maio 2005 Archives
(versão do diretor)
Dá pra repetir o título?
Ah... começo por onde, meu deus? Contar desde o dia que eu nasci é muito tempo. O que eu faço? Vou cortar umas partes. Na primeira série eu ganhei uma medalha de honra ao mérito da minha mãe. Tá... mas isso é importante? Não sei como fazer autobiografias. Bem que alguém podia me dar uma listinha de fatos da minha vida. Mãe, me ajuda? Posso entregar depois? É muita pressão. Muita pressão! Eu nem lembro de muita coisa. Quem sabe fica para uma outra vez? Ou só se faço um texto sem preocupação e depois alguém organiza, ok? Fechado... ah é mesmo? Não... sei lá... é que pensei que não dava. Droga. Como eu começo um texto sem preocupação? Como é a vida sem preocupação? Tá! Já sei, já sei. Vou pegar alguns detalhes, algumas histórias pitorescas, posso? Beleza! Então... então... meu deu um branco. Respira, respira Gejfin. Vamo lá: Quando eu... quando o Gejfin... Opa, será que conto na primeira pessoa ou faço mesmo uma coisa meio pós-moderna e conto de mim na terceira pessoa? Saco... por que diabos eu fui dizer que topava?
Prazer, vou te deixar o meu cartão.
Nasci em 31 de maio de 1978. Eu não acredito nessas coisas aí de anjos, mas dizem que 31 de maio é um dos quatro dias dos gênios da humanidade. Isso é legal. Sou geminiano e adoro. É o melhor de todos os signos. E como se não bastasse, sou gêmeos com ascendente em gêmeos, o que dá muita gente. Acho bobagem ficar contando aqui histórias, ainda mais de quando eu era pequeno. Era bobo, tímido, quieto. Mas não sou mais não. Diz qualquer coisa aí e vê se não te convenço do contrário? É 8 ou 80, meu caro. Tá bom, posso não convencer, mas tento. E se não convencer, também e daí? Problema teu se queres continuar errado. Vamos falar do futuro? Vou fazer muitas coisas. Sai da frente! Alguns segredos? Trabalhar, abrir portas. Relevar o que incomoda. Sem atritos. Dizer não na hora certa. Aliás, vou indo. Tenho uma porção de coisas importantes para fazer. E é preciso terminar tudo para dar conta de mais um pouco. Não há tempo a perder. Pessoas paradas demais me irritam. Muita coisa me irrita, na verdade. Me liga um dia. Até mais.
"Mão direita. Mão esquerda. Nossa, então isso é que são dedos! Lá embaixo tem mais. E mais um no meio. Só não entendo porque são quatro séries de cinco e aquele ali está sozinho. Se bem que alguma coisa me diz que eu vou gostar mais de usar ele do que todos os outros vinte."
Foi assim que imaginei ter me descrito antes de nascer. Gosto do apelido Geva e atenderei sim por ele quando me chamarem. Acho que é um boa forma de começar a contar minha história. Na verdade nem sei bem onde ela começa. Não é fácil falar da gente. Precisa mesmo? Precisar é chato. Bom é querer. Bom é sair caminhando e acontecendo ao mesmo tempo em que tudo acontece na gente. E, sei lá, assim ir tocando. Ainda ontem me dei conta de que se completo hoje 27 anos, é porque entro no 28º ano. Que será que pode acontecer? Muita coisa. Mesmo que seja bem pouquinho. Muita coisa acontece... tanto que fico com medo de não dar conta. São tantas histórias, e tantas assim tão perto. Não acho que tenho muita coisa a dizer para as pessoas, mas me emociono toda vez que vejo alguém se desligar de tudo assim do nada, para um olhar diferente. E se suspirar então, juro que desmorono. Vou ficar sem palavras. Beretear parece uma coisa boba, mas e a graça do que não é? Essa gente toda correndo - meta, objetivo, espera, esperança - para que mesmo? Passam lotado. Andam se colecionando pouco, se vendo pouco, fantasiando pouco. Bom é flutuar a dois centímetros do chão. Uma Polar, por favor. Quem me acompanha?
Auto.bio.grafia. Posso chamar de outra coisa?
Gejfin, vem de Gejfinbein, que é judeu ucraniano. Parte de pai só, o que me desclassifica perante a lei religiosa. No fundo, então, sou só um cara qualquer com sobrenome difícil pra caramba. Até chegar no segundo grau era um idiota. Eu acho, pelo menos. Depois as coisas mudaram. E mudaram de novo depois na faculdade. E vem mudando sempre agora, e acho que cada vez mais rápido. Terminando de escrever esse texto já mudou tudo. E isso que vou terminá-lo bem antes de publicar, que é quando alguém vai ler. Alguém vai ler? Quem vai ler? Ah! Queria conhecer todo mundo que passa por aqui. Uma vida pode ter se passado enquanto eu pensava em escrever uma frase dizendo isso, sabia? Tudo é muito louco. Se tem duas coisas que gosto de acreditar é que 1) o tempo não existe; 2) tudo é uma grande mentira. Junta isso e fica realmente difícil saber que diabos a gente faz aqui, ou pra que serve qualquer coisa. E daí é que a gente acerta: porque sim, nada faz mesmo sentido. Então vamos relaxar. A gente está nessa coisa de vida é por esporte. Difícil viver sem sentido? Ah pára! Desfaça porquês, desfaça. Ou refaça. Divida o tempo em momentos, embaralhe e sorteie. Cada fração tem a duração que quisermos, seja a instantaneidade ou a eternidade. Claro que posso não estar certo, mas são limitados também os argumentos possíveis para tentar provar o contrário. Serão argumentos sólidos. E quanto mais insistir em argumentar, mais sólido será, provando que estou certo. Tem muito mundo aí para ser mudado, amigos. É muita coisa. Está tudo errado. Mas por outro lado, é divertido pra caralho. Vem. Dá aqui a mão que quero te mostrar. E é agora!
~~ o ~~
Agradecimentos: aos meus pais, Marize e Golmir, porque é óbvio que se não fossem eles, eu nunca estaria fazendo hoje 27 anos.
~~ o ~~
;)
A Dani, do bom MadTeaParty, publicou este texto no Digestivo Cultural. A dica foi do Chato. Leiam! Leiam!
Aproveito para postar uma outra referência que passou pelas minhas mãos essa semana, via blog-left. Começou aqui, quando um jornalista perguntou a Löic Le Meur, blogueiro francês, se existe uma "cultura blog". Então ele listou o que considerou algumas características e a discussão, como é de praxe, tomou forma nos comentários. O post também tem uma ponte em inglês. Sobre isso ainda tem informação aqui e aqui.
Como hoje é sábado e estou com muita preguiça, sirvam-se destes bons links e a minha contribuição fica restrita a uma idéia que pego emprestada de Neil Postman:
"Nós não vemos a realidade como ela é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossas mídias. Nossas mídias são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo de nossa cultura."
ou É muita coisa II
Porto Alegre, 10°C, amanhecendo sob neblina - visão de no máximo uns 200m - é tudo.
~~ o ~~
Milton Ribeiro, sim, ele, o mito, o Milton, e a igualmente incrível Cláudia (não lincável ainda; em breve), sua ilustre esposa, receberam eu e Tiagón ontem para jantar. O cardápio foi uma obra de arte dela, uma ANTONINI, que é só para deixar claro de qual cozinha estamos falando. Mas vou poupar-te do sofrimento e da inveja, e não vou detalhar o prato, ainda mais que é perto da hora do almoço. Sabes como conheci Milton Ribeiro? Nem família, nem amigos em comum, nem um encontro casual. Foi por aqui: blogs. E então ontem lá estávamos nós com este figura que propositalmente escreveu esta semana um belíssimo post para bem pressionar eu e Tiagón a tocar um projeto. Depois diz que teve há pouco uma experiência desagradável quando se deu conta que um texto publicado poderia estar falando de um jeito estranho dos seus amigos. Amigos? Sim, amigos. Sempre me atrapalhei nessas coisas de dizer obrigado. Mas, tchê, obrigado. Lembro então das discussões sobre o que são blogs. Digo: pouco importa a definição. Antes de qualquer coisa, descubro e reafirmo que são valiosíssimas formas de relacionamento. Ah o elemento texto... Se relacionar através da escrita e leitura é forte! Muito forte. Especialmente quando os sujeitos desse encontro o exercitam com sinceridade. Blogs, assim, são fácil fácil um caminho para se fazer grandes amigos.
~~ o ~~
Ontem dediquei boa parte do dia a fazer algo que já queria há um tempo: explorar a "blogosphère" francesa. Ainda vai demorar um bocado para que eu consiga constituir uma qualificada rede, resultado dessa busca, até porque meu vergonhoso conhecimento da língua ajuda pouco, mas na medida que isso for acontecendo será aqui registrado. De largada, deixo para deleite de quem como eu tem uma queda pelas bandas aquelas das'Oropa o "bloc" do jornalista Eric. Quem ele é? Um cara que é responsável desde ontem pela minha dose diária de vontade de largar tudo AGORA e ir embora. Paris, One Photo a Day. Não preciso dizer mais nada, né?
~~ o ~~
Cheguei em casa ontem e bem na hora que abri o portão o relógio marcava meia-noite em ponto. Achei tão esquisito ver os ponteiros alinhados daquele jeito. Não lembro a última vez que contemplei tal acontecimento. Poucas são as vezes que se olha as horas não para saber do tempo, mas para ficar bereteando no movimento dos ponteiros. Tá bom... tá bom... eu deixo de bereteios. Afinal, hoje é apenas uma uma sexta-feira e enquanto uns fizeram feriadão, eu estou trabalhando. Ok... Não tarda o dia em que decretarei a nova ordem das datas comemorativas e feriados. Aguardem!
~~ o ~~
"ei! ei!" ;)
Um bom fim de semana pra ti também!
Li este post da Carol e lembrei de duas cenas que davam boas fotos.
A primeira foi de um gordo (nada contra gordos, mas a cena foi muito engraçada) falando num telefone público. Não, não entendeste ainda. Acontece que ele era MUITO obeso e, além disso, era alto e, por alguma razão misteriosa devia ter problemas de visão ou audição. Então ele estava literalmente ACOPLADO no orelhão e não dava para ver cabeça nem ombros, só as costas, cotovelos e aquele bundão. Não sei se sobrava espaço para passar uma formiga. E não tem como não ficar imaginando se realmente ele conseguiu SAIR dali.
A outra foi no trânsito. Tinha uma Kombi, dessas tipo caminhãozinho, bem na minha frente. O sinal abriu, aceleramos, e com a velocidade permitida na via, a LONA que cobria a carga se desprendeu na parte de trás da carroceria. Acabou que o negócio, que era comprido pra dedéu, ficou estendido tremulando no ar como se fosse a capa de um super-herói. Parar para arrumar? Nem pensar. Ela rodou assim ainda um bom pedaço até encostar num posto de gasolina. Porto Alegre tem uma SUPER-KOMBI rasgando suas avenidas! Tenha MUITO cuidado, cidadão.
ou isso é o que dá não ter mais nada para fazer
Maria Lúcia chegou em casa perto das 22h. O marido esperava a mulher para jantar, desde às 19h. Como estava, a mesa arrumada ficou, e os dois foram dormir em silêncio, virados de costas um para o outro, como acontecia desde o carnaval.
A mulher chegou em casa tarde, como tem sido o costume. Jorge, que esperava Maria Lúcia para jantar, já havia desistido; a comida esfriava - estava lá desde cedo - na mesa, e as velas já derretiam quase por inteiras. Deitou quieto sem dar boa noite. Maria Lúcia fez o mesmo. E a cada dia desses que passava, mais tinham certeza de que o que aconteceu em fevereiro não tinha como ser apagado.
Jorge esperava a mulher desde às 19h e nada. A comida esfriando. Ele olhando para as velas que derretiam na mesma medida que o fio de esperança que lhe restava no peito. Eram passadas das 22h quando o barulho da fechadura anunciou a chegada. Não havia o que dizer. Eles mal se cumprimentaram e foram dormir naquele silêncio mórbido que - é verdade - já não era novidade desde o carnaval.
Não adiantou nada mais uma vez esperar Maria Lúcia para jantar. Como desta vez também o apagar da luz da sala cobria de luar uma mesa sem vida, restando uma única vela acesa que pouco depois apagava-se sozinha. Deitaram os dois. Não se olhavam. Um para um lado, o outro ao contrário. Desde o que aconteceu, na maldita noite de carnaval, que sincronia ali na cama e, por que não, em toda vida, só havia no pensar que não adiantava mais tentar um só dia. E o sono que não vinha.
Ele nem sabe ao certo que horas eram quando ela chegou. A mesa posta, as velas, a comida preparada e servida com menos gosto do que deveria ser. Ele já sabia, na verdade, que não adiantaria nada. O arranjo dos pratos, as taças de vinho, o clima, o amor, eram todos um retrato passado, desde o carnaval. Foi ele quem apagou a luz da sala antes de deitar. Mas sequer chorava, porque isso já havia feito demais.
Maria Lúcia, do horário, não se interessava em saber. Simplesmente abriu a porta e entrou. Sabia o que encontraria, e encontrou: seu marido no sofá, televisão ligada, uma mesa de jantar arrumada. Não queria ele entender - pensava ela - mas o que fizeram não tinha solução. E como acontecia desde aquela noite em fevereiro, Maria Lúcia foi direto ao quarto, trocou de roupa e deitou quieta, tentando pegar no sono logo - nunca acontecia - para fazer de conta que Jorge, depois de apagar a luz da sala, não estaria pouco depois sendo aquele peso e calor na cama em descompasso com o seu.
Se uma casa pudesse sentir, a de Maria Lúcia e Jorge desmoronaria de tristeza profunda a cada vez que acontecia de a esposa chegar mais tarde do que devia, o marido apagar a luz da sala sofrida e um quarto lembrar uma sepultura de pessoas vivas, todos os dias.
Mais alguma?
~~ o ~~
Das boas frases que vem assim de repente
Oh... estou vendo a vida passar diante dos meus olhos. E não é a minha.
Como bem disse o Rafael Galvão, registra-se um marco na história da blogosfera brasileira. Lucia Malla está cobrindo desde ontem, em seu blog, a passagem do presidente Lula pela Coréia do Sul, no VI Fórum da ONU sobre Governância. Blogs lado a lado com a imprensa.
Semana passada ainda fiquei pensando nessa coisa de dar bom fim de semana no final dos posts de sexta-feira. O fato é que raramente este autor está ativo na blogagem nestes dois dias convencionados como de descanso. Embora descanso não seja a palavra correta. Fim de semana é uma coisa estranha. Domingo, que é primeiro, continua parecendo último, e tudo que tem que começar fica para segunda, dia que coisas já deviam estar andando desde o outro dia. Tempo é uma coisa esquisita. Convenções de tempo também. Tudo é. Eu tô com sono.
~~ o ~~
O Mestre, o Mito, o Milton, num momento de insensatez, deixou mesmo que eu e Tiagón escrevêssemos junto com ele um post, e lá estamos. Fico honradíssimo. O texto é uma composição de fragmentos intercalados das histórias dos compositores Bartók e Kodály e - quanta responsabilidade! - eu e Tiagón a partir de um de nossos projetos. O mais legal é a satisfação de saber que a matéria-prima de tudo que nos levou a colecionar o que está contado lá - o beretear - foi também colecionado por este sujeito especialíssimo, grande Milton Ribeiro. Quer jeito melhor de começar uma segunda-feira?
~~ o ~~
Sexta, que tem X, combina com Xuxa. Horrível, mas foi o jeito que encontrei de fazer a ligação com a Rainha dos Baixinhos, só para implicar dizendo que tem gente agora que será lembrada numa cadeia de relacionamentos: Xuxa <- entrevista <- Patrícia. ("Nãão!!" - diz ela) :) Ok. Ok. Sei... sei que tu estás com aquele autógrafo guardado e não vai contar para ninguém. Ah... e lembrei que a primeira frase do Rafa não era frase, era na verdade um gesto típico do amigo. Não tem como ser descrito. Enceno-o na próxima vez.
~~ o ~~
Lucilene, ah Lucilene! Faz isso não, Lucilene. E o garfo cai no chão logo na minha frente. Lucilene olha aqui que coincidência nem ia comer mais o meu mesmo pode pegar o garfo e girei ele no prato ela pegou pegou pegou Lucilene atacou com ele o bolo como gosta de bolo essa Lucilene suspenso vai levando pra perto da boca é meu bolo não boca não garfo não ah! reivindico Lucilene não sei que música está tocando mais é hora de dançar se ficar aqui vou ficar louco. Lucilene, ah Lucilene.
~~ o ~~
A noite foi uma pintura, 5°C marcando na rua, cheia a lua. Eu sabia, eu sabia. Baita dica! E vinha mais. SMS e corta.
~~ o ~~
Olhaquehámuitotemponãoouviatantahistóriaelafalafala
- eu completava quando dava -
foidivertidomasinusitadoéapalavradesdeoinício
- roubou a cena -
semdúvidaumacaixinhadesurpresas
- eu respondia, dava risada; "por que tu tá rindo?" ela falava -
emboraaindanãoastenhadescobertotodas
- alô, seguro? -
masparecequeospontosnãoforamdebitadosainda
- valem prêmios -
agoraésabercomoocatálogoserá...
- aproveitado -.
~~ o ~~
Foi só um sábado.
~~ o ~~
Domingo sol de inverno. Coisa boa o macarrão. Coisa ótima a charutada com vinho do Porto, e - troca de casa - já estávamos lá na Lisi. Muita Polar Bock e então teve uma provinha do que já não é sem tempo - quero agora! - um sarau invadindo a madrugada.
~~ o ~~
A verdade é que esse negócio de dias da semana é uma bobagem. A seqüência é infinita. E dias não merecem estar condenados a ter como identidade nomes repetidos a cada 7 dias. Pobres coitados. Por que manter um ciclo se é tão bom e fácil ser líquido? Inventemos um novo calendário!
~~ o ~~
Um bom dia.
"Read or Not, China Gets Blogged"
Da Wired. Esse cara aqui está ganhando dinheiro com blogs, e na China. Quem diria? Edwin Chan mantém seu blog pessoal e, no meio dessa onda de sentimento anti-japonês, viu que quando interessa a polícia chinesa para monitoramento da Internet (a Gong An) faz vista grossa na censura de opiniões políticas. Oficialmente a China não incentiva o repúdio ao país vizinho, mas também não faz esforço algum para que isto não exista. Percebendo que podia tirar vantagem desse jogo de cintura - o que dizer e o que não dizer -, ele criou uma rede de blogs focados em várias temáticas (humor, games, moda, mimos eletrônicos etc) e está dando certo. Agora ele aguarda as últimas licenças para abrir uma empresa - via sacra não só porque é na China, mas também porque ele é cidadão de Hong Kong e, portanto, um "estrangeiro". Isso é muito longe ainda dele poder construir e navegar uma blogosfera nacional que discute qualquer assunto sem medo de represálias, com liberdade e democratização da comunicação, mas é uma porta que está sendo aberta.
Se tu não és chinês, como eu, também não vais entender patavinas da maioria dos links, mas não quis deixar de fazer referência. Legal foi que passando os olhos vi que ele acaba muitos posts com reticências. Isso é legal. Eu adoro reticências. Se é que reticências são mesmo reticências em chinês.
~~ o ~~
Blogs Pelos Olhos da Grande Imprensa
Como é difícil. A Folha de São Paulo publicou na quarta-feira (18/05) matéria de capa e mais 3 páginas sobre blogs no caderno de informática: "Políticos, executivos e socielites aderem aos blogs". É na verdade uma salada de textos, sendo a maioria vindo de agências de notícias. Lendo tudo, até que a abordagem é ampla, mas começa mal, muito mal. E, considerando que muita gente que lê fica só nas imagens, infográficos e lead, vira desinformação.
As primeiras linhas, na capa, são: "Você sabe o que o político britânico Tony Blair, a contora brasileira Kelly Key e o transformista norte-americano Ru Paul têm em comum? Todos têm blog e fazem parte de uma mudança no perfil dos diários virtuais, que antes eram um reduto de adolescentes e aficionados por internet".
(só um pouquinho que vou dar um soco na parede... ah, sinto-me bem melhor)
Ei, eu não sou nem adolescente nem um aficionado por Internet. Nada contra, mas não sou, e um monte de gente não é, e gente que está na blogosfera há bastante tempo, suficiente para fazer parte do período não descrito que eles consideram "antes". É como aquela matéria da Band - ainda pior - que disse que blog É uma "febre adolescente". Mas sobre isso o Tiagón já comentou muito bem aqui.
Seguindo o texto da Folha: "Os blogueiros tradicionais ainda comandam [como assim "comandam"?] a maioria dos cerca de 9 milhões de sites do gênero, mas já dividem a atenção dos internautas com executivos de grandes empresas, governantes e economistas especializados no setor financeiro." Depois eles citam as celebridades. O que eu entendi? Que então agora blog não é mais uma "febre adolescente", porque divide espaço com um ambiente de relacionamento entre empresários/empresas e seu público e entre celebridades e seus fãs, ou entre todos eles e seus bajuladores.
Caralho, não é SÓ ISSO!
Na próxima página as coisas melhoram um pouco, como falando
de blogueiros políticos: "A natureza democrática da Internet permite que os diários dos poderosos sofram concorrência de sites amadores e com idéias contrárias à suas." Digo que melhora porque o raciocínio está correto, mas precisa fazer o julgamento de valor? "Blogs" não é sinônimo de "diários" e a palavra amador colocada assim está depreciando.
Outra parte começa com "os blogueiros, esses escritores sem regras da internet, estão lutando contra os críticos que consideram seus diários não-confiáveis, difamatórios ou simplesmente amadores". Essa é a introdução para uma cobertura da convenção sobre o tema que ocorreu em Nashville, nos EUA.
No final da página, seis colunas com uma listagem de blogs classificados como sendo de Política, Economia e Tecnologia. São uns 50 endereços e apenas cinco blogs brasileiros. Três de política (Alto Volta - que está com endereço errado; hoje morando no condo Apostos -, FYI, Mário Kertész, O Barnabé) e um de economia (Economia UFPEL). Se passei lotado por algum, me avisem.
Outros textos falam de publicidade em blogs, empresas em confronto com blogueiros - como Apple e Microsoft -, sites de jornalismo e de famosos. Termina com um guia de serviços grátis e tutorial para criar um blog, além de uma passagem rápida sobre RSS.
A conclusão final: um bom apanhado de informações, mas com tratamento inadequado. Por que é tão difícil ver e entender as coisas como diferentes, ao invés de tentar assimilá-las antes? Opa... isso também já é mais uma outra história.
Não. Blogs não podem ainda ser definidos. Tratemos de blogar e observar, depois de afirmar. Ou a única afirmação válida por enquanto é pelo direito de o meio permacer livre, democrático e chegando a cada vez mais pessoas.
E por falar em o que não é isso ou aquilo, segue fluindo a nossa passeata Fora Garotinhos! E a maioria dos que apóiam, tenho certeza, não se encaixa em qualquer dos substantivos borrifados pela Folha.
Bom fim de semana!
A blogosfera estendendo bandeiras nas janelas. Se tivéssemos ruas, estaríamos agora em marcha. Acompanhe aqui, no Satélite, uma cobertura da mobilização. E mobilize-se também.
Pegue e distribua livremente o selo do post abaixo. Faça um post, visite os blogs, conheça a opinião das pessoas e dê a sua também.
Por favor, você, que é uma boa pessoa, que se preocupa com o próximo. Você, irmão, filho de Bento, me ajuda. Vem cá no meu ouvido e me descreve p.a.u.s.a.d.a.m.e.n.t.e, com boa seleção de metáforas e detalhamento estético, como era... o SOL.
Eu esqueci. Faz umas 157 semanas que não pára de chover em Porto Alegre. Não, uns 17 anos, e meio. Desde sempre. Chega, né?
blup... blup...
Não é preciso falar muito. Está aí na grande imprensa toda a cobertura do bafafá que começou com a corajosa decisão da juíza carioca declarando inelegíveis Anthony e Rosinha Garotinho.
Pode acontecer de isso acabar efetivamente em nada, com a dupla - que é da pior espécie de políticos - saindo bem da história, uma vergonha para o Rio e para o Brasil.
Depende de um monte de coisas, de um monte de forças, uma delas nós, por que não? Idelber chama: será que não é hora de uma mobilização de apoio à decisão da juíza?
Updade: siga a passeata virtual! Leila, Guto, Christiana e o Paulo já batem panelas também.
A informação não é nova, mas semana passada ganhou destaque pelo New York Times. O pintor colombiano Fernando Botero fez 50 trabalhos inspirados nas atrocidades comentidas por soldados e oficiais americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Diz o artista que as obras são resultado da indignação que o fato provocou nele, e que não estarão à venda. Dia 6 de junho já tem exibição marcada em Roma e museus da Alemanha também já se interessaram em mostrar as telas. Para os Estados Unidos, até agora, nada de planos. A pergunta é: além da arte pela arte, da expressão pela expressão, será que isso pode servir para alguma coisa?

Calculam que foram 900 mil pessoas nas ruas comemorando a conquista antecipada do Campeonato Espanhol pelo Barça. Caralho, isso é muito gente. Então eles gritam o nome daquele guri dentuço e, antes, ainda no estádio, vão ao êxtase com a exibição no telão de um clipe com algumas das jogadas mágicas. Ronaldinho Gaúcho. Há uns 7 anos eu chegava no meio da semana em casa vindo da faculdade à noite e antes de dobrar a esquina lá estava aquela montoeira de carros estacionados. Era certo que dormir ia precisar de algum esforço. O motivo podia ser uma vitória daquele timezinho ou só reunião de amigos. Começava o pagode e ia, ia longe. Ao lado da casa tinha uma quadra de futebol, onde um dos refletores (sim, refletores) de alguma forma apontava bem para a janela do meu quarto. Era um inferno. E, eita!, como o guri fazia festa! Quando não era eu chegar em casa e minha mãe contar "hoje voltei da padaria de papo com a Dona Miguelina... como ela querida". Ele morava na rua atrás da minha, como era na outra calçada, não dava de fundos para a nossa casa, mas ficava na mesma altura da rua. Hoje continua sendo propriedade da família, embora não mais residência - construíram uma dessas coisas inacreditáveis em algum lugar de Porto Alegre que nunca sei direito onde fica. Mas, de qualquer forma, isso tudo é muito louco.
~~ * ~~
Só não é maior, mais maluco e mais, assim, sem ter como descrever, que a frase definitiva do fim de semana.
"O universo é só uma parte."
Vivian (não-lincável), isso muda tudo. Agora só falta eu decidir por onde começar.
~ Eu preciso colocar a leitura de blogs em dia. Sir Bludh teve a audácia de vir ao pé do meu ouvido dizer que estou sendo amaldiçoado neste instante. E que ao voltar para casa no meu rádio só tocará Charlie Brown Jr.
~ A energia diabólica da crítica para o bem da humanidade. É que fico pensando que com o medo que as pessoas tem hoje em dia de perder até o reconhecimento da medalha de honra ao mérito que ganharam das mães na primeira série, fico feliz quando alguma coisa é amplamente criticada. Significa que foi um sucesso. E este é meu singelo comentário sobre o circo armado nesta semana lá em Brasília. A ZH fez uma tabela elencando alguns itens discutidos e colunas respectivas: Pontos Positivos; Pontos Negativos; Resultado. Alguém se surpreenderia se eu dissesse que não há nada de positivo nos resultados? Como eu adoro isso. Me divirto.
~ Aliás, tô com uma saudade de circo. Ninguém quer me fazer um convite?
~ Alguém tem mesmo medo de sexta-feira 13?
~ Acho esse negócio de datas prontas um saco. Inclusive lá pelo verão de 1974 comecei um post sobre esse assunto que nunca mais foi mexido. Não, não está nem na metade, só anotações não-lineares.
~ Se bem que isso não é exatamente um problema.
~ Meu bolso está cheio de pepel. Anotações para posts. Troco de calça, troco de bolso e não escrevo nada daquilo. Eu tenho problemas. Eu tenho problemas?
~ Ontem fiquei esperando para ser atendido num consultório médico. Demorou, demorou. O jeito era ficar observando as pessoas para passar o tempo. Chegou uma dondoca feia como um raio, com calças daquelas cinco números menores, cabelo que só pode ser de mentira, uma franja de dar medo. Na verdade antes dela chegar já tinha escutado que a criatura foi encostar seu Ka ao lado do meu carro e ficou pedindo para o segurança me chamar... estava difícil, apertado etc. O segurança não deu bola, sorte. A porta abre e vem ela de bolsa numa mão e chave balançando na outra. Anunciou sua chegada e perguntou onde era o toalete. Foi [tac tac tac tac] e desapareceu. Depois chegaram duas outras mulheres, juntas. Eu também já acompanhava de antemão as personagens porque escutei a conversa delas e da recepcionista sobre terem passado lotadas pelo endereço. Pegam uma Caras, tomam conta de um sofá de dois lugares, uma abre a revista no colo e - impressionante - passados 10 minutos elas tinham falado sem parar sobre uma única página da revista. A perua outra volta do banheiro - sei lá o que foi fazer para demorar tanto. Sai de lá resmungando sozinha e tentando mexer a cabeleira (tentando!) "ai, será que peguei a chave do carro?" Eu vi ela com a chave. Até eu vi. Mas revira toda bolsa até achar. Daí - aaaaah - vem na minha direção! Ufa... desvia e pega uma Caras também. Ouço um barulho de pneu e motor. Um utilitário esportivo manobra freneticamente - BLAM! Rrrrr! - numa das vagas lá fora. Segundos mais tarde, invade a sala uma pessoa esquisitíssima que não parecia estar para muitos amigos. Usava salto agulha e uma bolsa da Adidas; não fazia sentido. Até que me chamaram e dos outros exemplares não posso mais dizer nada. Explicando o público, era um consultório dermatológico. Explicando a rica fauna, era um consultório caro. Explicando o que eu estava fazendo ali, sabia que não devia ter confiado naquele sujeito vermelho de chifres que me ofereceu um cigarro - até porque eu não fumo. Quer dizer, nem tudo foi perdido. A recepcionista era uma gracinha. E ela disse, quando eu saí, que já tinha decorado meu sobrenome. Que bonitinho.
~ De resto, esqueçam. Essa semana, tirando a Lucilene, não aconteceu nada e o blog ficou mesmo às moscas.
~ Continua, inclusive, porque vou acabar de falar agora e não consegui sequer fazer um título que combinasse com tudo isso. Ou um texto que combinasse com o título. Como era mesmo o nome da recepcionista?
Um BOOM! fim de semana
Uma satisfação sobre idéias em que acredito
Está no Observatório da Imprensa um texto meu e do Tiagón, com gancho para o manifesto Pela Liberdade e Democratização da Comunicação.
E para quem, de alguma forma, sentiu-se atraído pela idéia, seja para criticar ou apoiar, não esqueça do fórum aberto que mantemos por lá.
~~ * ~~
Uma opinião sobre a pirataria moderna
Alguém escreveu que a vida está cheia de piratas. Eu concordo plenamente. Mas fico realmente assustado quando eles saem de onde a gente menos imagina. Meu tesouro já foi saqueado algumas vezes. E é rápido... eles vêm sem aviso, são muito engajados na atividade, mas também partem e param de uma hora para outra, e querendo parecer sem motivo. O engraçado é que a fortuna não é exatamente algo que possa ser levado. Valor não é o resultado, mas o caminho para se chegar a ele, ou o que se faz dele depois; rica não é a ídéia, mas o beretear até que ela surja, e depois beretear sobre por onde ela flutua. Copiar e pilhar não funciona e não funcionará nunca. Pobres piratas subjetivos. Serão sempre pobres e vazios.
~~ * ~~
Uma apresentação minha (trecho) que escrevi hoje para novos e recentes amigos
"Às vezes acho que sei muito menos que deveria e por isso vou ficar quieto, só aprendendo. Outras vezes acho que sei coisas que muitas pessoas deveriam saber no lugar de outras que não prestam pra nada. 'Às vezes' me define bem também. Sou às vezes, nunca 'nunca', nunca 'sempre'. E se tenho uma única coisa firme na vida, é a fascinação por pessoas; como se expressam, o que têm para contar. Observar, ler, ouvir, trocar, dialogar. Aliás, por isso mesmo que acho blogs o máximo."
Sim, acho que é isso mesmo. E sirvam-se à vontade.
Lucilene eu não conhecia até aquele dia. Ela nunca concordou com isso. Lembrar dela eu devia. Não acontecia. Não acontecia. Lucilene, Lucilene. Onde diabos eu estava que te apaguei da minha memória? Não importava. Lucilene fez o convite. Aniversário. Tentava compô-la pelas referências do amigo. Mas sabia que a chance de me surpreender era maior que tudo. Ah Lucilene!
E então lá estava ela, Lucilene. Era mais, era muito, era... Não ia conseguir imaginar tanto. Lucilene era simpática. Lucilene era faceira. Lucilene era mulher feita. Lucilene chegou perto. Lucilene usava um perfume que me tirava do chão. Três beijinhos. Afastou-se. Parabéns para Lucilene. Muito prazer eu disse e não era só para ser gentil. Sentamos. Lucilene veio junto. Lucilene e seu corpo... digo copo de champagne. Lucilene sentou na mesa na minha frente. Lucilene, droga, Lucilene. Fodeu. Lucilene era tudo. O conjunto. Parada ou se mexendo. Mexendo, ah, mexendo. Adoro mulheres que ficam ainda mais espetaculares se mexendo. E não, não são todas não. Aliás, nem são muitas. Lucilene é dessas poucas. Pára. Fala, fica falando, assim, mas não me olha no olho. Não desconstrói meu bom senso, não me desfaz, não torna esse lugar daqueles em que eu te veja apenas enquanto desaparece as outras coisas todas. Lucilene, pára, Lucilene.
Esses teus olhos, Lucilene. Esse azul estonteante. Esse profundo e brilhante, e acho que estou ficando tonto. Por que desse jeito? Podia ter olhos menos perfeitos. Não é justo comigo. Não é justo com o mundo. Não é justo burro burro que eu não lembre deles quando vi pela primeira vez meu deus onde eu estava com a cabeça já sei bêbado só pode eu sou mesmo um... Hã? Lucilene, não me olha assim de novo. Mentira. Me devora, me tritura com teus olhares céu-claros. Ou pelo menos deixa que eu faça contigo isso. Teu sorriso, os olhos. Os ombros, os olhos. O cabelo, os olhos. Vou e volto. E volto de novo. Lucilene, como pode?
O quê? Não, não levanta. Deixa as amigas. Elas são grandinhas, sobrevivem sozinhas. Fica. Continua aqui falando. Deixa eu continuar te olhando. Lucilene não... opa? O que mesmo eu estava querendo? Vira logo de costas e, isso, sai caminhando. Devagar. Lucilene desenhada, inteira no meu quadro fotográfico. Blusa branca, saia, botas, saia, blusa bran... Botas! Lucilene está de botas! Lucilene isso não vale. Lucilene tu não pode eu já achava que tinha conseguido me deixar virado do avesso e aparece com essas botas e esse encontro em intervalo que pernas! com a barra da curta saia Lucilene Lucilene vontade de ei garçom traz mais uma cerveja pelo amor de deus a seleção de 70 era mesmo? Fica de pé. Isso, conversa, conversa com as amigas. Deixa eu ficar te lendo, subindo e descendo, te observando. Não, não lembra agora que estamos aqui. Não vem. Lucilene senta não. Lucilene...
Oi... Me enxergo nos teus olhos. Não escuto o que falas. Mergulho ali, mas e as botas? Quero que fiques assim. Quero que levantes também. As botas. Botas azuis... não... olhos de cano alto... ah. Lucilene estou pendendo ao insensato. Olha o que estás fazendo. Vamos dar um jeito de eu ficar te vendo de perto e de longe ao mesmo tempo? Fica sentando e levantado, Lucilene. E não que ela fica? Foi lá a Lucilene pegar outra champagne. Quero aquelas botas vestindo Lucilene sem outros acompanhamentos. Ah Lucilene! E não sorri assim. Não olha assim. Vai sentar? Pena a cadeira de antes estar ocupada... pena... senta aqui, ora. Aqui do meu lado está vaga. E se tu sentar assim, como t.ô i.m.a.g.i.n.a.n.d.o... nossa!
Lucilene sentou. Acho que senti no meu rosto o ar deslocando em cada um de seus movimentos. Lucilene falando, Lucilene se mexendo. Linda. E Lucilene girou o corpo apoiou o cotovelo na mesa a perna direita cruzando em cima da esquerda pezinho balançando Lucilene inclinada para frente conversando com o amigo na minha direita eu ali no meio derretendo era o ponto Lucilene vejo teus olhos teu movimento e tua bota me apontando... Lucilene completa. Eu, catando pedaços meus espalhados. Lucilene, não sei onde diabos eu estava que te apaguei da minha memória antes, mas de hoje em diante, Luciene, ah Lucilene, não tem jeito, estará volta e meia visitando meus pensamentos, além de - para tua honra ou azar - estar este contemplar gravado para sempre no meu texto.
Mas que coisa linda que está isso. O espaço Pela Liberdade e Democratização da Comunicação ganhou sua versão em castellana lengua.
A tradução do texto ficou por conta do grande Idelber, para quem eu e Tiagón devemos AQUELE churrasco gaúcho.
E que agora a idéia atravesse fronteiras, espalhando-se por todos os lugares que este idioma alcança, especialmente nossos vizinhos da América Latina. E, pena que não sei escrever em español/castellano, mas queria dizer bem ALTO que será do meu maior gosto que blogueiros que tem esta como sua língua-mãe invadam e tomem conta do novo fórum que foi aberto, paralelo ao que já existe em português.
Para abrir um tópico por lá, só clicar em "post", no menu superior.
~~**~~
Ao vivo
Conheci o digníssimo armazém de idéias Rafael Reinehr, do Escrever por Escrever e Simplicíssimo, neste fim de semana. Prosa boa regada a vinho de garrafão direto de Nova Pádua.
Ficou combinado que da próxima vez que formos a Agudo, terra natal do amigo, a programação incluirá o famoso Baile do Verde. Não vejo a hora.
~~**~~
E sem mais porque hoje é segunda, e chuvosa.
Na aula de design gráfico de hoje: porque às vezes é bom deixar que profissionais façam determinadas coisas.

Enxergou uma singela casinha emoldurada pelo sol nascente? Era o que pretendia quem fez essa logomarca para o Instituto de Estudos Orientais da UFSC.
ou É Foda essa Academia!
Ainda no ano passado eu fiz um pequeno trabalho para uma cadeira da especialização. Não estava gostando da aula - tanto foi uma água fria no ritmo bom de que gozávamos na primeira parte do curso, na intensidade das discussões, como também às vezes ficou paracendo que eu voltara à graduação tal inadequadas eram as exposições. Diante da insatisfação, foi uma boa oportunidade usar as entrelinhas do que fora proposto para justamente alfinetar a academia que eu estava experimentando. Fiz então uma crítica à teoria crítica com extensão aos teóricos contemporâneos especialistas na revisão desta que o professor usou como referência. O texto - um comentário - flutuou entre algumas limitações das referidas idéias, tendo como sustento Boaventura Santos e seu Crítica da Razão Indolente, até opinião minha sobre a falta de ação, desperdício e cerceamento encontrados hoje dentro daquela instituição que, de todas, deveria ser exatamente a mais aberta, democrática e sedutora: a academia. Não o é, penso. É fechada, é egoísta, é mesquinha também às vezes, é míope. Me arriscava pelo dito. Curto, o trabalho não tinha como ter bom fundamento, e como texto é sempre vivo, sabe-se lá que interpretação faria o professor do meu escrito.
Me dei bem. Nota máxima e mais importante que isso foi ela figurar ao lado de um comentário. Dizia - em síntese - que eu cuidasse com o tom das palavras e que, se quisesse levar adiante algumas das colocações, que encontrasse mais autores que as corroborassem. Ri. Por fora e por dentro. Porque a pessoa pareceu ter odiado, mas admitido, junto, que de qualquer jeito eu estava certo. Típico conflito pós-moderno? Professor sólido contra a correnteza fluida que fiz provocando o estabelecido falando para quem o estabelece? Cada vez mais veremos que não tem como não haver esse combate em diversas e diversas oportunidades por todas as esferas da sociedade.
Contei para ilustrar. Agora é que entro de peito no que quero falar. E já me adianto na ressalva, obrigatória, de que não quero generalizar. Já cruzam meu caminho também aquelas pessoas que merecem toda admiração e respeito, representando a exceção do que vou dizendo. Só que extamente por serem exceção é que sigo dizendo.
Tenho nos últimos meses me apaixonado por algumas linhas de pensamento, pela reflexão, pela pesquisa, e pela ação, porque ficar com a bunda na cadeira só teorizando o mundo é fácil. Difícil é sair fazendo, "caminhando e pensando", sem esperar "estar pronto", porque isso é outra bobagem sólida. Quer dizer... é? Penso que sim. Mas tem muita gente que não pensa assim. Tenho batido com o nariz na porta. Tenho entrado em contato com um monte de professores e tenho me decepcionado. O que quero? Um estímulo. Não é pedir muito, é? Pois parece um tesouro perdido, cujo mapa é confuso e os informantes pouco dispostos a ensinar o caminho. Que segredos ou sagrados guardam? Isso me deixa indignado. Não seriam professores aqueles seres cuja maior grandeza e motivação primeira da atividade deveria ser justamente estimular - dando o sangue - toda e qualquer pessoa a romper a membrana da pura "técnica" para se entregar ao conhecimento emergente, à criação, bem como à construção de uma vida melhor, mais decente, mais humana? Fica mais grave ainda porque minha área não é matemática, física, química, mas COMUNICAÇÃO SOCIAL; cultura, psicologia, sociologia. Eles não estão se importando, do alto dos seus mestrados e doutorados. Não sei por que fazem, mas perpetuam assim um caminho cujo percorrer exatamente deveria ser objeto dos seus estudos críticos! Faz sentido? Não creio.
Não sei de outras áreas, mas me choca todo dia ver como a Comunicação Social, que abriga as habilitações em jornalismo, publicidade e relações públicas, vem sofrendo transformações nos seus currículos para que seja cada vez mais "prática", "técnica", "rápida", voltada - servindo - ao mercado. Mercado... mercado... mercado... E como minha praia é publicidade, aqui ainda posso ser mais afiado. É discurso clássico de profissionais e "candidatos" essa história de que a profissão é nobre porque ao invés de ser uma peça que executa tarefas repetidas num chão de fábrica, trabalha-se com o intelecto, com idéias, com a reverenciada "criatividade". Que bobagem. Ficção, drama e comédia. A profissão, que é nova se comparada a muitas outras, não é por isso mais libertária, simplesmente o chão de fábrica que ficou mais sofisticado, bonito, colorido, cuidadosamente acabado. O pensar é aplicado, é ferramental como a mão que empunha a chave de boca ao apertar a velha porca na esteira que rola. O dever do trabalho, o servir, tem pouco de livre ou digno enquanto continuar tendo sob os pés o oceano gigante, cheio de perigos, chamado mercado. Podes tirar teu cavalinho da chuva... e tirar com muito cuidado, porque também não há muita gente 100% confiável. Aliás, “colaboração”, termo usado à reveria dentro das empresas, é dos eufemismos ideológicos que mais me irritam hoje em dia. Dissimula o termo “empregado”; disfarça o motor que move tudo: a competição.
Não há qualquer grandeza em ser inteligente, culto e criativo se não se utiliza isso para agir pela dignidade humana. E isso não quer dizer fundar uma ONG. A disputa não é digna nunca. A disputa faz perdedores e ninguém deveria ter o direito de ser responsável por derrota nenhuma de outro ser humano. Só há sentido em ser inteligente, culto e criativo se isso não nos fizer, no fim do processo, ser simplesmente animais famintos. Egos de publicitários precisam ser constantemente inflados porque está para nascer profissão onde mais nos chocamos de frente com isso tudo, mesmo sem saber os nomes, o sentido, a razão. Inflar egos significa tentar dizer que num mundo onde há humilhadores e humilhados, estamos salvos no primeiro grupo. Mentira. Não há um só ser na Terra que tenha o poder de ser o topo da cadeia. Essa é mais uma das ilusões modernas: a escada-vida, cuja subida custa, e custa muito mais que tu imaginas.
Tudo bem, não era para ser tão trágico, mas também é bom olhar vez ou outra o feio com lentes de aumento. E não penses errado! Não acho que tudo está fadado ao inferno. Tem uma solução. Talvez me aches um idiota, um antiquado, um ridículo. Se esperas uma fórmula mágica, decepciono-te a "criatividade". Pois digo: a palavra é ARTE.
“Mas não podemos ser todos artistas... Nem todo mundo tem talento.” Não penses essa abominação! Quem foi que disse isso um dia? Pelo menos para mim nunca perguntaram se correspondia. Ou nunca dei a mínima. Se tem uma coisa que a gente já nasce sabendo é ser artista. A arte é estranhar, prestar atenção no (em um) outro, então se despreender do precisar usar as capacidades humanas em função de um sistema externo e uma significação imposta, para dar vasão pelos teus próprios sentidos e caminhos. E então, depois, se entregar a compartilhar e trocar isso com outros, estimulá-los em também suas formas artísitcas, deixar fluir significações, e conhecer a arte do outro. Trocar no mesmo plano. Não há disputas na arte, conflito entre altos e baixos, mais e menos. Há sentido. Não há humilhação, há diferenciação. A arte é livre e democrática. A arte faz nobre a inteligência, a criatividade e a ação humanas.
E o mais importante: arte não é só aquilo que lembramos quando pensamos “arte”, ora! Arte é comunicação (por que não?), reinvenção, é beretear. Uma forma de se colocar em relação à vida, que não produz "resto humano" no seu dia-a-dia. O educar e orientar é uma arte. Ou deveria. Quero uma academia que se relacione comigo pela arte. Eu quero fazer arte. E não quero ser reprimido por isso, parecendo coisa errada, como é quando dizemos - absurdo! - que uma criança está fazendo arte. Quero pensar e agir para construir pessoas, e relações entre pessoas, que sejam dignas.
E é tão fácil. E tão antigo. Então nos engajamos há bons milhares de anos para estragar isso. Faz sentido? O ser humano moderno se especializaou em limpar a arte e a dignidade humana do seu caminho, em nome da aptidão ao trabalho, à carreira, do chegar ao topo, do ser feliz não se olhando no espelho, mas na comparação com o outro. E isso tem sido umas das vestes mais usadas da educação, desde cedo. De naturalmente artistas que somos quando pequenos, viramos operários. Se não 24 horas, pelo menos boa parte destas, o que já é um estrago. Como é passar a direcionar a vida um função de ser operário. Que despérdício. Como pode? Que pais e professores são estes?
Tudo bem. Entendo que talvez ainda não temos maturidade suficente para voltarmos definitivamente a ser todos crianças. Espero que consigamos evoluir para isso. Mas por hora, bem que podíamos ao menos perseguir o meio termo. Deixemos o ser adulto para trás e sejamos adolescentes. Impulsivos, artistas, utópicos. Acreditemos no impossível; na reinvenção do tempo; na propriedade de questionar o que nos é posto como "assim sendo e pronto".
Começar por onde? Preciso mesmo dizer? Queria encontrar do outro lado das minhas dúvidas não alguém que tem medo de perder seu posto de "pensador", sua cadeirinha, mas um incentivador de toda e qualquer loucura, justamente porque é da transgressão e diferenciação que se significa a vida. Queria encontrar artistas. Duvido que os professores com quem entrei em contato recebam diariamente milhões de e-mails como os que escrevi. Duvido. E se não deram a mínima é porque estão no lugar errado. Deviam ser expurgados. Deviam voltar a ser alunos do básico, renunciar a todos seus títulos. Não adianta saber tudo, e viver para provar isso, se só vêem a si próprios como meio cheios, enquanto o resto como meio vazios. Um professor, mestre, doutor, que é capaz de ficar indiferente a uma sequer idéia nova ou a uma sequer pessoa que queira descobrir alguma coisa (mesmo as já descobertas), justamente professor é que não pode ser. Se não forem eles e a instituição onde eles se encontram a acreditar sempre em quem quer dar aquele passinho além, será quem?
Essa semana acho que só o que vai passar por aqui são umbigos. Umbigo, meu, fragmentado em sss, melhor dizendo. Não tenho tantos. Ninguém tem. Nem seria umbigo se fossem tantos. Mas é o que estou tentando dizer. Nada de discussões muito políticas, muito subversivas, muito eruditas, muito assim... úteis. Meu querido blog diário... Eu acho.
Devo fotos para tanta gente. Isso vem acumulando. Devo as fotos do casamento do amigo Ander. Tenho que devolver as fotos do Rio para o Tiagón. Rio da Jojo. Leme. Tenho que digitalizar elas. Tenho que digitalizar tantas. Há anos que tenho que digitalizar fotos. Claro que isso nunca vai acontecer. Nunca vou chegar a todas. Posso ver fotos na minha nova TV supimpa. Mas fotos digitalizadas e não digitais porque não tenho uma máquina digital. Será que preciso disso? Sou fiel à minha câmara escura Nikon fotoquímica. Sou o último dos românticos. Mas, depois, ok, ver no DVD, deitado na cama. Ok.. ok... ok. Escutando Superphones. Não. Não posso porque é o DVD que toca meus CDs. Preciso de um som novo também, como precisava da TV. Preciso coisas demais. Melhor precisar menos. Melhor pensar em outras coisas.
Hoje é dia da internacional da liberdade de imprensa. Deve ser festejado; lembrado! Mas sem esquecer daquele engodo que é essa história de dizer que a liberdade de imprensa é a garantia da nossa liberdade de informação e expressão. Só ela não é. Mas não vou repetir isso aqui agora. Minha cabeça tsssss. Vai lá ler. Vai lá.
Se eu tivesse uma analista ia falar pra ela que tenho problema com fotos. Será que ela ia perguntar se eu gostaria de conversar sobre isso? Não posso ficar devendo tantas fotos. Fotos não podem ser um problema tão grande. E pior que não tenho aquele problema que um monte de gente tem de terror de aparecer nas fotos. Eu gosto, apesar do meu sorriso estático. Eu sempre fico com a mesma cara nas fotos. É engraçado. Onde fotos me ferraram na minha infância? Vou catar isso. Vou. Devo fotos de Agudo também, para o Rafael Reinehr. E essas fotos ficaram ótimas. Também não poderia ser diferente. Devo fotos pra todo mundo. Ninguém me deve fotos? É isso! Vou tratar de conseguir alguém que me deva fotos! Pelo menos vou me sentir melhor. Dois "vou" seguidos deixam o texto feio. Devo ir menos.
Recebi esses dias um spam muito engraçado. Começava assim: "Para você, mulher." E meu riso já escapuliu. Era um anúncio de um curso para exercícios vaginais - pompoarismo. Meu riso tornou-se mais intenso. E era tanto texto. Como até hoje as mulheres conseguiram viver sem isso? Eu me convenci e serei um multiplicador da mensagem. Da mensagem, eu disse. Não conheço as técnicas em detalhes. Não esquecerei de destacar inclusive a parte que tranquiliza as interessadas assim "A realização dos exercícios durante o curso não exige que você tire a roupa." E por isso, claro, que eu só transmito a mensagem. Se fosse eu a dar o curso, certamente Carol seria dispensada de tão antipática determinação. Carol, aliás, está abandonada tadinha. Não dá para confiar em surfistas. Hoje recebi um outro spam divertido. O assunto dizia "tudo para sua mão". Trocaram o "e", pelo "o". Fiquei imaginando então uma loja virtual especializada em produtos para manetas (é "sua mão", só uma). E ficou mais engraçado quando lembrei que eu vivo trocando o "e" pelo "o" quando escrevo "mãe" também. Essa seria outra coisa que certamente minha analista, se eu tivesse uma, gostaria que eu conversasse sobre. Não chegaram mais spams. Não quero mais falar de spams.
CD da Superphones no carro hoje cedo e eu correndo as músicas enquanto me aproximava do trabalho. Tinha que dar tempo de chegar na 11. Tinha! Não me perguntem porque simplesmente eu não toquei a música direto. Perguntem para minha analista. Se bem que antes disso escrevo mais esse capítulo das Crônicas Minhas Sobre Eu Mesmo me Observando Sozinho. A música 11 tem a Mari cantando. Tem noção do que é a Mari cantando?! No "forever" e no "together" eu sinto que estou derretendo. Aquilo não existe. Como às vezes eu acho que nada existe. Existe? Fotos não provam nada, por exemplo. Umbigo talvez um pouco. Sim, spams são reais, mas peraí. Peraí que vou ter que tocar a 11 de novo.
Vento gelado, daqueles que arde orelhas e nariz é o que há. Na sacada via o sol indo e depois um céu estrelado como não se vê por aqui. É Canela. É a Serra. E o grau em Celsius da temperatura lá fora ia baixando - foi a 3 na madrugada! - exatamente na proporção inversa da graduação alcoólica dos nossos sangues. Amigos amigos amigos. Mas daquele absinto a mais eu não precisava mesmo...
~*~
É agora que gastarei os tubos em DVDs. Ganhei uma TV supimpa de presente de aniversário adiantado. E era tudo que eu queria há tempo. Mami e Papi me estragam com essas surpresas.
~*~
Esmeralda, aqui vamos nós. Depois do sucesso que foi encontrar aquelas pessoas especialíssimas e suas incríveis histórias em Agudo/RS, o projeto meu e do Tiagón parte em breve para o próximo capítulo. A cidade escolhida foi Esmeralda, que fica a cerca de 300km de Porto Alegre, no norte do estado. Tem 5500 habitantes, sendo só 2500 em área urbana. Bereterar é preciso.
