fevereiro 2005 Archives

Resumo do fim de semana: resumido

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Eles estão se puxando. Depois de J.Lo no Grammy, foi a vez de Santana e Antonio Bandeiras protagonizarem uma das piores performances musicais da história de premiações. O que era aquela batidinha na perna?! A sorte de Jorge Drexler foi que àquela altura tudo já estava decidido.

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Antes me divertia vendo o jornal de manhã. Pelo menos era distração. Nos últimos tempos nem pra isso tem servido. Será que tem gente mesmo que continua se importando com a versão da Ciccarelli para o barraco do casamento? Ou quem é que quer três páginas inteiras da vida de Melara num jornal de domingo? Da cobertura do Oscar então... duas páginas inteiras. Só 1/4 falava sobre o resultado das premiações. 1/2 era sobre a Gisele Bündchen e o resto sobre os de sempre: vestidos. Não, e não estou falando de jornais "populares".

Graças. GRAÇAS a Deus - seja lá quem ou o que ele for - que existem os blogs!

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Ei... ei... ei! Já é março mesmo?!

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Ao invés de só atrasar uma hora, o fim do horário de verão também podia acabar com o verão do horário.

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Acho que estou de mau humor.

Mais Um Prato na Mesa

É com grande alegria, honra, entusiasmo e prazer (não sexuais, claro), que recebemos o mestre Milton Ribeiro nesta humilde habitação.

Não foi fácil. Superamos uma disputada concorrência com lêmures esquizofrênicos da indochina e leprenchauns de Upworgth (sacanas, os diabinhos, usaram liwicks para nos confundir). Mas eu e Tiagón, no duelo final, fizemos uso simultâneo de nosso famoso "Rocks Rolling Se Espraiando Lomba Abaixo y Rasgando Los The Big Ríos River" (Pedra Bush/Pedra Olívio Dutra/Tesoura Paraguaia) e o jogo estava acabado.

Saímos correndo depois disso, claro.

Verbeat dá-lhe boas-vindas, caríssimo!

MAIS QUE A LUZ DAS ESTRELAS

Foto de divulgação recente da banda.Ontem estava comentando com um colega sobre o fim de semana. Foi aí que contei sobre sábado e como foi divertido ficar a madrugada cantarolando bêbado com amigos, sendo as longnecks os microfones, durante horas seguidas e repetidas vezes as mesmas músicas do... Roupa Nova. Ele disse: "não acredito". E eu: "ah.. pára, Roupa Nova é do caralho!" Ele disse: "Caralho nada" Comoa ssim? Não acredito que tu escuta Roupa Nova!" Respondi: "Não sai nunca o CD deles do meu carro. É muito divertido! E ponto. Divertido." E daí ele terminou o assunto (não retruquei): "Divertido o quê?! Roupa Nova é igual a Sara Jane, Beto Barbosa, Rosana, Sidnei Magal... uma bosta."

Não. Foi muito infeliz na comparação. Mas eu na hora não sabia direito como derrubar os argumentos, já que no fundo ele quis dizer que eles só foram mais um pop dos anos 80. Não mesmo. E então vim fazer esta homenagem.

Imagine agora que estás frente a frente com Lauro Corona e Miriam Rios numa noite de sexta-feira de Globo de Ouro na TV Globo.

- Com vocês, Roupa Nova!

[aplausos]

Formação Inicial de OS FAMKS, ainda sem todos os integrantes que formam o Roupa Nova atual.A origem da banda nos remete a 1970, onde OS FAMKS e LOS PANCHOS tocavam em bailes do Rio de janeiro. Aos poucos a Los Panchos foi migrando para Os Fanks, agregando mais músicos, e em 1979 entrou o último integrante do que viria a ser a formação clássica e definitiva da banda. Como Famks chegaram a lançar dois discos (75 e 78), mas não fizeram muito sucesso.

Vem então a saudosa década de 80. Ao entrar num estúdio, o produtor musical deu a dica: "caras, vocês são bons, mas esse nome...". Mudam então para "ROUPA NOVA", numa referência à composição de mesmo nome assinada por Milton Nascimento e Fernando Brandt, que inclusive vai fazer parte do primeiro álbum deles rebatizados, lançado em 1981 pela Polygram. Desse primeiro disco, a música Sapato Velho (Você lembra, lembra / Daquele tempo / Eu tinha estrelas nos olhos / Um jeito de herói) é um marco.

Formação

Da esquerda para a direita: Cleberson Horsth (teclados e vocal); Serginho (bateria e vocal); Kiko (guitarra e vocal); Nando (baixo e vocal); Ricardo Feghali (teclados e vocal); Paulinho (percussão e vocal).

Eles fazendo o que mais estavam acostumados a fazer: ganhar discos de ouro.A partir daí a banda já começa a crescer no cenário musical pop brasileiro, inclusive com um clipe lançado no Fantástico. Passam a gravar um disco por ano até 1988 - exceto 86 - e a jogar muita bola naquilo que é tão familiar: emplacar músicas temas de novelas. É um fenômeno: de 1981 a 2001, em apenas dois anos o grupo não esteve no setlist das teledramaturgias brasileiras. Fora que em alguns anos eles chegaram a assinar até 3 novelas, como em 81 e 83. Em 84, na novela Um Sonho a Mais, o tema de abertura Whisky a Go-Go é um sucesso estrondoso, talvez mais até que a própria produção televisiva. No ano seguinte (85), com Dona, a banda entra para o hall of fame da mais "querida" novela brasileira de todos os tempos: Roque Santeiro. A música era tema na endiabrada Viúva Porcina. Já na década de 90, a música Coração Pirata é tema de Rainha da Sucata, num novo encontro das canções do Roupa Nova com a interpretação de Regina Duarte (Maria do Carmo). Antes mesmo de o grupo estar formado, Ricardo Feghali e Serginho já haviam embalado trilhas, e para quem tem uma idade "mais avançada" (não é meu caso) talvez possa lembrar das novelas Locomotivas (77) e Pecado Rasgado (78). Até em tema de abertura do Jornal da TV Manchete eles figuraram nos créditos. Para os mais "novinhos", quem não lembra das aberturas de Felicidade (91) e A Viagem (94)?

Apresentação do Roupa Nova no Programa do Chacrinha.Mas claro que não é só pela TV que eles mandavam bem. Na carona desses sucessos, outros chegaram fácil ao topo das paradas, como Tímida (84), Seguindo no Trem Azul (85) e Meu Universo é Você (88), pra não extender muito mais esse post - são várias.

Além da banda, "os" Roupa Nova também são cartinhas marcadas no acompanhamento em estúdio de nomes da música brasileira, indo de Miltom Nascimento à Sandy e Júnior. Aliás, falando na dupla, a canção "A Lenda" é das últimas composições deles, o que prova que atravessam mais de 20 anos com dedo certeiro quando o papo são hits pop.

CD RoupAcústico (2004)Eles continuam firme na ativa. Em 2004 lançaram O RoupAcústico (não seriam logo eles a ficar de fora dessa onda), gravado no Olympia, em SP. Uma releitura dos sucessos e também algumas músicas novas. O trabalho está disponível em CD e DVD pelo selo independente que eles criaram, o Roupa Nova Music. Cartaz do show em Boston.E pé na estrada (põe estrada nisso): no fim de semana passado eles tocaram nos USA, para brasileiros nas comemorações do Valentine´s Day. Boston, Heines e Newark, esta última, por coincidência, uma cidadezinha que me é bem familiar. Para março e abril já têm shows agendados por todo Brasil.

Não vou me arriscar a definir ou fazer deste texto uma crítica (boa ou ruim). Nada de qualificar a banda para não correr o risco de entrar no terreno minado de discussões musicais, seja técnica ou de gosto pessoal (que por vezes pode ser algo muito chato). Mas uma coisa é certa: Roupa Nova faz parte da história. E, para aqueles que venham a confundí-los com Beto Barbosa ou Sara Jane, ou descartá-los para não ferir suas fortalezas de erudição cultural, digo que seja menos mala, oras! A experiência de se divertir cantando aos berros versos como

~ Tímida, um beijo tímido ao luar / Mágica, a simples mágica de amar / Se despiu da fantasia / Se vestiu de amor
~ Você é pessoa que nem eu / Que sente amor / Mas não sabe muito bem
~ Tan, tan, tan, batem na porta / Não precisa ver quem é / P'ra sentir a impaciência / Do teu pulso de mulher
~ Vem fazer diferente / O que mais ninguém faz / Faz parte de mim / Me inventa outra vez
~ Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir / Ter você é meu desejo de viver / Sou menino e teu amor é que me faz crescer / E me entrego corpo e alma pra você
~ Ah! o espelho me disse / Você não mudou
~ É como tocar o mesmo violão / E nele compor uma nova canção / Que fale de amor / Que faça chorar / Que toque mais forte esse meu coração
~ Quando o raio do amor nos feriu / Uma felicidade então nos sorriu / Eu quero só você / Longe, perto ao lado / Eu só penso em estar com você
~ Na escuridão o teu olhar me iluminava / E minha estrela-guia era o teu riso / Coisas do passado são alegres / Quando lembram novamente / As pessoas que se amam

~ Eu queria ser mais que um amigo / Mas por que não me entende? / Quando fica deprimida, choro com você [...] / Maaais que a luz das estrelaaa-as / Meu Univeeeeerso é você-ê

não faz mal nenhum, bem pelo contrário: é divertidíssimo e impagável.

* * *

Extras: Em 1992, foi lançado o CD "Espanhol", com versões de quase todos estes hits para a língua castelhana. É uma pérola.

Imagens: Site Fã Clube Sempre Roupa Nova

Resumo do fim de semana:

Sexta líquida (experimentações diversas boas e divertidas de curtíssimo prazo).
Sábado sólido (no melhor dos sentidos: o de amizades definitivas - sintonia, sentir-se à vontade e feliz da vida)
Domingo denso (atentados [blargh] - deletar tudo)

10.000

Olha que coisa louca!

10.000 visitas significa que em menos de dois anos, tenho um encontro diário com pelo menos um punhado de pessoas legais para quem falo alguma coisa, e de quem freqüentemente escuto.

O Blog também faz isso: promove encontros. E encontros qualificados. Não é como encontrar um conhecido na rua e dizer "oi". É sentar para conversar com pessoas importantes e realmente próximas.

Blog é do caralho. Escrever é do caralho. Egotrips são do caralho. Comentários são do caralho. E era isso.

Ressurreição de Porto Alegre

Assistimos nesta e nas próximas semanas outra vez ao fenômeno típico desta capital por cujos espaços ensaio minha naturalidade e auto-conhecida existência.

Achava que o verão portoalegrense era algo harcore desde sempre, mas alimentava uma idéia de que "pelo menos não era como lá pra cima", Rio 40°, ou de cidades que imagino serem quentes e abafadas, como Belo Horizonte. Então veio o Fórum Social Mundial e fui insensivelmente desencantado. Conversando com gente desse meu Brasil, descobri que não há calor mais insuportável do que o da capital gaúcha nesta época. Que inferno. Assim não é difícil chegar a concluir que Porto Alegre deve ser o último lugar para se estar na estação mas brasileira do ano. Além de uma metropólica depressão, porque não há o que fazer, onde ir e nem quem encontrar - tem quem ame isso! -, é mesmo o pior calor da Terra (Terra aqui um pouco menorzinha... claro, mas o post é meu e eu mando no exagero).

Bom que passa. Todo ano passa. Essa semana já foi daquelas em que dia após dia, devagarinho, as ruas vão ficando mais movimentadas, enquanto no rádio pipocam os anúncios de reaberturas de bares, casas noturnas, temporadas de espetáculos. E quanto mais o calendário avança, o sol vai se mandando lá para outras bandas e tudo vai ganhando aquela paisagem, aquela luz e aquele ar que nunca deviam nos abandonar durante o ano. Porto Alegre pode se olhar sem medo no Guaíba e se ver lindamente refletida como ela mesma. Que venha logo o inverno... ô coisa boa!

* * *

Falando de Porto Alegre, como é engraçado beretear no retorno que fazemos à terra natal depois de uma viagem. Já na fila para embarque no aeroporto, deliciava-me com o estranhamento induzido com que via meus conterrâneos gaúchos. Em especial as gaúchas, claro. No outro dia, indo para o trabalho, parei para abastecer o carro e fui literalmente "abordado" por não um, mas TRÊS frentistas ao mesmo tempo que se degladiaram para ver quem puxava mais papo, limpava o pára-brisa, oferecia um cafezinho (eles trabalharam no carnaval, ou seja, não deviam ver gente há algum tempo). Antes de chegar na empresa, ainda passei no banco, e a moça que orienta as pessoas ali nos caixas eletrônicos me recebeu com um sorriso apaixonante e só não pegou minha mão para demonstrar a operação porque eu não era novo o bastante ou velho o bastante para não saber usar o sistema. Na verdade, devemos ter a mesma idade o que faria também a atitude uma tênue linha entre a prestação de serviço bancário e bom atendimento, para ser aos olhos do chefe um baita flerte.

Ora, nessas horas, querida Dorothy, é verdade: não há lugar como a nossa casa.

Câmara Escura

E os blogs dão manchete de capa à eleição do Severino na Câmara. Fiquei até impressionado como o fato gerou assunto. Estranho. E tão estranho me sinto que vim escrever sobre isso: eu e olha política aí... e não nada. Logo eu. Logo. É que não achei nada de anormal. Anormal era antes, o João Paulo Cunha, que não tinha cara de coronel. Isso agora é assim desde sempre. Aliás, o Cavalcanti existe desde sempre. Ele deve ter ajudado a escolher as cores dos tapetes da Câmara, as flores do jardim, como ajudou os generais da ditadura decidir se deveriam usar o .38 ou a 9mm para esburacar a cabeça dos comunistas. Quer coisa mais "Brasil desde sempre" do que um coronel nordestino típico ganhar eleição promentendo dobrar o salário dos outros coronéis que o elegerem? A política é uma piada que se desenvolve pela eternidade. Só às vezes é sutil, outras escrachada. Quem sabe ainda, pra ficar mesmo divertido, não morre o velho de infarto na abertura dos trabalhos.

Mas vale sim um comentário. A história do baixo clero. E tudo fica incrivelmente muito mais perto, dividindo farinha histórica do mesmo saco. Porque a ironia é que o tal Severino não foi eleito pelos barões da política - estes continuma como sempre a favor de qualquer que seja o governo - e embora típico "coronerzinho", quem o coloca na cadeira é o chamado grupo dos deputados eleitos que passam despercebidos, zebras eleitorais, lunáticos, pastores evangélicos e por aí vai. Aquela gente que vive enrolada na faixa de "dominados", que a imprensa ignora, que falam sozinhos na tribuna enquanto os caciques almoçam, mas um dia resolvem se juntar para mostrar que dentro do que diz a democracia, pouco vale quem é quem, no final é uma operação aritimética. E o velho foi eleito do mesmo modo que Lula hoje é presidente, num recado que o "baixo clero" deu à elite neoliberal que se achava acomodada e segura no que vinha oferecendo às massas.

Baixo clero é coisa séria.

Da série
Grandes Pequenos Diálogos Cotidianos e Verdadeiros

Minduim: - Alô! Oi pai!
Brigadeiro*: - Quem é?
Minduim (alterado): - Como quem é? Se teus dois outros filhos estão aí contigo e te chamei de pai, quem pode ser?

*Não o doce, a patente da aeronáutica.

~ o ~ o ~

No próximo episódio: como Eleonora, a mulher de três tetas, alicia o lixador de parquê.

~ ~ Riiio ~ ~

~ ~ Riiio ~ ~

Minha história com a Cidade Maravilhosa começou numa semana de março qualquer de um ano que já se foi há tempo. Só que não sei se porque eu era um piá, ou me deixaram tomando sereno, aconteceu que me atraquei com a Guanabara como aqueles turistas gringos que caem de boca nas putas de Copacabana. Consumi, percorri, mas não me senti nada além do que mais um passante naquele sucessivo geométrico de pedrinhas brancas e pretas. Voltei, sim, contente, porque havia conhecido, mas não voltei completo. Sentia que nós dois havíamos ficado ainda nos devendo encantos.

Passou-se um tempo. Passou-se outro. E acho até que nos esquecemos. E um dia, sem mais nem menos - acho que foi um vento Minuano - de repente estávamos lá nós, eu e Tiagón, indo no carnaval para o Rio de janeiro.

Chegando, não foi como rever um caso antigo, foi como ser recebido nos braços - ou "de braços abertos" - por alguém especial que agora me olhava nos olhos e finalmente me estendia suas outrora vestidas parte do corpo, estas onde verdadeiramente - ou pelo menos a verdade que eu queria - fazia-se sujeito, identidade, "aquele" Rio de janeiro. Tanto, que carnaval mesmo passou em branco. Estava lá vivendo tão somente o bom e velho Rio de Janeiro.

Rio, que começa e termina em curvas. Termina como um modo de dizer, porque esse Rio que conheci agora é, sem dúvida, infinito. E para começar bem delineado, lembro como as curvas dos morros e praias tomam forma nelas: as mulheres. Que tem as coxas mais belas e não existem tão mais belas como todas elas, cariocas, quando em movimento. E olha que de mulheres bonitas nós gaúchos entendemos um pouco. Um rebolado, um gesto, um jeito de falar, luz que todos os tipos delas têm, sendo cariocas. Das coxas, não sei se é genético, ginástica, ou porque simplesmente aqui por baixo não é comum tê-las à mostra. Não importa. As das cariocas definitivamente são ótimas.

Curvo é também o copo, as esquinas e calçadas e fui me liquefazendo, literalmente, em chopps bem tirados, dos botecos que a célebre boemia serve aos berros por todos os lados. De tarde, de noite, de madrugada. O Rio dá voltas e voltas na gente quando tomamos o caminho dos seus bares. Garçons heróis num caos poético da gente bradando nas mesas e balcões. Contando as histórias loucas daquele "filhodaputa", que pode ser qualquer um, bom a ruim, inimigo a velho e fiel amigo. Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Lapa, Santa Teresa. Sem idade, hora ou jeito, cariocas do bom Rio de Janeiro parecem que são mais ainda eles mesmos se distraídos num papo e um colarinho de dois dedos.

Era o Rio que eu queria ver. E era o Rio que eu via. De gente que é autêntica, espontânea, viva. E que não hesita em ter orgulho de cada parte de que é feita a cidade daquela baía. A história, a música, a poesia. O Rio é uma cidade que quem souber vivê-la, pode dizer com tranqüilidade que soube viver mais que uma cidade, soube viver a vida inteira.

Não, não é perfeita. Em alguns lugares-favelas-morros trata gente como se fossem algumas coisas que se deposita em qualquer canto, querendo que fiquem e se contentem. Mas também isso não é só do Rio, todos fazemos o tempo inteiro. E justamente talvez por ser tão autêntico o Rio de Janeiro, não podia ser outra cidade a nos bater na cara sobre que está mesmo na hora de revermos alguns conceitos - outro mundo possível. Outras curvas poderiam ser substiuídas, como aquelas feitas enlouquecidamente por motoristas de ônibus nas ruas. Um desrespeito. Embora também, talvez seja só eu que estranhe, e que estranhe o que achar feio, e que isso não seja mais que normalidade para quem lá é feito. Porque o Rio também é belo nisso: pessoas, sentimentos, possibilidades, imagens, desejos se chocam de tal forma que se misturam, e por mais opostos que sejam, acordam e adormecem juntos.

Essa cidade passa o tempo inteiro condensando em momentos inevitáveis definições que a gente às vezes não imagina que caibam no mesmo espaço. O Rio é isso. E é bom por isso.

E nem vou falar das paisagens, do mar, do Rio visto do alto. Não porque tenha ignorado, mas porque meus olhos tinham desta vez vontade de ver muito mais de perto. Hora de ser a maresia que vai tomando conta, passos nas ruas menos prováveis, sombra das árvores, Geva no conto contado alto por bocas da gente carioca da gema.

Gente carioca. Claro. Pessoas. E está aí a diferença daquele Rio frio que conheci no passado para esse que me foi tão próximo. Se fiz corpo desta cidade os lugares por onde passei, e para o qual me entreguei, faço coração e mente uma amiga carioca incrível: Joana Coccarelli. Quanto vale numa paixão as dicas certeiras e hospitalidade de quem te apresenta a amada e faz as honras da casa? Muito do Rio que descrevo aqui existe agora em mim por causa dela.

Aliás, posso até estar só fantasiando e dizendo belas bobagens. Daqui a pouco aparece um carioca paulista mineiro baiano gaúcho fazendo protesto. Pouco importa. Tudo o que não me faz falta agora é exatamente a opinião aquela clássica de quem vê a relação pelo lado de fora.

Volto para Porto Alegre já com saudades do Rio. Jojo, Lele, Su, Coccarelli Pai, Dani, Joca, JP, Molusco. Pessoas tri legais que encontrei por lá. Sérgio, André, Dolfo. Pessoas tri legais de lá que estão por aí. Garçons do Rio. Porteiros do Rio. Rio do Rio. Que tem conteúdo para bereteios por uma eternidade. E para isto simplesmente basta, ao invés de passar por todos os lugares, ficar parado no Cervantes deixando a cidade passar pelos seus olhos. Aliás, Rio!, estás absolutamente proibido de ousar lembrar agora que eu existo, ligar, deixar recado, mandar carta, telegrama, e-mail. Não me responsabilizo. Na melhor de três desta história, pobre terra gaúcha, mas vai ser difícil não largar a galope dos pampas para desembarcar outra vez nas tuas curvas, e dizer no mais forte sotaque farroupilha que, tchê, manda avisar todo mundo que é nesta terra que eu fico.

Não... não fiquei, nem pedaços ficaram, jogados por aí. Estou são e salvo em algum lugar por aqui. Quer dizer... que pedaços ficaram por aí, ficaram, claro. Não é possível voltar para o mesmo ponto A. Aqui agora é A2. Sim. Outro dia explico.

Queria começar o ano (o ano só começa depois do carnaval) com uma sessão descarrego.

Poucas coisas foram ruins nestes últimos dias, no que soma antes, durante e depois do carnaval, mas três em especial merecem apoio público.

1) Se existe uma companhia de transporte que é realmente uma filhadaputa ela se chama VIAÇÃO ITAPEMIRIM, com sede no PARANÁ. Se algum dos nobres convivas leitores deste blog pensa em usar tais serviços, aconselho cautela, muito cautela, ou pode acontecer de tu ficares com uma louca vontade de apedrejar tudo depois. Explico: por falta de opção, eu e Tiagón pegamos no último dia 2 de fevereiro um "Golden Service Itapemirim" de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. A linha é exclusividade deles, com duas opções de viagem: a mais barata, que inclui uma aventura de aproximadamente 30 horas a bordo de um ônibus SEM ar condicionado (é... é sério) ou a opção master-plus-VIP-executive, no ônibus semi-leito Golden Service, que além de ar condicionado teria água e café e chegaria em 24 horas (o que é considerado "sem paradas desnecessárias"), mas cujas "regalias" acrescem cerca de 40,00 na passagem. Sem pensar muito tempo, decidimos logo pela segunda opção, claro. E foi o maior engodo da Terra. Começou com um atraso de meia-hora na saída de POA. Café não tinha. E quando ele esteve por ali, era frio e acabava rápido. Até Florianópolis o ônibus pára nos lugares menos prováveis para arrecadar passageiros, que somando às 7 paradas previstas fica longe da não-existência de paradas desnecessárias. Na viagem há pelo menos 4 trocas de motoristas. A penúltima acontece durante a madrugada, em Registro, no estado de São Paulo, a uma hora da capital. Assim que deixamos este "posto", notamos (quem estava acordado) que o motorista parava com uma estranha freqüência em lugares também estranhos, descendo, subindo de novo e partindo. Até que em uma das pardas ele desceu e não voltava nunca. Era uma espécie de estacionamento de caminhões na entrada de uma vila, à beira da BR116, sem luz, sem pessoas, sem nada. A notícia: "estragou a correia, teremos que esperar chegar socorro". Ele então manobrou para parar mais para dentro do beco, no que chamou de uma "atitude em favor da nossa segurança" e postou-se a aguardar na beira da estrada a ajuda. Não sei estimar aqui com certeza a ordem dos fatos e tempos intermediários porque fiquei num dormir-acordar, mas passadas mais de 3 horas ali, um mecânico dizia estar "quase pronto" enquanto um ônibus igual, vazio, estava encostado ao lado do nosso. Queríamos saber por que não havíamos sido transferidos. Responderam que o ônibus ia ser consertado. Foi. No bater das **4 HORAS** de espera. Seguimos viagem. Mesmo com o atraso, eles insistiam em continuar mantendo todas as %$#&* das 7 paradas. Todo mundo já queria quebrar tudo. Então para completar, ao entrarmos no estado do Rio de Janeiro, quebrou o ar condicionado. Como esses ônibus não têm janelas que possam ser abertas, viajamos entre 12h e 15h, no verão, no Rio, sufocados. Mas era isso ou esperar mais uma vez o socorro. Desembarque às 15h no Rio. A promessa inicial, ou seja, aquela que nos venderam, era de chegar às 9h. Ao invés das 24, levou 30 horas. Acho que nunca fui tão enganado na vida. VIAÇÃO PENHA/ITAPEMIRIM LIXO!

2) E já que a m. está indo para o ventilador, outra empresa que está deixando bastante a desejar é a que tem a honra de hospedar-nos. Nós, verbetears, e tudo o mais pendurado sob Verbeat. Na volta do carnaval encontramos "falhas de servidor". O resultado é este: só hoje conseguimos publicar por aqui, e depois de muita briga. PLUGIN LIXO!

3) Como presente de boas-vindas da minha terra querida tinha uma multinha na caixa do correio. Fui pego num pardal a 3km/h acima da velocidade permitida (80), na volta de Santa Catarina em janeiro. 130,00 MEUS vão agora para o mundo maravilhoso dos cofres públicos. **3KM/H!** **130,00!** Definitivamente, está tudo errado.

Feito. Estou me sentindo mais leve.
VIAÇÃO ITAPEMIRIM VIAÇÃO ITAPEMIRIM PENHA/ITAPEMIRIM ÔNIBUS TRANSPORTE
Pronto para passar agora ao espetáculo...
viação itapemirim

Agora saio da vida virtual para entrar na história do carnaval.

E ao chegar lá temo que saia da minha mente para entrar em um condensado de histórias fascinantes.

Mas dia 9, volto, volto para alguma coisa. Mas também pode ser que eu seja enganado e me façam voltar para onde eu estava indo.

Tudo se torna líquido demais quando em questão de minutos minha única tarefa para os próximos dez dias é beretear.

Enfim, se não nos vermos mais, saiba que o nunca mais também tem estado ressignificado, durando não mais do que uma unidade percebida de tempo, do tamanho de um momento.

Vida longa ao momento!

E que me encontrem, se eu me perder, mas não me achem se eu simplesmente me desencontrar. O acaso também faz parte do calendário.

Até breve!
viação itapemirim