outubro 2004 Archives
A Salvação
Há dias que fico encantado com uma cena do meu ir e vir por essa Porto Alegre. na verdade é específico ao trajeto Ana, minha casa. Tem uma avenida que em um trecho passa por uma espécie de depressão, ligando duas partes altas da cidade. Bem no centro dessa "depressão", da descida, tem uma construção simples, uma casa cercada por dois terrenos abandonados. Ela fica ao fundo do terreno. A construção, que não tem mais do que uns 5m de frente, possui duas portas. Do lado direito de quem vê, uma placa na fachada anuncia: "Advogados". Do lado esquerdo, outra placa anuncia: "Deus é a Salvação". E este lado, com a porta aberta.
É uma igreja. Uma igreja de não mais que uns 20m2. O altar é uma mesa que tem como cenário de fundo um pano branco sobre um azul forte. Dois bancos de cada lado. Nunca vi mais do que 5 pessoas ali dentro, mas não que isso os intimidem. Enquanto quatro estendem as mãos ao alto, o pastor, negro, grita exaltado em um microfone. Sua voz chega como rádio mal sintonizado até os passantes, pelas caixas de som instaladas na fachada. O quinto elemento, de joelhos, treme ao sentir a mão do pastor acomodar-se sobre sua cabeça. Mãos agitam. Gritos de "aleluia". Microcosmos da salvação. Pena o sinal abrir tão rápido e eu ter que ir embora.
* * *
E quando a igreja se mistura com política...
Um deputado do PTB (Fogaça-aa-aá), pastor evangélico, de não sei qual estado, quer aprovar um projeto de lei que proíbe os donos de animais de estimação de darem aos seus mascotes nomes de pessoas. Ele alega que isso constrange crianças prejudicando seu desenvolvimento socio-psicológico.
Queria saber é: o que são "nomes de pessoas"?
É pra sugerir essas m***** que a gente paga (e caro) esse debilóides. Tá tudo errado.
Daquelas coisas que eu queria ter feito se fosse gênio das artes áudio-visuais...
Antes de clicar, saiba que tem 25MB, mas vale cada minuto de download.
Eleições 2
(rápida... não me contive)
Mas é que estou achando engraçado a distribuição massiva nos últimos dias de adesivos enormes, amarelos, gritantes, do Fogaça que diz o seguinte: "não viaje antes de votar na mudança, de votar no Fogaça"... ou quase isso.
Claro, com eleitorado concentrado nas classes média e alta, esse risco é preocupante, já que é exatamente essa parcela da população que esvazia a cidade nos feriados rumo às casas no litoral ou serra.
Ahahah
A minha campanha: "Tchê, e tu vai perder a prainha? Feriado não é todo dia. Que voto que nada, confirma o mar, o sol e a caipirinha! Te atira! "
ahahha
Mas pior mesmo é que tirando o Prof. Eugênio da Pop Rock, gaúcho só sabe do tempo pela RBS. E quem duvida que a previsão até domingo à noite será de um tornado Catarina?
E isso me lembrou o Show de Truman, da agência de viagens que tinha fotos de aviões caindo.
É tudo um grande estúdio.
... Alô, mamãe!
:D
Eleições
(post único)
Prometi. Prometi para mim mesmo que não ia desenhar uma linha sequer sobre eleições neste ano. Ah... pois retiro. Meus dedos estão inquietos.
É que não só não ia escrever, como não ia dar muita atenção para a função eleitoral. A saber, na eleição passada eu estava meio paranóico. Bom, valeu a pena, Lula é presidente. E continuo botando fé no barbudo a fu!
Mas ontem vi pela primeira vez um debate na íntegra entre os candidatos que estão disputando o segundo turno aqui em Porto Alegre: Raul Pont (PT) e José Fogaça (PPS-PTB). Eu voto segundo uma coisa simples (ou nem tanto): o julgamento na capacidade de gestão a partir de objetivos claros de longo prazo que possam beneficiar, democraticamente, todos. Ou seja, uma capacidade administrativa que persegue, não ideologias (por que isso anda meio desgastado), mas idéias e visões inteligentes sobre o circo político-econômico-social que tenham impacto nos diversos segmentos e níveis sociais, de seja qual esfera (município, estado, país, mundo (no caso das eleições americanas - blarg!)). Pensando menos na ponta do nariz e mais na relação entre fatos e feitos e pessoas, sem discriminação. Sei lá... nunca fui imediatista nem egoísta.
Assim, acabei que desde que comecei a votar (e isso faz mais ou menos dez anos), tenho, com algumas exceções pontuais, acreditado mais nos projetos do PT e de seus candidatos, na comparação com outros. Mas nem por isso preciso ser "petista" (com esse tom discriminatório), "radical", "socialista" ou sei lá que rótulos mais se formaram no período de desenvolvimento e fenomenal trajetória desse "jovem" partido.
Faço esforço para ser bem crítico antes de chegar a conclusão que é numa onda que vou. E, assim, fui na eleição passada, onde o engajamento para presidente foi um e para governador outro. O PT tinha feito muita trapalhada, como também fez questão de manter essa posição um tanto arrogante e avessa ao diálogo com todos os segumentos, característico, infelizmente, do partido aqui no Rio Grande. Acho isso burrice. Mas também o conservadorismo e radicalismo não é patromônio de uma bandeira. O fato é que assim é o gaúcho. E tão forte como a irredutibilidade (existe essa palavra?) do PT, é o "contra-PT". Só que, mérito para o PT, este venceu. Tanto venceu que só foi derrotado quando apareceu um candidato que fazia questão de se mostrar não-contra-qualquer-coisa. Da paz, da união (desde que não fosse com o PT, claro), do "coração". E daí nesceu o Rigotto. Atual governador do estado. Que em dois anos, não moveu uma palha. Atrasou salários, desmontou projetos criados no governo anterior, terminou meia dúzia de obras iniciadas no governo anterior e trouxe (porque isso é o que mais tinham contra o governo petista) uma só nova indústria para o estado. Durante os últimos anos FHC, que a economia ia de mal a pior e aqui o Olívio era governador, o Rio Grande batia os maiores índices de crescimento industrial no Brasil. Agora, com o crescimento econômico aí (não tem como negar) não passamos da média nacional. Já são dois anos eternos arrumando a casa. Um lixo. O governo federal, com toda a oposição ferrenha, conseguiu ser uma patrola de trabalho que só parou porque chegaram as eleições.
Desta vez, na prefeitura, a incoerência da mentalidade do eleitor ainda foi mais longe. Não só colocaram um adversário que também é um "não-contra-coisa-alguma" como baseou todo seu discurso político na máxima "Mantenho o que está bom. Mudo o que estã ruim." e passa todo o tempo citando bons projetos implementados durante esses 16 anos pela atual administração. E complementa clamando pela "mudança". Mas como pode incitar a mudança e falar que quase tudo é bom? Não entendo. Quer dizer, entendo o discurso (pensado, muito bem pensado por cabeças que sempre foram os mais radicais críticos de tudo que a administração popular fez), o que não entendo é as pessoas acreditarem.
Mas enfim, tirando estre argumento absolutamente vazio, ilusório e incorerente, até eu teria uma lista de coisas a serem criticadas que me motivam a fazer um novo exercício crítico para pensar: "tá, mas quem sabe não é uma boa dar uma mexida?". E daí ontem vi o debate.
Santo Deus... que perigo! Se estivéssemos em uma empresa e o Fogaça fosse meu gerente, candidato a diretor, eu acho que o demitiria, ou o rebaixaria. Foi incrível, mas ele conseguiu perder em absolutamente TODAS as perguntas. Enrolou a língua... não conseguia costurar uma resposta coerente, trocava nomes, palavras... conjulgava mal os verbos. Tremia. Falava coisas que ninguém entendia, fazendo jogo com palavras que, talvez se o adversário fosse um ignorante, cairia. Mas, pelamordedeus, o Pont já foi prefeito! Um desastre. Do outro lado, um Pont como eu mesmo não via há muito tempo: sorridente, com fala claríssima, totalmente à vontade, e com um senso de humor e ironia ótimos. Foi um banho de bola. mas não só pela oratória, pelo saber, pela coerência das palavras, pela inteligência, pelo conhecimento de dados, mecanismos políticos. Não tem comparação.
Mas está difícil. O discurso absurdo da mudança sem argumento está entrando e, segundo pesquisas, Fogaça tem chances mesmo se ser o vencedor no próximo dia 31. Comparando com a derrota do PT no estado, analiso o que poderá ser o governo Fogaça. O Rigotto, eu previ bem antes da derradeira totalização dos votos, seria um nada, um zero. Que não briga com ninguém, mas também não faz nada, fora o de praxe, que é tentar administrar. E acertei, até agora, pelo menos. Só que aqui é diferente, porque a base de apoio do Fogaça não é a mesma do Rigotto, de velhos políticos que já não produzem mais nada que presta. Não. Aqui o PPS, sigla que foi "comprada" por dissidentes de uma série de partidos, principalmente o PMDB, há um tempo atrás, tem um time que não tem nada de "mosca-morta". É um grupo que não vai ficar parado, que vai fazer sim, e isso até é bom. O ruim é para onde, por quem vai fazer. É a memsa base que trabalhou com Britto (quem sabe até ele volta para arrematar uma secretaria). Não vou nem julgar se o que eles fazem é ou não bom, mas parei para pensar em umas coisas...
Primeiro sobre a rede de assistência social que o PT construiu (há 16 anos não existia NADA), a rede de escolas municipais (também não tinha quase nada antes do PT assumir a prefeitura) e o Orçamento Participativo. Pode ser até vontade do grupo que vai gerir a cidade junto com Fogaça de manter e gerenciar tão bem como o PT essas coisas. Mas e eles têm competência para isso?! Tem experiência?! Projetos como esses podem passar despercebidos por muita gente (classe média e centro da cidade) mas simplesmente transforma a vida daqueles que não tem nada ou tem muito pouco. E isso é que é fundamental para combater a violência e manter a capital como a de melhor qualidade de vida e com menor índice de analfabetismo do Brasil. Não colocar câmeras no centro. E então, pegamos o quadro de apoio ao Fogaça (grandes empresários, classe média-alta, Busatto, Proença, e muito mais) responda: você consegue imaginar essas pessoas ou aliados deles sujando o pé de lama numa favela ou colocando o dedo na cara de traficantes no portão das escolas (como fazem os agentes comunitários)?! Claro que não. Por mais vontade que tenham de manter esses sistemas, esses projetos, essas políticas, eles não vão ter competência para isso. Em contra-partida, vão dar sim (isso não duvido) um gás na economia da cidade, incentivando empresários e áreas da cidade. Mas isso também tem que ter critério. A verdade é que não tem-se mais espaço hoje para simplesmente ignorar que existem excluídos. Hoje, por exemplo, a área na beira do Guaíba é subaproveitada. É, com certeza, uma pedra no sapato da administração popular isso há anos. Mas, vamos parar para pensar de novo: um empreendimento como o Dado Pier ia desenvolver ali (e pode desenvolver no governo Fogaça) um mega empreendimento com lojas, teatro, restaurante etc. Muito bom para nós, que podemos pagar por isso. Só que aqui não é a Europa. Mais da metade da população não teria acesso a isso e, de quebra, perderia o espaço (que hoje é público). Espaços públicos são a ÚNICA coisa que essas pessoas têm. Como a passagem de graça uma vez por mês. Tirar isso delas, com projetos que possam ser 100% excludentes (como era o Dado Pier) tem tudo para contribuir com mais uma explosão de violência. Outra preocupação é a construção civil. São inúmeros os empreendimentos que hoje estão emperrados na SMOV. Por quê? Porque desrespeitam alguma lei, ou o plano diretor ou questões ambientais. O PT sempre teve uma preocupação forte com isso. Mas freiar o mercado é pedir inimigos. E estes agora podem assumir a gestão com o Fogaça. E, como a Câmara é de maioria aliada ao Fogaça, é caminho livre para sair liberando tudo. Quem tem a oportunidade de visitar às vezes outras capitais brasileiras, consegue perceber a diferença que faz uma mão firme no planejamento urbano. É isso, também, que faz de Porto Alegre, entre as capitais ou grandes cidades, uma das mais "aconchegantes", "quentes", apesar do inverno gaúcho ;). Sair desmatando morro, áreas protegidas de mata nativa, levantando arranha-céus sem critério, destrói (e é para sempre!) o "sentir-se" bem em uma cidade. Disso, eu também tenho medo.
Em resumo, o debate me bateu à cara: não adianta, mais uma vez, por esta eleição, o projeto e as pessoas do PT são imensamente superiores aos projetos e pessoas dos adversários. Competência e coerência (mesmo que em relação a coisas que não concordamos) é mais seguro do que malandragem, enganação, omissão e idéias contraditórias. Coloquei bandeirinha no carro e vou torcer. Se não der, vamos ver se eu não estava certo.
O mais legal sobre a "joça" e essa aparente definitiva solução é que - ah! - eu estava certo.
Pobre MT. Ele não é do mal. Do mal é a Plugin que, como diz o meu pai, deve ter um monte de abobados que só sabem apertar botões.
Sabias palavras.
Retomemos a vida então...
E para começar, uma notítica bombástica:
*Clöe... morreu.*
Vamos abrir o testamento amanhã.
A família teme que ele seja uma charada.
Ela gostava de gincanas.
Já formamos grupos.
Os advogados são os líderes.
Faz sol no sul.
E são três da tarde.
Um besouro insiste em entrar e sair da janela.
Nada acontece. O UOL está com os mesmos destaques desde cedo da manhã.
Vendo uma caneta BIC, mordida. Com alienígenas.
Oui... je m´appelle... ici... ours... ne pas... lala....
*
Será!?
.
.
Será que essa joça vai funcionar agora?!
Pra que sentido?
Ia para casa, pelo mesmo caminho de sempre, quando passo por uma quadra da avenida, meio escura e meio em uma descida, como é sempre, e fico a olhar um casal na calçada. Ela, cabelos compridos, ajoelhada com as mãos unidas, como se rezasse, em frente a ele, de pé, gesticulando, com o tronco levemente inclinado, como que se lembrasse delicadamente "que mico, tchê guria"! Mas não sei o que conversavam, ou brigavam. Passei rápido no carro.
* * *
Antes parei num posto para encher o tanque e escapar, por uma semana só, do aumento que vem por aí dos combustíveis. Então aquela coisa de entregar a chave pedir "X pilas, da comum" e preencher o cheque. Não costumo usar cheques, só nos postos de gasolina mesmo. Preguiça de ter que sair do carro e digitar a senha do cartão de débito. Mas também é um momento que deve ser cultuado: sabe-se lá quanto tempo ainda vão perdurar essas antigüidades como cédulas, moedas e cheques de papel. Mas o engraçado é que durante os rabiscos - valor, data, assinatura - páro s-e-m-p-r-e no mês. Porto Alegre, dia tal de... ... de 2004. Páro porque me pego incontrolavelmente refletindo sobre os meses do ano e, mais especificamente, sobre qual mês, de todos, eu mais gosto de escrever, ou aquele que menos gosto. Então escrevo como se estivesse experimentando: "o...u...t...u...b.r.o". E gosto. Mas gosto mais de maio. Abril, menos, porque não gosto muito de escrever o "a" no início. Pior setembro, com o maldito "s". E do resto nem me lembro. O curioso é que é isso sempre. Uma vez por semana, há pelo menos uns bons anos. Mas só hoje fui pensar em pensar (e escrever) sobre. Engraçado. E por que será que eu faço? Um palpite - quem sabe? - é por causa da letra, que só faço em cheques. E como sempre abasteço o mesmo valor, a assinatura, óbvio, é também igual, como a cidade, a única palavra em que posso me contemplar cotidianamente desenhando linhas diferentes, é ali, no mês em branco. Ah! Janeiro. Gosto desse também. Gosto de desenhar o "j".
Um pássaro? Um avião?
Morreu o Super-Homem. Tem idéia do que isso significa? O SUPER-HOMEM morreu.
E morreu cedo, aos 52 anos. Bem menos, talvez, do que imaginam nós, crianças, que seja a idade em que S-u-p-e-r--H-o-m-e-m possa bater as botas. E morreu de infarto. O que significa que o coração do *Super-Homem* andava fraquinho, andava carente de força, até parar. E parou enquanto Superman tratava, em casa, de uma ferida na perna. Uma ferida comum em gente que se encontra, como era o quadro dele, em um estado trágico de imobilidade total do corpo do pescoço para baixo. Ficou tetraplégico por causa de um acidente. Erro de cálculo na hora de combater o asteróide? Chegou atrasado para desarmar a bomba nuclear por fusão de moléculas de criptonita? Não. Super-Homem ficou assim porque caiu do cavalo.
E agora? Quem vai preencher a vaga? O "S" amarelo está à deriva. Embora eu não vá me espantar se nas próximas semanas, quando se menos esperar, Bush rasgar a camisa e mostrar o escudo brilhando no peito, em um Times Square lotado de bandeirolas com os dizeres: "To be continued..."
E eu falava sério...
Até quarta! Uhuu!
;D
Este post não fazia mesmo sentido. Então vim editá-lo.
E, quando não há nada a dizer, penso em porcaria, como política, economia, problemas do mundo e tal.
E estava pensando no Bush...
E na alta do petróleo...
Tem uma relação entre estas coisas que é óbvia: aquela de que no medo pouca gente quer mudar. E como o petróleo afeta diretamente a nação que mais consome o ouro negro no mundo, nada mais básico que o governo financiar o medo para manter-se governo por mais 4 anos. Foi mais ou menos assim aqui com o dólar, o risco Brasil, a bolsa e outras economicices na eleição do Lula.
Agora, a relação que ainda não tinha me dado conta, exige antes uma ambientação. Primeiro que o barril de petróleo, que há pelo menos um ano está em uma escalada constante - antes chegava a US$ 38,00 e era um Deus nos acuda - hoje encosta em 52,00. Só que isso em NY. Porque em Londres, mesmo que a alta acompanhe (e não como não acompanhar porque o negócio é globalizado) o preço tem ficado sempre uns 4,00 a menos. Sabe-se que a família Bush, quando não está ganhando dinheiro para o país com guerra, está enchendo os próprios bolsos com o petróleo, porque são donos de um conglomerado respeitável de empresas ligadas à esta indústria, dentro e fora dos USA, e fora principalmente na Arábia Saudita. Ora bolas, se eu vendo balas de banana e tenho a possibilidade de cutucar o mercado para que valorize e aumente o preço da bala de banana no mundo, é óbvio que eu vou ganhar mais dinheiro. E então, se sou o presidente odiado da maior nação do mundo, quero me reeleger e para fazer campanha é preciso dinheiro, vou me fazer de bobo e pedir dinheiro a quem me odeia, ou vou tratar de fazer algum tutu por conta própria? Segunda opção, claro. Pressiono com N formas para que o preço do petróleo suba, minhas empresas dão mais lucro, as empresas dos meus amigos também, que me dão uma parte. Pego essa grana, limpinha e zuuum... Direto para os cofres da campanha e dos bolsos de sabe lá mais quem.
Bucha!
E nós, aqui, juntando gente pra lotar um carro e dividir entre a galera a grana da gasol pra que todo mundo possa abrir fora de PoA no feriadão, direto pro litoral.
Viu? É por isso que eu bebo.
Uma Polar, por favor!
... ~ ~ O
Ou, se for fazer uma hora extra aí, acessa o Beta Vote. Se todo o mundo pudesse votar nas eleições norte-americanas...
Pelotas
:: 1°/10 ::
Sim, eu estava lá.
Cidade bacana. E eu - que momento! - dando palestra na Universidade Católica. Pensei que ia me enrolar. Que nada. Foi barbada. Tri "em casa". Todo mundo atento. Embora parava por aí. Eta povo bem fechado. Gaúchos típicos: desconfiados. Às vezes até a gente que é daqui estranha.
Viajar. Quase igual a beretear. E por aí fui eu.
Cheguei eram umas 16h30. Típico de cidade que é menor ainda que essa "coisinha" que é minha Porto Alegre: o colega que foi me pegar na rodoviária precisou parar algumas vezes do saguão até o estacionamento. Todo mundo se conhece. Mesmo.
A UCPEL é engraçada. Um monte de prédios vizinhos em quadras geométricas. É um bairro e não um campus. Aliás toda cidade é feita de quadras perfeitas. Não sei se isso é bom ou ruim. As calçadas são altas demais (pobres boizinhos com seus carros rebaixados) e não tem asfalto nas ruas. Só paralelepípedo. Isso tem uma razão: razão histórica. Tudo lá é tombado. E isso a cidade tem de bom: prédios históricos. Bonitos e bem mais numerosos que aqui em Porto Alegre. O lado ruim é que tudo é tombado mesmo. Tipo... a cidade inteira é tomabada, só que ninguém cuida. Então é um monte de coisa velha, que ninguém pode sequer chegar muito perto, misturada com a gente toda se batendo no populoso centro.
Pelotas é a terceira maior cidade do Rio Grande.
Na entrada da reitoria da UCPEL tem uma árvore. Uma imensa árvore. Com certeza centenária e lá vai pedrada. Já estava anoitecendo. E quanto mais perto a gente chegava, menos se ouvia... um ao outro, os outros, tudo. Eram com certeza mais do que eu ia conseguir chutar. Uma população absurdamente impressionante de pássaros habitava a tal árvore. Forravam, literalmente, os galhos. E faziam um barulho ensurdecedor que não deixava escutar mais nada. Fiquei abobado. Mas não tanto, o suficiente para refletir um segundo e decidir que, óbvio, perigo era atravessar ali embaixo. O chão branquinho já dava o alerta. Fomos pelo outro lado. Mas até agora o zumbido me acompanha os passos.
Já não é a primeira vez que passo a noite em hotéis do tipo "me engana que eu gosto". Tem um saguão que é um desbunde. Corredores, restaurante, elevadores que preeenchem bem tanto o item moderno como o item luxo. Daí então entra-se no quarto. Bem-vindo ao mundo real. Se algo ali tiver menos que 30 anos, opa, é sorte. Esse era triste. Madeira velha. E o banheiro ficava dentro do armário. A cama era até macia, mas era só o que passava. Do frigobar, surgia uma pequena lagoa que manchava (pelo jeito há anos) o carpete ralo. Mas nada superava o chuveiro, que conseguia a proeza de jorrar uns esguichos para cima - para cima! Oh céus, que sofrimento. Juntava a água que conseguia fazendo conchinha na mão para dar conta do banho. E ainda esperei mais de 20min para que a água quente chegasse lá no 5° andar.
O bar-restaurante, tal de Otto, é o point do momento na cidade. Junta todos os tipos de pessoas iguais. Isso, lá parece que todo mundo quer ser igual a alguma coisa. Mas o lugar é legal. Comida e bebida boas e, relativamente, baratas. Como não se encontra mais aqui pelas bandas do Guaíba.
:: 2/10 ::
Acordei às 8h30min. Às 10h saía o ônibus. Na noite anterior ainda fui perguntar preocupado sobre o tempo que levava dali à rodoviária (se faz isso em qualquer viagem, ora...). "Ah... uns 4, 5 minutinhos..." disse a recepcionista. Pelotas... Depois do check-out pedi para chamarem um táxi. Veio em seguida. Entrei. Ah... esses taxistas. Dessa vez ele devia ter seus 60 e poucos. Logo puxou papo. Perguntou se eu era de Porto Alegre, depois se eu era colorado. Ficou feliz com meus dois sim de resposta. Foi falando de futebol, depois de eleições. Não comentamos o tempo porque o tempo acabou. E eu ainda queria saber se ele indicava, ali na rodoviária, um bom lugar pra tomar café (não fiz isso no hotel). Ele indicou. E disse que ia parar bem perto. E parou. E desceu, pegou minha mala e foi andando até o meio do saguão - com a minha mala! -, só para dizer onde ficava a tal lancheria "maior" que, por isso, "devia ser a melhor". Agradeci. Desejei um bom dia. Fui até a lancheria. Sentei. Pedi café com leite e torrada. A torrada era horrível.
Fui para o ônibus. Antes de abrir a porta chegou bem perto um velhinho (também devia ter seus 60 ou 70 e poucos). Visivelmente meio "louquinho", chegou perto de mim, abriu um sorriso, perguntou como eu estava e me ofereceu um pacote de amendoim doce, que tirou de uma sacola de plástico. Na hora foi muito rápido. Quando vi, antes mesmo de eu responder alguma coisa, ele já estava indo em direção a outra pessoa. Fiquei o observando. Vestia uma roupa que parecia bem cuidada. E levava um boné azual na cabeça... desses de propaganda política de eleições passadas. Era hora, subi no ônibus, sentei e continuei olhando. Havia dois homens conversando. Um embarcaria no ônibus, o outro devia ser o anfitrião do forasteiro. Gesticulavam e falavam alto, até serem interrompidos pelo velhinho, que, sorrindo, foi oferecer seu produto. Pois o anfitrião, que era careca e com pinta de ratinho de academia, disse num tom áspero que por favor ele os desse licensa. Se dava, "poxa", para esperar terminar o papo com o amigo. O velhinho deu dois passos para trás (mais próximo do ônibus e da minha janela) e ficou ali parado. Esperando. Então colocou a mão no bolso e tirou dali uma moeda, apoio-a no queixo para virar a face, e levou-a para bem perto do olho esquerdo, inclinando um pouco a cabeça para frente e para baixo, como se quisesse ver alguma coisa ali "dentro". Fazendo isso virou-se, recolocou a moeda no bolso e tornou a tirá-la, apoiá-la no queixo e repetir o resto todo. Por pelo menos umas quinze vezes, sem pausa, cumpriu esses movimentos, que eram exatamente sempre os mesmos, na mesma ordem; a posição da cabeça, das mãos, o giro do corpo. Eis que os amigos se despedem, o visitante se encaminha para a porta do ônibus. A moeda dessa vez fica no bolso e o velhinho vai até o careca que havia pedido para que ele esperasse um pouco. Claro que diante do fato, o mínimo que havia a ser feito foi feito: o cidadão comprou um pacote de amendoim doce. O velhinho saiu satisfeito.
O ronco do motor funcionando. Peguei um livro. Mergulhei na história e, quando vi, já era Porto Alegre que avistava da janela. Ainda deu tempo de bricar com a câmera fotográfica do celular e tirar fotos inéditas de paisagens cotidianas.
Estava de volta em casa.
Será que agora vai?!
. . . . . . . . /
Upalalá!
Já volto... já volto.
:D