Política e o Brasil do

Política e o Brasil do Tudo ou Nada
ou O Irresponsável Teatro da Imprensa a Serviço da Política

Definiu o presidente Lula sobre as informações que correm na imprensa: "denuncismo". Essa expressão não existe, mas sou solidário à opinião.

Esta sendo mais uma vez algo que pouco merece comentários essa nova investida de setores e instituições contra todos, a favor de si, ou de "sis" que pouco conseguimos identitifcar de forma clara.

A semana está recheada de notícias "bombásticas", não segundo a opnião pública, mas segundo aqueles próprios que noticiam, o que é engraçado. Notícias com "denúncias" e "descobertas" que, "coincidentemente", vêm à tona dia antes e dia depois do primeiro debate entre candidatos a prefeito, com destaque para a disputa mais representativa do país, a da prefeitura de S. Paulo, "curiosamente" governada hoje pelo partido do governo, vítima das tais bombas "denuncistas" de que estmaos falando. Mas claro, são só coincidências.

Coincidências com o formato de ventilação de escândalos maquiados e oportunos semelhantes aos que vimos recentemente nas eleições de 2002, capitaneados, entre outros, pelo PSDB, partido que, coincidentemente, também é o adversário de Martha em SP. Opa! E não que não é só o mesmo partido, mas o mesmo candidato! Tsc... tsc... tsc. É incrível como a estratégia se repete. Mas pior mesmo é que só se repete porque existe ainda uma forte garantia de suporte, de sucesso. Esses continuam com bala na agulha (lê-se bons aliados) para sustentar o teatro. E por aliados, não posso deixar de relacionar, só podem estar algumas empresas como a dona da revista ISTO É, a Editora Três. Mas isso, dizem, faz parte do jogo político.

Mas vamos aos fatos:

Hoje a revista Isto É publicou e alavancou mais um super "furo-escândalo". É de novo sobre Meirelles, o presidente do Banco Central do Brasil. Foi o Cristo escolhido da vez. Engraçado mesmo é resgatar a história. Há poucos anos as mesmas revistas que hoje ajudam a querer derrubá-lo estampavam sua foto com outros títulos. Meirelles era considerado o executivo modelo do Brasil. O homem, corporativo, dono de uma das carreiras mais invejáveis. Era o guru do empresariado nacional. Respeitado nesta posição de tal forma, pelo que fez e era, como nunca nenhum outro executivo foi. Mas é passado, não é mesmo? No Brasil isso nunca importou. Voltamos ao presente.

A bola da vez é sobre um sítio (na verdade parte de um sítio), no interior fluminanse, que Meirelles adquiriu em 1989. Repito: 1989. E passou para o seu nome em 1998. Até aí nada de especial. O ponto escandalizado é que, segundo a receita, essa tal propriedade foi declarada como valendo R$1,00. E só doações podem ser declaradas com valor simbólico. Mas está lá registrado no cartório do município que existiu uma transação, mas a compra foi mesmo simbólica e o sítio foi vendido por um advogado aposentado para Meirelles por algo como R$0,01. E então começa a brincadeira de palavras. A revista procurou técnicos para conseguir uma declaração de quanto vale realmente a propriedade. A manchete do Terra (hospeda o site da IstoÉ) fala em R$220 mil. Já é o primeiro absurdo. Lendo a matéria da própria IstoÉ, lá está que esse valor corresponde à toda propriedade do tal advogado. Só que a parte comprada por Meirelles é 7%. (Tem uma inverdade estampada na capa do Terra, mentira mesmo). Mas seguimos. Foram atrás do tal advogado que disse que na verdade não vale o registro do cartório, e ele afirmou que vendeu por o equivalente a R$ 14 mil. "Afirmou" de boca para a reportagem da Isto É, mas não conseguiu provar. Agora pergunto: por que, diabos, um dos maiores executivos do Brasil, iria cometer irregularidades por R$14.000,00, que não devia ser, já na época, metade do seu salário mensal? E, o que isso tem a ver com a competência dele ou legitimidade dele para fazer parte do governo e estar à frente no banco Central? O que uma coisa tem a ver com a outra?! Nada provado. Nada fazendo sentido. Será que só eu acho demais descarada essa tentativa de plantar inverdades até que se tornem verdades de mentira?!

Pois vamos a outra denúcia.

A mesma revista disse que "descobriu" que Meirelles movimentou em 2002 a quantia de US$50.000,00 entre contas nos USA, onde a conta de entrada do dinheiro pertenceria a um dos tais doleiros investigados na CPI do Banestado. E, mais uma vez o que eles acham "absurdo" é que simplesmente essa conta, tanto a original, quanto a outra, não constam na declaração da receita.

O que a imprensa não tem interesse em mostrar ou discutir sobre isso:

Se foi uma movimentação entre contas americanas, esse dinheiro estava lá. Claro. Nessa época era lá que ele morava, presidindo o BankBoston. E, mais uma vez, esse valor devia corresponder, quando muito, a uma metade do que ele recebia mensalmente pelo cargo que ocupava. Nessa época ele prestava contas ao fisco americano, não brasileiro. Essa tal transação foi uma transferência de dinheiro, dinheiro dele, ganho lá e declarado lá. Não consigo ver onde está o problema. E, é só alguém ler com calma tudo que vai chegar a mesma conclusão: onde está a irregularidade? Qual a gravidade? Estão tentanto nos fazer acreditar em algo que não existe.

Pensem: Henrique Meirelles tem um patrimônio avaliado em mais de R$100 milhões de Reais. Nunca teve qualquer problema com a receita tanto brasileira quanto americana. Desse patrimônio, o sítio que, segundo a revista, é motivo para que ele peça demissão do BC, representa 0,04%, em valores corrigidos, da sua fortuna. E a transação (aproximadamente R$150.000,00) corresponde a 0,15%. Repito: 0,04 e 0,15! Um homem que é exemplo de competência e seriedade, respeitado, que possui e declara uma fortuna fora do comum, para que diabos ele ia sujar as mãos por nem meio porcento, na soma, do que possui?! Isso faz sentido?! Mas vou ainda além. Mesmo que sejam irregularidades, que tipo são? Qual critério a imprensa tem para julgar que alguém deve ou não fazer mais parte do governo, que é ou não honesto etc? Mesmo que tenha havido alguma irregularidade, essas transações foram feitas com dinheiro dele! Dele! Não houve roubo, desvio. E, se 40.000,00 é muito para alguém como nós, o que é isso no meio de uma declaração de bens que chega aos 100.000.000,00?!

Claro. Se mudarmos agora a pergunta: qual interesse tem uma empresa em tentar plantar essa trama com a desculpa de estar "trazendo a verdade para os brasileiros"?! Pois essa pergunta eu também me faço. A quem interessa?

Os dados sobre a transferência foram encontrados em um CD com mais de 700.000 informações sobre transações feitas no exterior, fornecido pela justiça americana. Encontram UMA, entre 700.000! Agora vai me dizer que isso é trabalho de jornalista?! Imagina só se uma revista como a IstoÉ, por ela mesma, teria poder sozinha de movimentar uma equipe a pesquisar sem mais nem menos 700.000 linhas de informações em um CD que, até segunda ordem, deveria ser restrito à justiça - ou seja, precisou ainda de algum dinheiro para corromper pessoas. Faria isso só "para mostrar a verdade aos brasileiros", pela "transparância"? Ora... como diz o poeta: deixem-me em paz, eu nasci ontem demais!

Bom, lendo e relendo eu concluo, pelo menos por enquanto, que não tem nada de irregular aí no meio. Ou pelo menos nada que seja tão grave que justifique o alarde ou, em qualquer hipótese, o afastamento de Meirelles do cargo ou a confiança no governo. Mas sabem qual era o texto de capa da IstoÉ que publicou as primeiras denúcias? Tem uma foto dele sorrindo e diz assim: "O que ele não explica - Henrique Meirelles, até o fechamento desta edição, presidente do banco Central do Brasil." (!!) O que é isso? Jornalismo?! Quem eles pensam que são? Como pode um país do tamanho do nosso, na era da informação, ainda dar espaço para esses absurdos?

Durate os anos de FHC foram incontáveis as barbaridades que apareceram... barbaridades, daí sim, sérias, roubo, milhões desviados da administração pública, compra de votos etc. Desvios de 1, 2, 10, 30 MILHÕES de Reais. Mas não abalaram. Era só um detalhe. E era roubo. Agora fazem um escândalo como nunca fizeram em qualquer irregurlaridade descoberta em anos anteriores por algo sem cabimento. Que relação tem um homem, então empregado fora do Brasil, fazer uma transferência de dinheiro que corresponde a 0,15% do seu patrimônio, com querer dizer que o Brasil, nas mãos do PT, corre perigo? O que tem a ver? Fico assustado é de pensar que talvez as pessoas só leiam manchetes e não se esforcem para tentar relacionar informações, entender e pensar sobre o que lêem. Eu, pelo menos, não consegui entender até agora um milímetro sequer que explique, do ponto de vista não político, não eleitoral, tamanha movimentação, tamanho teatro.

Pelo menos uma coisa é certa, e me deixa mais tranqüilo: se toda essa energia é gasta para maquiar e potencializar coisas sem sentido, com objetivos políticos, significa também que a munição desta gente, deste Brasil de velhos políticos e, por que não dizer, atuais perdedores, está acabando. Pois se existisse coisa "séria" mesmo a ser mostrada e dita que possa arranhar um governo que, comparado aos últimos anos e a todo medo que tinham dele, está excelente, já teriam usado. Se isso não aconteceu, substituído por esta palhaçada, é porque acabam-se as balas. E, nessa hora desesperada, é que sempre se fazem as maiores merdas. Pois ficarei esperando. E torcendo para que esse lixo humano, da política servindo só ao bem individual, ao poder pelo poder, ainda continue por muito tempo mais vivendo a histórica derrota que obteve em novembro de 2002.

Ou ainda, na pior das hipóteses, mesmo fazendo de conta que sou um ignorante e que o escândalo montado sim é motivo para colocar em cheque um cargo e uma estratégia, arrisco continuar tendo a última palavra e digo: quem mandou também o PT confiar em um homem que se elegeu deputado pelo PSDB!

Daqui de Porto Alegre, fico agora torcendo, entre outras coisas, pela reeleição da Martha.

Como vou amadurecendo aos poucos minha convicção, mesmo que prematura, de que quero Lula de novo em 2006.

E morte ao PSDB e ao jornalismo criminoso.

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comentários deste post (3)

9ago | tiagón

ah, eu vou ler isso tudo, sim. vou imprimir e levar praquela conversa com Jesus, na salinha pequena. depois eu venho comentar.

7ago | Izabela

Olá. Confesso que me decepcionei um pouco com o Lula... Sempre fui petista e não sei em quem votar em 2006. Mas nenhum governo agradou a todos né? Vamos ver se a presidência consegue abafar os casos de escândalo que assolam o governo. Abraços e um excelente final de semana para você.

6ago | Ana

pois é.

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