janeiro 2005 Archives

Queria falar sobre o Fórum Social Mundial.
{Em tempo: aqui tem imagens e entrevistas ao vivo do FSM}

Queria também falar sobre a cobertura da mídia e, especialmente, sobre algumas coisas legais que investiguei numa análise da Revista Veja e seu discurso "ideológico".

Queria falar também sobre nossa querida verbeater de passagem por Porto Alegre, Jojo Mona Lisa Wannabe.

E, ao falar dela, queria contar uma história fantástica sobre "outros mundos possíveis" testemunhada, criada ou experimentada por mim, Jojo e Tiagón numa muito louca noite de banda pela Porto Alegre da Cidade Baixa.

Mas não consigo. Não consigo ficar mais do que 5 minutos pensando em alguma coisa, que não seja invadida pela deliciosa louca e dispersiva idéia de que daqui a algumas horas estou - upalelê! - em FÉRIAS!

Suicídio

Agora estão ali eles, chorando. Mas eu avisei que não estava brincando. Não acreditaram. Eu acreditei... e mostrei que eles deveriam ter acreditado também... e só acreditado, poxa! Era só ter acreditado em mim. E dá raiva saber que para eles não era fácil, porque não havia motivo algum para eu fazer o que disse que ia fazer. Essas pessoas velhas que não entendem que ter motivos não é assim tão fácil e nem importante e é antigo. E mesmo quando se tem um desses - motivo -, o que são os fins, perto da infinidade de meios que se pode experimentar? Se os fins justificavam os meios ontem, hoje os meios desintegram os fins. E é assim que a gente vive. Viciados em meios, em sensações, em ações, idéias que valem só por ser experimentadas naquele instante. Descer um rio não importando onde deságua, ou se deságua. Então vem alguém e pergunta "mas onde isso vai te levar, se é que vai te levar?". Está na cara, não acredita na gente! O argumento não convence mais. Não sei mais pensar sobre onde vou parar. E não se pode perder tempo se ele é tão escasso, tão pequeno quando visto de cima pelo gigante das possibilidades. Se eles gostassem mesmo de mim, teriam me dado uma alternativa de "agora", e me salvado! Não criticado que eu estava acabando com meu futuro. Que futuro?

Já era. E não sei ficar triste. Não sei avaliar. Sei passar e escolher aceitar ou não sentir determinadas coisas. Ou querer e precisar instantaneamente. Não fui eu que criei isso, sou produto da compulsão de consumir substratos humanos, imateriais, consumir viver. E o que mais dói agora é estar, ao que parece, realmente sozinho e sem qualquer ajuda para pegar na preteleira. E assim não tenho coragem de me ver morto aqui do lado, com a cabeça perfurada e encharcada de sangue.

Fico de costas, escutando o choro dos meus pais, esperando o que tiver que acontecer, já que também nunca me importei em saber o que existia depois de morrer. Pelo menos não tenho mais o peso da arma na minha mão, e a angústia de ter uma bala e sempre poder atirar. Consegui, pelo menos, me livrar desse mal: a liberdade.

Verbetes que gostaria de ressignificar tão logo aquelas boas idéias levantem vôo:

*liquidar*
Nada que venha do líquido pode ter a pretensão de dar fim a alguma coisa. Que nada mais seja liquidado, mas tão somente liquefeito.

*discriminação*
Tem na 'derivação por extensão de sentido' (Houaiss) o significado de ser um tratamento pior ou injusto dado a alguém por causa das suas características pessoais. Pois que se discrimine muito (significando apenas diferenciar), mas na hora de extender o sentido, que seja a discriminação o meio de nos apaixonarmos por tudo aquilo que exatamente não nos faz parte. Não discriminar significa querer que o outro seja igual a nós e isso é dominação. Que só a lei nos veja iguais. Nas relações e sentidos que tenhamos todos o olhar discriminatório, sem medo, e com o desejo de admirar, de beretear, cada parte "discriminada" do outro.

Em primeira mão...

Direto de Rio do Sul, SC...

Sim, marido e mulher.

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Ander e Marcela, TUDO pra vocês.

:)

*agora vou indo, e logo volto com histórias, dessas duas semanas que se passaram desde anteontem.

Bom ano fluido!

2005. Segundo a numerologia, o número 5 é o número do movimento, da mudança. Não acredito em numerologia - em que os números influenciam por uma força mística o curso de nossas vidas. Mas, também, acho que não há nada de mal se pegarmos seu significado emprestado...

Então, moooove! Mexa-se. E mexa-se no mesmo lugar, se quiseres. Dissolva-se. Refaça-se. Reconstrua-se. Não só no ano que começa, mas em cada mês, em cada uma das horas, em cada minuto, em cada momento. 'Dessolidifique-se', liquefaça-se. Flua, disforme-se e não tenha medo de fazer isso. Livre-se na angústia de que querer mexer, de que querer transformar insistentemente tudo a toda hora queira significar que estamos rejeitando o presente, o passado recente, ou nossa história. Não é verdade.

Não fique firme. Não crie raízes que sejam físicas. Crie raízes subjetivas e continue fluindo. Liquefaça-se e passe por lugares onde nunca passaste antes. Esparrame-se por onde nunca estivestes. Recomponha-se do outro lado e olhe o que nunca olhastes. Derrame-se.

São pessoas muitas, movendo-se a um tempo muitas vezes incompreensível. Mas todos ligados, nos atravessamos e nos alteramos o tempo todo. A estabilidade é a única coisa que nunca nos fez parte. Então rias dela. Instabilize-se e instabilize que estiver contigo. Infinite-se de descobertas. Recombine-se. Desterritorialize-se.

Seja utópico, invente, crie. Idealize o impossível. Queira o que não é permitido. Questione. Questione-se. Flua. As regras que estão aí não fomos nós quem inventamos, nem foi o nosso tempo e o nosso movimento que elas organizaram. Modifique-as se modificando. Queira saber o que tu mesmos achas, e o que acha o outro, mas nunca simplesmente aceite porque o comum assim definiu. O comum é a maior das utopias. Todos somos diferentes. Queira conhecer as diferenças dos outros e mostrar a eles as tuas.

Desista de ser rígido. Experimente o ilimitado e o líquido. Liquefaça-se. Sólidos não são capazes de se misturar como são os líquidos. Então misture-se. E misture-se muito. Misture-se a idéias, a pessoas, a desejos, a conseqüências, e continue fluindo.

O que não conhecemos é muito maior do que o que conhecemos. Não tenha medo do escuro. Ame surpresas. Surpreenda-se.

E faça de 2005 um ano de amar o movimento, porque mesmo que seja possível fazer com que tudo seja exatamente como foi ontem, por mais fantástico que ontem possa ter sido, tem uma ruga que não vai deixar de aparecer, tem alguém desconhecido que não vai deixar de ao acaso tropeçar na nossa frente e mudar tudo. Tem um mundo de novas paisagens e novas significações que não vão dar a mínima para um querer estável, e deixar de aparecer de repente. Tem uma história que não vai ficar parada. Então assuma isso. E goste disso.

Histórias.. ora!, viva por elas e por tudo que delas faz parte. Colecione-se. Não fuja do tempo, não brigue com ele. Ande junto. Flua junto e modifique-se o tempo inteiro.

Entre e viva 2005 em estado líquido.

Destorço
Destroços
Dez troços
Dez tocos
Devotos
Denoto
Deposto

E agora, já que já é essa hora, vou embora.

* * *

Longe longe.

* * *

Gosto de terra em qualquer copo d'água.

* * *

Água.

* * *

Ah... Imagina... bradando Leminski e juntas.

Não. Não perca seu tempo aqui.
Hoje está dito tudo, lá, no Bereteando.

Que entre...

2005 começa.

Já tenho 200 novos spams nos meus e-mails.

Chove em Porto Alegre.

Chove.

Fogaça é o prefeito da cidade. Mas, pelo visto, pouca gente se importou. Não tinha ninguém na posse. Aliás, não tinha ninguém em lugar algum da cidade até ontem de tarde.

O Lula fez um pronunciamento e disse 2.567,6 "afinal". Mas, afinal, ele tá podendo e ninguém se importou.

Encerrei o dia último do fim de semana primeiro do novo ano vendo o Diogo Mainardi no Manhattan Conection falando que até o final de 2005 a economia brasileira vai pro brejo e que feliz seriam os europeus se passassem a imitar os americanos, fazendo déficit fiscal.

Tive um sono agitado. Sonhei e até pouco tempo atrás ainda lembrava o que tinha sido.

Chove em Porto Alegre.

Chove mas faz um calor horrível.

Estou cheio de planos, mas tô preocupado. O terremoto fez com que perdêssemos alguns milésimos de segundo do tempo do nosso dia, já é 3 de janeiro, esse ano não é bissexto, não tem copa nem olímpíadas, daqui a pouco já é dezembro de novo e o Papa, contrariando pela vigésima vez as previsões, vai entrar 2006 firme e forte. Não vai dar tempo.

Previsões.

Prevejo que até o final do ano que começa muita coisa terá acontecido. Que este será um perídodo regido pelos astros... da Rede Globo, que completa 40 anos e deve fazer um especial atrás de outro. Prevejo também que a bolsa sobe, o dólar desce, a inflação fica rica comprando títulos do governo, os juros são pegos em flagrante surrupiando calcinhas no varal. Prevejo que o futebol dará alegrias e tristezas. Prevejo que pessoas morrerão e outras nascerão. Prevejo que o messias não virá, nem o Ashtar e sua comitiva interestelar. Prevejo um céu azul, mas com nuvens esparsas e pancadas de chuva à tarde.

Aliás... ou "afinal", chove em Porto Alegre.

Mas até amanhã, 2005 melhora.