abril 2005 Archives

Lendo, caminhando e pensando

Abaixo, frente e verso de um zine muito bacana, o Buzzine, editado pelo Moisés e distribuído lá na UniRitter (POA). Esta é a edição de abril, que traz referência a este blog e ao nosso manifesto no texto "A Liberdade de Comunicar".

zine_frente.jpg zine_verso.jpg

Agora atenção a estes trechos:

"Não sei até que ponto o buzzine! pode ser considerado um blog. Não no conceito de blog enquanto "diário virtual" [...], mas no conceito um pouco mais amplo, [...] de espaço público pra discussão de idéias. Acho que o buzzine entra aí, como um blog de papel, com atualizações quando a gente bem entende que dá pra fazer.

O buzzine, enquanto blog, resolveu falar de design desde o início. Design sobre todas as formas, com artigos, entrevistas, utilidades, sem deixar de falar do cotidiano, das dificuldades em comum que nós temos.

O retorno que tivemos de que lê (se é que lê) o buzzine! nunca foi grande coisa. Mas a gente também não se importa. No blog também é assim, nem sempre eu comento o que leio."

O zine veio muito antes do blog. É óbvio. E importa? Nada. O blog está ali como referência de reflexão para o meio que o antecede. Não é isso também que está acontecendo com a imprensa americana? Discutindo jornalismo porque de repente os blogs vieram, cresceram e cutucaram. Eu estou adorando. Blogs podem muito. Quem ainda não acredita, crie um para discutir isso.

Extra: incontrolável. Eu olhando para o buzzine!, vendo o endereço do meu blog impresso e pensar: "estou 'linkado' nesse negócio!" É o máximo.

~~ * ~~

Timing é tudo...

E então, num rompante, ele tocou freneticamente a campainha com seu dedo médio.
As paredes vibraram. O som ecoou pelos corredores velhos.
Pela hora, os vizinhos foram acordados. Certo!
Mas isso não importava.
Ele deliciava-se, atônito, olhando o sorriso lindo dela.
E enquanto ia a porta de fresta a escancarada, pensava:
Havia feito a coisa certa.

~~ * ~~

Lançamento!

Depois dos sucessos "Comment On Line", que dá choques, por Milton Ribeiro, e do "Tercerize-A-blog" do Tiagón", Verbeat lança mais um produto que vai conquistar você!

VERBEAT DISCADOR v. 1.rárárá!

Uma revolução nas telecomunicações! Não é preciso registrar conta alguma, nem senha, nem ter um e-mail. Ele também não vem com números de acesso. O Discador, inédito no mercado, é randômico. Você clica, ele encontra uma linha desocupada qualquer e disca. Internet? Não... nunca. Ele nem sabe o que são protocolos TCP/IP. Mas vem com uma biblioteca de trotes nunca vista em toda história.

Veja uma amostra:

- Alô, aqui é do Vaticano. Você tem uns minutinhos para ouvir Bento XVI, nosso pastor alemão? Ele vai falar... só um pouquinho... Bento!... Au! Au! Au!... RÁ! RÁ! RÁ! RÁ!

Baixe diversos skins e se divirta ouvindo seus ídolos passando trotes.
- Bart Simpson, um clássico
- Wilian Bonner e Fátima Bernardes
- Voz de pato
- Lombardi
- Tetê Espíndola (equalização dos agudos incluído)
- Francisco Cuoco

Em breve versão Advanced, com áudio 5x1, para instalar no seu Home Theater e coleção inédita de nomes com duplo sentido! É diversão para a toda família.

Não seja uma mané! Baixe e instale logo! Melhor sua linha ocupada fazendo as ligações do que recebendo. RÁ! RÁ! RÁ!

~~ * ~~

E tem melhor jeito de terminar uma sexta-feira?

Poeminhas

Escalada

E qual não foi o acontecido!
O bemol ganhou na loteria.
E mudou de vida:
Tornou-se sustenido da noite para o dia.

Triema da Falta de Consideração Total com o Leitor
Quem bebe leite,
Não sabe.
O poço é feito de tijolos verdes.

~~ * ~~

Um fim de semana bem variado pra todo mundo.

Eu queria não escrever, às vezes, e ao invés disso ser escrito. Ser o escrito. Ser a história. E estar então imortal e totalmente constituído ao mesmo tempo que produto nobre de quem viveu a me fazer ser, e renovada surpresa para quem descobrirá e descobriu quem sou, repetidas e inéditas vezes numa releitura que se abre ao infinito tempo e sujeitos, sem que precise fazer mais nada por isso ou em relação estar qualquer coisa eu sentindo. Não queria desenhar, mas ser desenhado e ser desenho e, tudo bem, ser até apagado. Desde que não fosse eu a escolher direção, forma e pressão dos meus traços. Queria não significar. Mas ser significado. E ser o significado, pleno em mim, enquanto móvel e impossível de não ser fragmentado por quem me faz intermediário da sua representação. Às vezes não queria ter de ver, mas ser a - e uma única - paisagem que permanece igual e seu estado protegido de exceções. Ou se passar, me mover e ter que, não tendo outro jeito, mesmo escrever, que eu não preencha. Tão só corpo, seria eu a letra virgem, tão só objeto, tão só coisa - não quem a faz e nem o que se faz dela -, sem importância, sem diferença. Tem vezes que queria ser só a barra, entre uma divisão de elementos e não divisor ou dividendo. Aquele caractere no texto que não altera e que não é alterado. Só está ali e pronto. Vontade de um não-ser no tempo. De não realizar e nem ser realizado, mas a realização, o acontecimento que é no agora e depois passa e tem sobrevida no pensamento, mas passado que não volta. Queria o encurtamento: o nascer simplesmente e então um segundo depois já estar morrendo.

Mas também é verdade que outras vezes eu já não queria isso tanto.

Ser cansa. Hoje, pelo menos.


~~ . ~~

* "Ser cansa." é frase de Rafael Monaco
* O hoje foi 21/04/2005

Manifesto

A idéia de Liberdade e Democratização da Comunicação lançada (ou relançada, porque claro que muito gente já falou disso e de forma muito competente) continua fluindo veloz por aí, para felicidade deste blogueiro.

Posts pelo Smart Shade of Blue, na querida Meg e lá na DaniCast.

E que sigam livres a leitura, discussão, divulgação e as ótimas críticas.

~~~ * ~~~

E por falar em Internet, Comunicação e Blogs, Tiagón tá enlouquecido despejando conteúdo lá no Satélite. Pra quem queria feed... :D

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VEJA E O PROJETO DE CRIAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE JORNALISMO

veja_180804.jpg

Assunto antigo, delicado mas uma delícia de ser discutido.
O título da nota é o mesmo título do trabalho que fiz há dois meses. Foi um estudo ideológico sobre o discurso de Veja da edição de 18 de agosto de 2004. Não postei sobre isso antes porque aguardava a avaliação do trabalho. Pois bem, para minha felicidade, obtive nota máxima com estrelinhas e, mesmo já sendo um assunto "enterrado", "superado", "esquecido" ou "descontinuado", como preferir, alguns resultados que encontrei, penso, extrapolam o fato específico e assim tornam-se interessantes para quem quiser saber, ignorar, discutir, criticar, enfim...

Refrescando a memória, no ano passado a FENAJ conseguiu colocar na pauta do congresso um projeto para criação do Conselho Federal de Jornalismo, cujo objetivo - e vou ser breve porque não é esse o foco - seria regulamentar o exercício da profissão, compreendendo uma série de regras, ações e atividades que não foram nada bem recebidas.

Como já era de se esperar, grandes grupos de imprensa do país se levantaram para bradar aos quatro ventos que a iniciativa era a maior barbaridade desde os anos de chumbo. Uma facada pelas costas na democracia e na liberdade de imprensa. Entre estes grupos, a Editora Abril. E o texto analisado é uma investida da empresa, atráves do veículo VEJA, de se posicionar sobre o assunto, embora "se posicionar", ou seja, dizer que tal coisa é uma manifestação particular e não de todos, é uma daquelas expressões que a imprensa brasileira insiste em fazer de conta que não aprendeu a usar.

Não vou colocar aqui detalhes maiores do desenvolvimento ou método e quem quiser saber, é só me escrever. Até porque o estudo, embora não seja nenhum tratado, dissertação ou tese e pode ainda ser muito extendido, ficou com boas 30 páginas. Destaco então apenas alguns dos resultados interessantes a que cheguei.

Antes mais uma ressalva: não era a intenção fazer uma análise de pontos positivos ou negativos do projeto, tampouco se este era "bom" ou "ruim" para o exercício da profissão e das liberdades conquistadas. Não era um julgamento de valor em relação à revista e seu conteúdo. É uma análise fundamentada do discurso - considerado ideológico -, como uso de artifícios e formas de expor uma idéia na busca de criar uma representação do que está sendo dito. Os objetos foram dois: a matéria e as cartas de leitores publicadas na edição posteior.

~1~ Veja defende a livre iniciativa. E o faz, apesar de maneira discreta, oficialmente. Entretanto, quando o assunto é liberdade de comunicação ou de imprensa, o modelo liberal possui uma limitação. Veja bem, não disse ser ruim ou bom, disse "limitação". Essa limitação se deve ao fato de que, se por um lado as empresas são - e assim devem ser - independentes do estado, por outro lado elas estão presas ao capital e a toda e qualquer regra (ditas e não ditas) e desafios que o oceano chamado "mercado" impõe aos seus navegadores. Ao discutir os assuntos que a matéria discute (intervenção estatal, regulamentação e liberdades de imprensa, informação e expressão) seria correto acrescentar este fator que acabo de citar. Mas isso não acontece. Há o inverso, uma construção que leva a crer que não só a melhor maneira de garantir a liberdade é mantendo tudo como está, como só existe um cerceamento quando existem iniciativas que atentem contra a livre iniciativa. Acontece que o mercado também cerceia, e muito. E ainda produz pelo menos uma conseqüência questionável nesta indústria que é a concentração de recursos. Para sobreviver à competição "livre", empresas se fundem, concentram capital e poder. O resultado é que a liberdade e democracia defendidas são sufocadas pelas condições de existência dessas empresas. O Brasil é um exemplo de concentração grande dos mercados editorial e de comunciação, cujo domínio é de poucas empresas e pessoas. Na matéria não há qualquer menção a isso, como também não há sugestão alternativa ao Conselho, mas sim que é preciso lutar para ficar como está. E como está? A concentração de mercado vem agindo na democratização da comunicação de forma tão prejudicial quanto se esse poder estivesse nas mãos do estado. Se por um lado eles defendem publicamente o combate à não-democratização da comunicação representada pelo controle do estado, se abstêm da discussão sobre a não-democratização que é conseqüência de uma indústria “controlada” por pressões de mercado e interesses privados. O perigo está na reprodução deste modelo como uma representação social ou, como podemos dizer, na formação desta como uma "opinião pública", quando esconde interesses obviamente privados.

~2~ A revista abusa dos termos liberdade de imprensa, de informação e de expressão e descreve essas liberdades como aquelas que devem ser defendidas, quando a que deveria ser defendida é que não é citada: a "liberdade de comunicação". Claro, o modelo livre de regulamentação neste mercado, permitindo a concentração de poder e recursos na esfera privada, age exatamente contra a liberdade e democratização de comunciação plena, da mesma forma como se essa concentração de poder estivesse nas mãos do estado. Aliás, o texto Pela Liberdade e Democratização da Comunicação fala um pouco das diferenças nesse monte de liberdades.

~3~ Por toda a matéria, complementado pelas cartas recebidas que foram selecionadas para publicação, é possível identificar duas grandes representações construídas pela revista em relação ao governo Lula. A primeira delas é uma tentativa de reescrever a história do Partido dos Trabalhadores. O texto coloca o governo atual como sendo uma versão mais moderada de um grupo de pessoas que tem um passado de idéias radicais. Ou seja, afirmando que eles eram radicais, sem discutir de fato o que é ser radical ou radical em relação a quê. A seguir, mais grave, passam a determinar que ser radical é ser inconseqüênte, raivoso, odiável, representado um perigo para a ordem social democrática conquistada. E aprofunda a dissimulação associando o passado do partido não às lutas sociais esquerdistas, mas a idéias ditatoriais, absolutistas, fazendo em não poucas oportunidades citações de regimes fascistas, alusão ao nazismo etc. E quando faz estas citações, ainda conclui com idéias do tipo "por enquanto essas pessoas estão calmas, mas é bom ficar de olho porque podem voltar a ser o que eram a qualquer momento e isto é um perigo que deve ser combatido".

~4~ A segunda representação construída é a de que o governo é atrapalhado, bobo, perdido e contraditório. Que deve ter pouco crédito, pois é freqüentemente enganado, ingênuo, iludido. E, assim, deve ser visto como fraco, e um poder "dominado" quando em relação ao "dominante", que ali é definido como a "sociedade". Só que não sociedade como um todo, mas a sociedade que se expressa através da opinião pública, e sendo esta sinônimo daquilo que é veiculado e discutido por VEJA. A VEJA, recapitulando, é orientada por interesses privados e pelas leis de mercado e não uma instituição "pública". E "pública" não quer dizer subordinada ao estado.

Tem muito mais, mas acho que já é um bom começo. O ideal, claro, seria fazer em seguida uma pesquisa para ver até onde o discurso ali publicado teve sucesso na construção dessas representações. Mas, mesmo ainda sem isso, penso que ficam aí alguns pontos de reflexão. Especialmente porque muitas das constatações, tenho certeza, não vão se restringir unicamente a esse veículo (VEJA) e a esse episódio (CFJ), mas se multiplicam por aí no tratamento pela mídia de massa a diversas questões, pessoas, idéias e posições.

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Seguindo a discussão

Leia aqui a resposta no Observatório da Imprensa do diretor de jornalismo e programação da RBSTV / TVCOM, Raul Costa Jr. ao artigo que foi comentado neste blog dias atrás.

É muita coisa!

Cinza a 10°C sob chuva fina e gelada

É Porto Alegre hoje quando saí de casa. E como é Porto Alegre quando minha cidade aparece como imagem literária na minha cabeça. E é como ela me fascina. É a primeira frente fria pra valer do ano. Chegaram a prever neve para amanhã em alguns pontos do estado se permanecer a umidade e nuvens carregadas. Não creio. Vidros fechados, música alta... pneu resbalando no asfalto úmido. E à noite, ruas fechadas de luz atravassada pelo esfumaçado da neblina baixa.

Sexta éramos eu, Rafa e Tiagón no carro, já além das 3h, percorrendo a cidade nesse atravessar da neblina. E, como se não bastesse, ainda era noite de lua cheia. Foi o brinde depois que se dissipou a névoa. Mas nessa hora eu já estava no meu carro, chegando em casa.

Momentos colecionáveis. Porto Alegre colecionável. Amigos colecionáveis.

E agora é invadir o supermercado ou o boteco da esquina para fazer o estoque de vinhos.

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"And I will be the last to go when the party ends"

Esse é um verso de Lonely Dance, música da Superphones. Sábado eles lançaram o primeiro CD, independente. Balões, sessão de clipes e um show fantástico. Tenho uma ligação forte com a banda porque conheço os músicos, acompanho desde o início, mas é impressionante como eu sempre me surpreendo. O Garagem Hermética, clássico cantinho underground da cidade, completava a cena "londrina". As músicas, que já são por natureza fortes, ganham uma intensidade que não se explica na apresentação ao vivo. E é fácil saber por quê. Os caras se entregam.

Pena as gravadoras terem uma resistência tão grande para bandas que cantam em inglês. Pena não deles, mas de um monte de gente que, tenho certeza, iria curtir o som e desconhece.

Aliás, não se acanhe. Visite o site deles. Tem tudo lá. Músicas (algumas em MP3 para baixar), agenda, loja e muito mais.

As músicas que entram no meu repeat do CD são: 9th Floor, Lonely Dance e Just Watching. A primeira e a última têm clipe. O de 9th Floor, inclusive, foi premiado no Gramado CineVideo do ano passado. O de Just Watching é de não ter como piscar.

Valeu carinhas! :)

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Inveja... mas inveja da boa

Tá rolando agora, em Paris, um encontro para disussão de blogs e software livre, Les Blogs. O evento foi citado recentemente numa matéria da Wired que circulou bastante por aí. Inclusive lá no Satélite.

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Satélite?

Eu e Tiagón criamos um blog para falar de blogs. A idéia era ter um espçao onde a gente pudesse registrar algumas coisas que vemos por aí. Pouca ou nenhuma análise, mais informação. E fica já aqui o lembrete de que o espaço é aberto. Quem estiver na pilha de avisar a gente quando encontrar alguma coisa interessante por aí, sabe o caminho. Pegue aqui o feed (rss 2.0).

Ei! Esqueci de dizer que o layout superbacana é da ministra Olivia (sem acento).

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FEED! FEED! FEED!

Por falar nisso, já estão aí do lado, nos respectivos botõezinhos, as URLs para o Blog do Gejfin Free Delivery. Sirva-se à vontade!

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E viva nós!

marca_verbeat_m.gif

Ê! Esta é a nova marca da Verbeat. Foi desenhada pelo gênio da raça, projetista de interfaces web, palestrante, em breve professor e nosso slavedesigner nas horas vagas, Renato Rosa (o Renatinho). Vai dizer que não ficou super-supimpa!? :D

Ontem acessei um artigo no Observatório da Imprensa que me fez realmente pensar. Onde eles foram parar?

Falo de um texto, cujo nome, autor e link não vou colocar aqui porque não sei se valem mais leituras da respectiva bobagem. Isso também porque a autoria é confusa. A assinatura não tem referências em lugar algum - será um pseudônimo? O complemento só diz que é gerente de comunicação em Novo Hamburgo, o que também não merece muito crédito. Gerente de onde? E de que tipo de comunicação?

Só por isso o texto se veste, merecidamente, de inúmeros questionamentos, que estendo ao Observatório já que, pelo menos até onde eu lembro, veiculava discussões bem mais competentes.

O assunto é uma crítica à TVCOM. Para quem não conhece, é um canal UHF mantido pelo Grupo RBS, com programação local do RS e de SC. Compartilha recursos com a RBSTV para produção de sua grade de atrações, que vão do entretenimento à informação. Pelo que entendi, a RBS tinha planos de levar, pela TV à cabo/satélite, a TVCOM para todo o Brasil, com o intuito de oferecer a gaúchos e cararinenses espalhados por outros estados um canal de comunicação com sua terra natal. Partindo disso o cidadão destila então toda a crítica, cujo conteúdo nada mais é do que um julgamento de valor - tendendo ao rancor - que consegue ser bastante carente de argumentos sensatos, lógicos, racionais.

Ao lado de outros artigos do Observatório, é como pegar um elevador cujos cabos romperam, despencando no fosso do nível de qualidade de textos e posicionamentos.

Depois de esculhambar cenários, produção e, de uma forma geral toda equipe de profissionais que lá trabalham, alegando que a empresa não pode ter a pretensão de fazer da TVCOM um canal nacional porque as produções não são dignas de ser consideradas "profíssionais", escolhe âncoras de telejornais e apresentadores para avacalhar. Antes fossem com argumentos, mas não. Ou pelo menos dizer que alguém é ruim porque é "estranho", tem "voz fraca" ou é um "tipo fora do comum para o vídeo", pelo menos para mim, é opinião sem qualquer critério que deva ser considerado. No segundo caso diz que o apresentador é um colegial de 15 ou 16 anos disfarçado de jornalista. Ora... como assim? Que tipo de crítica é essa? Perdi também as contas de quantas vezes ele usa a expressão "sem graça". O que é "sem graça"? Um telejornal deveria ser engraçado? Cautela com as palavras num texto que pretenda ser sério é um bom começo.

Por fim ele usa como comparativo, num exemplo de excelência em produções telejornalísticas, a FOX NEWS americana. Dizendo que desbancou a CNN em 2002, a emissora é pintada como a oitava maravilha do mundo. E, o é, porque oferece um produto bem acabado e muito vendável. Talvez ele pouco saiba o quão diferente é a mídia norte-americana da nossa e que não procede jamais fazer uma comparação dessas, já que, pelo menos para quem tem um pouco de esclarecimento, muitas coisas estão neste jogo, a começar pela cultura de um povo, passando pela estúpida falta de proporção entre as duas emissoras postas lado a lado. Talvez seja uma boa idéia, quem sabe, antes de falar besteira, voltar às aulas, se é que formação em comunicação o sujeito tem.

Minhas impressões finais sobre o fato é a de que em alguma oportunidade da vida esta pessoa tenha sido pouco qualificada para trabalhar no Grupo RBS. Traduzindo: inveja da grossa. Mas ainda acima de tudo, o que mais impressiona é mesmo o Observatário ter dado voz a uma estupidez deste tamanho. Não tenho qualquer ligação profissional com a Rede Brasil Sul, nem nunca tive, mas conheço muitas pessoas que lá trabalham, bem como sei da seriedade e competência com que exercem a profissão. Ainda mais, sou também um crítico de seus produtos e veículos. Sempre me incomodou e vai me incomodar a extrema concentração e não democratização do mercado aqui no sul, além da prática - comum na imprensa brasileira - de serem parciais dizendo que não são. Mas quando critico, tento fazer isso com argumentos. E mesmo se eles forem frágeis, no final estará lá em letras grandes: Leandro Gejfinbein, o que sou, o que faço.

É uma pena o Observatório da Imprensa cair nessa brincadeira. Que dêem liberdade de comunicação a todos que por ali queiram falar, mas podiam revisar a qualidade dos textos ou, na pior hipótese, se for ruim como esse, que se tente uma identificação mais precisa do autor, justamente para não parecer que o site está acobertando barbaridades como as que ali estão escritas.

Foi fácil ler o jornal. Eram 25 páginas sobre o novo papa, com índice na capa. Então foi só abrir direto na 26 e uns 5min depois já estava todo o periódico no papo. Torço para que sejam as ÚLTIMAS páginas sobre o assunto.

* * *

Aliás, ontem eu e a Lisi falando bobagem ao telefone pensamos: imagina se o novo papa morre de repente agora? Sim, hoje, de um infarto. Imagina a logística dos milhares de veículos que estavam finalmente encaixotando os equipamentos lá no Vaticando, os repórteres que já devem ter engatado merecidas férias depois dessa maratona maluca. Os celulares tocando e eles chorando de raiva. Ia ser um colapso. E, não me surpreenderia, se Bento XVI fosse simplesmente ignorado, tamanha a estafa provocada pelo cenário absolutamente estérico que se montou ao redor de todo o evento desde os momentos finais de João Paulo II. Não ficaria admirado, também, se a notícia mais freqüente fosse de papáveis se suicidando. O Minduim que está certo: o mundo hoje se resume a uma paranóia coletiva.

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Vamos comemorar! Hoje faz 34 anos que a SKOL lançou a primeira cerveja em lata tupiniquim. E isso SIM é uma evento histórico importante.

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Concurso Cultural Blog do Gejfin: se você fosse papa (ou papisa, porque por aqui não tem essa história de só bola), por qual nome gostaria de ser chamado(a)?

Deixe um comentário. Ou mande um torpedo para o número XVI com a mensagem "Dadinho o caralho, meu nome agora é [nome]". Ou ainda um e-mail para ceo@ceu.org que Jesus responde assim que possível (pode demorar um pouco).

A melhor resposta leva uma pizza congelada brotinho legitimamente italiana, entregue em trajes papais por um cardeal, conforme o sabor de sua escolha:
#1 molho de tomate, batata e repolho: ultra conservadores;
#2 pepperoni e mozzarela: moderada;
#3 supreme barbecue sexta-feira santa: ultra reformistas.

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Bom feriado.

19 de Abril

E entre argentinos e alemães, tem os brasileiros que passam reto na estrada da informação. Bom lembrar que é Dia do Índio hoje. Aliás, se tem um povo que pode falar com propriedade sobre o quanto vale a Igreja ou da falta de dignidade humana, é o indígena brasileiro.

Dito isso, a homenagem é por conta dela.

não foi possível descobrir os créditos da imagem, mas minha não é, óbvio

A pergunta que não quer calar: aquilo ali na mão é mesmo um polegar?

Escolhido o "santo" homem do catolicismo.
Sem muitas surpresas, Joseph Ratzinger é o novo papa.
Ultra conservador, pouco carismático, será de agora em diante Bento XVI.

Fiquei quieto sobre o Grafite. Embora olhos velozes no acompanhamento da discussão (mais aqui) pela blogosfera. Aliás, é muito FODA essa blogosfera. Como o Tiagón já comentou ontem, quando a mass media seria capaz de dar suporte a uma discussão verdadeiramente democrática, rica e de espaço aberto ao infinito como se faz por aqui? Vai parar quando esgotar e não quando um editor resolver tirar o assunto da primeira página do jornal.

Bom, depois do rebuliço faço então dela minha capa apenas hoje, atrasado - e daí? E isso porque achei interessante o gancho do Afonso. Depois de discutir a ATITUDE em um vermelho acertadamente escandaloso entre o discurso, termina com menção à dignidade humana.

Já escrevi sobre isso uma vez. Não sei para onde vamos, mas não tem como negar que estamos numa sociedade que dá pouco ou nenhum valor à dignidade humana. E acho que foi essa a cereja do bolo que fez com que o assunto Grafite tomasse a dimensão que tomou.

Não é O RACISMO. É a naturalização que fazemos do agir contra a dignidade das pessoas. A vida regrada pela competição e hierarquização de tudo e todos leva ao nocaute a dignidade humana. Onde nasceu o erro? Muitas teorias. Não é a idéia discuti-las agora. O fato é que vez ou outra nos achamos no direito de nos colocarmos acima de alguma outra pessoa, com as armas que temos. E fazemos porque segundos antes, de alguma forma, também fomos humilhados "naturalmente".

O que o Grafite fez foi isso: o contra-fluxo da estúpida naturalidade que fazemos da indignidade humana. Surpreendeu porque virou à esquerda de repente onde nunca ninguém vira. No percorrer da avenida ouvimos sem poder identificar quem nem de onde, aos sussurros, quase imperceptível, que é melhor "deixar assim", tomar cuidado com o que se fala e como se age... "lá atrás não viste as placas de sentido não recomendado?" Ei! É mentira. Não há placa nenhuma.

Grafite parou o Brasil só porque resolveu entrar na contra-mão e reivindicar a esquecida dignidade humana. Ninguém está acostumado com isso.

Aliás, por falar em argentinos, isso me lembrou que sempre nutri uma antipatia por eles, e tudo vai fazendo sentido. Não sei se sempre fui justo ou injusto, mas moro no Rio Grande do Sul e na maioria das vezes que hermanos estiveram próximos de mim, foi rasgando nossas estradas em alta velociade e pelo acostamento, depois rindo das multas que acabam não pagando - notícia comum no verão aqui do Sul. Quantas vezes não explodiam em orgasmos ao lembrar que eram "Europa" enquanto nós "bagunça" da América Latina? Deixavam imundas nossas praias, não pagavam as multas e saiam ainda dizendo isso. Opa! Pois como então conseguir conter pelo menos um riso quando eles iam afundando na última crise? Difícil, mas também que merda, porque o resultado é que eu não estava sendo nada digno. Mas e parar como o ciclo? O Grafite teve uma sacada. E na próxima temporada, a cada vez que um argentino passar pelo meu carro a 200km por hora, terei salvo na agenda do celular o número da polícia rodoviária.

~ ~ ~ ~ ~ Pára TUDO! ~ ~ ~ ~ ~

Post-edição-extra do Blog do Gejfin anuncia...

Roupa Nova Acústico

Porto Alegre, dia 5 de maio, no Teatro do SESI.

Se quiserem me encontrar, só olhar para a primeira fila. Um carinha cantando; cantando pra caralho!

MAAAAIS / QUE A LUZ / DAS ESTRELAS / AAAAAAH

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em tempo - o crédito: informação quentinha > LISI! > celular > gejfin > blog ;)

Este que vos fala teve a honra de ouvir o nome citado ontem à noite no programa Manhattan Connection (canal GNT), comandado por Lucas Mendes, com Lúcia Guimarães, Caio Blinder, Ricardo Amorim (lá nos USA) e Diogo Mainardi (aqui no Brasil).

Havia mandado um e-mail no início da semana sugerindo uma pauta a partir do texto Pela Liberdade e Democratização da Comunicação. A idéia foi acolhida pela nobríssima mesa de debates e todo o segundo bloco do programa foi tempero bom nessa discussão. O gancho foram as investidas do governo Bush na plantação descarada de informações na imprensa americana e a complacência desta com a atividade. Da produção em série de video-releases pela Casa Branca para veiculação especialmente nas TVs/telejornais locais, passando pela grana gasta na distribuição de "mimos" a alguns comentaristas, até funcionários do governo atuando em coletivas teatrais cujo texto são perguntas bem levinhas que não compremetam a máquina pública. Junto com isso também se falou sobre os caminhões de dinheiro investidos em propaganda oficial tanto lá como por aqui. E foi o economista Ricardo Amorim que ficou com o pepino de responder a uma provocação do Lucas Mendes sobre subjetividade e imparcialidade nas funções de informar ou analisar fatos exercidas por pessoas atrás de uma bancada como, por exemplo, a do próprio programa. Rendeu, como não poderia deixar de ser por ali, um ótimo debate.

O Manhattan Connection vai ao ar em programa inédito todo domingo, às 23h, no GNT. E tem reprises hoje (segunda-feira), às 10h, 16h e 21h e terça, às 4h da madrugada.

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Papai é o Maior!

O S. C. Internacional é tetracampeão gaúcho. Pena que não consegui ver todo o jogo, mas o final foi uma peleia de primeira lá em Campo Bom. Terminou 2 X 1 na prorrogação, depois de o 15 de Novembro nos 90 minutos ter devolvido os 2 X 0 que tomou no Beira Rio. E para ficar bem claro que era final de gauchão, ainda teve o goleiro André, do Inter, saindo de campo com braço quebrado.

DÁ-LHE COLORADO!

Estou em liquefação, como não? Hoje então...

Começou ontem num chopp happy hour da empresa que inclusive foi tema de uma turma de jornalismo lá da Unisinos e achei engraçado como faziam a matéria usando figurantes para algumas imagens mas tudo bem entendo que depois do sanduíche-íche ficou perigoso esse negócio de notícia com gente de verdade risco de não ficar bonito ou produzir celebridades muito mais populares do que o que foi dito. E aqueles garçons filhos da puta que não esperam eu pedir a bebida e empurram fico puto e sempre brigo. Mas esqueça que vim falar é do que se sucedeu depois disso.

Entro no carro vruuuummm já tô na Lisi e já estamos procurando vaga entramos no bar ali da Cidade Baixa. Pegamos um lugar no canto do balcão o Rafa ali bebendo já bebendo bebendo estava ele depois então mas antes disso gente falando alto nunca claro mais alto que a aniversariante querida que completava [piii] anos. Risada gostosa Lisi até pensou em colocar como toque no telefone imagina só o despertador tocando. E chegando gente e saindo gente e gente mais gente era tanta gente não lembro direito mais teve alguém que comentou a respeito. Patrícia?

Comanda já ficava menos branca copo esvaziando Rafa no balcão conversa rolando só parava na hora que vinha a crise de ciúmes de amigo Lisi Patrícia aniversariante e a Cátia era engraçado vocês tem idéia de como é BOM estar junto, amigos? :) Então que perigo todo mundo levantando acampamento mas alguma coisa dizia que pra casa ninguém ia sugestão veio rápido já estávamos na rua e entrando nos carros e daqui três pontinhos...

Na entrada foi hilário o diálogo. Depois encontramos a Vânia e pegamos mesa cerveja os quatro ali de papo o quinto mais distante tudo bem a gente entendia foi então que de repente vem aquela senhora querida com bandejas bandejas atendentes e bandejas de petiscos e drinks um melhor que o outro a gente abobado a gente comeu e bebeu tudo era bom demais da conta e olha que ali ainda nem imaginávamos que vinham as sobremesas que beleza a torta doce de doer o carrinho e o sorvete de framboesa aquela mulher não existe taças e pratos rodavam para todo mundo provar de tudo.

E não é que ele derrubou a mesa atrás da gente e caiu coisa lá pra baixo que pelo barulho... ih... que estrago tsc... tsc... essas pessoas mais álcool se bem que também se foda pois tudo se coleciona coleciona coleciona!

Hora de chega rua carros caminho pela metade uma certeza não vou pra casa longe longe daquele jeito fico aqui de hóspede amizade passa pelo amigo mala no sofá da sala carro na garagem. Mais cerveja? Não... água e conversa conversa conversa bom papo altas horas mas trabalho manhã perto meu deus como acordar vou estar quebrado, um troço, um plasma mas isso era pra frente volta! que entre tudo e agora teve um sono de uma hora que completou aquilo que venho dizendo: 2005, um ano para não colocar defeito.

Ah... e como ficou divertido o e-mail de comentários, mas esse fica guardado, como tudo que ficou escondido entre cada ponto tirado do relato. Ou estás pensando que minha vida é um Big Brother? Sai fora.

~ . ~

A Larissa fez um post supimpa sobre o Manifesto e mais uma intensiva Orkut. Tá que é uma militante da causa. :) Ueba! Acho que todos deviam ouvi-la! Mas só ela. Não escutem os gatos. Não leiam sobre os gatos. Tu podes nunca mais conseguir pensar em sexo animal como antes.

O LibCom também ganhou um post genial (como não poderia deixar de ser) lá no Milton Ribeiro. Vai lá ler! E querendo fazer um pedido, é só ligar 555-VERBEAT-BZZT-AHH.

~ . ~

Um fim de semana BZZT pra todo mundo.

[puxando o ar]

tá difícil ficar respirando e fazer outra coisa ao mesmo tempo as pessoas bebem e ploft mas tem tanta coisa que escrever é preciso até porque se no fim do dia eu virar alguma coisa blargh disforme na cadeira terei pelo menos registro dos últimos minutos de ser humano...

[soltando o ar]

Alô mamãe!

O que me assusta nessas coisas...
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... é que se ISTO está...
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... a um clique de qualquer ser humano na Rede,...
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... imagina o que já existe,...
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... LONGE do que se entende...
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... por "qualquer" um ser humano.
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Morei alguns meses numa dessas casas aí...
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... em volta do laguinho...
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... em Virginia Beach, Estados Unidos.
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Tudo aqui, by Google. Opção "Satellite".

Que medo. Muito medo.

Update: Junte agora algumas porções dos ingredientes acima, com isso. Leve ao forno em fogo alto, bem alto. E fuja para outro planeta.

Vai de baú revirado, então, por enquanto mesmo... já na torcida para que ninguém se identifique.

~ .. ~~

- Doutor, eu tenho cura?
- Difícil. Mas há uma pequena chance.
- De quanto?
- Pequena. Menos de 1%.
- Pelo menos, de cem, 1 sobreviveu. Quem é? Queria conversar com esta pessoa.
- Ninguém sobreviveu. Nem chegamos ainda ao caso número cem.
- Mas então como o sr. sabe que tenho 1% de chance?
- Eu não sei. Isso era só para tentar te deixar melhor.
- Acho que não funcionou.
- Bom, tudo que posso fazer é dizer para aproveitares tudo da vida daqui por diante, até que o dia chegue.
- Mas e chega quando?
- Não sei. Pode ser de repente. Pode demorar anos.
- Mas e como é que vou conseguir viver nesse inferno?!
- Viver? Não. Vais morrer. É sério.
- Isso eu sei, droga! Mas queria, sabe... pelo menos saber quando, para tentar realizar meus sonhos e viver a vida como se cada momento fosse único e infinito e...
- É difícil. Tu vais acordar todo dia sabendo que vai morrer. É melhor aceitar levar até onde der na boa.
- É incrível como o sr. consegue fazer com que eu me sinta ainda pior.
- Como pior? Tá sentindo o pescoço formigando e falta de movimento nas pernas?
- Não! Por quê? Vou sentir isso quando a hora estiver chegando?
- Não. Isso é umas semanas antes. Vais perder os movimentos, ficar sem conseguir respirar direito e vomitar o dia inteiro. É um quadro pré-fim.
- Que horror! Pelo menos depois disso espero que eu tenha um descanso em paz.
- Não. Depois disso vem a enceloptomoide. Daí sim. Depois disso, você bate as botas.
- E o que é isso?!
- Uma alteração na parte frontal do cérebro. Faz com que a pessoa perca o controle da comunicação, dos sentidos. O bom é que tu nem vais saber o que está acontecendo. Quem sofre mesmo são os familiares e os vizinhos - muito barulho.
- Por quê, meu Deus? Por que comigo?
- Ah! Essa estatística a gente tem: foste o azarado entre vinte e nove milhões.
- Obrigado. Pelo menos morro sabendo como sou "especial"...
- Já contou para a família?
- Só para minha esposa. Meus filhos não sabem.
- Conta logo então. Pode não dar tempo.
- Eu sei! Mas é difícil conversar sobre isso.
- Entendo. Se quiseres posso falar por ti.
- Não precisa.
- Tudo bem. Ah... queria aproveitar essa consulta - sei lá se nos vemos de novo - para te mostrar o estado do tecido que retiramos na biópsia.
- Não sei, doutor. Se tem uma coisa que não faz diferença é isso. Não quero ver. Posso ficar impressionado.
- Está certo. E até porque também logo, logo vais ver bastante. Normalmente as pessoas tossem alguns desses por dia, durante ou depois das refeições.
- Doutor, acho que eu te odeio.
- Isso quer dizer que não estou convidado para o velório?
- Não! Não está convidado!
- Tudo bem. Respeito tua vontade. Já sabes onde vai ser? Já escolheste tudo?
- É óbvio que não! Só hoje estou sabendo que vou morrer!
- Sim, é verdade. Mas se precisar de uma ajuda, meu cunhado é dono de uma funerária. Posso conseguir um bom desconto e ainda faturar todos os meus serviços junto, para 30 dias depois do enterro.
- Até logo!!
- Para se mais exato, até nunca mais. Foi um prazer. Se precisar de qualquer coisa, liga. Por favor, eu o acompanho até a porta.

[...]

- Senhorita, preciso assinar mais alguma coisa? Quanto devo?
- Não. Já dei baixa definitiva na tua ficha e essa consulta é cortesia. Que coisa isso, né? A vida apronta cada uma... Vais deixar filhos?
- Ah! Vocês não têm um pingo de sentimentos! Pena que o que tenho não é contagioso!
- Isso depende. Só se já estiver escorrendo aquela secreção verde das orelhas. Tenha uma boa tarde.

Delfin, Carlos Damião, Carol e no Untitled. Valeu pelas citações, links e críticas!

Yeap! Yeap!

Fluindo...

libcom_selo_medio_v.gif Já desce montanhas e atravessa campos distantes as fluidas palavras sobre Liberdade e Democratização da Comunicação que a Verbeat lançou aqui.

Eu fico feliz demais de percorrer a blogosfera e ver as pessoas apoiando, discutindo, debatendo. Primeiro um obrigado enorme a TODOS os verbeaters que, como não poderia deixar de ser, foram os primeiros a ler o texto e contribuir com boas e acertadíssimas críticas. Valeu família Verbeat Blogs! Valeu Afonso que não só colou o selo no blog, como discute hoje por lá uma questão importante da Liberdade. Leiam! Conexões novas, como a Elisa e a Tânia que deixaram comentários e também usaram seus espaços nobres para citar o Manifesto. O selo também andou sendo impresso lá no blog da Ana. Fico contente! Os comentários da minha eterna "dupla" Ana Carolina que é responsável por fazer germinar na minha cabeça muitas dessas idéias. Ela que, em breve, vai estar ainda mais "pertinho" da gente.

E que flua mais e mais! Que se discuta mais e mais. Que se reconstrua mais e mais nosso próprio discurso! Eu e Tiagón vamos fazer de tudo para que isso aconteça. Inclusive já estamos encaminhando traduções do texto também para outras línguas.

Obrigado a todos!

E sempre que quiser, releia, para achar outros sentidos ou pontos onde seja preciso discutir mais a fundo, debata no nosso fórum, e conte pra todo mundo.

* Possivelmente este post será ainda por várias vezes atualizado durante o dia. A Rede é isso: movimento infinito.

update 11h: Valeu Su! Pelo post e pela boa questão levantada aqui nos comentários, sobre a definição de "democracia"! :)

update 12h: Porra... como é que fui esquecer do Renato Rosa?! Amigo, colega, baita pesquisador de interfaces web (e slavedesigner da Verbeat nas horas vagas) também estampou o selo lá no site dele. :D

update 13h: Marcelo Träsel, no seu Martelada, da galera Insanus, conterrânea aqui dos pampas, lembra MUITO BEM dessa bobajada que é dizer e, pior, dentro das faculdades de comunicação, que blogs são apenas diarinhos virtuais. Selinho também lá no Ácido para Vivian. Valeu!

Pêra*

*não, não quer dizer nada mesmo.

~ .. ~

Resumo do fim de semana: upalelê!

~ .. ~

O que uma boa festa tem que ter

Pessoas. Bom começo. Não é a mesma coisa que simples seres humanos... Não. Pessoas são diferentes. Pessoas te deixam à vontade. Pessoas te deixam sempre em dúvida sobre se realmente nunca haviam se encontrado antes. Pessoas adoram se *relacionar* com outras pessoas e nunca *assimilar* outras pessoas.

Diversão. Que também não é a mesma coisa que entretenimento. Diversão é bagunça, é surpresa é um monte de coisas juntas.

Foi um fim de semana de festas boas. Cada dia (sexta e sábado) com suas delícias. Lá no Espiral, sexta, fechado para convidados, foi ultrapassar a porta e desaparecer o mundo externo. 1) Pessoas legais te recebem; 2) te convidam a entrar no clima e incrementar o visual com acessórios engraçados; 3) informam que incluído nos drinks cortesia figurava, além da cerveja e da caipirinha, ah!, tequila! Pronto. Não preciso dizer mais nada. Hmm... preciso sim: a música da Dejota Adriana Banana - anos 80 + DB - ficou em segundo plano, tal era fantástica ela própria, falando e falando de si pra gente. Tomara que role uma matéria na MOOD... quem sabe. Para completar, teve também a parte fiasco, que, como não?, ajuda a festa a ser boa, por ter do que rir na segunda-feira. A cena em que eu batia na porta do banheiro para tentar acordar o amigo fora da casinha que, muito provavelmente, adormecera lá dentro foi inesquecível, como a vontade de que preso no banheiro ficasse aquele carioca - mais do que bêbado, uma mala - que ficou todo o tempo atrapalhando o papo com a querida Adri Banana.

Lenara, baita festa! Parabéns de novo! ;)

O sábado foi de menos surpresas e fiascos, mas foi festa especial. Aniversário da amiga Francesca, mas junto, e principalmente, o pequeno grupo de amigos ali reunidos aproveitaram para fazer bons brindes a 2005, esse ano que não pára de me lembrar todo dia que eu estava certíssimo quando afirmei lá nas suas entradas que seria o mais líquido de todos os tempos!

~ .. ~

Quase trinta

E já que falei de festas e aniversários. E sempre tem essa coisa de as pessoas se lamentarem pela idade. Digo que é impressionante como Pessoas, diversão e uma reunião de amigos especiais que vivem um full-novostempos, faz a gente voltar uns bons anos.

~ .. ~

Ouro e aplausos

É mesmo um espetáculo essa gauchinha Daiane dos Santos. Na falha da música deu dos maiores shows que, com certeza, uma competição como essa - Copa do Mundo de Ginástica - já viu.

~ .. ~

Bravo!

Rá! Rá! Rá! Digam o que quiserem, mas quão fantástico foi o domingo Gejfin + DVD do Roupa Nova Acústico, que peguei emprestado! Quem mais ia colocar num mesmo palco Ed Motta e Chitãozinho e Xororó? Quem faz de um show daquele tamanho o quintal de casa? Imperdível. Especialmente ver todo o show com as traduções das músicas para o inglês, e imergir no arranjo orquestral e performance impagável do Serginho na canção A Viagem.

~ .. ~

Opa...

E quando eu achava que tudo já estava de bom tamanho, o Inter ainda vai lá mete 2 no 15 de Novembro.

~ .. ~

Onde chegamos...

João Paulo II é capa até da CARAS.

~ .. ~

Ah... agora entendi. Lembrei que foi pêra que comi no café da manhã.

A Verbeat chuta uma bola pro alto. E não preciso falar mais nada, porque está tudo aí, clica!

Liberdade e Democratização da Comunicação
Liberdade de ExpressãoLiberdade de Informação

Mas vale um disclaimer: Os verbeaters da nossa divertida, unida e talentosa família de blogs, moradores Verbeat Blogs, não estão nem nunca estarão, obrigatoriamente, subscrevendo iniciativas Verbeat (sem "Blogs"). Em última instância, se tiver que por a culpa em alguém por essas travessuras, esses somos eu e Tiagón. De resto, é cada um por si: nós autônomos na inspiradora rede blogosférica. Que sempre são, claro, muitíssimo bem-vindos, para esculhambar, questionar ou achar que o que tá escrito é uma coisa supimpa pra dedéu. A gente fica feliz. Porque se tem uma coisa que daí sim por aqui não se abre mão, é de ter sempre uma água quente na chaleira para quem queira se aprochegar nessa roda de chimarrão.

Tá. Agora clica!

Liberdade e Democratização da Comunciação

historinha.gif

* A idéia veio de um poema + "diálogo".

Revisitando

Tomei gosto por desenterrar alguns escritos esquecidos há tempo. Lá do início, catei hoje esses pequenos e divertidos.

Espiada

José quebrou a perna ontem de manhã tentando, através do muro, chegar a tal altura que desse para ver da pequena janela entreaberta do banheiro, da casa do lado, a vizinha gostosa de 19 anos tomando banho e se masturbando.

Mas pior, me disse ele mais tarde, não foi o tombo nem a perna doendo, mas a explicação que teve que dar para a Jussara sobre o que ele estava ali fazendo.

Quando casaram ela bem sabia que ele nunca fora santo, mas daí fazer isso com oitenta anos!

Crendices

A velhinha do 204 que, reclamando de dor-de-barriga, regou a Comigo-Ninguém-Pode do corregor do prédio com uma jarra de leite, amarrou uma fita amarela no dedo médio da mão direita, derramou açúcar em círculos em frente à porta do quarto, colheu duas folhas da planta e tomou o suco batido no liquidificador com saliva do seu gato persa Peludo.

Morreu, óbvio.

Parabéns!

Para o S. C. Internacional. Nosso glorioso Colorado completa hoje 96 anos. E classificado para a final do Gauchão. Contra quem? O 15 de Novembro, de Campo Bom.

~ ~ () ~ ~

Foi-se...

Neste sábado o papa. Não sou católico e, assim, com certeza não tenho como imaginar o verdadeiro sentido ou sentimento dessa perda. Mas fiquei nesses últimos dias atento a significações minhas do fato. Seu papado tinha minha idade. É primeira vez que eu testemunho a morte de um papa, fato que é um Fato (assim, com maiúscula) de importância global há quase 2000 anos, mesmo quando não gozávamos ainda da super sociedade da informação. Fora isso, quem diria, eu fui "abençoado" por este papa quando ele esteve aqui em Porto Alegre, em 80. Claro, é uma história que minha mãe conta. Não lembro de nada. Mas, aumentada ou não, é um "patrimônio subjetivo" bom de ser guardado.

~ ~ () ~ ~

Apocalipse financeiro

O litro da gasolina comum em Porto Alegre está custando, em média, R$ 2,57. Em Pelotas, cidade do sul do estado, R$ 2,75. Governador filhodaputa.

~ ~ () ~ ~

Canudo

Fui conferir uma formatura em Pelotas de colegas de trabalho, naturais e moradores daquela cidade da metade sul do estado. A cerimônia, que foi no Teatro Guarany, fez com que, óbvio, eu pouco prestasse atenção nos formandos. Não conhecia o teatro e é formidável. Especialmente os camarotes, que conservam, por exemplo, portas da época em foi construído. Pena, pena mesmo, estar tudo em PÉSSIMO estado. Pelotenses podem se envergonhar à vontade. Não se faz assim tanto descaso com a arte. Descaso que, aliás, não é privilégio do teatro. Outros fantásticos prédios históricos do centro da cidade estão caindo aos pedaços. E não sei se muita gente se importa. Como disse um amigo, meu anfitrião, lá de Pelotas: "Olha, tchê, cuida por onde a gente passa. Aqui tudo fica sempre pela metade. Especialmente obras (shoppings, duplicações e pavimentação de ruas)". Cuidei e é mesmo verdade. Daí lembrei de Sérgio Tessele defendendo a colonização italiana e alemã lá em Agudo, dizendo que é fácil saber porque as regiões colonizadas por eles hoje são as mais desenvolvidas e ricas do Rio Grande, enquanto a metade sul e fronteira, que ficou mais a cargo de portugueses, é mais feia e pobre: "Preguiça. Eles nunca deram valor pra terra. Criavam gado porque assim podiam ficar com a bunda na cadeira, só olhando e mandando nos escravos".

Me abstenho. Não sou eu que estou falando.

Rá! Tiagón informa então que a luta terminou no terceiro round! Eu venci! Eu venci! Viva 1° de Abril!

(Claro que não vi a nota. Nunca cheguei na página 3 do caderno Patrola. Só não escapo da capa porque o troço vem no meio do jornal.)

:D

1° de Abril

Queria falar um monte de coisas legais que anotei para publicar no blog. Sobre eu, Tiagón, amigo Uilson e Simone, mudando o mundo ontem na Lanchera. Tava entusiasmado com as idéias, com o texto, é! É! Mas daí abri a ZH quando acordei. Se eu tivesse uma analista eu iria contar pra ela essa semana sobre como o jornal tem a capacidade de estragar meu dia. Não, não é sempre, só de segunda a segunda.

E pior, não era nada mentira, para minha decepção com o primeiro de Abril.

* ~~ *

A partir de hoje entra em vigor o delicioso projeto do governo do estado, pelas mãos do plastificado Germano Rigotto, que aumenta o ICMS de combustíveis, telecomunicação e outro serviços. Teremos a gasolina mais cara do Brasil, o minuto/pulso de telefone mais caro do Brasil. É assim que ele sabe resolver os problemas do estado, apoiado pela Assembléia Legislativa, do qual faziam parte na aprovação do projeto deputados que agora assinam também como secretários municipais, além do vice-prefito, de Porto Alegre no governo Fogaça.

O Rio Grande chora.

* ~~ *

Tanto chora que resolveu chover TODOS os três meses de estiagem em dois dias. Tá chovendo TUDO. É impressionante. Só não é improvável porque é Porto Alegre. E Porto Alegre tem dessas coisas.

É chuva!

* ~~ *

Mas se não bastasse isso tudo, eu perdi. Perdi muito. Conto essa história em 4 rounds.

No lado direito ele, que é vocalista de uma das mais bem sucedidas bandas do cenário musical recente do Brasil, Choramingão! (Como, eu não sei, mas ele chegou lá). No lado esquerdo, o líquido gaúcho, verbeater de carteirinha, Gejfin.

[aplausos]

Não vale dedo no olho, soco abaixo da cintura, mordida e puxão de cabelo. Gejfin, também não são permitidas armas de fogo.

Ok.. ok... deixei o rifle com o juiz. Soou o gongo. A luta começou. Mas o Choramingão ficou lá sentado. Tava seqüelado demais para ter ouvido. Recebeu um peteleco na orelha de uma loira de shortinho. Levantou balançando. Balançando. Blançando tanto que ficou tonto e caiu de novo. Daí ele disse:

- Cansei, tô deprimido. O Charlio Brownie Jr. está extinto.

[delírio da galera... gritedo]
[BÉIM! BÉIM!]

Eu estava na frente em pontos. Feliz. Excitado. Posso voltar a ligar o rádio. Quer dizer, não, exagero. Mas já é um avanço. Meu treinador me cumprimentou. Cuspi a água e sorri. Senti que a vantagem era boa.

[BÉIM! BÉIM!]

Dessa vez ele levantou rapidinho, depois de grudar a louca loira de shortinho, que ababanou pra ele e enxugou uma lágrimazinha. Ele começou a andar em círculos. Me confundiu. Ficava fazendo aquele sorriso de idiota típico. Olhou pra galera e começou a gritar gírias estranhas. Eu estava confuso. Olhei para trás e estava muito perto das cordas. Baixei a cabeça por um segundo; foi quando ele bradou:

- Mas já tô engatando uma carreira solo!

[POW!]

Ficou tudo meio escuro. Esse filho da puta me acertou direitinho.

[BÉIM! BÉIM!]

Tava empatado. Minha vantagem foi pro ralo rápido. Fiquei preocupado. Mas tava lá, na luta. E não ia perder pra esse otário. É isso aí! Vem cá seu merda! Vem cá! O juiz disse para eu calar a boca. Que era pra manter o espírito esportivo. Ok, eu disse, e daí dei uma rasteira e levantei o juiz que estatelou no meio do ringue. Foi subsituído. Eu levei uma advertência, mas a luta ia seguir em frente. Eu tava enlouquecido. Agora ele vai ver! Agora ele vai ver!

[BÉIM! BÉIM!]

Saltei pra cima dele. E o juiz substituto tava reticente de ir ali separar a gente. Alguns cruzados. Os socos entram. Um rádio é sintonizado no alto-falante do ginásio.

Chorão ignora sinalização de trânsito, bate em carro num cruzamento, em Santos, e acaba ferindo 4 pessoas. Vai responder na justiça pelo acidente.

Ele cai. Eu vou pro meu canto. Olho pra galera. Todos vibram. Ele tá lá no chão. A contagem (.. 4, 5, 6...). Mas se mexe. E levanta uma perna. Fica de quatro. Apoio nas cordas. Está de pé o desgraçado.

[BÉIM! BÉIM!]

Eu tô na frente. A margem em pontos dá até pra negociar na BOVESPA de tão grande. É só me manter calmo e administrar. Quer dizer, claro que não vou conseguir. Vou querer dar um direto e cabar logo com isso. Ele merece. A música brasileira merece. O mundo merece. Lá vou eu! Lá vou eu!

[BÉIM! BÉIM!]

Quarto round. Ele levanta se arrastando. Eu fico esperando. Não bato em quem não olha na minha cara. Isso é covardia. Ele dá uns pulinhos e mexe a cabeça para um lado e para o outro como um cachorro molhado. O Choramingão é um otário. Eu vou acabar com ele. A gente fica se olhando. Tal como Tyson fazia. Um responde a esquiva do outro. Ninguém vai pra cima. Ele baixa a guarda. Se não for agora... ah! Pausa. Uma jornalista gostosa invade o ringue. Ela tá com uma camiseta amarela. É do Patrola, do caderno Patrola da Zero Hora! Ela vai até o microfone e pisca pra ele. Ele pisca pra ela. Eles me olham e ela fala:

- Tá confirmado. Choramingão comprou cobertura no Bom Fim e se muda logo pra Porto Alegre. Ele diz que mais que um retiro espiritual, vem morar na cidade para um retiro musical. Quer ser parte da música gaúcha, porque sempre admirou a união e amizade dos nossos músicos, como o Armandinho e o Papas da Língua. Porto Alegre agora vai ser sua casa.

Sinto o gosto de sangue na boca. Meu supercilho também dói. As pernas ficam moles. Chego a ouvir o som da minha própria cabeça batendo na lona, em câmera lenta. Tudo então desaparece. Nocaute.

[BÉIM! BÉIM!]

* ~~ *

Fico imaginando agora, num outro dia em que eu, Tiagón e o amigo Uilson estivermos na Lanchera querendo mudar o mundo, então olhamos para o lado e estão Choramingão e Armandinho, tomando uma Polar. A vida tem como ser pior?

Mas ainda tenho esperança que seja essa a mentira de primeiro de Abril.

Se não for, caso alguém encontre o Choramingão, diz pra ele que estou profundamente emocionado com a escolha dele. Mas dá licença agora que vou bater a cabeça da parede e pegar de volta meu rifle.

* ~~ *

Um bom fim de semana. :)