Lendas Públicas da Grande Cidade

Lendas Públicas da Grande Cidade Gaucha

Puerto Ajegre é uma pacata metrópole situada às margens do lago Guariba. Com um povo hospitaleiro, muito culto e que possui alguns dos melhores exemplares da espécie feminina do Brazil, todos amam cultivar origens e particularidades da sua terra querida. Entre os muitos causos folclóricos que passam de geração para geração, alguns impressionam por serem curiosos, istigantes e inacreditáveis, embora, afirmem os historiadores, são frutos da mais pura verdade.

Capítulo 1: Um Estaleiro Muito Só

Era uma vez uma época de muita fartura, progresso e felicidade na já importante Puerto Ajegre. Longe do centro do município, na zona sul, onde hoje é quase centro comparado à lonjura do resto da zona sul, surge um grande empreendimento, o Estaleiro Pó. O porto de Puerto Ajegre era importante para escoar toda produção milionária de erva mate para Guaíba, São Lourenço, Tapes, Pelotas, Rio Grande, Cassino, Chuí e outros importantes polos tecnológicos e populacionais da época. Entretanto, um dia a China abriu-seao capitalismo e, de olho no mercado local, fundaram a multinacional Barão-Madrugada-Vier-Saphira Cia de Ervas-mate Sam Inc., com sede em Pequim, fábrica na ìndia, escritórios em Nova York, Buenos Aires e sede campestre do clube social de funcionários no Lami, onde desenvolvem um projeto de destruição ambiental sem traumas.

Como era de se esperar, o Estaleiro Pó, virou mesmo pó: faliu.

Passam-se então 780 anos, a cidade cresce, a zona sul, como já disse, vira quase centro, o centro vira São Paulo misturado com Vila Cruzeiro, a Cruzeiro quase toma conta das redondezas do Estaleiro, que sofre, só, abandonado, vivendo sob entulhos de carros alegóricos de carnaval. Mas um dia um prefeito teve uma idéia: "já sei, vamos leiloar a área." E foi oque ele fez. Saíram reportagens em todos os jornais regionais, discutiu-se publicamente, chegaram caravanas de todos os bairros para especular no Araújo Viana qual mega empreendimento seria ali erguido, no aterro. Só quem não apreceu foram os compradores. Nem esta primeira vez, nem nas próximas 12 que se seguiram.

Não há como não se emocionar hoje, passando pelo terreno de prédios destroçados, máquinas enferrujadas e mato crescido. Dos tempos de glória e orgulho, sobra vergonha. Tanto que os diversos passeios turísticos pela orla do Guariba, que partiriam diariamente, evitariam a região, dizendo que se trataria de outra cidade. Partiriam, porque não existem atéhoje diversos passeios turísticos pela orla do Guariba, mas isso é outra história.

O leilão mais recente aconteceu semana passada e mais uma vez não apareceu ninguém. Já virou uma tradição, puro esporte. Inclusive, um vereador popular entrou com um projeto propondo o Dia do Leilão do Estaleiro, que viria a preencher a vaga de feriado municipal, ainda não preenchida, além da construção de um imponente monumento ao chimarrão, obrigando aos fiéis tradicionalistas a, neste dia, se deslocarem ao local em romaria bebendo mate só de erva que não seja transgênica. O projeto só não foi para frente porque não acharam algum estúpido que tope produzir a erva de sementes naturais. "Sou contra! Erva natural por aqui só maconha!", disse um cidadão em entrevista recente, enquanto observava o "homem da pedra filosofal", que você conhecerá no próximo capítulo.

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comentários deste post (4)

17mar | Menina Má

ficou bom demais! :D (muito real, por sinal).

17mar | Trilhotero

Gostei do papo sobre Maconha. Poderia ser em estaleiro de muito loco. Uma cavalgada rumo as plantações do capim loucura (maior fonte de renda da região), vindo do Navegantes até as margens do Rio.

17mar | ander

taí, gostei disto... e dá pra criar muitas lendas urbanas sobre puerto... PS: vou te cobrar o conserto da mesa, seu sacripantas...

17mar | tiagón

Eu só queria dizer que O NIZAN NÃO VAI... ah, foi mal. Não vi que tinha trocado o assunto.

diga aí


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