setembro 2004 Archives

Acabei de vir aqui corrigir uma parte do texto dispensável abaixo. É que eu não concordei certo em gênero. Disse que o braço da família era milionária. Enquanto isso não pode, já que o braço só pode ser milionário. Mas agora, cá entre nós, "um braço milionário", mesmo que seja da família, é uma metáfora pra lá de feia. Tirei o braço dali. Faça seu prórpio texto. Bamos mudar o braço bor outra betáfora belhor. Algo que combine mais com muito dinheiro, caviar, limousine e outras coisas que só uma herança milionária faz por você. Estão abertas as inscrições. Só mandar uma cartinha, com "foteenha" para o Tio Brooks, na Flórida. Xi... não dá... parece que o furacão mudou a casa dele de endereço.

Esquece.

Hoje comi pão.
Pão com carne.
Carne com queijo.
Queijo com alface.

Mas a carne era desfiada.
Carne de panela.
Antes do pão.

Com fritas.
Fritas com sal.

E água.
Água com gás.

E a conta.
E uma parada para um chocolatinho no Dedé.

E nada de idéia que valesse a pena escrever que não fosse essa perda de tempo.

Quem sabe daqui a pouco algo acontece?
Tipo eu receber uma herança de um braço da família ucraniana que possa ter fugido para a Escócia e ficado milionário.

Não. Não usaria aqueles saiotes horríveis.

Tá. Se fosse pra ganhar uns milhões, até que eles não são tão horríveis.

Quero o quarto do castelo com vista para o lago, o quarto n°28.
Com conexão banda larga.

Será que chove hoje?

Espelho, espelho meu...

Já sei que presente vou dar para as pessoas nos próximos todos aniversários!

Por acaso, ontem, de manhã, com sono, como sempre... passei o olho por um anúncio tímido na Zero Hora, da própria Zero hora. O produto: por módicos R$200,00 (160,00 para assinantes) você escolhe uma foto e um texto, manda para eles e personaliza a capa de um exemplar do jornal com aquilo enviado, que te entregam em casa.

Colocar foto de recém-nascido em chaveiro ou medalhinhas? Coisa do passado. Brega. A última moda é pagar para estampar uma falsa capa de um jornal de verdade. Alguém tem noção de que coisa mais patética é isso?!

Ou sou só eu que cada vez mais me acho pertencente a uma geração que já envelheceu uns duzentos anos, dado a velocidade do tempo nos nossos dias.

Aviso: vou rir muito se alguém aparecer com uma coisa dessas na minha frente.
Tal qual como ignoro aqueles que felicitam pessoas com mensagens daqueles carros de som malditos.
Quer dizer, pelo menos os carros de som servem para fazer uma sacanagem. A capa de jornal, nem isso.

Blargh...

Inevitável era a morte.
O resto dava-se um jeito.

Abriu os olhos de manhã cedo e em silêncio refez o filme de sua vida no pensamento.
Congelou na cena do seu casamento. Na hora do beijo.
Reviveu com dor o sofrimento do erro.
Voltou a si em lágrimas.
Decepção e desespero.
A mão trouxe à frente dos olhos então o 38 que estava debaixo do travesseiro.
Disparou um só tiro contra o peito...
... do seu companheiro.
Que verteu sangue manchando o sagrado leito.

Ela chorou, mas se vestiu e saiu.
Carregando meia dúzia de sacolas com roupas de festa.

Era domingo.
Inevitável como todo domingo é, depois de sábado.

Oh Bahcon, como pode ter tanta água pra cair do céu?!

* * *

Daqui duas semanas já é eleição... Alguém lembra disso? Só eu, ou tem mais gente com a impressão de que passou aquele tempo de euforia, bandeiras, buzinas e tal? Agora só falta desistir de imprimir aqueles cartazes plásticos e placas de canteiro que forram a cidade de lixo. Alguém vai votar em alguém (vereador) porque viu seu cartaz pendurado no poste?

* * *

E tá chata a eleição, tenho certeza, porque a fórmula cansou. Está na hora de "renovar" (para usar a palavra que está no topo das promessas clichê de campanha, junto com educação, saúde e emprego) a forma de se fazer campanha no Brasil. Aguardem em 2008! Gejfin e Tiagón na Câmara! E a campanha não tarda... ulalá.

* * *

Conheci o Acampamento Farroupilha neste domingo. Para quem não sabe, é uma junção de gente, organizada (ou desorganizada) em piquetes para comemoração da Semana Farroupilha, aqui em Porto Alegre, dentro do Parque Harmonia. Famílias, organizações, empresas. Cada um tem sua cabana de madeira para ficar o dia inteiro assando carne, tomando chimarrão e bebendo m-u-i-t-o. A impressõa não é das melhores. Uma bagunça, uma sujeira. Gente que não acaba mais, fora "resíduos orgânicos eqüinos" que perfumam sem dar trégua o ambiente. O legal é passar nas barraquinhas menores e mais escondidas (e, visivelmente, menos favorecidadas que outras) e ver que lá no fundo um cara toca gaita enquanto um casal de velhinhos gordos, bêbados, dançam um xote. A gente sai com aquela coisa incomodando: "mas onde diabos esse povo se esconde durante o resto do ano?" E é verdade. Não nos encontramos. Nunca. Meu caminho Zona Sul, Petrópolis, Moinhos de Vento, Cidade Baixa se funde num mundo à parte. Ou eles vivem à parte de nós. Pior é que é do lado de lá que fica a maioria. E a única certeza é: quanto mais o tempo passa, mais longe se fica de quem não é igual. Margem é tudo aquilo que não sou. E, pasmem, ninguém é igual. Uma hora vai sobrar só nós mesmos e ainda, num dia de sol, vamos estranhar e correr de medo da própria sombra.

* * *

Por estas e outras que eu penso, de volta à política: tem que ter muita cara de pau. Esses candidatos almofadinhas de classe AA dizendo que conhecem e vão resolver os problemas das classes EE-. Pior é que eles normalmente se entendem e assim elegem-se governantes como tivemos por muito tempo ainda fortes. Falo de Malufs. Será que um dia muda?

* * *

E os gaúchos, que passaram a festejar o 20 de setembro com mais entusiasmo que qualquer outra data cívica nacional, ontem tomaram um banho, os que foram. Era dia de desfile, que, por força dos tradicionalistas, não foi transferido para domingo. Aconteceu que caiu o maior toró. Tinha meia dúzia de gatos pingados nas arquibancadas, mais o governador e o Olívio se alfinetando. Bichos e carros alegóricos completamente encharcados. Mas tudo bem, nada mais tradicionalista do que a cabeça-dura do gaúcho.

* * *

Como pode - céus! - chover tanto nessa terra?

Desgostos

Alguns... não muitos, mas passam e ficam.

Desrespeito. De todas belas e bem encaixadas palavras que preencheram o Poetikaos de ontem, foi essa feia aí que me pegou de jeito. Claro que tudo ainda está começando mas, ora, um mínimo nível de respeito é parte do bom senso. Da arte de exercitar o convívio, os relacionamentos. Porque tudo são relacionamentos. Tínhamos o problema de falta de um isolamento acústico entre dois ambientes que serviam para justamente separar os públicos em uma área daqueles participantes e não participantes. Isso fazia ali parte da vida. Mas aquela mesa! Ah... aquela mesa! Com aquelas pessoas acomodadas no ambiente participante, se fazendo ouvir mais do que a massa de não-participantes lá da sala distante! Ah! Pior foi que os vi chegarem e se acomodarem ali respondendo com um "Bá, que tri!" o aviso de que o dia era de um sarau.

Sei que é difícil essa história de evento, de cultura e não sou nem de perto doutor nessas porcarias, mas não tem como fazer de um sarau apenas "paisagem" como se faz da música: um indiferente fundo para conversas em um bar lotado. Texto requer compreensão. Compreensão requer atenção. Atenção não pode requerer tanto esforço para desviar-se do ruído. Cansa. Cansou, estou certo, o público que estava ali para ouvir e -- acreditando que a literatura é um diálogo entre o autor e quem devora a obra -- ser também ouvido. Pois eu mal conseguia me concentrar para "ler" o público nos assistindo.

Pena.

Momento bereteio

Estava almoçando, em frente à janela do escritório, quando parei pra observar um beija-flor *parado*, pousado num micro galho, cantando. Isso durou uns dois minutos de eternidade. Não lembro na vida de ter visto alguma outra vez beija-flores assim, também bereteando. Foi legal.

Oh céus! O sistema está nos engolindo... fugi para rápido dar um recado:

NÃO PERCAM!!

e-flyer.gif

... hã... não.. solta! Sai! ahhh... socooorr..... . *... &&&%%#
blup... blup... blup.....

~~~~~O..

Estou atrasado.
Como sempre, atrasado.

Entretanto tenho desculpas. Ou, não desculpas, como diriam executivos, mas "justificativas". Mas e daí para as minhas justificativas. E daí para o e daí. Estou de mal com esse MT e seus CGIs. Um mundo branco e concluído nos assola.

Atrasado porque vinha falar do fim das Olimpíadas, no sujeito doido que se atracou no brasileiro que no fim ficou sem a medalha de ouro, mas virou celebridade pelo seu "espírito esportivo". Que se foda o "espírito esportivo". Era a medalha de ouro que queríamos sim. Mas o Brasil já está acostumado. É a máximo do sou pobre mas sou limpinho. Ah... diacho! Pois vamos ser ricos. Nos roubam e ficamos com, de amarelo ouro, só o sorriso sem-graça.

Mas, como disse, já estou atrasado com este assunto.

Embora tinha até mais sobre Olimpíadas, como deixar claro o óbvio de que faltou aquela tal assessoria psicológica para nossos atletas, mais do que preparo físico. Não precisamos virar Ice-Shumachers (tá certo isso?), mas tem horas e horas para se ficar nervoso, tem. E muito pior que a Daiane foi o desmonte coletivo do vôlei feminino. Ora... vão se tratar!

Mas é passado. Agora que venha a China. E este também era assunto a ser tratado. Atrasado, mas ainda adiantado em 4 anos.

Fiquei pensando no que representa o fato. E é fantástico. Pelo menos eu acho. Vai ser a maior festa, a maior Olimpíadas que nossa sociedade pós-moderna vai assistir. Isso porque será um marco. Linha que separa o campo. A China ultrapassando a história e se tornando a maior economia do mundo. E, sabemos, a economia hoje é que traz de arrasto todo o resto, como o melhor corredor do revezamento. Muda o pensamento, do ocidente para o oriente. O quanto seremos influenciados? Se por terra já caiu há anos a divisão 1º, 2º e 3º mundos, passando a desenvolvidos e em desenvolvimento, em 2008, aposto, teremos mais uma alteração nessas regras do jogo. Veremos. Estou ansioso. Ainda mais se o Bush continuar no comando. Essa nova era me instiga. Quero estar presente. E desejo muito que nosso Brasil também o faça. Vejo um norte de sermos uma nova Inglaterra, ou pelo menos uma Austrália. É só não pisarmos na bola e deixarmos de nos satisfazer em ficar com o bronze em nome do espírito esportivo.

Bom, agora já estou me adiantando. Recuperando o tempo perdido.

A própósito, durante o ópio olímpico que mais uma vez colocou os USA no topo do Olimpo, carregados de ouro, alguém fez as contas de quantos iraquianos foram mortos em investidas contra "rebeldes"? Para mais de 500. Mas acho que ninguém prestou muita atenção mesmo.

Mas pior mesmo é que com ofim dos jogos, agora vem aquela enxurrada de "o dia dos candidatos"... de "eu luto por educação, saúde e segurança" não dito, claro, necessariamente nesta ordem por todos. De vereadores que justificam-se o melhor dos candidatos aos eleitores porque falam errado, são paraplégicos, pobres, sofridos. Ora, ao diabo! Me irrita esse absurdo de que para ser político basta ter uma causa ou ser parte dos excluídos da sociedade. Capacidade administrativa não é vista como qualidade. É como numa seleção de emprego a empresa contratar pessoas pelo fato de elas precisarem de emprego. Isso pode ser bonito, mas afundaria qualquer negócio. E o que é a adminsitração pública senão um grande negócio? Com planejamento estratégico pra ser perseguido, problemas de gerência a serem solucionados, investimentos e gastos para serem confrontados. Muda o objetivo, que de lucro financeiro, passa a ser lucro social e público, com melhora para todos que fazem parte, até o mais baixo escalão, dessa imensa organização. Pena... que pouca gente pensa assim. Mas vale dar uma olhada (eu não vi, mas seja qual a tendência abordada, deve ser uma leitura interessante) a matéria de capa da Época da semana passada: "PT S.A.". Pois há horas que venho também pensando sobre o assunto, de que se tomarmos tudo como um grande mercado, o PT hoje é uma "empresa de adminsitração políco-pública" mais bem sucedida, dinâmica, moderna, entre outras qualidades, deste ninho-nicho de canários injusto que vivemos, chamado Brasil.

E, aliás, qual serão as denúncias que vão aparecer contra todo e qualquer partido e candidato até outubro/novembro? Blog do Gejfin lança um banco de apostas dos porões das estratégias, artimanhas e discursos políticos. Já que essa chatice é inerente e certa, tentamos ao menos nos divertir um pouco.

E, misturando, as investidas verbais, assuntos, mas certo de que assim consigo recuperar 100% do tempo e desfazer o atraso, aproveito o espaço para dar boas vindas à nossa mais nova condômina do Residencial Verbeat Plaza Blogs Firenze Dominus (vai dizer que nome de prédio não é uma coisa muito engraçada!): Olivia, e seu Forsit, sem tabelas.

E é isso. Até a próxima passagem em último pela linha de chegada.