdade que acho que sempre soube que isso ia acontecer, mas quando acontece mesmo é diferente: Tô indo embora.
Faltam algumas horas. Pouco, e desembarco num lugar que não é o meu, para ficar.
E engasgo; não sei bem o que dizer.
Não é nada fácil deixar o meu lugar para trás. É minha terra. Minha primeira casa. Porto Alegre. Rio Grande do Sul! Sei que no fundo nada está sendo deixado, mas, sim, também está. E a falta vai ser enorme. Pais, amigos, o Clube no Guarujá, breve Baixo Petrópolis, Feira do Livro, Ossip, churrasca, aquelas determinadas ruas e esquinas e espaços, o frio, a neblina, "guris"e "gurias"; até do Zaffari, reticências. Exagero? Posso vir quando quiser... Posso, mas vou chegar, e não mais estar. Reticências mais.
Não há nada mais líquido do que sair e partir para pertencer a outro lugar. E aqui, ainda mais fantástico, porque não vou para lugar qualquer, mas passo a imergir, daqui algumas horas, em uma cidade, cultura e pessoas que são por natureza os mais líquidos de tudo que até hoje eu já tive a oportunidade de conhecer, com todas as belezas e feiúras que isso representa, exala, produz. Prepraro-me. Terei que aprender um bocado. Beretear.
Eu, apenas um Gejfin, no Rio de Janeiro.
E fico tentando agora acreditar mesmo que umas das formas de liqüefazer a vida é descobrir que distância não é motivo para se ficar longe. Mas, caralho, falta imensa vou sentir de todo mundo. Nem fui, mas já não vejo a hora de aparecerem lá pra visita. Ou de, asssim de repente, eu ligar avisando que podem comprar a carne, fazer o fogo, colocar a água para esquentar e a Polar pra gelar, que tô chegando.
Vou. Muda o ponto. Previsão de ressignificações intensas para o próximo período. Novas conexões com o mundo. E tenho a sorte, a tranquilidade e a felicidade de aportar num lugar onde já me sinto em casa, onde as pessoas de lá, maravilhosas, sempre fizeram com que eu estivesse em casa, e que no ano passado encontrei alguém que me pegou pela mão e assim soubemos fazer um espaço e um tempo que mal tomava conhecimento de qualquer convenção física. Convidamos-nos a morar foi um dentro do outro, e tudo que havia de distante não fazia mais sentido. Tenho a sorte de chegar num lugar onde já estou, se não de fato, presencialmente líquido e fragmentado na atenção, carinho e amizade - e torcida - de gente que talvez mal saiba o quanto já é importante demais na minha história.
Opa, já estou atrasado.
O blog ficará um tempo quieto, até que eu possa me reorganizar. E talvez quando eu voltar, vocês encontrem aqui alguém diferente. Que permanecer o mesmo, sem me deixar atravessar e misturar com tudo que vai se apresentar daqui pra frente, não teria o menor cabimento. Tudo está sempre só começando.
Por hora, deixo-os já na companhia da minha saudade; um Gejfin tomado pelo ser Geva, nesse flutuar a dois centímetros do meu próprio mosaico de sentimentos, mas feliz da vida. Quer pelo que estou chegando, quer pelo tanto que comigo agora está indo junto. Neste momento exato, escrevendo do meio, digo a todos "até logo".
"Deus, por favor me dê cobertura!" Rio, aqui vou eu!
Tchau.
~*~
Postei isso para vazar a saudade um pouquinho. Enquanto não passa o dia, nem chega a hora, nem o avião decola e pousa, em Porto Alegre. Primeira vez que volto valendo para visita ao pago que deixei para trás em maio.
Bom feriado.
Apesar de desprovido tecnologicamente de uma zuper máquina fotográfica digital, aí vou eu descobrir o mundo marvilhoso (ou bizarro, depende) da flogagem. Seja lá o que esse termo queira dizer. Diversão, certamente. E aí o Oito Pê, como ferramenta, é o que há de supimpa. É!
Eu, então (ainda pobre, mas limpinho).
Nrlgstc, por Tiagón.
Mas divertido mesmo, é fazer flog de grupo. Willy, por exemplo, merece um, vai dizer? Ei!...
Go. Go. Convite, alguém?
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Verbeat.org nasceu em 2003 e se dedica a democratização da arte e da comunicação. Nestes três anos, algumas de suas iniciativas são o condomínio Verbeat Blogs [link], a Pesquisa Blogosfera Brasil [link] e o Manifesto pela Democratização da Comunicação [link]. Trabalhamos de maneira totalmente independente e sem qualquer tipo de orçamento.
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Notas sobre as eleições.
Rio Grande
Foi lindo, lindo demais ver o Risotinho amargar um terceiro lugar na mais sincera representação da máxima "o que vem fácil, vai fácil". Pra mim a eleição dele sempre foi uma mentira, levando a um governo que também foi uma mentira, uma soma de zeros à esquerda, um rosto botoquizado sorrindo para a apatia de toda a terra no maior não-projeto de governo da história. Para o segundo turno, sei lá. Se eu estivesse aí, estaria engajado em campanha para o Olívio, que sou fã do bigodudo. Ademais, não arrisco qualquer tendência. O bom disso é que, pelo menos, acredito ter o PSDB algum projeto, mesmo que eu acabe não concordando muito com ele. Cabe à gauchada avaliar e tentar ver além do próprio nariz, decidindo o que é bom. Na análise mais simplista, o Rio Grande segue a onda, juntando-se a outros estados da federação na polarização PT-PSDB. Vamos ver no que isso vai dar.
Grande Rio
E se o Rio Grande se junta a outros estados na polarização, o Rio de Janeiro faz pouco caso da ordem política que vai se estabelecendo. Com flagrante impulso da desacreditada classe média-zona-zul carioca, Denise Frossard (PPS) vai com Cabral para o segundo turno. E o duelo, tal como se fossem de famílias faudais, se dará agora no poder que são capazes de exercer o clã Garotinho e o Clã Cesar Maia nas periferias, a massa de eleitores, absurdamente pouco ou nada favorecidos em relação às riquezas dessa terra, mas que formam o terceiro maior colégio eleitoral brasileiro.
São Paulo
Sem surpresas. A elite econômica, sem tomar conhecimento de qualquer outra elite ou de todas as não-elites, segue firme e forte, repetindo-se no poder, para que tudo continue por lá como está. Saber se o que está é bom ou ruim eu já não sei, eles que sabem. O que sei dizer é que uma gente que faz dos mais votados deputados federais eleitos - nessa ordem - Paulo Maluf, Celso Russomanno, Clodovil e Enéas... enfim, tem lá sua dose de estupidez. Daí resta saber qual parte (a estúpida ou a que tem uma melhor consciência política) que elegeu Serra e foi, como mega potência numérica em votos, responsável por forçar o segundo turno para presidente.
Bahia
Por essa ninguém esperava.
Brasil
E agora? Só desejo que tenhamos, como eleitores, a sorte de poder votar com a cabeça cheia de razões legítimas que nos levem a um ou outro candidato. E não dopados, atolados de imagens, representações, reinterpretações e o caralho à quatro que popula o espaço já extremamente poluído e confuso de tudo aquilo que, de fato, não é ou é, mas antes ainda acaba, tristemente, bastando em parecer ser, tomado como se assim fosse, genuinamente.
Aliás...
Subindo a placa do "eu já sabia", o modelo de democracia e representatividade é mais um dos mecanismos que beiram o xeque-mate na medida que todos os valores 'sólidos' que o sustentam vão se dissolvendo. Falo isso porque fica cada vez mais difícil se ter um sequer motivo realmente concreto, válido, inteligente e, mais difícil, com algum grau de profundidade, para ter votado num ou noutro candidato. Ou mesmo traçar diferenças reais (não especulativas ou abstratas - lê-se relações forçadas) entre adversários. Não que elas não existam, mas discute-se em outro plano, invertendo significativamente ordens de importância ou de reflexão sobre a realidade. Tal como também passo cada vez mais a me perguntar sobre o sentido que faz para as figuras públicas, atores desse baile de máscaras eleitoral - mesmo que de bom coração -, agir pelo bem público, já que nem bem "público" ou "coletivo" direito sabemos o que é mais. E, permanencendo esse jogo e essas as regras, estão aí os flagrantes da bagunça: viradas e surpresas de última hora. Pois, faz todo o sentido e a receita usa o principal ingrediente da satisfação contemporânea: o agora. Vai sempre se dar bem não aquele que expor um passado de respeito, feitos espetaculares, ou idéias revolucionárias para o futuro. Tudo depende do quanto se é capaz de construir o mais favorável "agora", sejam quais forem as verdades contidas nisso. Vale é a "sensação", não o fato. Ganha quem conseguir se tornar o mais apetitoso pedaço naquele momento. Ou o menos horroroso. Ou mais barato - que não exige muitos porquês da escolha feita. A perigosa política de supermercado. Ou de puteiro, com a diferença que depois de comer a puta e ela pegar o dinheiro, não vai embora nem vira pizza com Coca-Cola. Fica, por 4 anos.