setembro 2005 Archives
Rá! Peguei você do Bloglines! Viu só o poder dos títulos?
~ o ~
Senhoras e senhores, este condomínio de loucos, ratos, gatos e águas de coco, orgulhosamente apresenta a nova moradora! Fer, do Perdida na Tradução, estréia na Verbeat Blogs!
Na verdade ela já vem esquentando motores há mais de uma semana. Mas só não era oficial, porque para tudo ficar pronto dependia de um sujeitinho desprezível, desorganizado, desligado: o Gejfin. Não conheço ele direito, mas só ouço falar mal. Não me convide para beber uma cerveja quando este cara estiver presente.
Ah... mas esquece esse Gejfin e vai lá visitar a nova verbeater!
~ o ~
Crítica de sexta-feira aos fracassos da tecnologia
Se coisas estúpidas e baratas, como liquidificadores, são autolimpantes. Por que - diabos! (desculpa, Eunice) - carros também não são?
~ o ~
Bom fim de semana, autolimpante, para todo mundo.
Esse post faz parte da blogagem coletiva sobre a DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO, iniciativa do Nós na Rede, para incentivar a discussão pela blogosfera no momento em que o projeto que trata do assunto chega ao Congresso Nacional.
:: Da vida
Tudo começa em torno desse substantivo pequenininho, quatro letras, duas sílabas, tal de "vida". O que é a vida? De qual vida estamos falando? Onde começa a vida? Qual o limite para se "interromper" a vida?
Numa aula que tive sobre bioética com o Prof. José Roberto Goldim, uma das maiores autoridades brasileiras do assunto, o aborto, entre outros temas delicados, acababou dominando boa parte do espaço de debate. E conforme evoluía o papo, todos os assuntos acabavam afunilando e se encontrando numa mesma complexa questão: o agir em relação à vida exige que saibamos onde, de fato, ela começa, sugerindo que é só para fora do limite considerado “vida em curso" que possa se meter a mão. Perguntaram então diretamente: “Prof., para o senhor, quando começa a vida?” A primeira reação dele foi com uma risada. Depois, calmamente, disse que isso era o que mais respondia em tudo que é lugar que ia. E que diferente talvez da expectativa das pessoas, ele tinha em relação à questão uma posição clara e um tanto controversa. Daí lascou:
"Quando começa a vida? Ora, a vida já começou! E começou há milhões de anos. De lá para cá não houve qualquer interrupção. Se houvesse, não mais existiríamos. A vida, portanto, não começa com uma criança. A criança é tão só a continuidade da vida dos pais, vida que ao mesmo tempo que está presente na totalidade do ser, também está em todas "as" vidas que a compõe. Óvulo e espermatozóide já estão VIVOS quando se encontram. As células que resultam desse encontro, também. Muda a complexidade, mas não há um início determinista da vida, do ponto de vista biológico.”
Essa posição me conquistou significamente. E se não há um início biológico a ser considerado, começa então uma reflexão sobre outra questão: o que é a vida? O que dela faz parte para ser considerado? Pois a vida humana não é só respirar, pensar, simplesmente existir. E é uma hipocrisia (mesmo que seja de uma beleza hipnótica) pensar assim. Vida vai além. Vida, hoje, liga um mundo de coisas. E é radicalmente afetada, como também radicalmente afeta, toda estrutura econômica e social que orbita este único ser humano vivo. Da mesma forma que hoje, pensar “vida”, remete obrigatoriamente a “sobreviver”, incluindo todas as condições para que a vida se dê, seja fisicamente, socialeconomicamente ou psicologicamente.
No caso de uma mãe e uma criança sendo gerada, não é certo tratar a criança como uma vida separada. A criança tanto é uma continuidade da vida da mãe, como é em sua totalidade dependente (e resultado) também dessa vida. Não é certo, portanto, colocar a “vida” de uma mãe no mesmo patamar que se encontra a “vida” do filho que está sendo gerado. Elas não são iguais, nem tem a mesma importância, simplesmente por serem vidas no simplista conceito da existência como seres vivos. Elas são não só radicalmente diferentes, como também não são dissociadas uma da outra. E nessa associação natural, existe sim uma ordem a ser respeitada. A criança – ou tão somente um ajuntamento de células vivas – depende, enquanto estiver na barriga da mãe, exclusivamente da vida desta segunda. E de ninguém mais. Toda responsabilidade, cuidado, efeito e causa dela, é única e exclusivamente parte da vida da mãe. Não há outra ordem. Entretanto, o impacto que esta vida dependente tem e terá na vida da mulher é radical. E em última instância, a vida da criança depende, para se tornar uma vida plena de fato no futuro, da perfeita saúde (em todos os sentidos) de quem está gerando. Não assumir que existe esta relação de dependência e ordem de importância, é correr o risco de causar a destruição das DUAS VIDAS. E, sendo assim, parece-me lógico e legítimo que a mãe tenha totais DIREITOS sobre a vida que gera.
:: Do direito
Como negar a liberdade de decidir sobre sua própria vida a um ser humano? Esse direito precisa ser garantido. O aborto como crime é dizer que a ação de um indivíduo na defesa ou cuidado de sua própria vida é proibida. Isso não é absurdo? É absurdo.
Lutar pela descriminalização não é lutar contra ou a favor do aborto – isso é outra discussão. Lutar pela descriminalização é lutar para que toda mulher tenha DIREITO de decidir sobre sua própria vida.
O Estado não pode decidir uma questão tão íntima e pessoal do indivíduo. Onde fica a liberdade, a individualidade, a emancipação? Direção, esta, que cada vez mais é uma caminhada irreversível, gostemos nós ou não. Negar esse direito, além de tudo, ainda é um total retrocesso. Que não é grave só por ser um retrocesso, mas por expor essas mulheres a um conflito involuntário cujas feridas serão sentidas só nelas. Não é justo. Não é nenhum pouco justo.
:: Da estupidez
Palavra ríspida e forte. Mas considero-a pertinente para esta terceira parte.
Posso estar errado no que penso, mas é fruto de uma reflexão acerca da realidade. Aceito disposições em contrário, mas não há como admitir o tratamento deste assunto unicamente pelo reino do discurso. Isso que tem feito a Igreja e outros grupos, numa consolidação da estupidez. E a gravidade com que imprimo essa palavra é igual ao quão grave considero o posicionamento feito desta maneira, ignorando a realidade.
Ainda ontem muitos que participaram do primeiro Nós na Rede receberam comentários em seus blogs de um pessoal contra a descriminalização. Indicava um site. E, neste site, a apresentação exibia um texto chamado “Carta de um Bebê”. Narrado em primeira pessoa, sugere o “pensamento” do feto, que apela à mãe por sua sobrevivência. A iniciativa é desprezível. Tanto, que deveria ser este o crime.
E justamente atento a isso, complemento essa reflexão sugerindo que o combate à estupidez é também uma luta a ser comprada. A descriminalização é só o primeiro passo. Para além disso, é fundamental investir energia estimulando, claro, a prevenção, como também em estruturas de amparo a estas mulheres. Poderá ser ainda mais grave que a ilegalidade, o aborto legal feito sob uma teia moral e ideológica como essas que desembarcaram por aqui ontem, cujo resultado será uma catástrofe psicológica na vida de mulheres que ficarem nessa trincheira. Situação tão pior ou mais que se tivessem decidido parir o filho. Não ficaria espantando, aliás, se eu descobrisse que é exatamente essa a estratégia estúpida de alguns desses grupos. Golpe baixíssimo.
:: Das considerações finais.
Em síntese, o que penso: o apelo à vida, para argumentar contra o aborto, é uma bobagem. É inconcebível que o direito de decidir pela prórpia vida seja negado a uma mulher. É imprescindível que, uma vez descriminalizado, todas as mulheres tenham todo amparo social e psicológico, especialmente das pessoas de seu convívio mais próximo, com seriedade, para que esta decisão solitária se dê na mais plena saúde psicológica, onde investidas detestáveis de convencimento fruto apenas do entendimento do assunto como uma questão filosófica ou religiosa, não passarão de uma fatal ignorância da realidade humana.
E vejam, que é uma incoerência. Pois os mesmos grupos que lutam contra o aborto, alegando que a vida deve ser preservada por não ser direito de um ser humano interferir drasticamente na vida de outro ser humano, estão se achando, ao mesmo tempo, detentores de um poder de interferência direta na vida e morte (de vários aspectos da “vida”) dessas mulheres.
Pela descriminalização do aborto. Pela chance de poder esclarecer, ouvir e entender as mulheres, mas deixando que decidam sobre suas vidas. Pelo amparo a elas em sua decisão, seja qual for.
Fim de semana de teatro, no Porto Alegre em Cena. Quatro peças (por uma bobagem não consegui ver mais), sendo duas sábado e duas no domingo, dia de encerramento do evento.
:: Afuera - Argentina
Ótimas interpretações dos nossos hermanos (Juan Pablo Garaventa; Valeria Lois; Martín Piroyansky; Lorena Vega), numa trama movimentada (literalmente, que eles não param e dançam e pulam e correm). Tudo se passa num palco, um segundo palco, que é o terraço da casa de Lola e Julio, anfitriões da festa que acontece no andar abaixo. E enquanto o casal em crise discute suas paranóias, a amiga maluca de Lola e seu filho retardado Adrián, imersos na suas loucuras, acabam atravessando também todas as loucuras dos outros. Aliás, atravessam bem mais até. No andar abajo, os problemas são acobertados. Arriba, explodem. E o limite é o equlíbrio no pára-peito, onde todos sobem para ir ainda mais fundo em si mesmos. O exagero, o patético e o humor dão o tom. "Existe um lado de cá e um lado de lá... no meio uma avenida, onde passam carros, caminhões, ônibus, motocicletas, microônibus que vão ao interior..."
:: Regurgitofagia - Brasil/RJ
E dá para descrever? Pouco. Michel Melamed, o texto, a crítica, a arte, os choques. Não cabe tudo num só suporte. Não cabe tudo nas minhas palavras. O que cabe, cabe somente às palavras. Tudo bem, é parte; putz, é SÓ uma parte. Declamei junto, em silêncio, fragmentos da poesia do artista que sabia de cor. Mas Regurgitofagia é difícil de explicar. Até porque qualquer explicação que eu desse, valeria talvez tão somente para mim. Ao invés então de me alongar no comentário desconexo, digo apenas isto, de toda franqueza: se tiveres chance, não perca de ver esta obra. Pode ser, claro, que no fim você vá embora e nada. Eu vou entender. Acho que o Michel também vai. Tosse? Ora, tosse já foi.
:: Sonho de um Homem Ridículo - Brasil/SP
Sob direção de Roberto Lage, o conto de Dostoiévski ganha vida no espaço pequeno do palco, que é ampliado espantosamente nos 70min de monólogo quase sem pausas. Não passam 5min e Celso Frateschi levou-me embora dali do teatro. Num domínio espantoso do texto, longo e denso, e caracterização impecável, o ator nos leva fácil às difíceis profundezas da inquietação, consciência, loucura; realidade e sonho de um homem ridículo; humanidades. Um soco no estômago, é prudente também avisar-te. Mas não que seja um soco cujo sentir não é necessário. Bem pelo contrário.
:: mPallermu - Itália
Italianos e loucos. Ou loucos e italianos (Gaetano Bruno, Sabino Civilleri, Tania Garribba, Manuela Lo Sicco, Ersilia Lombardo). Não importa a ordem. Quer dizer, importa, na hora de saber de quem é o doce. A história começa com uma família que se arruma para sair. Só que eles não conseguem. Hora porque implicam com os chinelos de Rosalia, hora porque as coisas não dão certo mesmo. E o tragicômico se desenrola com direito a tiradas engraçadas, personagens caricatos (a vovozinha era a coisa mais querida...), uma sujeira no palco e todo mundo pelado. No meio de tudo isso, um trabalho de palco lindíssimo, na ausência total de cenário. Cenas maravilhosas, como o balé de Mimmi com a cinta atrás dos outros personagens, ou quando todos eles tomam um banho com um galão d`água, a luz e movimentos que, não por acaso, remetem quase que imediatamente à bela arte do cinema italiano.
Momento bereteio: ficar vendo a anfitriã Dona Eva Sopher na entrada da platéia, recebendo o público, no seu/nosso queridíssimo e especialíssimo Theatro São Pedro.
Momento blé: assistir à peça na mesma fila e a três ou quatro poltronas de distância, do prefeito de Porto Alegre e sua esposa, e não poder xingá-los nenhum um pouquinho.
Momento ~ohh~: Manu~~.
Momento líquido: tudo. Estar e saber estar lá, bereteando. E acreditar no que acredito ser certo, sempre.
As salas, na ordem: Sala Alvaro Moreyra, Auditório do Instituto Goethe, Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mário Quintana, Theatro São Pedro.
~
~~ o ~~
~
Feliz aniversário para o Seu Golmir! 27 de setembro, dia do Grande Gejfinbein, meu paizão! Parabéns, pai! :)
~~ o ~~
Lembrete: nesta quarta-feira, dia 28, tem postagem coletiva Nós na Rede. Dessa vez sobre a descriminalização do aborto. Se tens uma posição sobre o assunto e vais publicar tuas idéias na blogosfera, não deixe de avisar o Nós na Rede e participe desta iniciativa.
O que pode acontecer numa sexta-feira?
~ Eu ficar gripado. Atchooo!
~ Eu trabalhar feito mula.
~ Idelber homenagear o clube aquele da segunda divisão. Tudo bem. Há de se reconhecer a homenagem. Até porque, antes, primeiro, viemos nós, o que deixa as coisas bem entendidas sobre como a ordem dos tratores dá respeito ao viaduto. E tchê Idelber sabe das coisas. Sabe mesmo.
~ Eu pensar que nem era para falar, assim, na lata. Mas já que Biajones falou, falo eu também. Por que não, né? Veja, veja o que estamos aprontando!
~ Tsss! Tsss!
~ o ~
A minha idéia aquela do "Qual é mesmo o nome daqueles caras?" podia ser realmente divertida.
~ o ~
E agora, uma canção para você, que está aí perdido na transcedente existência do seu eu significado e que significa, não necessariamente nesta ordem.
Quando tudo parecer
Quando tudo parecer
Assim meio cinza...
Veja bem,
Veja bem,
Não fique assim.
Só se tudo
Só se tudo
Parecer fúcsia...
É que você
É que você
Vai perder.
Obrigado.
~ o ~
No próximo bloco: tailandesas nuas apresentam a dança do repolho, sem as mãos. Fique com a gente. (Mas se não quiser, tudo bem, eu vou entender).
"Será que tem mais alguém aqui?" penso em silêncio dando por mim neste lugar escuro e estranho. Por sorte ninguém responde, excluindo alguns ruídos distantes. Será que devo ficar apavorado? Não consigo. Antes disso, mais esquisito, é que não lembro de algo sequer a respeito de mim e de como vim parar aqui. Tudo bem, posso ter batido a cabeça. Quem sabe, tão logo, minha memória volte perfeita? Se bem que duvido da minha sorte. Estando ela - a sorte - mesmo ao meu lado, pelo menos podia estar aqui um pouquinho mais claro.
(primeiro parágrafo do conto "Que Deus me Dê Cobertura" - Eu mesmo)
meu Rio Grande, no que fico te devendo a homenagem de próprio punho, deixo-te com as palavras de um tchê-irmão.
Procuro por "Gejfinbein" no Google, só para ter certeza do que o Tiagón me disse dia desses: Gejfin, o mais engraçado de procurar teu sobrenome no Google é que só aparece tu.
Passeando pelos links, um a um, cheguei nesse aqui. Um pequeno site pessoal, sem identificação, dedicado à cidade de Dom Feliciano, aqui no Rio Grande, terra natal do meu pai e último destino do meu avô, depois de ter deixado o berço dos Gejfinbein na Ucrânia e ter perambulado o mundo.
Na home, a história da cidade. Emancipada em 1963, teve primeiro prefeito e vereadores eleitos só no ano seguinte. E quem ocupou uma das cadeiras do legislativo? Está lá: Pedro Gejfinbein. Sabia que ele tinha sido político, mas não sabia que meu avô estava entre os primeiros vereadores da cidadezinha. Que afudê isso.
E fascinantes também as datas. As eleições para essa primeira administração ocorreu em 19 de março de 1964. 12 dias mais tarde, como sabemos, o Golpe.
- Vô, me conta essa história!
Era o que eu queria dizer para ele agora. Não posso. E fica doendo, lá no fundo, saber dessas 'coleções' que serão sempre incompletas.
Vocês não acham títulos pessoas complicadas, às vezes?
~~ o ~~
Nada como ficar a contemplar as próprias (e alheias) alucinações, misturando depois. Ontem, uma tarde chuvosa no universo inteiro (ao que pareceu) - tudo chovia - dialogar via Messenger salvou mais uma vez o meu mundo das cáries.
Estávamos eu, Chris Nóvoa, Patrícia Köhler e Tiagón. E enquanto a Chris bebia umas 2(12) cervejas - e caía -, Tiagón e Pat outras (menos, bem menos que a Chris), criávamos a campanha "Venha Ser Pobre no ~Rio~", decidíamos que P-SOL é muito melhor como marca de cerveja do que como nome de partido. "Me vê aí uma P-Sol bem gelada". Inventamos até slogan: P-SOL, a cerveja que desce gritando. E suas versões: Pilsen Luciana Genro e P-SOL Babá, a primeira cerveja com barba. Heloísa Helena seria a garota gostosa do comercial, fantasiada de seria, bebendo P-SOL na pedra, enquanto o Severino, enfeitiçado, iria ao seu encontro caminhando sobre as águas. Emocionante. E como se não bastasse, ainda deu tempo de criar uma pequena novela, estrelada pelo Francisco Cuoco e pelo Mário Frias, que se passa numa academia de ginástica facial. Trocamos confidências também: todo mundo disse a idade.
O mundo, nessas horas, realmente é um lugar bacana para se viver (e se comunicar).
E muita coisa rolava também em outra janela, com a Ministra Olivia e a Poderosa Garota da Privada. Mas sou apenas um Gejfin, era domingo, o dia estava cinza e, e, e... enfim, perdi.
~~ o ~~
Meu time é líder do Brasileirão. Bonito isso. Dá-lhe Inter. Ou, melhor ainda, como disse um torcedor entrevistado pela Rádio Gaúcha: "Sobis, Inter!" - Rá rá rá (horrível)!
~~ o ~~
É o meu Rio Grande do Sul...
Amanhã é 20 de setembro, Revolução Farroupilha.
Dia de reforçar valores de uma terra e de uma gente, que antes ser brasileira, tem orgulho de ser gaúcha.
E ontem aconteceu de novo, na final do FAMA - que vi com a Lisi, tomando um chimas, porque ela descobriu que teríamos a ilustríssima presença do Roupa Nova no programa -, juntou no palco todos os participantes e a dupla gaúcha saca não sei de onde uma enorme bandeira do Rio Grande. A única bandeira de qualquer coisa. Fico pensando em como o povo que não é daqui deve se dividir nas impressões, achando isso muito legal, ou deveras arrogante.
Ah, eu sou gaúcho! É isso.
"Sempre começo com o piano, mas eu queria tanto mostrar a vovó pra vocês, então comecei com a flauta. Mas agora sim, vou tocar uma de piano. E vai ser improviso. Vocês vão fazer a música comigo. Só peço desculpas porque não vou ter dinheiro pra pagar os direitos, mas o pessoal do teatro grava e daí fica para vocês. Vamos lá... O nome da música é... vou batizar agora... é: Eu, Hermeto Pascoal, amo vocês."
Há pouco, numa fria noite de quinta-feira em Porto Alegre.
Espetáculo 4X Brasil: Itinerários da Cultura Brasileira, projeto patrocinado pela Copesul, que trouxe ao teatro do SESI, por humanos 15,00, Orquestra Camaratta Porto Alegre, Borghettinho, João Tavares Filho, Fernando Deghi, Zeca Collares, Francis Hime, Duofel, Hermeto Pascoal e MPB4.
Não há o que descrever. Só estando.
Ou, para vocês entenderem, dá para dizer apenas que tem coisas capazes de recomeçar a gente.
~ o ~
Um fim de semana de ótima musicalidade (com ou sem som) para todo mundo.
Grita Lucius, líder da Gangue dos Ratos, os camponeses rebeldes que moram nas cavernas. E então a imagem dos derrotados e mutilados guerreiros, à luz de velas e ao som de gemidos é a deixa para a próxima cena.
Jack Deth, nosso herói, tenta com alguma dificuldade decifrar o texto de um livro antigo. Ele acredita que está ali a chave para reabertura do portal que o levará de volta para sua dimensão natal. Tem a ajuda de Próspero, filho mutante do terrível ex-imperador que foi desintegrado por Jack Deth (sempre dito com o sobrenome) na história anterior.
Próspero sofre pelo amor proibido, óbvio, de uma parente num grau que não lembro de Lucius, o senhor dos rebelados.
Na verdade não tenho absoluta certeza se Jack Deth é mesmo o mocinho e por que cargas d'água os rebeldes lutam contra ele e Próspero se, ao que parece, o ex-tirano só foi derrotado porque o filho, de bom coração, decidiu lutar junto com Jack Deth ao lado dos rebeldes. Devo ter perdido muita história ou, o que é provável, nada mesmo faz qualquer sentido. Também não deu para saber ao certo como entra na história uma linda ruiva com peitões que corteja Jack Deth o tempo todo, levando frutas e lembrando dos seus maiores feitos. Chuto que ele tenha salvado a moça em outra parte. E um salvamento de respeito, presumo, ou ela não diria: jamais abandonarei você, bravo guerreiro e um leão selvagem na cama.
Não, não inventei nada disso. Eu juro.
O TIRA DO FUTURO V - A volta para casa -, foi o filme, um tanto involuntário, de estréia do meu sofá, agora no início da tarde quando recebi e desempacotei o móvel. Sessão Matiné 2, da TV Guaíba, o canal local que não desiste nunca.
Nem preciso dizer que ROLEI de rir com o texto, em falas dubladas é claro. Como a frase que dá título a este post ou esta máxima de Jack Deth, num desentendimento com seu amigo mutante:
"Não tenho medo de ninguém, muito menos de um cérebro de lesma como você".
Update: O título original é "Trancers V - Sudden Deth". Sim, Deth é o sobrenome de Jack e o título é um infame trocadilho. Também acabei de descobrir que existe ainda uma continuação! Trancers VI, que foi rebatizado mais tarde com o subtítulo também infame Life After Deth.
Esse Bauman é um fiadaputaducarái, de novo. Como é que ele fala assim?
"É exatamente isso que faz o amor: destaca um outro de todo mundo, e por meio desse ato remodela um "outro" transformando-o num “alguém bem definido”, dotado de uma boca que se pode ouvir e com quem é possível conversar de modo a que alguma coisa seja capaz de acontecer. E essa alguma coisa significa concordar com uma vida vivida, da concepção ao desaparecimento: aquela vaga extensão entre a finitude de seus feitos e a infinidade de seus objetivos e conseqüências."
Na minha cara. Problema é que b.e.r.e.t.e.a.r faz com que o amor, se assim é definido, transcenda pessoas, transformando toda coisa toda hora, ao alcance dos sentidos, num algo bem definido do qual não só escuto, mas leio e observo e registro; acontece TUDO.
E se amar está fora de moda neste presente da sociedade moderna, sendo bem verdade isso, meu exílio é intenso como puder ser imenso - por que não dizer infinito - o tamanho das sensações nascidas de quando bereteando no mundo.
Foda, vai dizer?
Mas escapo, confundo e ressignifico e aproveito, porque também tudo depende do quanto, mesmo em relação ao próprio fluido efeito, eu puder ser líquido.
Bauman, fiadaputaducarái. Sou fã desse cara.
Nossa pequena joaninha carioca do narghee~la e a Verbeat estão hoje no Jornal do Brasil, na coluna Conexão Blogger.
E Jojo diz assim:
"Muitos valores obsoletos estão se perpetuando nas novas gerações através de uma roupagem modernizada, tecnológica. E para produzir idéias nômades que façam a revolução tecnológica valer, é preciso sair um pouco das zonas tecnologicamente intoxicadas para sentir o orgânico da vida, porque é a isto que a tecnologia deve servir acima de tudo".
Rá! Eu já tenho minha caneta para escrever no espelho. Que espelho? Meu apartamento tem uma parede espelhada na sala, além de um toldo na janela. Não, não é culpa minha qualquer dos adereços. Sou totalmente inocente. Mas o que não quer dizer que não possa também ser tri divertido. O espelho mais que o toldo, claro.
~ o ~
Comi um sundae do McDonald´s e ganhei Big Cards Mamíferos. As cartas são numeradas, do 3 ao 18. Que lógica tem isso? Essa infância pós-moderna me assusta. Diga um número de 3 a 18 que digo que mamífero você é.
~ o ~
Descobri hoje que meu símbolo cigano é CANDEIAS. E que sou uma pessoa da luz e da verdade, da sabedoria e da clareza de idéias, de muita esperteza e vivacidade.
[Por isso ando tão cansado]
Que sou também comunicativo e faço muitos amigos.
[Calma, amigos, vocês são especiais. Tem uns aí que são só conhecidos. Não dêem assim tanta bola para os ciganos]
E que adoro estudar e pesquisar, desde que seja relacionado comigo mesmo.
[Minha orientadora, que é psicóloga, já sabia disso]
Diz também que sou romântico. E que quando quero algo, consigo.
[Opa! Vou fazer um teste. Atenção... pronto, já tô querendo muito. E agora?]
~ o ~
Bom fim de semana.
Está ouvindo o despertador? Então acorda, que já é oito de setembro. Acorda do feriado. Acorda das comemorações cívicas. Acorda da encenação, dos desfiles, da esquadrilha da fumaça.
Acorda da independência do Brasil, cidadão.
Acorda, que tem muita coisa que não marcha sincronizada.
Acordou? Então agora levanta. Que hoje não é mais sete. Esquece o grito, que já foi dado. Levanta e te mexe; não descansa até saber o que fazer com ela, a independência, depois de proclamada. Temo que ainda não saibamos direito.
O dia depois tem sido muito parecido com a véspera. Já não basta reafirmar independência com desfile de forças amadas. Que coisa antiga. Como é antigo comemorar a independência e no dia seguinte ser pouco diferente do que éramos na véspera, mesmo que digam o contrário.
Não são poucas as liberdades que precisam ainda ser conquistadas. Quando seremos livres da falta de dignidade humana, ou deixarmos de ser dependentes daquela mania de gritar bastante, mas não querer fazer muito, e fazer pouco, ou nem fazer sempre? Vamos despertar do dia sete e da história. Comemorar nossa independência devia ser unicamente transformar o dia seguinte.
Acorda e levanta, que hoje é oito de setembro, dia de saber o que fazer com a independência.
* * *
O Nós na Rede é uma iniciativa da Blog-Left, um grupo de discussão qualificadíssimo de blogueiros que resolveu trazer para a rede, em ações coletivas, algumas das discussões e assuntos que consideram relevantes, pertinentes, urgentes. Está só começando, mas a pretensão é que possamos, quem sabe, fazer da palavra que circula nos blogs, de forma conjunta e organizada, uma força capaz de modificar, movimentar, mobilizar.
A próxima ação já está marcada: dia 28 de setembro, sobre a descriminalização do aborto. Não deixe de acompanhar e participar.
A Verbeat.org apóia irrestritamente essa idéia da Blog-Left e é muito bom ter o Nós na Rede por aqui.
Terrível acidente pára o trânsito já confuso do centro da capital gaúcha nesta manhã de segunda-feira. Um caminhão carregado bate em alguma coisa e espalha pela avenida metade da sua carga. A carga? 7 mil FRANGOS. Vivos.
A comunidade de solteiros que moram sozinhos, consternada, reza missa nesta terça pela alma desses milhares de nuggets que agora jamais habitarão nossos congeladores.
E se você é um (solteiro, não frango) desesperado com a possibilidade de desabastecimento, e que por acaso venha a avistar uma ave sobrevivente na calçada, não ouse sequer pensar em apanhá-la para tentar um empanado caseiro. É terminantemente contra as regras. A pena, severa, inclui uma dieta de chuchu e brócolis cozidos no vapor.
Daqui do meu do abrigo subterrâneo, não dá pra blogar, nem ter idéias.
E agora dá licença que preciso quebrar o gelo dos meus outros 19 dedos.
~ o ~
Bom fim de semana.
Nuggets?
Tiagón ensina tudo. Imperdível. Eu disse i m p e r d í v e l.
~ o ~
A responsabilidade
É só buscar no Google por "síndico" que lá está o Blog do Gejfin entre os primeiros. Tremei, verbeaters! :D
~ o ~
O design gráfico em discussões focadas e conclusões subjetivas
Renatinho, slavedesigner nas horas vagas da Verbeat, e Moe, o editor do buzzine!, diablogando no Untitled.
