Quem é vivo...

... às vezes aparece.

Sexta-feira de outono. Outono-primavera-verão-quase inverno. E eu quase acreditando que fez frio mesmo. A julgar pelos casacos e comentários, os 20ºC são abaixo de zero. E se uma única certeza eu tenho agora sobre o tempo, é aquilo que todo mundo já dizia: frio é mesmo psicológico. Dias chuvosos, menos hoje. Céu azul. Fim da semana, primeira de trabalho novo, de tudo novo. E preocupado tenho ficado é em saber onde, diabos, coloquei as angústias e dificuldades de adaptação de quem chega de um lugar diferente? Ora bolas, não consigo achá-las em lugar nenhum. E a carteira de investimentos do fator estranhamento está percentualmente bem recheada não de Rio, mas de Barra. Ô esquisitices. Dei de cara com não-lugares ocupando áreas gigantescas e logo numa cidade que quando se lembra e imagina, só o que parece não ser possível é exatamente ter dentro de si algo que não signifique nada. Nem tudo é assim. Não vou ser tão malvado. Aqui, ali, acolá, até que tem coisas legais. Mas em geral, e o geral é bem grande, a que horas sai mesmo o próximo ônibus para o Rio de Janeiro de verdade? Ônibus. Resposáveis por parte da aceleração do meu ser em se tornar ser carioca. Já aprendi a fazer escândalo agitando os braços para o motorista resolver parar, e depois correr como um louco para embarcar, e que parada é ponto e descer é saltar, e que se não puxar a cordinha não há qualquer possibilidade de o maldito parar. Dentro, em movimento, outra interessante experiência: os condutores tem certeza de que o ônibus não é maior que uma magrela 125 cilindradas. Outro desafio é saber que linha te leva para tal lugar. Que um dia entrei num que dizia X e passava no Downtown e no outro dia esse mesmo X ia por outro lugar. Com um único destino, já peguei meia dúzia de diferentes, mas na dúvida sempre ao subir, pergunto se passa lá. Trabalho num lugar ótimo. Prédios baixos comerciais com uma área tranqüila de muito verde e fontes e laguinhos artificiais rodeando o lugar. Os laguinhos tentam reproduzir um cenário natural, então são cheios de pedras e plantas. A descoberta do almoço - e que deu uma forcinha para que eu tomasse vergonha na cara e escrevesse para vocês - foi ver que as pedras são falsas! Imitações, aparentemente muito bem feitas, mas não é que de repente, prestando mais atenção, notei que um exemplar danificado, grande, enorme, descolada das demais, incrivelmente habitava a água num gracioso f-l-u-t-u-a-r! Achei o máximo. Dei risada, lembrei de uma fábula que escrevi uma vez sobre pedras que não são pedras e ainda fiquei pensando o quanto divertido não seria sacanear um suicida com uma pedra que não afunda.

~*~

Bom fim de semana e até segunda.

anterior | home | próximo

comentários deste post (11)

7jun | Danilo Medeiros

Ou, como diz um amigo meu, "Quem é morto-vivo sempre aparece..."

Abraço, nouveau-carioca!

2jun | Luma

Downtown pra mim é diversão!! Seja bem vindo!! Se eu me adaptei, você também se adaptará! Beijus

31mai | Monica

Cara... Eu trabalho no predio ao lado... As malditas pedras sao fake??? Fuck!

29mai | Marco Aurelio Brasil

Xá ver se entendi. Trabalha na Barra e mora no Centro? Ou o contrário? Estive esta semana na Barra e tomei uma chuva desgraçada, fiquei todo ensopado, tive que comprar um guarda-chuva que tentei esquecer umas dezoito vezes sem êxito e que só esqueci momentaneamento quando tracei o mavioso Brownie da lanchonete que tem dentro da sala de embarque do Santos Dumont, especialmente porque o comi - o brownie - olhando pra Preta Gil que tava sentada na minha frente. Parecia pesadelo depois que, de volta à consicência de estar todo encharcado, percebi que estava no avião assentado ao lado de Jorge Vercilo. Mas por que é que tô te contando tudo isso, raios?

29mai | Rafa

ai, isso por sedex deve ser bem barato. quero 10!

26mai | Lisi

Pelamor! Quero uma pedra dessas agora!

26mai | Sergio

- Homem ao mar!
- Rápido, joguem-lhe as pedras!

26mai | Viva

Ah, eu tava doida pra ler as suas impressões de noveau-carioca! Adorei!
Não sabia que você tava trabalhando no Downtown! Estive lá essa semana...
Só lamento que você não tenha vindo morar no Rio ainda e sim na Barra...

26mai | Leila

Tá morando na Barra, fio? Eu te via num lugar mais como o Jardim Botânico, Gávea...

bjs

26mai | Juju

é... andar de onibus no Rio é uma aventura... pra que montanha russa?? hehehehe

boa sorte aí em tudo! e manda noticias!

26mai | Renato Rosa

Tá, tá. Sou o único com dificuldades de adaptação. Que saco. Pelo menos eu já conhecia a pedra flutuante. Que, inclusive, não são pedras, são aerolitos.

diga aí


Type the characters you see in the picture above.